Voulez-vous coucher avec moi ce soir?
11 Capítulo 12: Mudança
Harry largou o papel e a caneta que tinha em mão e deixou-se deitar no chão da sala bem decorada e repleta de desenhos da casa de Gemma. Niall, sentado ao seu lado, continuava a anotar nomes e mais nomes na lista de convidados que tentavam montar. Havia diversos modelos de convites também, que deveriam analisar e então escolher, e Harry não tinha a menor vontade de olhar para nenhum deles.
— Nossa, o ânimo de vocês é realmente contagiante. — Gemma comentou ao voltar da cozinha com uma bandeja com xícaras de café, já que alegou que precisavam de uma injeção de cafeína, sendo seguida por Lydia, que trazia biscoitos e outros petiscos, as mulheres abriram espaço na mesa de centro e deixaram as bandejas, com Lydia logo seguindo de volta para a cozinha. – Sério, nunca vi um casal tão empolgado com o próprio casamento quanto vocês dois.
— Nem todo mundo tem energia para essas coisas, ok? — Harry não se levantou, apenas virou a cabeça para fitar a irmã.
— Na verdade, eu to achando tudo muito divertido, pena que o noivo é esse imprestável do seu irmão… — Niall chutou o pé de Harry ao falar, dando ênfase sobre quem estava falando. — Você podia me ajudar mais ne, amor? — Projetou os lábios em um bico e Harry se levantou para beijá-lo, mas Niall desviou o rosto, o que causou uma gargalhada em Harry.
— Você são tão esquisitos… Noivos, mas não se beijam, não estão interessados na organização do casamento, não sei nem porque não pagaram alguém para fazer tudo…
— Você não deixou, eu queria. — Harry retrucou assim que a irmã parou de falar, e ela estava pronta para retrucar, mas o choro de Zoe não apenas a impediu como a forçou a sair da sala em busca de sua herdeira.
Harry se aproximou de Niall, encostando no sofá e fitando com total desilusão a bagunça de papéis sobre a mesinha, junto com tablets, xícaras de café e biscoitos. Não sentia a menor animação por esse casamento, a ideia em si parecia cada vez mais ridícula, mas voltar atrás na decisão parecia pior. Era um dos poucos casos em que o grande empresário do ramo da tecnologia não sabia o que fazer. Harry costumava usar como lema que quando não se sabe para onde ir, qualquer caminho te leva — e não havia vergonha alguma em dizer que era um citação de Alice no País das Maravilhas -, e desde que lera isso pela primeira vez, Harry não permitia que a vida o levasse, ele sempre tinha uma ideia, sempre tinha um caminho, sempre tinha um objetivo. Mas chegou ao ponto em que não sabia o que fazer, e isso era assustador.
Quando propôs a Niall que deveriam se casar a ideia parecia a melhor de todas; Niall queria um casamento, com flores, convidados e festa que durasse a noite inteira, Harry queria alguém para quem voltar no fim do dia. Naquele momento, porém, não estava mais tão certo de que um seria capaz de suprir a fantasia do outro. Niall estaria sim em sua casa, ou na casa que escolhessem morar, a noite, mas Harry sabia que não era a pessoa que ele queria encontrar ao abrir a porta. Assim como Harry sabia que Niall não estava tão interessado assim em passar o resto da vida com um amigo, já que Harry se sentia incapaz de amar o loiro como ele deveria ser amado.
— O que a gente está fazendo H? — Niall se encostou ao lado do amigo, com o rosto virado para fitá-lo.
— O que quer dizer? — Deixou seus olhos encontrarem os de Niall, fitando o azul presente neles, mas tinham o tom de azul errado.
— Que a gente deveria estar bêbado demais e drogados acima do limite para achar que esse casamento era uma ideia boa o bastante para estarmos levando adiante. — Niall deitou a cabeça sobre o ombro de Harry, fitando a lista de convidados inacabada. Queria fazer aquilo, queria um casamento com tudo o que tivesse direito e mais um pouco, mas queria fazer com alguém que amasse, e, acima disso, queria ser amado. — Foi bom enquanto durou, Hazz. — Fitou o amigo com um bico nos lábios.
