Depois da noite em que Louis resolvera apimentar as coisas com seu cliente, eles têm falado e realizado diversas fantasias, o que incluiu uma viagem curta no meio da semana para o litoral apenas para estarem em um iate em alto mar enquanto transavam como se fosse os únicos seres humanos do universo; também foram para a fazenda dos Styles, para seguirem por um trilha e Louis ter suas costas arranhadas pelo troco de uma árvore enquanto Harry o estocava sem dó, o mesmo acontecendo na cachoeira, contra algumas pedras que haviam no local.

Louis estava satisfeito com essa pequena rotina que não era bem uma rotina; tudo aquilo fazia Harry se concentrar no sexo e menos em sua vida. As perguntas eventualmente surgiam, e Louis conseguia se esvair de todas elas, mas sentia que a cada dia que passava, seu pequeno tesouro de lindos olhos azuis ficava mais perto de ser descoberto e isso era, definitivamente, a última coisa que Louis queria. Sua graduação também havia sido concluída e ele estava apto para buscar por um emprego convencional e ter a vida padrão que desejava. Ainda assim não sabia bem o que fazer.

Estava em casa, repensando toda sua vida e enviando alguns currículos enquanto afundava a mão em um pote de balas de goma com açúcar azedo — suas preferidas -, quando teve que largar tudo e correr para o banheiro, mal tendo tempo de se ajoelhar diante do vaso enquanto colocava para fora tudo o que havia comido e um pouco mais. Malditos fejoles. Fora o que pensava enquanto sentia como se seu estômago quisesse sair junto com os alimentos.

Louis gostava de comida mexicana, mas guacamole — abacate jamais passaria por sua boca — e fejoles o dava calafrios. Acontece que ele acabou comendo os feijõezinhos traiçoeiros por culpa de Zayn, que jurou que não tinha e Louis devorou um burrito inteiro antes de processar o sabor tão detestado entre todos os outros. Zayn havia rido e disse que tudo não passava de exagero do amigo, agora Louis estava com vontade de tirar foto do seu “exagero” e mandar para Zayn. Seria nojento, por isso ele deu descarga e se ergueu quando se sentiu melhor, fitou seu reflexo no espelho e agradeceu por Harry estar em uma viagem de trabalho. Ele está um caco.

Saiu do banheiro após escovar os dentes com bastante cuidado e dedicação e ao terminar o banho que decidira tomar apenas porque sentiu calor. Já estava vestido com uma camiseta preta e seus moletons confortáveis quando seu celular começou a tocar, Louis sentiu um arrepio lhe correr a espinha ao identificar o número do colégio de Caleb na tela.

— Alô. — Atendeu aflito.

— É o senhor Tomlinson? — Uma voz séria e masculina soou do outro lado.

— Sim, sou eu. O que aconteceu? Algo errado com meu filho?

— Senhor Tomlinson, se acalme, por favor. — O homem respondeu com calma. — Meu nome é Joshua e trabalho na enfermaria do colégio.

— Enfermaria? O que diabos…?

— Senhor, por favor, Caleb acordou um tanto indisposto e achamos prudente trazê-lo para a enfermaria, ele apresentou febre e o medicamos, entretanto não surtiu o efeito esperado e vamos levá-lo ao hospital. O senhor pode comparecer no local? — O homem falava de forma didática, como se para garantir que todas suas palavras fossem entendidas, e Louis entendeu perfeitamente.

— Qual hospital? — Depois de anotar o endereço tudo o que Louis foi capaz de fazer foi calçar um tênis e pegar seu casaco, junto com a carteira e o celular. Ativou o GPS do carro com endereço do hospital e saiu pelas ruas. Tentava se acalmar pensando que foi apenas uma febre, Caleb poderia ter tomado uma friagem boba e acabou com resfriado simples; já acontecera antes. — Ligar para Zayn. — Deu o comando de voz e esperou até que o amigo o atendesse de forma animada. — Zee, o Caleb está no hospital.

O quê? Como assim? O que aconteceu?

— Eu não sei ainda, estou indo para lá… Me ligaram do colégio apenas para me avisar e dar o endereço… Eu espero que seja apenas um resfriado, mas não consigo não ficar preocupado… Disseram que deram um antitérmico para ele, mas não funcionou.

Calma, ele vai ficar bem. Qual é o hospital? Vou lá te encontrar.

