Notas iniciais
Espero que gostem ;-;

Boa leitura :D

Estou com fome há pelo menos três dias, mas não consigo ao menos um pão mofado. Tenho como opção também passarinhos assados, mas tenho nojo. As vísceras me dão ânsia de vômito. Sempre que consigo entrar na aldeia, apareço na floresta novamente. Obras de Sargon, ele não me ajuda e quando consigo algo, ele estraga. Qualquer hora dessas eu o mato, mas vejo que vou me arrepender depois. Não é extremamente necessário, a menos que eu fique mais um dia com fome.

—Se você me atrapalhar de novo, juro que seus olhos vão pular fora – abri um sorriso falso.

—Ah, estou realmente com medo de você, Katrina.

—Melhor ter, porque apesar de você já ter a idade, é mais burro -eu já estava saindo quando ele agarrou meu pulso com força, deixando marcas.

—Como você pode saber?

—Porque é óbvio, Sargon –ele olhou para baixo e viu que estava segurando o próprio pulso, prestes a sangrar devido às suas unhas compridas.

—Ah, desgraçada!

Dessa vez eu cheguei na aldeia e não apareci de volta na floresta. Homens e mulheres andavam para lá e para cá, como sempre. Crianças correndo entre eles, e homens barulhentos dentro de bares, secando as garotas que passavam pela entrada. O cheiro de pão fresco não estava chegando até mim. Que belo dia para conseguir entrar na aldeia, hein? Sábado, quando os pães são do dia anterior! Maravilha! Não que eu não esteja satisfeita. Ao menos eu não terei tanta fome essa semana. Jeffer, o padeiro, estava conversando com um de seus filhos junto com seu pequeno neto a poucos metros de sua bancada, onde ele vende seus pães. Podia ver que eles estavam duros de longe. Corri até a bancada e parei, de costas para eles, eu peguei 4 pães e os escondi dentro de minha capa.

— Aquela menina pegou seus pães, vovô!

Ah, miserável! Apesar de estar com pressa para sair dali, parei e manipulei seus pensamentos

-Ninguém pegou os pães, filho.

—Eu vi, eu vi! Papai! Ela está rindo de nós!

—Esqueça essa menina, Charlie. –Jeffer virou em minha direção, sem realmente me ver, e olhou de volta seu neto.

Consegui meus pães! Apesar de duros.

*

—Pelo jeito conseguiu o que queria, Katrina.

—Sim Sargon, e você não me impediu dessa vez.

—Seria uma pena se...eu pegasse de você! – os pães voaram de minhas mãos.

—Você vai morrer Sargon! Vai MORRER! – braços imaginários agarraram seu pescoço, ele estava começando a ficar vermelho...até que eu parei e peguei os pães de volta. –Pare de me perseguir.

—Eu posso te matar, Katrina. — ele disse se aproximando demais para o meu gosto.

—Mas você não vai, porque me ama! E porque você é burro demais para isso.

—É, com certeza, continue com esse pensamento! Quem sabe um dia vire verdade? Afinal, todos querem um sentimento recíproco, não é?

E assim Sargon levou um soco invisível na barriga controlado pela minha adorável mente. Ele ficou me encarando até eu sair de vista.

Aqui estou eu, sem rumo nem objetivos, aguardando ansiosamente o dia que terei minha evolução em minha décima quinta primavera, enquanto como meus esperados e graciosos pães.

Notas finais
Espero que tenham gostado, e por favor, não sejam leitores fantasmas :c
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.