Notas iniciais
Uma breve pegação do que pode acontecer nesse meio de tempo.

Effy Paul POV

Eu havia acabado de chegar em Londres. Sou americana assumida, e simplesmente odeio Londres. Odeio ingleses. Odeio esse jeito meigo deles. Odeio esse jeito chato deles. Essa coisa clássica me enoja. Me sinto fraca aqui.

Sempre percebi que quando eu me juntava com os londrinos da minha antiga escola, eu sentia uma pontada de saudade quando eles iam embora. Eu odeio sentir saudades. Aliás, eu odeio sentir. Me sinto fraca quando sinto. Odeio admitir que não sou um ser de ferro. Eu bem que podia.

Aprendi a ser fria muito nova. As pessoas olham pra mim enquanto eu caminho como se eu fosse uma louca. É, talvez eu seja. Mas será porque, não é mesmo? Meu cabelo é azul. Sempre chamou muita atenção. Odeio chamar atenção. Mas eu amo meu cabelo azul.

Fui convidada para morar em Londres com a minha amiga Demetria. Nós não aguentávamos mais os Estados Unidos. A escola estava começando a nos pressionar demais, mas de qualquer forma, ela nunca ia para a escola. Ela tinha terminado o ano letivo primeiro do que eu, apesar de ter repetido uma série por causa do Sullivan, um idiota por quem ela se apaixonou no colegial. Eu reprovei três vezes. Eu falto aula quando eu quero, até porque, moro sozinha, e acho um verdadeiro saco ir pra escola.

Demetria nunca foi minha melhor amiga. Ela era popular demais, eu tinha nojo das meninas que andavam com ela. Os meninos do time de futebol sempre a olharam de cima a baixo, inclusive o Nick. É, o Nick Jonas, o babaca que era capitão do time.

Nunca me apaixonei. Sempre fiquei por ficar, e apesar de achar essa expressão completamente ridícula, eu gosto. Nunca saio machucada, e além do mais, fico experiente e ganho minha vida. Não gosto quando me perguntam se sou virgem ou não. Pelo menos disso, não devo resposta pra ninguém.

Quando Demetria se apaixonou pelo Sullivan, ela transou com ele no primeiro encontro. Achei um absurdo, até mesmo reclamei com ela. Mas ela se afastou de mim. E na outra semana, quando ela e Sullivan se encontraram novamente, ele deu um fora nela — daqueles que se tira o ar — e a deixou na frente da escola. Desde então, eu cansei de avisar as pessoas sobre o que fazer. Ela não fala muito comigo, mas resolvemos tentar algo diferente.

Quanto ao meu cabelo... eu amo meu cabelo. Ele era preto. Mas um preto muito pesado, daqueles que vão até a cintura, enrolado, bonito, cacheado. Mas eu sentia raiva de olhar pro meu cabelo... todo regular. Certinho. No padrão. E então o pintei de lilás. Ficou uma graça, admito, mas infelizmente, lilás não era uma cor feita para que eu usasse. Eram coisas do tipo da Demetria. Ela sempre gostou muito de lilás.

Ao chegar na casa, me deparei com uma bagunça completamente infernal. Eu não arrumaria tudo aquilo. Demetria estava com a toalha enrolada na cintura, penteando o cabelo. Estava descalça. Olhava para a TV de poucos em poucos minutos. De cinco em cinco, eu acho. O cabelo dela estava lindo, confesso. Acho ele muito mais bonito molhado.

Confesso que também adoro vê-la sem maquiagem. Sem nenhum batom sequer. Adoro o jeito que ela é natural. Ela é mais bonita assim. Sem nada.

Era difícil me ver sem maquiagem. Eu sempre estava de rímel e lápis de olho. Nunca usei salto alto na minha vida. Na maioria das vezes, eu estou com meu all star cinza, surrado e velho, que vem com algumas tachinhas atrás. Eu tinha uma jaqueta de couro que era a minha preferida, e todo dia eu a usava.

