Notas iniciais
Boa noite, como estão?
Cá estou com uma nova fanfic. Nova entre muitas aspas, pois é a segunda vez que escrevo e publico essa história.
Espero que esteja ao agrado de todos!
Nas notas finais, tem uma lista com os nomes que utilizo pros nossos amados cavaleiros em um mundo alternativo (nosso caso).
Boa leitura e até logo!

Os passos ressoavam no assoalho polido da estação de trem. Compassados, com ritmo certo e previsível. Camus não tinha pressa alguma, mas de certa forma seu andar lhe fazia parecer um daqueles caras estranhos que sempre estão atarefados, portanto sempre estão correndo de um lado para o outro em estações de metrô, aeroportos, ruas, rodovias e sempre atrapalhando o próprio fluxo de tempo, tentando fazer o grande entrar no pequeno e ainda achando ruim quando a ideia não dá bons resultados.

Na realidade, nem de longe poderia vir a ser um desses homens tão atarefados e preocupados. Não que não tivesse nenhuma preocupação… apenas não passava de um professor de filosofia que trabalhava em uma universidade local, tendo alunos normais, convivendo com pessoas normais, observando atitudes normais e tendo um cotidiano totalmente normal e nada fascinante. E, acredite, era isso o que mais gostava em sua própria vida: a rotina diária e monótona. Nunca nada mudava no costumeiro acordar, banhar, comer, trabalhar, voltar, comer, estudar, ler, dormir.

Apertou mais os próprios braços contra si, sentindo o vento passar cortando ao seu redor. Encolheu-se dentro do próprio sobretudo negro e escondeu as mãos enluvadas dentro dos bolsos do jeans nem tão justo assim.

De fato, talvez fosse uma pessoa deveras fechada no próprio mundo e evitasse fazer laços com alheios. Talvez? Isso é uma certeza. Não como se lhe faltassem amigos. Ainda tinha alguns que sobraram dos tempos de escola e que ainda lhe atormentavam veementemente com coisas do passado e desejando “fazer novas lembranças para serem lembradas no futuro”. Que fossem pro inferno. A propósito, era culpa deles que estivesse ali agora. Se não fosse um rapaz tão recatado, ligaria para Saga, por mais que este fosse extremamente gentil, e o mandaria para o inferno, mas isso quebraria sua ética e a própria imponência que sabia ter sobre eles.

Estava ali para buscar alguém, e não sabia quem. Não lembrava, para ser mais específico. E por não lembrar que se enfiou nessa situação tão complicada. Sempre se gabou de sua inteligência, mesmo que de forma não muito exuberante, e junto da inteligência, uma ótima memória. Só que, naquele momento, não lembrava daquele maldito ex-colega de ensino médio que voltaria para visitá-los na Grécia (onde não era normal fazer este frio, mas as condições meteorológicas andavam totalmente loucas nos últimos tempos, malditos sejam os humanos e o aquecimento global) e só sabe-se Deus quando voltaria para o país onde havia ido morar.

Tudo começou quando o tal ex-colega avisou que viria. Fora uma comoção geral… todos se animaram, uns mais e outros menos, mas todos. Mas então surgiu a interrogação: quem busca o dito cujo? E eis que as desculpas apareceram. Os mais espertos encontraram desculpas antes. Shaka não poderia porque precisava corrigir avaliações, pois era professor de Engenharia. Saga tinha um encontro importante com a nova namorada e não poderia comparecer. Mu também estava para chegar do país natal, portanto estava fora de questão. Kanon? Só um louco confiaria àquele insano uma responsabilidade dessas. Ettore* jamais admitiria, mas estava ocupado demais se agarrando com Aphrodite, outro amigo deles, que só por acaso, não assumira namoro e odeia que questionem sobre isso. Aioria estava com Marin, sua namorada e Aioros, seu irmão. E Shura se recusou por passar um jogo de futebol do time da Espanha na televisão. Por fim, sobraram apenas Camus e Aldebaran.

E aí que as coisas complicaram: Aldebaran ia se indicar para buscar o ex-colega deles quando, por infelicidade do destino, Kanon e sua mente brilhante forçou Camus a fazer o diálogo mais intenso de todos:

“— Você não demonstrou nada de interesse na volta dele. — comentou o encarando com aquele maldito sorrisinho infernal nos lábios idênticos aos de Saga. — Por acaso não gosta do cara?

Estava prestes a responder que não poderia não gostar de quem sequer lembrava quando, então, travou.

— Nunca disse algo desse tipo — acabou por se defender.

— O Camus odiando alguém? — Shura inquiriu, mesclando interesse com sarcasmo. — Essa é boa. Ou vai dizer que não lembra dele? Ele sentava com a gente no fundo da sala e você nos odiava.

Fora pego no flagra.

— Ué... — Kanon alfinetou de repente — Não era você que tinha uma ótima memória? — e então sorriu.”

Se Camus pudesse dizer que odeia alguém, diria que odeia Kanon. Todos tinham um bom motivo para não estar ali, inclusive Camus. Estaria lendo, tomando um bom vinho, ou quem sabe morrendo. Qualquer outra coisa, diga-se de passagem.

Parou em frente a uma das plataformas, aguardando o desembarque de um dos trens. Recostou-se suavemente no pilar grosso de gesso, esperando ansiosamente que quem esperava lhe reconhecesse, senão teria que escrever numa plaquinha “Procura-se Maçã” em ironia ao nome** do cara que viria. “Você viu Maçã?” e uma foto estampada. Oh, infâmia. Talvez seja surpreendente pensar que Adrien Camus Chevalier, o homem mais sério, prático e inexpressivo – quase até frio – que se conhecia, detinha tanto sarcasmo e mau humor dentro de si. Pudera, rodeado de pessoas que considerava cansativas e complicadas, como não viver puto da cara? Seu senso de humor, também, não havia morrido. Só calhou de que, num geral, ninguém entende suas piadas. Ettore dizia que eram chatas e intelectuais demais para meros mortais.

Continuou a olhar o desembarque dos passageiros de outro trem distraidamente, talvez pensando no que ler ou em qual matéria passaria quando chegasse na universidade semana que vem. Amava lecionar, mas seus alunos sabiam ser um peso na consciência de vez em…

— Camus? — ouviu e, instintivamente, olhou sobre o próprio ombro para trás. — Que prazer em te ver!

Notas finais
* Nomes utilizados: Mu Ohitsujiza, Aldebaran Viegas, Saga e Kanon Drivas, Ettore Maske Adami, Aioria e Aiolos Hallas, Shaka Lalitmohan, Dohko Takahashi, Milo Aarahan, Shura Castro Claver, Adrien Camus Chevalier e Gustav Aphrodite.
** Milo significa maçã em grego