Vínculo
46 Capítulo 45
—... Dessa forma, decido que a tutela da menor Sophie Granger ficará sob os cuidados de Hermione Jean Granger, uma das requerentes, visando o vínculo afetivo construído ao longo dos anos em que mantiveram relação de mãe e filha e que não deve ser quebrada em consideração a saúde psicológica da menor. Entretanto, a outra demandante, Astoria Greengrass, terá o direito de conviver periodicamente com a menor citada, visto seu direito de conhecer e manter contato com a mãe biológica, a qual não abdicou da criança, mas foi vítima de crime de sequestro de incapaz praticado pelo supracitado ex Chefe dos Aurores Harry James Potter...
O mundo de Hermione girou enquanto ouvia a parte mais importante da sentença proferida pelo juiz à sua frente. O tom entediado apenas fazia com que tudo ficasse pior e precisou apertar o tampo da mesa até que os nós de seus dedos estivessem brancos para que não se levantasse com a intenção de protestar sobre o fato de que teria de, descaradamente, dividir sua filha com outra mulher.
Respirando fundo, sentiu a mão do advogado ao seu lado apertar seu antebraço para mantê-la calma e não demorou a ouvir o ruído pesado e quase fúnebre do martelo sendo batido em sinal que a decisão já estava tomada, aquele era o veredicto final.
Há minutos atrás era irreal demais pensar que Sophie estava prestes a ter, oficialmente, duas mães, mas rapidamente o juiz fez sua decisão ser acatada e, como se fossem um casal brigando pela guarda do filho, teriam de compartilhá-la e organizarem-se, como o próprio meritíssimo recomendara, visto que agora tinham deveres em relação à Sophie e deviam pensar no bem da criança.
Astoria e Hermione deveriam também considerar a situação nova que Sophie estaria vivendo a partir de então e um profissional especializado teria de ser contratado para que fosse realizado um acompanhamento psicológico para que fosse garantido que a menina não tivesse de lidar com problemas futuros.
Sua filha, entretanto, estava exultante com a possibilidade de ter duas mães – visto que uma coleguinha de sua escola trouxa vivia a mesma situação -, pois Astoria já vinha visitando-a regularmente e conquistando-a aos poucos, ainda que ambas pisassem em um território novo, inexplorado, completamente incerto. Por insistência de Draco, Hermione concedera que elas tivessem tal proximidade antes da sentença do juiz, pois nas palavras dele “seria bom que elas se conhecessem aos poucos e não em um baque único e imprevisível que pode ser um desastre”.
Seria melhor para Sophie, era o que Hermione tinha em mente. Não havia como lutar contra o fato de que a menina era filha biológica de Astoria Greengrass e a morena parecia saber que isso corroia Hermione por dentro. A cada vez que se encontravam, a mulher dava um jeito de soltar algo em relação ao fato para tentar atingi-la.
Além disso, seu advogado a alertara para as chances quase mínimas que tinham de ganhar a causa por completo. Astoria tinha seus direitos, assim como Sophie, e seria injusto que apenas Hermione fosse beneficiada na questão quando a primeira fora prejudicada por ações alheias a seu controle.
Dessa forma, Hermione levantou a cabeça para encarar Greengrass, a qual sustentava um enorme sorriso enquanto levantava-se para abraçar Zabine, radiante com o resultado do processo. Como lidar com a mulher que estava praticamente lhe arrancando uma parte essencial de sua vida? Se, ao menos, Astoria tivesse alguma culpa em toda a história que os levara até aquela sala de tribunal talvez fosse mais fácil sentir raiva dela, considerou. Todavia, a morena era tão vítima quanto Hermione e ela apenas queria ser parte da vida do ser que colocara no mundo.
Respirando fundo também se levantou, seu olhar recaindo sobre a figura de Draco que a esperava com um pequeno sorriso compreensivo e as mãos escondidas nos bolsos do casaco escuro e grosso. Narcissa se encontrava ao seu lado conversando animadamente com Astoria, provavelmente certa do que Hermione não gostaria de admitir nem para si mesma: Greengrass merecia aquela pequena vitória. Não por quem era, mas pelo que passara durante todos aqueles anos em que não tivera nenhuma notícia a respeito de seu bebê perdido, pelo que a tornara a mulher amarga que se mostrava agora.
— Tudo bem? – Apenas concordara com a pergunta de Draco e voltou-se para a mulher que parecia, surpreendentemente, não saber como agir que agora que conseguira aquilo pelo que tanto lutara e olhava Hermione com o semblante incerto convencendo-a de que, talvez, entendia o que estava lhe fazendo.
