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Notas iniciais
antes de tudo: essa história fala um pouco sobre violência doméstica. só avisando pro caso de alguém não quiser ler sobre isso.
enfimmm, essa one nasceu pela pura necessidade de existir mais fanfics mcvalgrace. eu amo esse trisal e nunca consigo achar fanfic deles e quando acho é só sobre sexo AAAAAAAAAA
um dia eu ainda vou escrever mais sobre eles, mas por enquanto fiquem com essa onezinha que eu fiz de madrugada movido pelo ódio
abraços ♥ e comentem o que ces acharam!!
Jason conseguia ouvir.
Seus pais gritando.
Coisas se quebrando.
Segredos sendo descobertos.
Talvez aquela seria a noite em que Zeus — era difícil o chamar de pai às vezes, mesmo quando o homem de fato se esforçava para ser um bom pai — chegava em casa bêbado e quebrava vasos de flores na parede.
Ou a noite em que sua mãe descobriu uma das traições de Zeus e passou horas gritando como ter filhos com aquele homem foi um erro. Como Jason foi um erro.
Como ela queria nunca ter conhecido Zeus e nunca ter formado uma família com ele.
Ou poderia ser aquela noite, no aniversário de sete anos de Jason, em que Zeus deu um soco na esposa e Jason foi acordado pela irmã, na época com nove anos, chorando e dizendo para Jason se esconder porque seu pai estava simplesmente louco.
Mas… Não.
Alguma voz suave e calorosa o estava chamando. Nada parecida com a de sua mãe gritando ou a de seu pai o chamando aos berros.
— Ei, Jason. — a voz em seu lado direito disse, lenta e suavemente, como se quisesse ter todo o cuidado para falar com ele. — Acorda.
— Jay. — outra voz, no lado esquerdo, o chamou, tão suave quanto a outra, porém um pouco mais nervosa. — Você está tendo um pesadelo.
Jason abriu os olhos com força, respirando fundo, lentamente tomando consciência de onde estava.
Piper e Leo estavam o encarando, preocupados.
A luz do abajur do quarto de Piper estava ligada.
Jason odiava fazer aquilo: interromper o sono deles porque estava tendo algum pesadelo estúpido, provavelmente murmurando coisas sem sentido enquanto sonhava. De novo.
— Ei. — Leo o chamou. — Você está bem?
Jason não conseguiu responder. Ao invés disso, escondeu o rosto com as duas mãos, tentando obrigar a si mesmo a se acalmar.
Sentia-se novamente com oito anos, confuso e perdido.
Seus pais estão separados, idiota. Você não acorda com os gritos deles há quase dez anos. Esqueça isso.
Jason sentiu dedos delicados afastando suas mãos de seu rosto: era Piper, em seu lado direito. Ela sempre ficava no lado direito de Jason, enquanto Leo no esquerdo. Era como se tivesse combinado isso mentalmente, como uma tradição que nenhum deles tivessem combinado de fato.
— Está tudo bem. — Piper sussurrou, naquele tom de voz gentil que só ela sabia ter. Jason quase conseguiu acreditar que, de fato, estava tudo bem. Quase.
— Desculpa. — Jason disse, tão baixo que ele próprio quase não ouviu, sem conseguir encarar os dois. — Por acordar vocês.
— Não seja burro. — Leo falou. — Isso não é um problema.
Jason trincou o maxilar e fechou os olhos. Queria chorar, mas se sentia patético por isso, mesmo sabendo que ali não seria julgado.
Só percebeu que estava mesmo chorando quando Leo secou com o polegar uma lágrima caindo em seu rosto.
De alguma forma, aquilo o confortou. Jason amava as mãos de Leo. Eram ásperas, com algumas cicatrizes que contavam várias histórias.
Em seu outro lado, Piper se ajeitou novamente na cama e segurou uma das mãos de Jason, entrelaçando seus dedos.
— Você quer conversar? — ela perguntou baixinho. — Sobre o quer que você tenha sonhado… Ou qualquer outra coisa.
Jason negou com um aceno de cabeça.
— É só o m-mesmo de sempre. — ele disse, com a voz trêmula.
Sentiu Piper apertar sua mão, como se dissesse que estava tudo bem, ao mesmo tempo em que Leo segurava sua outra mão. Aquilo fez o coração de Jason se acalmar um pouco.
Piper e Leo eram as únicas pessoas, além da irmã de Jason, a saber sobre seus pesadelos. Jason os manteve em segredo por anos, até não poder mais. Até ficar sufocante demais.
Ele ficava revivendo as brigas de seus pais. Era como se seu cérebro não quisesse que esquecesse.
— Você pode nos contar se quiser. — Leo sussurrou.
Jason negou novamente com a cabeça. Eles já tinham conversado sobre aquilo antes. Era patético.
— Está tudo bem, sabe. — Leo continuou. Jason abriu os olhos. Leo geralmente era quem apenas contava piadas, sem entrar em conversas muito pessoais, mas quando ele falava sobre intimidades, era sempre bom, mesmo que um pouco sem jeito. — Não tem nada de errado em ter pesadelos.
Jason deu um pequeno sorriso em gratidão.
Ele sabia que seus dois namorados estavam ali para o ouvir sempre, mas, no momento, apenas queria esquecer as vozes de seus pais discutindo e se concentrar nas vozes confortáveis de Piper e de Leo.
Jason ajeitou os braços e se moveu na cama para que os três ficassem deitados de forma que Piper pudesse deitar com a cabeça em seu ombro direito e Leo pudesse fazer o mesmo em seu ombro esquerdo.
Por mais que às vezes Jason acordasse com os dois braços dormentes, aquela era definitivamente a melhor posição para dormir e evitar pesadelos.
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