Vício M(eu)

4 Capítulo 3 - Interruptor ligado.


Notas iniciais
Ó mais um capítulo aqui! Gente, vou tentar postar mais frequentemente, mas não posso garantir nada, porque minha vida é super corrida, mas prometo tentar! Gostaria de agradecer a Bailarina demoníaca e a Marilu! Espero realmente que gostem desse capítulo!

Capítulo 3 – Interruptor ligado.

Eu estava tensa, feliz e com uma ponta de humilhação. Não era normal alguém saber quem eu era. Isso era novo e desconhecido, e por ser desconhecido, me amedrontava completamente.

Naquele momento eu me encontrava deitada de costas, esparramada feito um ovo frito, na minha cama de cabeceira com finos ferros brancos se entrelaçando, formando símbolos que ninguém, jamais daria nome. Minha colcha de fundo igualmente branco, com uma flor lírio rosa ampliada, fazia o estampado que estava sob o meu corpo. Quase um cadáver.

Zack não sabia o meu nome, mas sabia quem eu era.

Essa era a sentença que adentrava meus aposentos sem pedir licença. Se dirigia até a minha cama, afofava o travesseiro e deitava-se ao meu lado. Ela fazia questão de me fazer companhia. Cada célula do seu corpo de belas curvas, feito de fumaça caçoava de mim. Ela jogava o seu cabelo liso e volumoso para um lado só, fazendo com que sua franja tapasse metade de um de seus olhos, seus lábios, faziam biquinho, por estarem esbugalhados no travesseiro, ela acariciava sua perna esquerda, com o dedão do pé direito, o que fazia se notar uma abertura lateral no seu longo e decotado vestido. A Sentença era estupidamente sensual. E de uma forma mais estúpida ainda, tinha o “rir de mim” como o seu esporte favorito.

Pode parecer algo banal e sim, de fato é. Mas para mim, Zack, –– não por ser Zack, mas por se alguém, ok... Talvez seja por ser Zack –– ter ciência de minha pessoa, é o fim do mundo. E o início da estrada para o paraíso.

Virei a cabeça para o lado e fitei os grandes olhos fumastícios da Sentença, ela ainda estava ali.

–– Já não se divertiu o bastante comigo? Vá importunar outra! –– mentalmente, exponho minha indignação a ela. A mesma apoia sua cabeça no cotovelo, se deixando numa pose ainda mais insinuante, balança a cabeça em sentindo negativo e logo após a joga para trás, gargalhando da minha frustração.

Aquele era o seu esporte favorito, não o meu. Para ser honesta, não gosto de esporte algum. Eu não a queria. E se ela não saísse por livre arbítrio, sairia comigo a levando pelos cabelos.

Para arrancar um pensamento da sua mente, precisa-se da ajuda de outro pensamento. Além de Zack, o que mais era importante para mim?

Minha redação impecável.

Levantei ignorando a Senhora Sentença e o Horário que havia acabado de chegar, juntamente com o seu velho pai, o Relógio. Horário educadamente deu duas leves batidas na porta de madeira de meu quarto e perguntou para mim se eles poderiam entrar.

“Lógico que sim.” Eu respondi com um sorriso meigo e convidativo.

Ela me olhava com os olhos espantados e com a sua boca tão aberta, que eu mal conseguia decifrar onde estavam os seus lábios. Agora tudo parecia mais uma nuvem de fumaça, com dois olhos arregalados. Seu Relógio me lançou um olhar repressivo, aquilo não eram horas para eu e o Horário brincarmos, mas para o pequeno, qualquer hora é hora. A criança teve a sábia decisão de juntamente a mim, ignorar o seu pai e vir saltitante em minha direção.

Peguei o notebook e me encaminhei para a página do Google. “Masturbação Feminina” meus dedos fizeram aparecer na tela. Vi de rabo de olho, o Relógio tapar a visão do filho, ao ver o assunto que eu pesquisava. Muitos resultados se sucedem e escolho o primeiro, apenas por ser o primeiro.

Eu estava no piloto automático, entrando e saindo de sites e mais sites, um seguido do outro, todos me causando o mesmo desinteresse, todos me dando margem para eu voltar correndo e me jogar nos braços da Sentença. No entanto, a chave certa sempre será a última do chaveiro. Abandonei esse estado assim que li “Dicas Para o Pleno Prazer”. Uma introdução clichê antecedia uma meia-dúzia de dicas para a masturbação. Leio algumas:

Dedos.

Travesseiro.

Chuveirinho.

Vibrador.

O parceiro.

Pensar em algum homem atraente.

Paro por aí, desdenhando dos outros itens que se faziam de dicas e que educadamente estavam me aguardando.

"Não despreze a masturbação. É fazer sexo com a pessoa que você mais ama." Essa é uma frase de Woody Allen, que certa vez, eu a vi em algum lugar.

Apesar de não me masturbar, e consequentemente não ter experiência para opinar, concordo com esse conceito. Masturbação é fazer amor consigo próprio. Então por que imaginar que está trepando com um gostosão?