— Não precisa, quando eu tiver mais notícias eu te falo, está bem? Eu só liguei porque talvez eu precise de ajuda e queria que soubesse…

Você fez o certo em me ligar. Não quer mesmo que eu vá para lá? Eu só tenho uma reunião que nem é urgente, posso remarcar.

— Não, Zee, ta tudo bem. Eu te ligo, está bem?

— Está bem, mas não esqueça de me ligar, Louis. Me avisa, sobre qualquer coisa.

— Claro, obrigado Zee.

Não tem que agradecer.

Foram mais quinze minutos dirigindo até Louis chegar ao estacionamento do hospital, deixando o carro na primeira vaga que viu e saindo correndo até a recepção. Depois de se identificar, em um processo que ele julgou ser demorado demais, foi direcionado para o consultório do doutor Francis. Deus duas batidas antes de abrir a porta e encontrar Caleb sobre a maca que havia no consultório, ignorando os três adultos presentes, Louis correu até seu filho.

— Papai! — O garoto tinha os olhos marejados e esticou os braços para ganhar um abraço do pai.

— Hey brotinho, como se sente? — Afastou-se um pouco do garoto para fitá-los nos olhos e logo levou a mão até sua testa, constatando que ainda havia febre.

— Tou cansado papai…

— Eu sei amor, eu sei. — Passou a esfregar as costas do filho, permitindo que ele apoiasse seu pequeno corpo no seu tronco, e só então fitou os demais presentes. — Desculpe, eu sei que entrei como um furacão…

— Não se preocupe senhor Tomlinson, eu o entendo. — O médico tinha um sorriso amigável e educado no rosto, olhando de Louis para Caleb. — Eu já fiz os primeiros exames e me parece uma gripe, mas pedi exames de sangue para aferir com maior precisão e então medicá-lo.

— Ótimo, tudo bem, obrigado.

— A enfermeira Claire vai guiá-los até a sala de exames. — O doutor Francis indicou a mulher ao seu lado, que sorriu gentilmente e pediu para que a seguissem.

Louis pegou o filho no colo e saiu do consultório, sendo seguido por um homem que vestia o uniforme do colégio.

— Senhor Tomlinson, sou Edmundo, trabalho na secretaria do colégio e vim acompanhar o processo de exame e medicação de Caleb. — O homem se apresentou enquanto seguiam pelos corredores.

— Ah sim, obrigado Edmundo.

Uma das diversas coisas que Louis gostava no colégio que escolhera para seu filho era a assistência que ele oferecia para casos de doença. Não era primeira vez, e dificilmente seria a última, que Caleb ficava doente no colégio, afinal ele passava a maioria dos seus dias lá, e sempre tinha alguém o acompanhando, quer Louis estivesse presente ou não. Chegaram na sala de exames e Louis se sentou, mantendo o filho protegido em seus braços enquanto a enfermeira erguia a manga de seu casaco para tirar seu sangue.

— Papai, não quero…

— Eu sei brotinho, eu sei que é ruim, mas é para saber o que você tem, sim? Assim será mais rápido e você fica bom logo. — Louis ajudou a expor o braço do filho e o fez virar o rosto para si. — Olha para mim amor, vai ser rapidinho. — Caleb ainda assim chorou quando a agulha lhe espetou o braço, mas logo a enfermeira colocou um curativo de um desenho qualquer e ele reduziu as lágrimas.

— Vai demorar cerca de trinta minutos até termos o resultado, podem esperar na lanchonete ou na sala de espera, nós o chamaremos. — Claire os informou e Louis lhe deu aceno de cabeça, ainda mantendo o garoto em seu colo.

— Quer comer alguma coisa brotinho?

— Não papai, estou com sono. — Caleb encostou a cabeça no ombro de Louis, que apenas o deixou ficar e cochilar.

— Obrigado pelo apoio Edmundo, mas eu imagino que já possa ir. — Louis falou ao sentar-se numa das poltronas da sala de espera. — Eu não vou deixar Caleb voltar para o colégio hoje, apenas quando ele melhorar. — Sorriu de forma educada para o homem que lhe deu um aceno de cabeça antes de pegar um documento de sua pasta. Louis sabia se tratar do protocolo de atendimento ao Caleb, ele logo assinou e acrescentou no campo de observações que ficaria com o filho em casa até sua melhora.

— Boa sorte, Louis, precisando de qualquer coisa estamos a disposição. — O rapaz apenas lhe sorriu e agradeceu. Edmundo ainda fez um carinho gentil na cabeça de Caleb antes de se afastar.

