Vínculo
37 Capítulo 36
Resignado, Draco encarava Astoria andar de um lado para o outro na sala de estar da luxuosa mansão dos Greengrass. Após sair da casa de Hermione, sua primeira decisão fora procurar a ex-mulher para que pudesse pará-la antes que mandasse reabrir o inquérito sobre o desaparecimento de Gwen.
Entretanto, aparentemente, alguém havia vazado a informação de que Astoria tivera encontros com o advogado de sua família e do caso em questão, Phill Avery, pois os portões da Mansão estavam lotados de repórteres à espera de uma declaração sobre o assunto.
O lugar em si não era nada parecido com a propriedade dos Malfoy e entendia perfeitamente por que Astoria detestava a mansão de sua família. O local onde ela fora criada era claro, arejado, repleto de janelas enormes de vidro em vários lugares e, principalmente, confortável. Sofás claros, tapetes fofos e poltronas espaçosas estavam espalhados por toda a sala e, no geral, toda a casa refletia aquele ambiente muito mais familiar do que fora acostumado em sua vida.
– Está me dizendo que agora Granger está dando uma de boa samaritana? – Disse Astoria parecendo indignada. – Que contou tudo a Sophie, toda a verdade?
– Sim, foi o que ela fez. – Draco deu de ombros, dispensando o copo de conhaque que um elfo doméstico lhe oferecia com as orelhas abaixadas e os olhos temerosos. – As coisas mudaram, Astoria.
– Apenas para você. – Declarou ela duramente. – Eu quero que Hermione Granger seja punida por todo o mal que nos fez e sabe que não é pedir muito, Draco, ela acabou com a nossa família...
– Sabe que nunca fomos uma família.
– E Granger nem nos deixou tentar ser uma! – Astoria quase gritou, os olhos vermelhos e lacrimosos. Blásio tentou ampará-la, mas ela o empurrou e andou até próximo a lareira, parando com os braços cruzados enquanto o olhava de forma acusadora. – Entendo, Draco, entendo sua situação, mas não hesitarei em... Passar por cima de seus sentimentos para vê-la pagar pelo que fez.
Draco suspirou, encarando Blásio, que apenas deu de ombros e sentou-se colocando os pés sobre a mesinha de centro, como se não estivesse minimamente preocupado com toda a situação. Realmente, sabia que ele não estava.
– Podemos conversar a sós?
– Não tenho segredos com Blás. – Astoria respondeu ofendida e Draco revirou os olhos, impaciente com as atitudes da mulher.
– Por favor.
Encarou o moreno seriamente, acrescentando uma centelha de educação ao que o outro deveria encarar como uma ordem. Blásio levantou as mãos e saiu da sala batendo a porta como uma criança contrariada. Voltou-se para Astoria, que não colocava os olhos sobre algo que não fosse ele.
– Blásio não influencia em minhas decisões.
– Eu espero mesmo que não. – Draco se aproximou. – Por que Blásio sempre foi, e você sabe disso, rancoroso ao extremo e tenho certeza que nunca esqueceu aquelas rixas infantis que tivemos com Hermione, Potter e Weasley.
– Ele não é mais assim...
– Ele não pensaria duas vezes para ferrar com um deles. – Declarou fazendo-a balançar a cabeça, desconfortável, mas, pela primeira vez, não tão confiante quanto esteve em todos os momentos. – Você não precisa disso, Astoria. Reabrir esse inquérito só fará com que todos saiam ainda mais machucados...
– Se estivesse preocupado comigo, com os meus machucados e as minhas feridas abertas, deixaria que eu acabasse de vez com tudo isso! – Astoria gritou, provavelmente não aguentando mais a pressão daquele assunto sobre ela. – Granger é a responsável por tudo isso e quando ela estiver presa, pagando por seus crimes, tudo ficará bem novamente. Teremos nossa filha novamente, Draco.
– Não, não teremos, e é exatamente isso que não entende! – Draco a segurou pelos ombros para que não se afastasse e tivesse o privilégio de não olhá-lo. – Sophie tem sete anos e jamais nos perdoará se colocarmos a única mãe que ela teve durante todo esse tempo na cadeia. As coisas não vão ser como no conto de fadas que criou em sua mente, Sophie irá odiá-la por prejudicar Hermione...
