Notas iniciais
Espero que gostem.

02/02/2016
08:03

Terça-feira

Marcelo

Depois de ver a notícia corri para o quarto, tranco a porta e me sento na cama provavelmente tendo um ataque de pânico, algum tempo depois minha mãe batendo na porta do quarto falando que dois policiais estão me procurando, penso seriamente em fugir pela janela.
—Já estou indo.

***

Dois policiais estão parados no meio da sala, no uniforme está escrito Souza e Ferreira.

—Bom dia Souza fala A gente precisa que você nos acompanhe até a delegacia.

—Posso perguntar o porquê? Minha mãe entra na conversa.

—A senhora viu a notícia dos corpos achados aqui perto, certo? -Souza responde -Uma das evidências leva até seu filho.

—Isso é impossível! Meu filho nunca faria uma coisa dessas!

—Mãe, tudo bem, deve ser só algum mal entendido, vou lá resolver isso e volto, vai ficar tudo bem.

—Promete? Ela me abraça.

—Prometo, faz um favor para mim e avisa o Felipe que vou chegar atrasado.

—Não vai precisar, ele já está na delegacia. Ferreira fala.

08:30

Quando chegamos na delegacia eles me levam direto até uma sala nos fundos, espero que seja no estilo dos filmes com uma mesa, duas cadeiras e um vidro espelhado, mas me deparo com sofás, cadeiras e alguns amigos e colegas meus. Por alguns segundos ficamos em silêncio nos encarando tentando encontrar algum sentido no que está acontecendo aqui, algumas dessas pessoas eu só comprimento por educação hoje em dia.

—Oi Digo tentando quebrar o clima e automaticamente todos começam a fazer perguntas, o que está acontecendo? Você sabe de alguma coisa?

—Tudo bem, calma, não tenho a menor idéia assim como vocês.

Antes que alguém tenha a chance de perguntar qualquer outra coisa Policial Souza entra e fala que o delegado está me chamando.

08:33

O delegado está me esperando na porta da sala.

—Bom dia, senhor Leonardo.

—Bom dia.

Vamos entrando. Na sala tem mais um homem parado no canto fumando no maior estilo filmes de investigação. Esse é o Detetive Kauan, ele vai nos ajudar nesse caso.
—Bom dia. -Ele me ignora e continua fumando —Caso, como assim?

—Tudo indica que estamos lidando com um assassino em série.

—Sério? Não pode ser. Me sento na cadeira devido ao choque de perceber que aquilo era real.

—É real e aparentemente você e seus amigos estão envolvidos. -Detetive Kauan se aproxima.

—A polícia acha que um de nós matou todas aquelas pessoas?

—Um, dois ou mais.

—Desculpa, mas isso é ridículo.

—Não ligamos para sua opinião, ou você ajuda ou vai preso.

—Como posso ajudar? Não sei de nada.

—Ele pega uma pilha de papéis e os coloca na mesa. Durante a retirada dos corpos percebemos que todos tinham uma espécie de etiqueta na cor branca, alguns tinham duas etiquetas uma branca e uma vermelha. Quer saber o que essas etiquetas significam?

—Sim?

—Nas brancas tinham nomes, uma espécie de numeração e classes.

—Não entendi.

—Exemplo: Luis, 2011, quarta série. Logo percebemos que era sobre classes de escola e quando cruzamos as informações você sempre esteve na sala de todas as pessoas que morreram.

—Não, não pode ser.

—Olha! -Detetive Kauan levantou a voz e bateu com a mão na mesa Isso aqui não é um filme onde a polícia ignora até que várias pessoas estejam mortas, isso é vida real e a gente quer parar a pessoa que fez isso antes que ela adicione um número trinta e um nessa lista.
Nós dois ficamos em silêncio, em algum momento o delegado saiu da sala.

—E a etiqueta vermelha?

—Ela tinha o nome, e endereço de todos seus amigos que estão na outra sala.

—Alguns estão mais para conhecidos, e porque eu fui o primeiro a ser chamado?

—Sua etiqueta diz "é tudo culpa dele" então parecia um bom movimento começar por você, suponho que seja lá quem estiver fazendo isso já entrou em contato, estou certo?