— Sério isso Niall? Ta me dispensando na véspera do casamento? — Harry fingiu indignação, mas na verdade estava aliviado com a ideia de não se casar.
— Não estamos na véspera do casamento, nem mandamos os convites… Na verdade a gente nem escolheu o convite… — Apontou a pequena bagunça sobre a mesa, conseguindo um sorriso de Harry. — Além do mais, a gente nem consegue se beijar! — Niall girou os olhos. — Como teremos filhos? — Abriu os olhos de forma exagerada. — Eu vou ter que fazer inseminação artificial! Será muito vexatório quando eu explicar que o doador de esperma é meu próprio marido e que nós somos perfeitamente saudáveis, mas ao invés de fazer sexo queremos médicos e cientistas…
— Meu deus… Que tragédia. — Harry o fitava com humor, segurando a risada, e Niall estreitou os olhos para ele. — E quem disse que eu não consigo te beijar? A gente apenas não tentou de forma efetiva. — Niall ergueu uma sobrancelha, e logo aproximou-se mais de Harry com um bico nos lábios. — O que? Assim? Sem preparação nenhuma? Vai nem me levar para jantar?
— Idiota! — Niall deu um soco sem força alguma no ombro do amigo. — Foi bom enquanto durou nosso casamento.
— Noivado.
— Que seja. — Niall deu de ombros e pegou o pote de biscoitos, deixando-o no meio dos dois. — Preciso de um novo noivo, ai eu poderia usar tudo isso com ele… Quero dizer, deu trabalho fazer essa lista, minha mãe já encomendou vestido…
— O que vamos falar Niall? — Harry nem sequer o fitava, distraído em quebrar um biscoito e mordiscá-lo. — Nós estampamos a capa de uma revista falando sobre nosso casamento…
— Eu sempre posso falar que você me traiu, eu descobri e então terminamos. — O loiro deu de ombros e continuou comendo.
— Por que eu tenho que ser o que traiu? — Harry tinha um olhar indignado direcionado ao loiro.
— Porque você tem fama de cafajeste e eu sou um anjinho. — Niall piscou repetidamente e lhe deu um sorriso que deveria ser encantador, mas Harry apenas lhe mostrou o dedo do meio, resultando em risadas de ambos.
Gemma desceu as escadas com a pequena Zoe nos braços, que riu e começou a bater palmas assim que viu Harry, logo sendo entregue em seus braços. A mulher se sentou de frente para os rapazes e observou alguns dos modelos de convites que estavam elencados em seu tablet.
— Querem que a Zoe entre com as alianças? Eu acho que ela pode acabar chorando, mas se eu entrar com ela vai dar tudo certo. — Gemma mandou um beijinho para a filha, que riu e escondeu o rosto no peito do tio.
— Não se preocupe, Gemma, nós terminamos. — Niall tinha um sorriso calmo enquanto dava um pedaço de biscoito para Zoe.
— Ela é pequena demais para esses biscoitos, Niall, mal tem dentes. — Fez uma careta e a garotinha riu animadamente. — E o que quer dizer por terminaram? Isso aqui ainda está uma zona… Qual convite escolheram? A lista de convidados está do mesmo jeito de quando eu saí... — Gemma tinha um olhar engraçado no rosto e Niall riu.
— Nós terminamos o noivado, Gemma. — Harry a explicou com certo deboche. — Parece que eu trai meu noivo e me dei mal…
— O que? Que história é essa? Você realmente o traiu? Harry! — Gemma fitava de um para o outro, visivelmente confusa com as novas informações.