Eu e Demetria ficaríamos em quartos diferentes. Isso era ótimo, sobrava mais espaço para as minhas coisas.

Joguei minha mala no canto esquerdo do quarto. Abri o guarda-roupa, e confesso que dei uma limpada — odeio sujar minhas roupas com coisas inúteis. Minha blusa azul preferida — é porque combinava com meu cabelo — estava muito amarrotada, mas eu ainda assim poderia vestí-la. Ficava como um vestido, já que era grande demais.

Coloquei meu mini-rádio em cima da estante assim que terminei de arrumá-la. Coloquei no volume máximo a música Sweet Child O' Mine, dos Guns N' Roses. Era muito boa. Eu gostava, pelo menos.

Não desarrumei minha cama. Não tirei meu all star. Não tirei minha blusa-vestido azul. Apenas pulei em cima da cama. Eu estava com uma garrafa de Vodka dentro da minha mala. Quer dizer, uma não, eu estava com umas seis. Peguei uma delas. Apanhei meu cigarro e deitei em cima da cama.

Demorei um pouco para abrir a garrafa, mas consegui. Acendi o cigarro. Senti o perfume de Demetria envolvendo meu quarto, me deixando com um cheiro de fumaça adocicada com álcool. Olhei para a porta. Ela continuava do mesmo jeito que estava antes. Com a toalha amarrada na cintura, cobrindo apenas a parte de baixo de seu corpo, e com os cabelos cobrindo a parte de cima. Pensei na Eva, do Jardim do Éden. Aquilo era constrangedor.

Ela entrou no meu quarto e se jogou na cama comigo. Pegou meu cigarro, fumou uma ou duas vezes, e tomou um gole da minha garrafa de vodka.

_ E aí, pequena Effy? Gostou do lugar? — ela perguntou pra mim olhando diretamente para minha boca, e outrora para a garrafa de vodka.

_ Pode ser — e dei uma tragada no meu cigarro, que veio acompanhado de outro gole — Quando os outros chegam? — perguntei ainda tentando engolir a bebida, e logo após ela grita para mim (ela estava observando o banheiro do meu quarto agora) que daqui algumas horas, ou minutos. Ela me falou que o Nick vinha.

Fiquei enojada depois disso. Eu odiava o Nick. Porque ele teria que vir? Ninguém merece essa minha vida.

Joguei a bituca de cigarro no lixo que ficava do lado da minha cama. Terminei de beber a vodka em um só gole. Me levantei e fui até o banheiro. A Demi estava trocando de roupa. Ela me observou de cima a baixo. Ela sorriu, e terminou de colocar o short rasgado que ela possuía desde o nosso colegial.

_ Acho que vai ser divertido se o Nick vier — ela soltou uma dessas perto de mim enquanto ainda colocava a blusa.

Não respondi.

A Demi me perguntou aonde estava a vodka e o cigarro. Respondi que já tinham acabado, e ela então fez uma cara de reprovação, como "Você nem deixou pra mim". Ela me deu um selinho e saiu do quarto.

Não entendi a parte do selinho.

Como eu estava cansada de viajem, eu queria era dormir. Mas eu fui tomar um banho primeiro, porque não aguentava de calor. Eu tinha me mexido demais.

Eu tirei a roupa lentamente dentro do banheiro. Primeiro o all star, depois as meias. Calmamente fui tirando minha blusa-vestido azul preferida. Depois o sutiã branco, e por fim, soltei meus cabelos. Joguei tudo para fora do box.

Coloquei o chuveiro no mais quente possível. A música ainda estava tocando. Eu sentei no chão do box e fechei os olhos. Comecei a pensar, e a pensar. Passei o sabonete pelo corpo muito rápido. Lavei meu cabelo com muita calma — eu amava meu cabelo -, porque exigia cuidado.

Saí do banheiro com a toalha enrolada no corpo. Seu comprimento ia até aonde terminava minha bunda — ela era um pouco acima dos joelhos. Ela tinha uma abertura perto da coxa. Acendi um cigarro.

