Notas iniciais
- Se o prólogo tivesse um título, seria "A queda do muro"

Eu não sou tão difícil de entender.

Talvez você nunca tenha tentado entender.

Penso em dizer, mas não digo. Em vez disso, solto seus pulsos.

— Cansei desse jogo.

— Nunca foi um jogo se você sempre controlou as peças.

Sinto rancor em seu olhar, e isso me fere como cortes de papel. Já tinha sentido a raiva e o desespero em todas as suas cores, mas nunca um sentimento tão verdadeiramente rançoso. Eu poderia devolver a culpa, questionar todas as palavras não ditas, e eu ouviria o quanto eu não aceito escutar aquilo que não quero escutar. Eu já sei disso. Então solto o inesperado, o que provavelmente já deveria ter sido dito há muito tempo.

— Me desculpa. — faço uma pausa, e então completo: — Eu nunca quis controlar nada. Eu nem saberia como controlar qualquer coisa.