— Não, Gemma, não tem traição nenhuma. — Niall lhe sorriu calmamente. — A gente só desistiu de continuar com essa história sem pé nem cabeça de casamento…
— Ainda bem! — Gemma largou o tablet sobre a mesa e chamou a atenção da filha. — Seu tio não vai mais fazer uma super idiotice, Zoe! — A garota não tinha a mínima ideia do que estava acontecendo, mas comemorou do mesmo jeito, erguendo os bracinhos e gritando animadamente.
— Não sabia que o cancelamento do meu casamento seria tão comemorado assim… Sério que você não queria ser minha cunhada? — Niall se fez de ofendido para Gemma, que apenas girou os olhos e decidiu ignorá-lo.
Os três ainda passaram mais algumas horas ligando para os lugares que já haviam feito reservas, cancelando e pedindo reembolso de tudo o que fosse possível; e durante todo esse tempo eram obrigados a explicar que não havia chances de mudarem de ideia e que sim a decisão era definitiva e que não iriam querer se casar novamente. E sim, eles queriam cancelar a reserva do buffet mesmo que tivessem mais três casais interessados em seus serviços para mesma data. E novamente Harry estava largado no chão, sentindo-se mais cansado do que em qualquer dia comum de trabalho, e ele vinha trabalhando muito nos últimos meses, a diferença daquele momento era que tinha Zoe puxando e repuxando seus cabelos enquanto murmurava alguma coisa incoerente com uma chupeta roxa na boca.
— Finalmente acabou… — Niall largou seu celular e se jogou no chão ao lado de Harry. — Hey Zoe, que tal largar esse ninho de cobras e vir fazer um cafuné em mim, hm? — A pequena limitou-se em continuar embaraçando os cabelos do tio, que riu do resmungo inconformado de Niall.
— Ela me ama mais. — Harry, maduramente, mostrou a língua para Niall, que lhe mostrou o dedo do meio.
— Vocês são uma péssima influência, que inferno. — Gemma resgatou a filha de perto dos rapazes, mesmo que a garota tenha reclamado bastante com o fato.
— Ok, vou embora, me afundar em sorvete e chocolate enquanto assisto uma comédia romântica qualquer. — Niall se levantou em um salto recolhendo suas coisas espalhadas pela sala; sendo que era apenas sua carteira e chaves do carro.
— Mentiroso. — Harry também se ergueu e olhava para o amigo com certo desdém. — Você vai para alguma balada, beber até não lembrar mais o próprio nome e acordar na cama de algum desconhecido.
— Tem problemas com isso? Nosso noivado acabou, baby.
Harry riu e negou com a cabeça, logo abraçando o amigo em despedida, agradecendo por toda a paciência e compreensão, tanto durante quanto depois do término do noivado esquisito deles. Niall apenas riu e despediu-se de Gemma e Zoe, exigindo como retratação pela alegria da mulher com o cancelamento de seu casamento um jantar muito bem elaborado em sua homenagem, saiu da casa logo em seguida, mesmo com os irmãos insistindo para que ele ficasse para o jantar daquele dia mesmo. Mas com o cancelamento do casamento, Niall precisava ligar para a família e mais algumas pessoas antes de realmente colocar seu plano de se embebedar em prática, então Gemma e Harry pararam de insistir.
Gemma foi coordenar o jantar, e, segundo Harry, atrapalhar a cozinheira, enquanto o homem ficou responsável por Zoe. Teoricamente ele não deveria deixá-la dormir, mas quando a garotinha começou a berrar a plenos pulmões por estar com sono, Harry lhe deu uma mamadeira e a balançou até que ela caiu no sono em seus braços e ele pode sentar no sofá e mantê-la em seu peito. Era a melhor sensação do mundo, em sua visão. Zoe era tão pequena e frágil, mas já tão doce e carinhosa; Harry corria a ponta do dedo pela lateral do rosto delicado da pequena enquanto a assistia respirar tranquilamente.