—Está, ele me ligou e mandou algumas mensagens, só não fui para a delegacia porque achei que era um tipo de trote e não um doido.

—Posso ver seu celular? Entreguei para ele.

—Vamos para outra sala, preciso te mostrar uma coisa.

08:56

Caminhamos até outra sala com aparência de que foi arrumada as pressas, dois policiais estavam parados na porta, quando entramos na sala fiquei tão surpreso com o que vi e não consegui conter o riso.

—Desculpa — Disse — Foi uma risada de nervosismo.

—O quê acha?

—Não acredito que estou vendo um murder board estilo filmes.

—Era uma parede com a foto de todos, Ana e Daniel os gêmeos que brincava quando criança, Vinicius e Thainara, os irmãos que também brincava, duas fotos de pessoas que não reconhecia, mas o rosto era familiar, Matheus, Guilherme, Gustavo, Felipe, eles eram meus amigos atualmente, Alecsandra, Neto e Bia, conheci durante o ensino médio.

—Quem são esses dois? Não consigo ligar o rosto ao nome Apontei.

—Esses são... Detetive Kauan mexeu em alguns papéis Ingrid e Giovane, ela estudou com você de 2010 até 2012 e ele de 2009 até 2010 antes de mudar de escola.

—Hun... E todos são suspeitos?

—Suspeitos e possíveis vítimas.

—Me sinto mal por eles, não troco uma mensagem em anos agora vou aparecer e falar "Oi tem um assassino atrás de você e é minha culpa"

—Se algum dia eles foram seus amigos mesmo provavelmente vão entender.

—Valeu pela frase motivadora. Então, qual é a linha de pensamento aqui?

—Nós sabemos que o assassino é obcecado por você e que existe 90% que a foto dele esteja nessa parede.

—90%?

—Os 10% a gente sempre deixa em aberto caso ele comece a matar pessoas que não estão nessa lista.

—E o que acontece se ele matar pessoas que não estão na lista?

—Aí meu amigo nós estamos mais ferrados que o normal.

Felipe

08:40

—Ana e Daniel, o delegado está chamando vocês — Um dos policiais, Ferreira apareceu na porta e dois o seguiram.

Conhecia quase todos que estavam naquela sala, já tinha atendido eles, mas nunca conversei com nenhum.

—Será que isso tem alguma coisa a ver com aquela notícia dos corpos? — Era Gustavo se me lembro bem que estava falando com Guilherme e Mateus.

— A gente estava com o Marcelo ontem a noite, não vejo ligação nenhuma — Guilherme respondeu.

Assim um a um foi chamado pelo polícial, ninguém voltava para a sala, talvez eram liberados ou presos.

09:47

Kauan

Todos eram chamados e levados até uma sala onde respondiam onde estavam durante a noite, se tinha alguém que podia provar isso. Até agora todos tinham álibis, claro que eles teriam, o jogo não ia acabar na primeira rodada.

09:50

Marcelo

Meus amigos e colegas foram levados para outra sala, parei na porta e respirei fundo tomando coragem antes de abrir quando entrei não dei a chance de ninguém falar nada.

—O quê eu vou falar agora vai parecer loucura, mas vocês tem que acreditar em mim e na polícia. Aqueles corpos achados ontem eles tem algumacoisa relacionada comigo e com vocês de certa forma.

—Como assim? — Mateus perguntou.

—Todos eles já estudaram comigo, e é por isso que vocês estão aqui.

—Nós somos suspeitos? — Thainara perguntou.

—Sim e não, somos suspeitos e prováveis vítimas.

—Vítimas?

—Essa é a parte doida, tudo indica que tem um assassino atrás de mim e ele pode estar nessa sala agora.

Todos começam a se olhar com suspeita.

—Eu nunca mataria ninguém — Vinicius falou.

—Isso é o que todo mundo vai dizer — Gustavo rebateu.

—Calma gente, não vamos sair acusando uns aos outros, o delegado Kauan disse que todo mundo está liberado e que é para todos não saírem de casa pelo menos por hoje.

—Não posso parar minha vida por sua causa, meus irmãos mais novos precisam de mim o que você sugere que eu faça? —Era Ingrid que não via fazia anos.

—Me desculpa por isso, não era meu plano isso também, acho que a polícia pode te escoltar, vamos falar com o Detetive Kauan.