– Ela tem que entender... – Astoria soluçou, enxugando as lágrimas que haviam caído.
– Ela não irá! – Draco a soltou, quase arrependido por praticamente jogar a verdade sem nenhum cuidado sobre a mulher, mas sabia ser necessário. Se ela tinha alguma esperança de ser feliz no futuro, trilhar um caminho de vingança que gostaria apoiada por Blásio Zabine não era a melhor opção. – Não será machucando uma figura que sempre esteve presente na vida dela que irá conquistá-la, acredite, você não conhece o mínimo da determinação que aquela garota possui. Sophie sabe que é mãe dela e quer lhe conhecer, mas quem ela ama de verdade é Hermione e terá muito trabalho para mudar isso.
Astoria não pareceu acreditar em suas palavras ao primeiro momento, as lágrimas escorrendo por seu rosto como se ela sequer sentisse enquanto o olhava com dor. Ela sabia que era verdade, não poderia simplesmente querer construir uma nova realidade para Sophie quando esta já tinha toda uma vida. Considerando que Greengrass tinha grandes pretensões de entrar no coração de Sophie como uma figura materna, era praticamente um feitiço no pé a intenção de destruir o castelo de areia arquitetado por Hermione.
– E quanto a Granger? – Disse ela, completamente amarga. – Acha justo que ela não pague por tudo que nos fez? Ela é a responsável por toda a infelicidade pela qual passamos e você continua completamente passivo sobre isso! É exatamente isso o que mais me irrita em você: está aqui, defendendo Granger, como se não se importasse minimamente com tudo que nós passamos!
– Hermione não sequestrou nossa filha, Astoria. – Fez com que a mulher se voltasse para ele, puxando seu braço levemente mais forte do que desejava. – Não pode simplesmente acusá-la com base no bilhete de um desconhecido que tem grandes chances de ser o verdadeiro criminoso dessa história. Quer fechar suas feridas? Quer encontrar um culpado para sua infelicidade? Eu entendo e a apóio, mas faça isso pensando claramente, pois tudo que está fazendo nos últimos tempos é ser condizente com a manipulação barata de Zabine.
Astoria respirou fundo e se soltou, enxugando o rosto molhado com cuidado para não estragar a maquiagem. Em silêncio, foi até a bandeja de prata que se encontrava sobre a mesinha de centro e serviu-se sem cerimônias uma dose de conhaque tomando tudo de uma vez só.
Observou a careta que ela fez ao sentir a bebida queimar enquanto descia por sua garganta, mas logo passou e Astoria o encarou, determinada.
– Agora já é tarde.
Uma movimentação foi ouvida do lado de fora e Draco supôs que se tratava dos jornalistas assediando a chegada de mais alguém na Mansão. Porém, quando abriu uma das cortinas para encarar o que realmente acontecia teve uma surpresa. Potter estava parado do lado de dentro da propriedade, mas extremamente próximo ao portão enquanto os jornalistas estavam amontoados contra a grade de ferro para não perder uma vírgula do que ele dizia.
Quando o moreno virou as costas, tomando o caminho da porta de entrada da Mansão, ladeado por dois aurores de uniforme negro, os jornalistas ainda gritaram mais perguntas e flashes e mais flashes foram disparados, mas o homem não voltou à atenção para os mesmos e logo a campainha pôde ser ouvida.
– O que você fez? – Perguntou entre dentes enquanto Astoria dava de ombros.
– Potter está aqui para tomar o meu depoimento. Ele não costuma abrir esse tipo de exceção, mas foi um pedido especial. – Um elfo apareceu do nada para informar a chegada de Harry Potter e Astoria mandou que ele fosse encaminhado até a sala de estar, juntamente com Blásio. – Agora, se Granger não é mesmo culpada, ela poderá provar isso na justiça. Se eu estive enganada, peço desculpas e todos ficarão felizes, mas se não... Ah, Draco, eu farei questão de visitá-la em Azkaban.
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