— Eu só não vou brigar com você sobre ela estar dormindo essa hora porque essa cena está muito fofa e derreteu meu coração. — Gemma se sentou na poltrona próxima do irmão, olhando da expressão tranquila da pequena para a cansada do homem. — O que foi? Já se arrependeu de desistir do casamento?
— Não, sem chances. — Harry riu brevemente, mesmo que não tivesse graça alguma. — A gente levou esse casamento longe demais até… Quase quatro meses… — Harry levou suas carícias para os finos fios de cabelo da sobrinha. — Não foi a primeira vez que eu e Niall falamos sobre desistir disso, apenas não tínhamos realmente batido o martelo. Acho que seríamos muito infelizes se insistíssemos nessa coisa toda.
— Com certeza. — Gemma o fitou com aquele olhar de quem sabe a verdade, o problema era que Harry não estava muito ciente sobre qual verdade era. — Você não está disponível para amar, não é? — Harry não respondeu, não sabia qual seria a melhor resposta a dar. — Você nunca comentou nada sobre dar uma chance de amar Niall, ou de ser amado por ele, apenas negócios, apenas ter companhia… Está apaixonado Harry? — A mulher tinha um olhar curioso, mas calmo direcionado ao irmão.
E Harry já havia feito aquela pergunta a si mesmo mais de uma vez antes daquele momento e já tinha a resposta para ela. Ele sentia falta de Louis, das conversas que às vezes eram sem pé nem cabeça, de chegar em casa e ter o cheiro de baunilha espalhado por ela porque esse era o cheiro natural de Louis, mas não estava apaixonado. Estava bem perto disso, não tinha como negar, mas ainda não estava lá. Precisava de um pouco mais de conversas, um pouco mais de contato, e, acima de tudo isso, precisava conhecer Louis ao invés de Tommo.
— Não, Gemma. Ainda não. — Sua voz era baixa e calma, tanto para evitar que Zoe acordasse quanto por ser como se sentia, calmo.
— Mas quase? — Insistiu um pouco mais.
— Quase. — Deixou um sorriso discreto escapar de seus lábios. — O que é ridículo, já que não o vejo há quase cinco meses…
— Tommo…
— Louis.
— Mas não é o Louis quem você conhece, não é?
— É… Eu não faço ideia de como Louis Tomlinson realmente é, mas eu gosto muito da versão que eu conheço. — Encolheu os ombros como pode. — Acho que é por isso que não sou apaixonado por ele, algo na minha cabeça fica me batendo falando que eu não conheço esse homem, mas ainda assim sinto falta de chegar em casa e ele estar lá, sinto falta de conversar com ele…
— Por que vocês pararam de se ver? — Gemma fez um gesto para pegar Zoe de seus braços, mas Harry negou.
— Nosso contrato era de exclusividade e total disponibilidade de segunda a sexta, eu viajei numa sexta a noite para Atlanta, para ver a história da filial, e disse que só voltaria na outra sexta, voltei mais cedo, cheguei na terça-feira e mandei uma mensagem para ele ir para minha casa, ele não foi, disse que não podia… — Harry se permitiu uma pausa, que aproveitou para cheirar o cabelo de Zoe. — Eu não aceitei bem. Contratei uma pessoa para investigar a vida dele e descobri que ele tem um filho de seis anos, que ficou doente naquela semana.
— E foi por isso que ele não foi te ver. — Gemma concluiu com um suspiro. — E o que você fez com essa informação?
— Joguei no colo dele quando ele apareceu e nós discutimos por ele estar com pressa para ir embora… — Harry mordeu o lábio inferior, ele já havia remoído cada instante daquela noite, pensando no que deveria ter feito de diferente, ao mesmo tempo em que se sentia bem com o fato de que pelo menos por uma vez Louis fora real consigo.
