Voulez-vous coucher avec moi ce soir?
9 Capítulo 09: Rescindir
Dizer que Harry estava de mal humor era um eufemismo; ele quase demitira sua secretária duas vezes por coisas bestas que normalmente sequer seriam percebidas por si, brigou com Niall por telefone, discutiu com sua irmã, mandou Zayn se fuder e ainda não tinha terminado o segundo dia desde que Louis dissera que não poderia encontrá-lo. Agradecia por não ter reunião alguma em sua agenda, ou acabaria perdendo algum parceiro importante por puro estresse — mesmo que sua mente gritasse que ele apenas fora removido das reuniões e que Zayn e Liam estavam tendo que lidar com tudo -. Ele queria não estar tão afetado, queria manter-se calmo e no controle da situação, mas ele definitivamente não estava.
Foi em meio a mais uma discussão sem sentido algum com Liam que o cunhado simplesmente lhe gritara para descobrir o endereço de Louis e ir até lá resolver de uma vez a fonte do seu mal humor. Harry tinha o endereço dele, é claro, estava no contrato; e ele foi até lá apenas para descobrir que Louis utilizará o endereço da agência para a qual trabalhava, o que aumentou a irritação de Harry e o fez contratar uma pessoa para descobrir todas as informações possíveis sobre o rapaz. E era assim que ele estava naquele momento.
Confortavelmente sentado em seu sofá com uma dose de uísque de lado e um relatório não muito detalhado sobre Louis em sua mão. O homem que contratara precisava de mais tempo para conseguir mais informações, mas o que tinha ali era o bastante para Harry. Havia números de telefone, endereço, fotos… E a informação gritante e brilhante de que Louis William Tomlinson era pai de Caleb Keith Tomlinson, de seis anos de idade. Havia também um registro médico informando que o garoto estivera no hospital na data que Harry havia retornado de viagem, o que explicava a ausência de Louis.
Terminou sua bebida, largando o copo sobre a mesinha de centro, e se deixou ficar no sofá por algum tempo, pensando no que deveria fazer com todas aquelas informações; eram importantes, valiosas, mas não estavam sequer próximo ao que ele acreditou que encontraria. Jamais lhe passou pela mente que Louis tinha um filho, para ser sincero nunca sequer questionara a si mesmo as razões do rapaz ser um garoto de programa, estava satisfeito por ele ser e por tê-lo contratado. Mas tudo aquilo o fazia pensar de outra forma, uma que talvez não fosse a melhor. Ouviu o barulho da porta e juntou todos os papéis rapidamente, guardando na pasta de qualquer forma antes de se virar para encontrar os olhos azuis fixos em si.
— Hey… — Louis tentou sorrir, mas ele estava nervoso e Harry conseguia perceber isso muito bem, talvez estivesse com receio da reação de Harry ao aparecer dois dias depois de simplesmente ter dito que não poderia, ou ainda estivesse preocupado com a possível doença do filho.
— Hey doce, como você está? — Decidiu por não apresentar seu conhecimento recém adquirido sobre a vida do rapaz. Ele tinha um filho, está bem, isso não tinha porque afetar seu acordo, não afetou até aquele momento. — Resolveu o que precisava?
— Sim, desculpe por isso. — Louis tirou os sapatos e se aproximou de Harry, fazendo-o se encostar no sofá para poder sentar sobre suas coxas, mantendo uma perna de cada lado do corpo do mais velho. — Eu realmente achei que chegaria apenas amanhã, por isso marquei várias coisas… Sinto muito. — Fez beicinho para conseguir uma resposta positiva, e Harry lhe deu o que seria.
— Tudo bem, doce. — Sorriu ladino e logo o puxou para um beijo.
O beijo tinha o mesmo gosto, Louis ainda embrenhou suas mãos pelos fios cacheados, ainda moveu-se sobre seu colo em busca de maior contato, mas para Harry estava tudo diferente. Os movimentos do mais novo eram mecânicos, ensaiados e totalmente não naturais; Louis sequer parecia realmente interessado no que fazia; e ele sempre estivera interessado. Harry ainda insistiu e desceu as mãos para as nádegas redondinhas de Louis, apertando-as, sem receber uma reação efetiva pelo ato.
— O que foi Louis? — Questionou ao quebrar o beijo, fitando os orbes azuis que, se ele observasse com cuidado poderia ver a preocupação refletiva.
— Nada, tudo bem. — O rapaz tentou sorrir e retomar o contato, e por alguns instantes Harry deixou que ele tentasse, mas era óbvio que Louis não estava no clima, por falta de melhor expressão.
— Está bem nítido que você não quer, doce, e tudo bem. Mas por que veio? — Não pretendia soar grosso, mas o mais novo enrugou o nariz como se desaprovasse a escolha das palavras e saiu de seu colo.
— Porque eu tenho um contrato a cumprir, como você mesmo me lembrou Styles. — Deixou que um sorriso ladino e totalmente debochado surgisse em seus lábios, brincando com o botão da própria calça.