Isso na verdade me daria um sentimento de carência ou até mesmo de incompetência. Só vou ter aquela pessoa na minha imaginação, pois na realidade seria impossível. Saber que sou uma Zé Ninguém, ou seja lá por qual outro motivo for que não consigo fazer certa pessoa se interessar por mim, não me traz prazer. Traz depressão.

Por que não usam de si próprias para alcançar o que querem? Por que não aceitam que estão transando consigo mesmo? É você e você. E (creio eu) o melhor, é que não é uma fantasia, é real.

Paro e pasmo com essa cena. Nunca me imaginei refletindo sobre masturbação. Não que eu a menospreze, apenas não estou acostumada com ela. Volto minha atenção para a tela do computador e rolo a página até o final, onde estão os comentários.

“Masturbação é algo extraordinário, só quem tem a experiência pode entender, mas só entender, porque explicar algo tão bom é sempre complicado.” Dizia uma tal de Victória.

Não é de meu feitio levar tudo ao pé da letra, mas aquela redação era muito importante. E se esse trabalho precisa ser polêmico, precisará ser chocante. Uma coisa chocante fica ainda mais chocante se é detalhada. Para detalhar é preciso conhecimento. Conhecimento só vem com experiência. Eu precisava de uma boa nota. Eu precisava fazer aquilo.

Me encaminhei para a minha cama, deite-me de costas e encarei o teto. Fiz um movimento brusco e duma vez só arranquei minha calça verde-musgo do moletom. Se antes Relógio tapava os olhos de Horário, agora ele arrastava seu filho porta a fora. Não queriam servir de plateia para aquela cena, e eu achava bem melhor assim, também não queria espectadores. No entanto, Sentença permanecia ali, me olhando com olhos duvidosos. Levo minhas mãos até minha calcinha branca. As deposito em minhas laterais, uma de cada lado do meu quadril. Fecho meus olhos fortemente e respiro fundo, um ar denso se apodera de meus pulmões. Eu não estava preparada para me deparar com o meu próprio corpo. Seria um nu diferente do nu do banho, um nu inesperado e em partes indesejado. Ainda de olhos fechados, abaixo minha peça íntima até a coxa, da coxa para o joelho e depois, numa espécie de zig-zag passo pelo vão um pé e logo após o outro. Atiro o pedaço de pano no chão, ao lado da cama. Na parte de baixo, estou totalmente nua, sinto os calafrios beijarem minhas pernas.

Abro os olhos e espio para ver se a Sentença já havia ido embora. Ela tinha pegado seu rumo, mas deixou uma lembrança em forma de bilhete.

“Deleite-se.” Sussurrava aos berros o papel. No mesmo, eu conseguia ler o seu sorriso sacana.

Desço as minhas mãos pelo meu tronco vestido, mas as pauso na linha de meu quadril, ali havia uma placa fincada. “Mata perigosa. Cuidado” Alertava ela e eu a ignorava com coração subindo pela traqueia.

Desci minha mão direita, dedilhando toda a área coberta por pelos negros, e quando chego ao fim do território plano, escorrego-a pela virilha direita. Dou passos com meus dedos e caminho para o lado. Insiro, apenas na beirada, meu dedo do meio, enquanto o indicador acaricia-me circulando todo o contorno da entrada. Faço dos meus dedos um compasso e um arrepio me sobe. Eu estava começando a me excitar.

Levo o dedo indicador ao encontro do dedo do meio. Colados um ao outro, os dois se rebolam um pouco e vão explorar mais o meu interior. Me dá uma sensação estanha, algo bem longe do prazer. Para mim, lá dentro pode ser facilmente comparado a uma caverna. É escorregadio, escuro e úmido. Apenas não é frio, nem quente. É morno e acolhedor. Vou mais ao fundo e encontro algo que me entrega um convite para brincar, e é o que faço. Acho que é o meu clitóris. O belisco. Sinto algo. Um gemido breve e cochichado me escapa. Começo a pulsar. No mesmo momento retiro meus dedos num movimento brusco. Estou assustada, o que está acontecendo? Meu sexo pulsa mais. Mais. Mais. Mais. Mais. Mais. Mais. Mais. Mais. Mais. Ma...

Era uma histeria. Sinto algo descendo, é um líquido gosmento.

“Entre novamente!” –– da porta ele gritava, numa voz roca e sensual.

Pulsava mais. Acho que nunca estive tão excitada. Não suportei. Peguei um de meus travesseiros e o coloquei entre minhas pernas. Rocei-me nele. Meu Deus, eu ia enlouquecer. A cada segundo o pulsar aumentava em intensidade e velocidade. Um prazer brotou na beira da entrada e foi me rasgando até chegar ao clitóris, ou talvez até tenha o ultrapassado. Uma energia quente e formigante percorria o meu corpo. Uma espécie de gemido gritado e breve saiu de minha garganta. Sentia uma sensação de desfalecimento se apoderar de mim, a única coisa que me dizia que eu ainda estava viva era a minha respiração ofegante. Eu estava suada, com o cabelo grudado na testa e me pressiona cada vez mais ao travesseiro.

Era um interruptor. Eu o liguei.

Mas a lâmpada era de luz natalina escarlate e piscava sem parar.

Notas finais
Heei, se sobreviveram, podem me dizer o que acharam né não?