— Nossa, Harry, excelente ideia. — Gemma girou os olhos. — Você deveria saber que mencionar o filho dele era a última coisa que você deveria fazer. — Harry apenas soltou um suspiro, sem condições de ter uma reação melhor. — Toda mãe e pai que se preze protege sua prole… — Gemma o fitou como se houvesse descoberto a grande verdade da vida. — É por isso que ele criou um personagem, por isso ele é Tommo e não Louis, para proteger o próprio filho e a última coisa que ele queria era que você, sendo um cliente, soubesse sobre o filho dele.
— Demorou para chegar nessa conclusão, hein, porque para mim foi rapidinho…
— Cala a boca, cara de sapo. — Gemma ameaçou jogar uma almofada nele, mas ele indicou a bebê em seus braços e ela se limitou a mostrar a língua. — O que eu quis dizer foi que você o assustou Harry. Tommo e Louis não deveriam se misturar, sabe? É como se no meio de uma peça de teatro perguntassem ao personagem principal algo sobre a vida pessoal do ator que o interpreta.
— Excelente comparação… Foi basicamente como eu me senti durante todo o tempo… Vivendo em uma peça de teatro… Eu até tentei ser o diretor, mas só baguncei tudo. — Zoe se remexeu no colo de Harry, chamando a atenção dos dois adultos, mas a garota não acordou. — O que acha que eu deveria fazer?
— Eu, sinceramente, não sei. — Gemma deitou a cabeça no encosto da poltrona, mantendo o olhar sobre o irmão. — Já pensou em conversar com ele? Tentar se entenderem e ter pelo menos uma amizade?
— Há algumas noites eu tentei ligar para ele… O número não existe mais. — Harry se arrumou no estofado, mantendo Zoe segura junto à si. — Eu tenho o dossiê sobre ele… Do cara que eu paguei para descobrir coisas sobre ele, eu não li… Depois que discutimos e o contrato foi encerrado pareceu besteira e desnecessário ler mais informações sobre ele, mas eu não joguei fora… — Voltou sua atenção para a irmã. — Estou em uma luta sobre ler ou não ler há um bom tempo… — Gemma coçou a cabeça e fez uma expressão de quem não fazia ideia do que seria menos pior no momento, mas não falou coisa alguma. — Lá teria o endereço dele…
— Harry… Eu não acho uma boa ideia…
— E como eu converso com ele se eu não sei nem como achar ele?
— Quem quer achar quem? — Liam escolheu o melhor momento para chegar, direto da casa dos pais com um buquê de flores nas mãos. — Meus pais mandaram para você, amor. — Aproximou-se Gemma, entregando as flores junto com um beijo. — Eu complementei com uma caixa de chocolates. — Piscou um olho ao entregar a caixa de bombons que Harry sequer havia prestado atenção que ele carregava. — E ai H, ta procurando quem?
— Louis Tomlinson.
— Quem? — Liam, por vezes, tinha um pequeno problema de memória.
— Tommo.
— Alguma festa de luxo? Posso ligar para a agência… — Deu de ombros com se fosse a solução mais perfeita e uma tarefa fácil de realizar.
— Liam, às vezes você é tão tapado que dá vontade de te dar um soco para ver se você entra nas engrenagens. — Harry girou os olhos e deixou a cabeça cair no encosto do sofá. — Se ele ainda estivesse trabalhando, ele não teria cancelado o número dele. Isso sem mencionar o fato de que eu já liguei para a agência.
— Eu tentei. — Liam encolheu os ombros e tirou a filha do braços de Harry, que reclamou. — Minha pequenina, ok? Shiu! — Embalando a bebê, Liam subiu para os quartos, voltando a deixar os irmãos sozinhos.
— Como você pode se apaixonar por ele? — Harry questionou a irmã assim que Liam saiu da sala, a mulher encolheu os ombros e desviou o olhar. — Eu acho que vou ler o dossiê.
— Ai H… Eu não sei… Você deveria saber sobre a vida dele porque ele confiou em você e te contou, não porque um detetive particular descobriu e te listou tudo. — Gemma o fitou de forma exasperada, passando a mão pelos cabelos.