— Precisamos conversar sobre... Como iremos nos organizar a partir de agora. – Hermione manifestou-se após um pigarro desconfortável. – Eu irei falar com Sophie sobre o assunto, primeiramente, explicar como as coisas vão funcionar. Acredito que ela seja nossa prioridade, certo?
— Sim, claro. – Astoria parecia surpresa com a facilidade com que Hermione estava aceitando ou rendendo-se a decisão judicial, mas a verdade é que não estava sendo fácil. Prepara-se antecipadamente, é claro, vinha tentando convencer-se a si mesma que dividir uma parte do coração de Sophie com a mulher era uma possibilidade muito cabível e provável. Entretanto, lidar com a verdade concreta era como dar um passo em falso nos degraus de uma escada. – Posso passar na sua casa quando... Estiver pronta.
O silêncio reinou por alguns momentos após a concordância breve de Hermione, nenhum dos presentes certo de qual seria a próxima ação apropriada, todos pareciam ter a impressão de que qualquer coisa que dissessem pudesse ofender uma das duas mulheres que tanto discutiram, se ofenderam e se atingiram, de alguma maneira.
Dessa forma, Narcissa tratou de direcionar a conversa a um campo neutro e sem importância sobre a data do retorno de Draco e da própria Hermione a França, levando em conta que suas pendências jurídicas haviam terminado na Inglaterra.
— A casa de Hermione está cheia de caixas. – Respondeu Draco. – Iremos daqui a dois dias. A última Chave de Portal sairia hoje e acho que todos estamos esgotados demais para lidar com possíveis empecilhos de viagem. Além disso, os negócios já foram negligenciados demais durante os últimos meses.
— Er... Blásio e eu já concordamos que também podemos nos mudar. – Astoria também se pronunciou. – A França é um grande reduto do quadribol mundial e eu tenho chances legítimas de conseguir uma vaga em um bom time.
— Isso irá facilitar muito as coisas. – O loiro concordou e a chamou para irem buscar Sophie que ficara, temporariamente, sob a responsabilidade de uma estagiária que parecia, entretanto, uma secretária jurídica na sala ao lado.
— Granger, podemos falar a sós? – A expressão de Draco e Zabine era de total espanto, mas não demorou a que eles saíssem do ambiente, acompanhados de Narcissa. Assim, estando apenas as duas mulheres no tribunal completamente vazio, ainda demorou algum tempo até a morena escolhesse as palavras certas, batendo nervosamente com as unhas contra a mesa próxima de madeira e suspirando, como se o que lhe viesse à mente não fosse apropriado para o momento ou para a relação conturbada que tinham construído até então. – Eu queria dizer que... Entendo como o que está fazendo e o que irá fazer a partir de agora é complicado. Sei que não fui a melhor pessoa nos últimos meses, sei que pareço estar com intenções de minar sua relação com Sophie, mas... Seria bom que não pensasse dessa forma. Eu... Vi como vocês se tratam e é muito claro para qualquer um o amor que rege essa relação. Percebi que a criou da melhor forma que pôde e que pode não ser o modo como eu a teria criado, mas... Você é a melhor mãe que Sophie poderia ter tido naquele momento.
“Acredite, não... É nada fácil admitir isso em voz alta e acho que, em partes, é o motivo pelo qual a tratei tão mal durante todo este tempo. Eu gostaria de ter sido para Sophie a mãe que você foi, é e sempre será. Eu... A invejo por que... Eu nunca serei essa mãe, entende? Não será pra mim que ela correrá quando se machucar após um jogo de quadribol, quando menstruar pela primeira vez, quando se der conta de que está apaixonada ou quando conquistar algo que lhe seja muito importante. Você será a primeira pessoa que ela abraçará nesse momento e... Não importa o quanto ela se encante comigo ou o quanto eu lute por isso ou... Que ela tenha consciência de que sou sua mãe biológica, por que eu? Eu serei sempre aquela que veio depois.”
Hermione examinou o rosto banhado em lágrimas da mulher à sua frente. A essa altura, Astoria já respirava com dificuldades e não lembrava em nada a mulher triunfante que se mostrara logo depois de proferida a sentença do juiz. Ela ganhara, finalmente, mas a sensação de que seria a outra mãe – se não para sempre, mas por um bom tempo – era latente e Hermione não podia ou queria discordar.