Com um pouco de dificuldade para se mexer, evitando a todo custo acordar o filho que ressonava baixinho em seu ombro, Louis conseguiu pegar seu celular e mandar uma mensagem para Zayn, junto com uma foto sua com o filho dos braços. A resposta chegou em minutos, com diversas perguntas e exigindo o endereço do hospital; Louis respondeu as perguntas como pode e mandou sua localização. Tudo o que queria era que seu filho ficasse bem.

— Senhor Tomlinson? — A mesma enfermeira, Claire, o chamou depois de um tempo que Louis não soube precisar quando fora. — Os resultados saíram, pode me acompanhar por gentileza.

— Claro. — Sua voz não passou de um sussurro, mesmo que Caleb já tivesse acordado de sua curta soneca e o fitasse com olhos cansados. Levantou-se com cuidado e seguiu a mulher até o consultório do médico, que lhe indicou uma cadeira diante da mesa.

— Está tudo normal no exame, o que significa que ele tem apenas uma gripe. — Louis fechou os olhos por alguns segundos, aliviado por seu filho não estar com alguma doença mais séria. — Obviamente precisamos cuidar para não resultar em uma pneumonia, por isso estou receitando esses anti-inflamatórios e antitérmicos. — O médico falava enquanto escrevia no receituário. — Quando chegarem em casa dê a ele um banho frio para reduzir a temperatura, se ele gostar, dê os remédios acompanhados de algum chá. — Entregou a receita para Louis. — Alimentação rica em legumes e vegetais, evite doces. Ele deve melhorar em poucos dias, mas qualquer dúvida estamos à disposição.

— Obrigado, doutor Francis. — Segurou a receita e sorriu educadamente para o médico.

— O senhor precisa de algum atestado? — O médico questionou enquanto o observava com o pequeno nos braços.

— Não, está tudo bem. Obrigado. — Despediram-se educadamente e Louis voltou para o corredor.

— Temos uma farmácia nas dependências do hospital, posso lhe indicar o caminho se desejar comprar a medicação agora. — A enfermeira o avisou assim que alcançaram a sala de espera.

— Sim, sim, por favor.

— Louis! — Zayn andava a passos largos em direção ao amigo, logo puxando um Caleb sonolento que mal conseguira dizer o nome do moreno para seus braços. — Como ele está?

— É uma gripe, está um pouco forte, mas vai ficar bem logo. — Louis sorriu carinhoso para o filho, que o fitava atentamente. — Desculpe. — Pediu ao voltar sua atenção para a enfermeira. — Onde é a farmácia, por favor?

Após as instruções da enfermeira, Louis e Zayn, que ainda tinha Caleb em seus braços, seguiram até o local, onde Louis comprou a medicação e os chás preferidos de Caleb. Saíram do hospital juntos e Zayn não economizou nos beijos no rosto quente e avermelhado de Caleb quando chegaram ao carro de Louis, esperando pacientemente que o amigo resgatasse a cadeirinha do porta-malas e a ajustasse no banco de trás.

— Eu vou passar em um restaurante e comprar comida para todos nós, assim fica mais fácil. — O moreno se prontificou assim que instalou Caleb na cadeirinha, colocando uma jaqueta esquecida no banco de Louis sobre seu corpo, como uma coberta. — E então eu vou para sua casa.

— Não precisa Zayn, está no meio do dia, você precisa voltar para o seu trabalho ou vão estranhar. — O moreno lhe deu olhar debochado, como se dissesse que ninguém ousaria questioná-lo. — Além do mais, ele está relativamente bem. Eu só vou medicá-lo e tentar fazê-lo dormir. — Louis tinha os olhos atentos sobre o filho. — E eu tenho tudo o que preciso para fazer uma boa refeição para nós dois.

— Louis…

— Zayn, é sério. — Os olhos azuis se voltaram para o amigo. — Obrigado por ter vindo, ele ficou feliz em te ver, mas não precisa se preocupar, está bem? Se eu precisar de alguma coisa eu te aviso.

Com um suspiro frustrado e um aceno de cabeça, Zayn decidiu deixá-los ir e voltar para o escritório. Era estranho a proteção que ele tinha por Caleb, e ele sabia disso, ainda assim não conseguia se impedir de correr para ajudar no que quer que fosse. Talvez fosse seu desejo quase palpável de ter um filho que o fazia projetar todo esse amor e senso de proteção em Caleb; e era assim desde que Louis os apresentara num parque próximo a casa dele.

