O sol fresco da manhã iluminava o quarto e a brisa leve fazia com que as cortinas brancas de tecido sedoso esvoaçassem para dentro do quarto. Sobre a cama arrumada, um uniforme de quadribol completo nas cores azul e branco.
A mulher de cabelos negros e lisos na altura dos ombros já estava acordada há horas e, no meio do quarto, esticava o corpo em movimentos de ioga. Praticara durante toda a sua vida, mas houve uma época em que não conseguia se concentrar, encontrar a paz que a ioga deveria lhe proporcionar.
Lentamente, Astoria voltou à posição normal e suspirou. Abandonara o quadribol durante o tempo em que esteve casada com Draco, mas devido ao talento natural para o esporte conseguira passar num teste de um time de Washington, D.C., apesar de ter estado inativa.
Havia demorado muito para que conseguisse restabelecer sua vida depois de todo o pesadelo que vivera após seu casamento. Draco não era uma má pessoa, admitia, mas estava pagando por tudo de errado que fizera e Astoria fora obrigada a fazer parte desse acerto de contas.
O barulho da água corrente do banheiro parou no mesmo instante em que uma coruja cinza de olhos negros adentrava o quarto, tirando-a de seus devaneios. Antes que pudesse buscar alguns biscoitos para dar a mesma, a estranha coruja já havia deixado a carta cair sobre a cama e voado em direção à saída.
Não havia remetente na carta, embora estivesse endereçada especificamente à ela. Intrigada, Astoria a abriu no mesmo instante, mas foi obrigada a sentar-se ao pé da cama assim que começou a entender o conteúdo.


Todos sempre cogitaram os Comensais da Morte como os responsáveis pelo desaparecimento de sua filha. Como parte interessada, devo lhe avisar: vocês estiveram errados, o tempo inteiro, e não encontraram a pequena Gwen Malfoy por que não procuraram onde deveriam.
Eu, em seu lugar, faria uma visita ao seu ex-marido e sua nova namorada, Hermione Granger. Todos sabem que a mesma tem uma filha da idade de Gwen, porém, ninguém sabe quem é o pai. Não acha, no mínimo, estranho que ela tenha se mudado para a França pouco tempo após o nascimento de sua filha, Srta. Greengrass?


Assustada, Astoria deixou o pedaço de papel cair, a respiração descontrolada. Esse pesadelo não poderia recomeçar, havia demorado muito para ter sua vida de volta, para conseguir ser feliz novamente. A lembrança do fantasma da filha que nem pegara nos braços estava sempre com ela, mas com o tempo a suprimiu em algum lugar obscuro de sua mente.
O homem de pele negra saiu do banheiro, com uma toalha enrolada em volta da cintura, mas parou assim que a viu.
– O que foi? — Perguntou Zabine, preocupado.
Sabia do relacionamento de Draco com Hermione Granger — e, obviamente, fora uma surpresa até para ela -, mas não tinha direito a palpitar depois de tanto tempo. Astoria procurou se afastar dos Malfoy o máximo possível quando conseguiu o divórcio, embora esperasse que Granger pudesse fazê-lo feliz de uma forma que não haviam sido.
Mas... Essa carta. Quem teria motivo para inventar uma história como essa? Culpar Granger, uma heroína de guerra, era insano! Em todo caso, a ideia de poder conhecer Gwen, tê-la em seus braços finalmente, depois de tanta esperança destroçada, era reconforte — e, ao mesmo tempo, surreal de uma maneira boa.
Como ela seria? Se parecia com quem? Há muito tempo havia se perdido nessas mesmas perguntas, quase afundado na depressão pensando em tudo que estava perdendo, tudo que alguém havia lhe tirado à força. E saber que esse alguém poderia ser Hermione Granger... Tinha direito a acender uma última chama de esperança mesmo depois de tanto tempo, era sua filha que estava em jogo.
Zabine a olhou depois de terminar de ler a carta, suspirando resignado. Como amigo de Draco, ele acompanhara toda a investigação do rapto de Gwen e tinha consciência de como pessoas sem escrúpulos haviam a machucado dando pistas falsas sobre onde a menina estava apenas para receber a recompensa milionária que os Malfoy ofereciam. Estavam na mesma situação: Astoria esperançosa e Blásio como quem deveria lhe dizer que aquela carta poderia ser apenas mais uma armadilha.
–Blás, eu preciso saber, apenas quero ter certeza... E se for mesmo Gwen? — O interrompeu, pois sabia exatamente onde a conversa iria chegar. Já haviam passado por aquilo tantas vezes. Blásio Zabine havia sido seu porto seguro quando Draco estava afundado demais em suas próprias culpas e, contrariando as expectativas, ainda estava ao seu lado. — Por favor.
– Vamos para a França, então.
Astoria o abraçou, mas não se sentiu aliviada. O peso do que estava por vir a amedrontava, o suspeito do anônimo não era um suspeito qualquer, muito menos um Comensal, era Hermione Granger.