Harry a fitou em silêncio por alguns instantes, observando enquanto ela erguia as pernas até o estofado, deixando um braço sobre os joelhos e mantendo o olhar sobre o caçula. Ela tinha razão, e ambos estavam cientes disso; mas isso não mudava o fato de que Harry queria entrar em contato com Louis, conversar e tentar chegar em algum tipo de relacionamento com o rapaz, mesmo que fosse apenas de amizade. Sem ler o dossiê elaborado, como conseguiria alguma informação válida? Liam desceu alguns instantes depois e os três se mudaram da sala de estar para a sala de jantar.
Há alguns quilômetros dali Louis servia sua especialidade para o jantar: macarrão à carbonara; Caleb amava o prato e Zayn se divertia falando sobre o quão mal o amigo cozinhava, mesmo que fosse uma grande mentira, já que o moreno sempre repetia o prato. Louis sentou-se depois de servir os três e os observou darem a primeira garfada enquanto acariciava sua barriga de vinte e seis semanas e esperava por suas considerações sobre o sabor.
— Horrível, como sempre. — Zayn fora o primeiro a falar, e Louis poderia ter acreditado nele, não fosse o pequeno sorriso no canto de sua boca.
— Mentira, papai, está muito gostoso! — Caleb tinha a boca toda suja de molho branco ao falar, ganhando um sorriso e um beijo voador de Louis. — Não pode mentir para o papai, tio Zayn.
— Ouviu tio Zayn? Não pode mentir para mim. — Louis tinha sorriso orgulhoso nos lábios, dando sua primeira garfada na refeição.
Os três comeram em meio a uma conversa banal sobre os acontecimentos da escola do Caleb e os milhares de planos para as férias tão próximas do pequeno. Louis ainda não havia decidido se iria ou não viajar para o Natal; nos últimos anos ele sempre pegava Caleb e eles passam o Natal em alguma cidade apaixonante assistindo as luzes piscantes e coloridas, mas naquele ano ele estava grávido, até o Natal ele já estaria com trinta e uma semanas e não estava certo se seria uma boa ideia estar longe de sua médica. Poderia conversar com Zayn e os três organizarem uma festinha entre eles mesmos, ou Louis poderia fazer biscoitos e bolos e ficarem em casa assistindo filmes típicos da época… Precisava decidir, e precisava fazer isso depressa ou não conseguiria hotel algum, caso decidisse viajar.
Como a sobremesa para aquela noite era apenas sorvete, Louis permitiu que todos se mudassem para o sofá e ligassem a televisão enquanto tomavam suas porções. Caleb cantarolava algumas músicas do filme Disney que passava e roubava colheradas de doce de Zayn — já que o seu havia acabado -, que lhe mostrava a língua e fingia brigar por seu sorvete, sendo na verdade deixava o garoto pegar o quanto quisesse; Louis fingiu não ver.
— Brotinho, hora de escovar os dentes e vestir o pijama. — Louis correu os dedos pelos cabelos do filho, que fez um pequena careta. — Não senhor, você comeu bastante doce, eu deixei assistir o filme, seu horário de dormir já passou, sabia? — Caleb projetou o lábio inferior, mas não reclamou, apenas pulou do sofá e correu para seu quarto. — Eu já vou te dar boa noite! — Louis exclamou da sala, ouvindo um “ok” como resposta.
— Ele não me deu boa noite… — Zayn reclamou ao seu lado.
— Significa que é para você ir ao quarto dele dar um beijo de boa noite. — Louis lhe sorriu antes de levantar do estofado e recolher as louças sujas, levando-as para cozinha logo em seguida. Zayn o acompanhou e se ofereceu para lavar a louça. — Não vou nem fingir que não precisa, pode lavar tudo. — Louis sorriu e recolheu os pratos da mesa de jantar, deixando tudo o que precisava ser lavado na pia e guardando o que havia sobrado do jantar. — Eu adoro quando o playboy resolve por a mão na massa…
— Se continuar tirando uma com a minha cara eu largo esses pratos aqui, pego o Caleb e saiu correndo. — Ameaçou apontando um dedo repleto de espuma de detergente para Louis, que riu.