Quando conheceu Louis na academia acreditou que seria apenas isso, uma amizade que existiria dentro da academia e nada mais, mas, contrariando sua imaginação, eles logo descobriram muitas afinidades e passaram a conversar sobre diversos assuntos. O primeiro passeio foi para uma exposição que Louis queria muito ver e Zayn precisava ir, já que fora um dos patrocinadores para sua realização. Depois vieram outras exposições, algumas idas ao cinema — Louis não era muito fã da sétima arte -, e diversas peças de teatro. Zayn, se parasse para pensar e analisar sua amizade com Louis, tinha ciência de que poderia ter se apaixonado por ele. Quem não se apaixonaria por Louis? Mas seu coração já tinha dono; estava marcado a fogo com o nome de Niall e nada mudaria isso. E foi assim que Louis praticamente se tornara seu irmão, o que fazia de Caleb seu sobrinho.

Zayn não poderia ser hipócrita, quando soube o que Louis fazia para viver houve diversas discussões, brigas e ofensas que resultaram em um afastamento de ambos. Fora Louis quem deu o primeiro passo, o ligando e dizendo que Caleb sentia a falta do moreno e que precisava saber se Zayn de fato deixaria de ser seu amigo ou se havia conserto; e Zayn cedeu. Ele sentiu falta das conversas com Louis, da risada de Caleb e da rotina de comprar doces que Louis sempre dizia que o filho não podia comer e esconder na última gaveta da cômoda da criança. Ele não era tolo, era óbvio que Louis sabia disso, mas parte da graça era o amigo fingir que não e deixar seu filho se empanturrar de açúcar. Caleb e Louis eram parte de sua família, e Zayn gostava disso.

E família protegia um ao outro, e foi por isso que ao chegar ao escritório e ver o que estava acontecendo ele logo sacou o celular e mandou uma única mensagem para Louis. Não sabia como seria, mas queria que o amigo tivesse um tempo para conseguir pensar no que fazer.

Harry chegou mais cedo de viagem. Está no escritório.

Louis passou a mão pelo fios castanhos e mordeu o lábio inferior com certa força enquanto lia e relia a mensagem de Zayn. Não era para aquilo acontecer. Harry disse que voltaria apenas na sexta, mas como não sabia muito bem que horas, eles acabariam se vendo apenas na segunda-feira da outra semana; seria tempo mais do que suficiente para Caleb estar recuperado e pronto para voltar ao colégio. É claro que tinha a chance de Harry não o procurar, mas era remota; Louis praticamente ficava de segunda a sexta no apartamento de Harry, tinha até mesmo roupas suas por lá. O que ele faria?

— Papai? — Desviou sua atenção do aparelho em suas mãos para o filho, deitado no meio da cama de casal envolto a diversas cobertas.

— Oi meu amor. — Louis deixou o celular sobre a mesa de cabeceira e se aproximou do filho. — Nós precisamos tomar um banho, ok?

— Kay…

Com um sorriso um tanto cansado e tristonho, Louis ajudou Caleb a sair do meio das cobertas e se sentar mais próximo, onde tirou toda a roupa dele, tentando ignorar a reclamação sobre o frio. E foi pior ainda quando colocou o filho sobre a água fria do chuveiro, dando o banho mais rápido que conseguiu no pequeno, que pulava dentro do box.

— Pronto, passou, passou. — Louis o envolveu na toalha felpuda e o secava com carinho ao voltar para o quarto. — Vou pegar seu pijama, não durma. — Sem esperar resposta correu até o quarto do filho, pegando o pijama de dinossauros e uma cueca limpa. Caleb brincava com a ponta da toalha enquanto esperava o pai voltar. — Ajuda o papai, amor. — Fez o pequeno ficar de pé sobre a cama e logo vestiu, passou a toalha algumas vezes sobre seus cabelos antes de voltar a colocá-lo em meio as cobertas. — Hora do remédio.

— Não papai, sem remédio… — A voz manhosa de Caleb estava ainda mais arrastada devido o cansaço que o garoto sentia.

— Tem que tomar o remédio, brotinho. — Louis abriu as embalagens dos dois xaropes, servindo as tampinhas de dosagem para ajudar o filho. — Senão não vai ficar bom e como você vai brincar se não estiver bom?

— Mas remédio é ruim... — Caleb puxou a coberta até a altura do queixo, fitando Louis com olhos pidões e lacrimosos.

— Ele tem gosto ruim, mas é bom para você amor. — Aproximou o xarope da boca que Caleb. — Por favor, pelo papai. — O garoto ainda o fitou tristonho, mas separou os lábios e tomou o líquido vermelho. — Agora o outro.