—Eu vou sozinha —Ela saiu quase derrubando os policiais que estavam na porta.

Todos saíram sem falar comigo, menos meus amigos que só falaram que iam me ligar depois, só sobrou o Giovane na sala que veio na minha direção.

—Oi — Ele falou.

—Oi, quanto tempo.

—Faz tempo mesmo, esse negócio é sério mesmo, quer dizer, o polícia tem certeza?

—Quem fez isso deixou um bilhete escrito "vou matar mais gente" então eles tem certeza.

—Não acredito que estou na mira de um assassino, isso é emocionante e ao mesmo tempo aterrorizante.

—Eu só acho horrível.

—Não te acusando de nada, mas você aceitou essa coisa de assassino perseguindo a gente rápido demais.

—Mesmo que não fale com a maioria em anos ainda me importo com eles e ficar negando a situação não vai ajudar em nada e isso aqui é vida real.

—Você tem um bom coração, agora tenho que ir, seu celular está com você?

—Não, ficou com o Detetive Kauan

—Então passa seu número que depois te ligo.

—Eu devia pegaro número de todos né?

—Devia.

11:00

Horas depois de ficar vendo papéis e tentando achar alguma pista Detetive Kauan disse que devia ir para a casa e que qualquer coisa ele me ligaria e vise versa, quando sai da delegacia meu telefone tocou.

—Giovane?

—Quase — Era ele.

—Estou na frente da delegacia, não acho que é um movimento muito esperto seu.

—Não se preocupe comigo, gostei do seu discurso na sala.

—Você estava na sala?

—Talvez, ou talvez meu parceiro estava e gravou tudo.

—Deixe meus amigos fora disso!

—Assim não teria graça —Ele desligou.

20:27

Expliquem para minha mãe tudo e ela compreendeu mais fácil do que esperava, ainda bem que ela é uma daquelas mulheresque acreditam no trabalho da polícia. Meu telefone tocou, era o Felipe.

—Oi, tudo bem?

—Tudo, preciso que você venha na loja, como não conseguimos abrir hoje a gente precisa já deixar algumas coisas prontas para amanhã.

—Tudo bem, só vou tomar banho e já vou.

—Não demora.

20:30

Felipe

Estava nos fundos da loja pegando alguns produtos quando vi pelo canto do olho alguém passando pela porta.

—Esse foi o banho mais rápido da história.

Marcelo não respondeu.

—Chega de brincadeira e vem aqui me ajudar.

Sai do quartinho e então vi alguém parado alguns metros a frente, uma um jaleco preto com uma touca preta e no rosto tinha uma máscara no estilo de porcelana toda branco, antes de conseguir fazer qualquer coisa ele correu na minha direção e não pude fazer mais nada a não ser deixar as caixas caírem e correr de volta para o quarto, tentei fechar a porta, mas uma das caixas ficou no caminho. Ele chutou a porta prendendo meu braço entre ela e a parede, tentei dar um soco com a mão livre, mas ele a segurou facilmente e antes que pudesse gritar ou fazer qualquer coisa ele levou a faca na minha garganta e cortou.

20:50

Marcelo

A porta estava aberta, o que não era comum, entrei e chamei pelo Felipe, mas ninguém respondeu, fui até os fundos e vi o corpo dele caído no chão.

—Felipe? — Me aproximei e vi o corte na garganta —Merda.

Coloquei a mão no peito dele para chegar se ainda respirava, mas não senti nada, será que o assassino ainda estava na padaria, corri para fora e na luz do poste percebi que minha mão e meus sapatos estavam sujos de sangue. Peguei meu celular.

—Detetive, ele matou o Felipe.

—Onde você está?

—Do lado de fora da padaria.

—Não saia daí, já estamos chegando.

21:00

Todos na lista recebem um vídeo que mostra Marcelo entrando no carro as 20:30 e voltando as 21:40 na noite de Segunda-feira.

Notas finais
Vítimas das circunstâncias está disponível para compra na Amazon, você pode comprar se quiser ajudar um autor brasileiro. https://www.amazon.com.br/dp/B07TWCVBTJ/ref=mp_s_a_1_1?keywords=Leonardo+Souza&qid=1562036637&s=digital-text&sr=1-1