— Eu irei colaborar com você, Astoria. – Hermione deu de ombros, molhando os lábios enquanto pensava no assunto. – Não por algum tipo de nobreza. Eu não o estaria fazendo, se pudesse, não iria colaborar se a justiça não me mandasse. Eu gostaria, mesmo, que ela fosse só minha, não serei hipócrita. Queria que seu coração tivesse espaço apenas para mim e ninguém mais. A questão é que minha vontade de ser a única mãe que Sophie conhece não tira o seu merecimento. Você não contribuiu para chegar aonde chegamos, é mais do que justo que possa conviver com a filha que lhe foi tirada.
Hermione repensou tudo que tinha dito, consciente de que podia ter sido um tanto cruel em relação à convicção com que o falara, mas chegara à conclusão de que fora o mais sincera possível sobre a situação que viveriam dali em diante. Por fim, decidiu deixá-la com seus pensamentos, tentando recompor-se de suas lágrimas. Não eram próximas e estavam muito longe de sê-lo, portanto, não precisaria desempenhar o papel de ombro amigo compreensivo.
Quando chegou a sala de espera, Draco já tinha Sophie no colo perguntando-a se havia ficado bem com uma estagiária jurídica do Ministério enquanto os adultos resolviam as pendências restantes para que pudessem seguir com suas vidas sem nenhum problema relacionado ao passado, onde deveria ficar a partir de então, como desejava Hermione.
— A Srta. Evie foi legal com você? – Perguntou Hermione, sorrindo à filha.
— Ela disse que tem um irmão menor e que podemos brincar juntos, se eu quiser! – Disse Sophie, animada com a possibilidade de fazer um novo amigo na Inglaterra.
— Caso surja a oportunidade, podemos pensar. – A menina comemorou e foi ao chão novamente para se dirigir a Srta. Evie, sob os olhares atentos de Draco e Astoria, que parecia ter se utilizado de magia para esconder os maiores vestígios de suas lágrimas.
Eles ainda não haviam se acostumado ao fato de ter a filha deles novamente, Hermione pensou, ainda se encantavam com cada novidade que descobriam sobre Sophie, sua personalidade e até mesmo os defeitos, como o fato de às vezes demonstrar um leve desdém por certas coisas ou pessoas. Além disso, a menina gostava de impor sua opinião, de argumentar quando achava que tinha razão, o que Draco claramente gostava, apesar de não alardear para que Hermione não o reprimisse por incentivar a menina a enfrentá-los.
— Bom, já que nosso compromisso por aqui terminou, acho que podemos ir. – Declarou Narcissa, já se despedindo de todos enquanto Hermione observava Astoria ir até Sophie, abaixando-se para olhá-la.
— Sophie, eu sei que ainda é cedo para se acostumar com o fato de eu estar em sua vida. Eu ainda sou uma estranha para você, não é? – Sophie não concordou explicitamente, mas abaixou a cabeça de forma pensativa. Apesar de estar conhecendo Astoria aos poucos naqueles meses passados, não havia intimidade entre elas. A mais velha acariciou os cabelos loiros da pequena, fazendo com que a mesma lhe olhasse – Eu quero lhe dizer que... Estou disposta a esperar o tempo que for necessário para que você me aceite em sua vida. Não como uma segunda mãe, como sua mãe. Eu amo você, ainda que não seja aquela pequena criaturinha que saiu de dentro de mim, que só vi de relance e por quem nutro ou... Nutria certa expectativa. Por que... Ter você aqui, na minha frente, linda e forte, é melhor do que imaginei em toda a minha vida.
Antes que Hermione pudesse pensar, Sophie abraçou Astoria, fazendo a mesma suspirar aliviada enquanto acariciava os cabelos de Sophie com cuidado e adoração, como se apertá-la demais fosse fazer com que quebrasse e, dessa vez, a mulher não queria correr o risco de perdê-la.
Entendeu que Sophie já havia compreendido o que estar naquele lugar significava: as coisas mudariam. Astoria estaria definitivamente – periodicamente – na vida deles, deixando de ser a sombra que as vinha perseguindo nos últimos meses para, efetivamente, estar ao lado delas.
— Pode me levar para tomar um sorvete, se quiser.
— Você é uma garotinha facilmente comprável. – Disse Draco em tom de divertimento, fazendo a menina dar de ombros.
— Estamos falando de sorvete!
Replicou ela como se isso explicasse todos os seus motivos e, por fim, despediram-se. O local era grande e havia algumas lareiras prontas para aparatação que os demais usariam, mas Draco Sophie e Hermione iriam à Londres trouxa comprar o jantar, pois todos estavam exaustos para lidar com isso quando chegassem a casa.