Paris, dois dias depois


Já passava das nove quando Draco abriu a porta de seu próprio apartamento, já tirando a gravata de seu pescoço e desabotoando o primeiro botão da camisa social.
Jogou a pasta executiva displicentemente sobre uma poltrona e seguiu para o quarto, não veria Hermione hoje. Ela tinha uma regra: alguns dias da semana seriam dedicados apenas à Sophie. Draco adorava vê-la sendo mãe, mas esses dias eram uma tortura.
Ligou o som de seu quarto em uma rádio qualquer e se encaminhou para o banheiro, sua mente revivera insistentemente nos últimos dias o que Hermione lhe dissera. Fora totalmente inesperado — exatamente como o relacionamento deles-, mas... Era tão diferente ouvir aquelas palavras saídas da boca dela.
– Draco? Eu te amo.
Diferente, pois era a primeira vez em toda sua vida que ouvira tais palavras e não duvidava. Era Hermione Granger quem as pronunciava, afinal. E Exatamente por isso ficara tão assustado. Ela o amava e essa era uma enorme responsabilidade para quem nunca havia lidado com pessoas que realmente amava.
Na escuridão do quarto dela, sentiu seu coração acelerar de tal forma que nem conseguiu formular uma resposta e disse a única coisa que viera à sua mente e que fazia sentido no caos em que se encontrava. Apenas agradeceu. Por que ela havia lhe dado a chance de ser feliz e o conhecia o suficiente para saber que seu "obrigada" possuía muitos significados.
Assim que terminou de se vestir, o som da campainha se fez presente. Revirou os olhos, amaldiçoando quem quer que fosse. Detestava que aparecessem em sua casa sem avisar, exceto Hermione, claro, ela poderia vir quando quisesse. As lembranças da última vez ainda estavam bastante vivas em sua mente.
Entretanto, quando abriu a porta, sua linha de raciocínio fora completamente interrompida.
– Olá, Draco. — Disse Astoria, ladeada por Blásio Zabine.

Notas finais
Oieee!! Não sei se estou atrasada dessa vez, por que realmente não lembro quando postei o último capítulo, mas o importante é que estou aqui :D Entããão, o que acharam? Surpresos?!! Enfim, bem, vocês não esperavam uma aparição de Astoria né? Eu acho que não, ainda mais tão longa! Vocês gostaram do modo como a descrevi?! Bem, eu queria passar a imagem de alguém "renovada" e aí vem essa carta pra abalar suas estruturas. Quer dizer, eu só posso imaginar o quanto deve ser difícil dar a luz a uma criança e não poder segurá-la, então apenas tento fazer algo que eu imagino que uma pessoa nessa situação passa. Me digam o que acharam, pois Astoria ainda vai movimentar muito a fic!:D Então, e o Draco falando sobre a declaração da Hermione!! Obrigado por gostarem tanto do modo como eu fiz, apesar dos revoltados com o simples 'obrigado' dele kkkkkkk Foi uma mini explicação pra isso, certo? Espero que tenham gostado, pois há alguns capítulos houve pedidos de POV Draco! Enfim, por favor, me falem o que acharam!! Obrigada, sempre, aos comentários lindos - nem consegui eleger o melhor, sinceramente -, vocês sempre fazendo minha felicidade! E também às recomendações :D Atena Malfoy e TheArcticMuse, eu li com um sorriso enorme no rosto, as palavras de vocês foram maravilhosas *_* É tão bom ver como a fic está dando resultado! Muito obrigada mesmo :D Acho que por hoje é só, bjão! P.S: Alguém poderia me lembrar o dia que 'Memories of the past? Não tenho certeza se foi quarta ou algum outro dia. Sim, eu sou confusa assim.