— Você não faria isso com um homem grávido. — Para dar ênfase em sua fala, levou as duas mãos à sua barriga.
— Você tem sorte de estar com meu afilhado número dois ai dentro, se não eu pegava ele também para mim…
— Você tem tanta certeza que ele também vai ser seu afilhado, eu não te falei nada sobre isso. — Louis tinha um olhar debochado para cima do amigo.
— Qual é Lou? Você não tem outro amigo, e mesmo se tivesse eu sou o melhor de todos… Além disso, Harry concordaria comigo sendo o padrinho.
— Harry não está na minha vida, e muito menos na do meu filho, pare de falar sobre ele! — Louis se irritou com a menção sobre o empresário e apenas jogou a colher que tinha na mão na pia, o que acabou espirrando água na roupa de Zayn. — Ops.
— Você está mesmo decidido a manter essa decisão de não contar para ele?
— Zayn, por favor…- Girou os olhos e suspirou cansado, não aguentava mais falar sempre sobre o mesmo assunto. — Harry Styles é passado. E ele não vai ter filho algum, eu vou. Se quiser continuar por perto, é melhor mudar de assunto. — Dando um ponto final na conversa, Louis se virou e seguiu até o quarto do filho, que estava deitado com uma revista de quadrinhos nas mãos. — Hey brotinho, viemos dar boa noite. — Tinha um sorriso largo ao se aproximar e sentar na cama. — Como foi o dia para você hoje?
— Foi divertido, papai, eu gostei.
— Que bom, amor. — Tirou os fios castanhos da testa do filho e tirou a revista das suas mãos. — Chega de leitura. — Deixou a revista sobre a mesinha da cabeceira. — Boa noite e tenha bons sonhos.
— Boa noite papai. — O garoto se levantou para dar um beijo no rosto de Louis. — Boa noite Ethan. — Deixou um beijo sobre a barriga evidente do mais velho.
— Boa noite, brotinho. — Beijou a testa do filho e arrumou a coberta sobre si antes de se levantar, pronto para apagar a luz, mas viu Zayn parado na porta.
— Só um boa noite rápido para meu ladrão de sorvete preferido. — Caleb riu das palavras de Zayn, que se abaixou e plantou um beijo em seus cabelos castanhos antes de se afastar. — Se tiver pesadelos, pode bater nos monstros.
— Zayn!
— Eu vou bater mesmo neles.
— Caleb!
— Relaxa Louis, é só nos sonhos que ele bate em alguém, e são só nos monstros, certo Caleb? — Perguntou da porta.
— Certo, tio Zayn. — Louis apenas negou com cabeça, apagando a luz do quarto e fechando a porta ao sair, com Zayn parado diante de si com um olhar divertido.
— O que foi? — Perguntou diante da expressão do amigo.
— Eu não terminei a louça ainda, mas posso tomar um pouco de vinho? — Louis riu e concordou, acompanhando o amigo de volta a cozinha, onde lhe serviu uma taça, que Zayn dava um jeito de beber enquanto lavava o restante da louça. — Estou pensando em ir para alguma balada hoje… Dançar, beber… Não nessa ordem, é claro.
— Faz muito bem, você precisa relaxar um pouco. — Louis terminou o copo de água que havia se servido, colocando-o sobre a pia e recebendo um olhar acusador de Zayn. — Você tem trabalhado e trabalhado… Quando isso vai terminar?
— Quando a filial estiver perfeitamente operacional e dando lucro. — A expressão de Zayn não era animadora, mas Louis não conseguiu evitar um sorriso. — Lou, por falar nisso, eu queria te perguntar uma coisa. — Zayn secou as mãos no pano de prato próximo e se encostou na pia, fitando Louis de frente. — Precisamos de um presidente para a filial de Atlanta, e eu pensei em me candidatar. — Louis o fitou em surpresa.