— Papai…

— Só mais esse, por favor. — Louis projetou o lábio inferior, fazendo beicinho e Caleb então cedeu, tomando dessa vez o xarope azul. — Pronto. — Ajudou-o a ficar mais confortável na cama e ligou a televisão, procurando por um desenho qualquer e deixando o controle ao alcance de Caleb. — Eu vou preparar algo para a gente comer, tudo bem? — Um aceno de cabeça foi sua resposta. — Se precisar do papai é só chamar, ok?

— Kay. — Louis deixou um beijo na testa ainda quente do filho e seguiu para a cozinha, mas não sem antes guardar os remédios fora do alcance de Caleb e pegar o celular.

Louis se decidiu por uma sopa de legumes, reforçada com um pouco de carne desfiada, para comerem. Caleb gostava e Louis sempre se encarregava de cortar os legumes em formatos divertidos para incentivá-lo a continuar comendo. Estava quase tudo pronto quando seu celular apitou ao som de mensagens chegando, antes mesmo de alcançar o aparelho Louis respirou fundo, ciente de quem poderia ser.

Cheguei mais cedo.

Minha casa às 19h?

Eu levo o jantar.

Mordeu o canto da boca incerto sobre como deveria responder; estava absolutamente fora de cogitação deixar Caleb em casa para se encontrar em Harry e também não era uma opção falar de Caleb para Harry. Fitou todos os cantos de sua cozinha antes de digitar a resposta, sabia no que ela implicaria, mas lidaria com as consequências com outro momento.

O que quer dizer com não pode?

Louis, você está sendo pago para me encontrar.

Aquelas palavras doeram mais do que deveria. Sim, Louis era um garoto de programa, sim ele estava sendo pago para ser exclusivo de Harry e sim ele tinha plena ciência de que Harry não gostava de ser desobedecido quanto a hora e dia de se encontrarem. Ainda assim saber que para Harry ele era apenas um profissional que deveria cumprir o contrato o deixou desconfortável.

Eu apenas não posso, sinto muito.

Você disse que voltaria apenas no final da semana e eu agendei compromissos que estava adiando.

Não há outro cliente, estou seguindo o contrato.

Mas preciso dessa “folga”.

Suspirou e deixou o celular de lado para voltar a se concentrar na refeição que preparava; logo servindo porções em pequenas tigelas, arrumando-as na bandeja de madeira junto com xícaras de chá de frutas vermelhas e caminhando de volta para o quarto. Caleb dormia tranquilo enquanto a televisão seguia passando desenhos; sentiu um aperto no peito por precisar acordar o filho, mas não tinha escolha. Deixou a bandeja de lado e se sentou com cuidado ao lado de Caleb na cama.

— Hey brotinho. — Chamou com a voz calma e baixa, passando a mão pelos fios ainda úmidos do banho do filho. — Acorda amor, você precisa comer um pouquinho.

— Hmm… — O pequeno abriu os olhos preguiçosamente, fitando o pai.

— Eu fiz sopa de legumes com um pouquinho de carne. — Sorriu de forma encorajadora, mas Caleb apenas desviou o olhar.

— Não tô com fome, papai.

— Eu sei que não, amor, mas precisa comer um pouquinho, sim? Só um pouquinho. — Louis o fez sentar direito e buscou a bandeja, deixando-a sobre o colo do filho. — Come com cuidado, está quente.

Mesmo a contragosto, Caleb deu algumas colheradas na sopa e algumas bicadas no chá. Ele apenas não conseguia comer, não tinha fome e só queria dormir, mas Louis insistiu e o fez comer ao menos metade do que tinha servido. Ao constatar que o pequeno não comeria mais, Louis voltou a deixá-lo se aconchegar na cama e prestar atenção no desenho.

Deixou as coisas na cozinha, decidindo arrumá-las em outro momento e voltou para o quarto, onde tomou banho e vestiu um de seus pijamas para poder se enfiar na cama ao lado do filho. Ignorou as mensagens de Harry em seu celular e mandou uma mensagem para Zayn, dizendo que estavam bem e que ele não precisava se preocupar. Só precisavam ficar um tempo juntos e logo estaria tudo bem. Dormiram com a televisão ligada e Louis levantava a cada quatro horas para buscar os remédios do filho, com a febre cedendo aos poucos.

Notas finais
É absurdamente desanimador não ter leitores...