Minha boca estava vermelha por causa da quentura da água. Meus cabelos estavam encharcados. Eu estava molhando o quarto inteiro. Mas e daí? O quarto é meu mesmo.

Demetria entrou no meu quarto e me pegou olhando para a janela, ainda de toalha, fumando e pensando. Ela me cutucou bem na cintura, e sussurrou no meu ouvido "chegou um menino novo aqui".

Eu não queria nem saber. Apenas me vesti com minha calça de moletom cinza, e uma blusa de frio muito grande escrito Slipknot na extremidade. Não penteei o cabelo. Desci para o andar de baixo — a casa tinha dois andares — e vi de quem Demetria falava.

Era um loirinho. Aparentava ter no mínimo uns 18 anos. Estava com uma blusa xadrex vermelha e com um óculos preto de nerd. O cabelo era extremamente liso. Ele usava uma vans preta. E não era feio.

Vi que ele olhava Demetria de um jeito muito estranho. Percebi que ele deveria ser um daqueles pegadores do colégio. Ou talvez um nerd qualquer. No ombro, ele carregava um violão preto muito bonito, e confesso que senti inveja.

Ele foi até a mim.

_ Oi... eu sou Jim. Jim Carter. Tenho 19 anos e... — eu o interrompi.

_ Olha, tudo que preciso saber é seu nome. Você fica no quarto ao lado do meu. Vam'bora que eu te mostro. Preciso dormir um pouco.

Demetria piscou pra mim e eu não falei nada. O quarto dela ficava no andar de baixo, do lado da cozinha. Então ela foi na direção contrária.

Ele estava impressionado com tudo que viu. Entrou no quarto e se jogou na cama do mesmo jeito que eu.

_ Obrigado.

Apenas virei as costas, mas quando eu estava prestes a sair, eu me virei e falei minhas informações.

_ Sou Effy Paul, amiga de Demetria desde o colegial. Tenho 18. Possuo um skate e um violão, mas se quiser usar um dos dois, vai ter que me falar. Sempre bata na porta antes de entrar. Agora vou dormir. Seja bem vindo.

As vezes acho que sou simpática demais. Apenas fechei a porta do quarto dele.

Corri para o andar de baixo. Quase caí da escada. Eu ia pro quarto de Demetria. Não bati na porta.

_ Oi, Effy — ela sorriu pra mim maliciosamente. Fiquei assustada.

_ Porque me selou quando estávamos lá em cima? — eu me encostei no guarda-roupa dela. Ela me encurralou.

_ Você mudou muito, Effy. Muito. E eu, consequentemente, também.

_ O que você quer? — eu perguntei no impulso.

Ela riu. E sussurou no meu ouvido uma palavra.

_ Você.

Ela começou a beijar meu pescoço. A porta estava trancada. Eu não queria nada com a Demetria apesar dela ser muito bonita.

_ PARE, DEMET — não consegui terminar. Ela tinha me beijado.

Ela beija bem. A empurrei.

_ EI! EU NÃO SOU BI! PODE PARAR POR AÍ! ESTÁ COMPLETAMENTE LOUCA, DEMI!

Calou-se em um ato. Ela se jogou na cama, acho que em lágrimas. Nunca a vi chorar.

_ Desculpe, eu... — ela me puxou pra cima dela. A empurrei de novo.

_ Não quero te beijar — eu falei rispidamente. E saí do quarto.

Eu subi as escadas correndo. Pensei muito no que aconteceu. Mas quando entrei no meu quarto, eu tinha uma surpresa. É, o loirinho. Ele estava observando meus cd's.

_ Pode pegar um, se quiser — eu falei pra ele. Deitei na cama — Mas quando pegar, vaza!

Ele pegou o meu cd preferido, e trancou a porta do meu quarto assim que saiu. E depois disso, eu adormeci.

Notas finais
Espero que tenham gostado o