Àquela hora, o Ministério da Magia já não se encontrava lotado como de costume, o que agradeceu mentalmente, pois não gostaria de ter todos aqueles olhares tipicamente curiosos sobre si, como vinha acontecendo sempre que se encontrava em um local tipicamente bruxo. Sophie aproveitou o átrio relativamente vazio para largar sua mão e sair correndo encarando tudo com extrema admiração, pois o mundo bruxo inglês ainda lhe parecia grandioso demais, uma novidade com possibilidades infinitas de exploração.
Assim, enquanto observava como os cabelos loiros da menina balançavam conforme ela corria e parava para observar algo que lhe chamasse a atenção, sentiu a mão de Draco entrelaçar-se à sua, levando-a para mais perto de si e fazendo-a aconchegar-se mais a ele, como gostava.
— Está com o semblante cansado.
— Foi um longo dia, não é?
Apesar das várias tentativas da defesa de Astoria para conseguir mais um recesso que, talvez, pudesse fazer com que tivesse a guarda de Sophie, o juiz estava decidido a resolver a pendência naquele dia, o que fez com que a audiência se arrastasse por boa parte da tarde e adentrasse a noite.
— Eu, sinceramente, achei que quando terminasse não estaria lidando tão bem com tudo isso. – Hermione pensou por um momento e suspirou, deitando a cabeça no ombro masculino.
— Eu não estou. – Confessou em tom baixo, sem jamais tirar os olhos de Sophie. – Não estou “lidando bem”. Esse me parece o momento mais ambíguo de toda a minha vida. Eu ainda sinto que vou perdê-la em um piscar de olhos com a aproximação de Astoria, ainda quero ter seu coração só pra mim, mas... Ao mesmo tempo, sinto que Astoria merece a chance de sentir aquela sensação inigualável que é abraçar uma criança e saber que ela é sua, que faria o possível para agradá-lo, para lhe dar o mundo e mais um pouco por que a ama incondicionalmente.
— Você não vai perder tudo isso. – Seus passos diminuíram enquanto encaminhavam-se à cabine telefônica que os levaria às ruas de Londres. – Será um novo sentimento para Astoria, algo com que terá de lidar a partir de agora, como eu lidei. Algo novo, bom e... Assustador. Mas, independentemente do que diga a biologia, nada lhe tirará essa sensação.
Hermione não respondeu, considerando que ele tinha razão e que deveria sentir isso em seu íntimo com toda aquela certeza que ele lhe passava. Porém, não o sentia e isso, essa situação, lhe causava estranheza, lhe assustava mais do que gostava de admitir. Portanto, era bom que Draco estivesse ao seu lado lhe passando tanta segurança, lhe deixando confiante de que, depois de tudo, ainda teria o coração de Sophie, como sempre havia sido.
Porém, não houve tempo para responder, pois seus olhos vagaram da figura de sua filha à da mulher ruiva e distraída que vinha caminhando a passos rápidos em sua direção enquanto conversava seriamente com um homem que Hermione desconhecia. Compenetrada como estava, Ginny não a viu até que estivessem a apenas alguns passos de distância, estancando assim que seus olhos se reconheceram.
Hermione achou que a outra fez menção de seguir caminho, sem cumprimentá-la, provavelmente ainda envergonhada por tudo que acontecera, mas não permitiu, dirigindo-se até onde estava e cumprimentando-a sem animosidades. Ginny e Ron não foram condenados a Azkaban, mas, como cúmplices, estavam prestando serviços à comunidade. A ruiva, por exemplo, tivera uma pena quase simbólica, pois assim o impacto seria menor às crianças e ao bebê que estava esperando.
— Ginny, como está? – A ruiva pareceu surpresa e empalideceu por alguns segundos, mas logo se recuperou proferindo um pigarro desconfortável.
— Bem, na medida do possível. O bebê chuta o tempo todo agora e estou mais cansada que o normal. – Ela acariciou sua enorme barriga como se tentasse acalmar a criança que carregava. – Você?
— Vou ficar melhor agora. Minha briga judicial com Astoria finalmente acabou. – Deu de ombros, observando o homem que estava com Ginny afastar-se para lhes dar privacidade, assim como Draco, que se dedicara a conversar com Sophie e lhe explicar a história do lugar. – Poderei voltar para casa.