— Nossa… É… Uau… Isso seria… Ótimo para você, certo? Digo… — Louis coçou a cabeça e fitou outro ponto da cozinha antes de voltar a falar. — É o topo, ne? Presidência de uma grande empresa… — Louis ficou em silêncio por alguns segundos. — Atlanta, Zayn? Estados Unidos? Outro lado do oceano?
— Eu sei… — Zayn deixou a informação correr por mais alguns instantes antes de retomar a fala. — Eu pensei que você poderia ir comigo.
— O quê?
— Você falou sobre recomeço, eu pensei que seria uma boa opção. — O moreno pontuou com calma, fitando o amigo que tinha um olhar surpreso. — Total recomeço, outra cidade, outro país, sem ninguém te conhecer… Tem ótimas escolas por lá, boas empresas para você conseguir um emprego… Podemos inclusive morar juntos, uma casa com quatro quartos, quintal grande, piscina, academia própria…
— Zayn, Zayn, Zayn… — Louis tinha a mão erguida em direção ao amigo, pedindo silêncio. — Eu… Caramba Zayn, isso é loucura. — Louis passou a mão pelo rosto e desviou o olhar. — Outro continente… Minha… Minha vida está aqui, minha família, eu acabei de comprar esse apartamento…
— Que vida Louis? — O moreno o fitou com as faces distorcidas em confusão. — Um ex-garoto de programa de luxo? Sua família que não fala com você há mais de sete anos? Você pode vender esse apartamento, ou alugar…
— Caleb teria que mudar toda a vida…
— Ele já vai mudar de escola, de qualquer forma… — A cada novo argumento inválido Louis se sentia na obrigação de procurar por novos, e Zayn não via sentido nisso. — Olha, eu não me candidatei formalmente, eu ainda tenho tempo até decidir, então você também tem. — Zayn se aproximou do amigo, deixando uma mão sobre seu ombro. — Só pensa nas vantagens que teria em se mudar. Converse com o Caleb sobre, e avise ele que lá faz mais calor do que aqui…
Louis se permitiu rir brevemente e girou os olhos, Zayn se despediu logo em seguida, alegando que queria se arrumar para ter uma boa noite de bebedeira, deixando Louis avisado que não deveria ligá-lo no dia seguinte e então Louis foi para seu quarto. Tomou um banho quente, escovou os dentes e espalhou creme hidratante por toda a extensão de sua barriga, sentindo sua cerejinha se mexer bastante, o que significava que eles teriam uma noite longa.
O começo não foi muito bom para Caleb e a cerejinha, o garoto não estava tão interessado em ter um irmão, mas acabou se acostumando com a ideia conforme Louis e Zayn ficavam conversando sobre o bebê; e Caleb estava na consulta em que descobriram o sexo da cerejinha, há cerca de um mês, e desde então eles discutiam possíveis nomes para o novo Tomlinson. Foi num sábado de manhã que Caleb bateu o pé que o nome da cerejinha deveria ser Ethan, porque um professor seu disse que significava “forte” e ele queria que seu irmão fosse forte. Louis gostou do nome e então decidiram que seria Ethan Edward Tomlinson; Zayn realizou toda uma análise sobre o fato de Louis estar homenageando o pai que nunca conhecerá o próprio filho, mas o nome foi decidido e havia mínimas chances de sofrer qualquer alteração.
E com o filho ainda agitado em seu ventre, Louis decidiu pegar seu notebook e assistir vídeos de animais fofinhos, outros vídeos engraçados e então ele estava lendo sobre os melhores colégios de Atlanta, Georgia; viu também alguns anúncios de casas que eram muito bonitas e confortáveis e tinha um bom espaço para os pequenos correrem e gastarem suas energias. E se Louis havia salvado seus preferidos, não era da conta de ninguém.
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