— Entendo. – A ruiva deu de ombros. – Tudo que viveu aqui nos últimos meses foi como um pesadelo. Eu espero que... Fique bem, Hermione. Realmente espero.
Hermione viu a sinceridade no olhar da ruiva e sentiu como se algo estivesse quebrando-se dentro de si. Tudo poderia ser tão diferente, elas poderiam estar bem, cultivar aquela amizade que um dia lhe fora saudável. Porém, na mesma medida que a encarava e percebia como aquele vínculo acabara de forma tão tola, lembrava-se de como, do por que, dos responsáveis. Então, entendia que nada seria como antes, pois o fantasma dos atos daqueles não a deixaria.
— Eu também desejo o mesmo a você, Ginny. – Hermione sorriu, sem graça, observando o rosto inchado da outra. – Vocês estão sendo punidos e essa nova... Condição do nosso relacionamento já está me afetando o suficiente para que não seja cruel a ponto de querê-los mal.
— Gostaria de poder voltar no tempo e fazer tudo da maneira certa, de um jeito que não a tivesse machucado tanto. – Declarou Ginny, com os olhos cheios de lágrimas, no que deu de ombros.
— Gosto de como as coisas estão. – Seu olhar recaiu sobre Draco, rindo de algo que Sophie dissera e a ruiva compreendeu. – Tudo pelo que passei parece ter sido o caminho necessário para chegar aonde cheguei. Pode ter sido cruel, especialmente nos últimos meses, com toda a possibilidade de perder Sophie, mas... Eu tive a oportunidade de amá-la incondicionalmente pelos últimos sete anos, então... Eu não usaria um vira-tempo, nem se o tivesse.
— E eu a entendo, mas não é você que tem de conviver com o fato de ser responsável por perder de vez sua melhor amiga. – Hermione não a contestou. Em momento algum se sentira culpada pelo que acontecera, embora também não considerasse Ginny seu carrasco. Ela se deixara levar pelo amor que sentia por Harry e tinha consciência disso, acreditava, por isso se sentia responsável. – Bem, de qualquer forma, você sempre será bem vinda em minha casa.
— Obrigada.
Ginny, entretanto, não ficara para ouvir, pois parecia apressada para resolver seus próprios problemas ao encaminhar-se em direção ao homem, que a recebeu com um olhar sério e analisador, como se tentasse entender por que as duas ainda se falavam.
Suspirando, Hermione dirigiu-se sem pressa até onde Draco e Sophie se encontravam, conversando aleatoriamente sobre um monumento em homenagem à primeira ministra da magia mulher da história. A menina parecia encantada com a possibilidade de ver uma chegando tão alto no poder bruxo.
— Como foi? – Perguntou Draco, enquanto sua pequena lia a descrição logo abaixo da estátua esculpida em pedra clara.
— Estranho. Um pouco triste. – Constatou Hermione, no que ele a encarou compreensivamente, acariciando sua nuca de forma carinhosa.
— Você não precisa cortar de vez seus laços com ela ou... Eles.
Sugeriu-o seriamente, claramente condenando-se por considerar a possibilidade, pois, o fato deles terem se afastado, não afetava Draco em seu íntimo da mesma forma que Hermione. Eles eram seus amigos, mas, para o loiro, eram apenas seus inimigos de infância.
— Eu não conseguiria. – Negou veemente. – Não é como quando eu escolhi ir embora, ciente de que estariam aqui se voltasse, considerando que o episódio da internação poderia ser superado. Agora, isso? Eu jamais esqueceria o que fizeram, o que Harry fez, principalmente, por mais que quisesse. Eu não confiaria em nenhum deles, novamente e... É horrível saber e dizer isso.
Quando terminou de verbalizar o que sentia em relação a toda aquela situação, Hermione tinha a respiração ofegante e os olhos cheios de lágrimas, mas recusou-se a derramar alguma, voltando sua atenção a Sophie.
— Ela será a próxima Primeira Ministra. – Sophie concordou, empolgada ao pensar em tudo que poderia fazer como Ministra, ainda que não soubesse que não poderia executar metade de seus planos naquela função.
Logo, não demorou a que saísse matraqueando a frente de seus pais, enquanto ambos a seguiam pensativos e encantados sobre como as coisas seriam dali em diante, pois era inegável que a vida deles sofreria mudanças radicais. Assim, Draco passou um braço ao redor de seus ombros, puxando-a para um abraço lateral, enquanto beijava sua têmpora e aspirava o cheiro de seus cabelos.
— Tudo melhorará quando voltarmos para casa.
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