— Eu estava com raiva, mea-culpa. — Harry se levantou do sofá e segurou suas mãos, afastando-as da calça e as beijando antes de seguir até o bar mais ao canto, servindo mais uma dose de uísque para si, sequer se importando por pegar outro copo. — Quer beber alguma coisa? Podemos apenas conversar, já fizemos isso várias vezes…
— Eu não quero beber. — Passou a mão pelo rosto de forma um tanto exasperada. — E também não posso dormir aqui hoje, então… — Fez um gesto com as mãos que indicava que não tinha mais palavras, mas que queria resolver aquilo rapidamente.
— Está com tanta pressa assim? — Sorveu um gole de sua bebida enquanto fitava Louis em um quase estudo de caso. — Quer cumprir sua parte do contrato mesmo que contra a vontade?
— Não seria a primeira vez que algo do tipo me acontece, se quer saber… — Seu comentário foi baixo, em um quase sussurro, mas Harry ouviu e não gostou.
— Comigo? — Aproximou-se do rapaz o fitando atentamente. — Alguma vez transou comigo sem realmente querer?
— Não foi o que eu quis dizer Harry… — Deixou os ombros caírem como se estivesse cansado.
— Tudo bem, mas já fez? Você já foi para cama comigo sem querer ir? — Pressionou.
— Não, Harry. — Exasperou-se e passou a mão pelo cabelo. — Eu nunca fiz sem vontade com você, eu sempre senti tesão, mas hoje não, então podemos cortar essa parte e ir logo para cama para você ficar satisfeito e eu ir embora! Só precisa de um pouco mais de lubrificante. — Louis lhe deu um sorriso falso e Harry não soube como reagir a princípio.
Observou Louis por alguns instantes em silêncio; sem conseguir acreditar que o rapaz o considerava tão baixo e monstruoso a ponto de querer tê-lo mesmo contra sua vontade. O empresário tinha defeitos, muitos deles, mas também tinha escrúpulos e acima de tudo tinha respeito e índole. Tinha ataques de raiva, não eram exatamente o que se chamaria de frequente, em que quebrava o que a mão alcançasse, mas jamais feriu alguém, entretanto estava no momento lutando contra si mesmo para não ceder à vontade de socar a cara de Louis por ter simplesmente insinuado tal coisa; optou por beber mais de seu copo.
— Eu vou ignorar a parte que você praticamente me chamou de estuprador. — Deu um sorriso frio para Louis, que o fitou como se aquilo nada significasse. — Sei que está nervoso por causa da situação com seu filho. — Mas apesar de não ter ímpetos violentos, Harry tinha ímpetos vingativos, que eram tão danosos quanto. Sabia que mencionar o filho de Louis poderia causar uma ruptura, mas estava disposto a pagar o preço. — O que ele tem afinal? Foi para o hospital não foi?
A expressão que havia no rosto de Louis era algo próximo a incredulidade, que foi lentamente se transformando em fúria sob os olhos atentos de Harry, ao mesmo passo em que a respiração dele engatava. Louis deixou de fitá-lo e dançou seus olhos brilhantes de raiva pela sala.
— Como você…? Quem te deu o direito de…? — Esfregou as mãos pelo rosto antes de voltar a fitar Harry.
— Ninguém de fato me deu direito algum. — Respondeu calmamente. — Mas eu queria saber porque você não poderia vir. Foi uma surpresa saber sobre seu filho, mais ainda saber que ele estava doente.
— Você! — Louis apontou para ele, mas logo abaixou a mão e deu uma risada nervosa. — Você se acha muito importante, não é? — O rapaz fechou as mãos em punho, apertando-as para tentar manter algum controle. — Empresário, rico, você realmente acha que é alguém não é? Mas você não é! Não na minha vida! E muito menos na vida do meu filho!
— Não estou interessado nisso de qualquer forma, eu só fiz uma pergunta. — Sorveu outro gole de sua bebida; poderia parecer cruel e frio, mas ele tentava se manter calmo, especialmente por não estar entendendo a raiva de Louis.
— Você não tinha o direito de colocá-lo nessa sujeira!
— Sujeira? Sujeira Louis? — Deixou o copo no aparador mais próximo e passou a mão pelo cabelo, jogando-o para trás. — Se é assim tão sujo por que você faz isso?
— Eu não sei Harry, por que será que eu vendo meu corpo por dinheiro? Será que é por diversão? Adrenalina? Para ter muitos homens na cama? — Louis tinha uma risada histérica enquanto falava, deixando que algumas lágrimas escorressem. — Ou será que é porque todos e tudo me fecharam as portas e viraram às costas? — Secou o rosto com raiva, aproximando-se de Harry e parando a centímetros de seu rosto. — Você por acaso sabe o que é isso? Em algum momento na sua vida, por um segundo que seja, você sentiu que faria qualquer coisa, qualquer coisa mesmo para vencer aquele instante? Para continuar vivo? Para manter quem você ama seguro? — A cada pergunta Louis passou a cutucar o peito de Harry de forma dolorida. — Não, certo? Porque você se acha o dono da porra do mundo! Porque você acha que só porque tem dinheiro pode comprar o que e quem quiser!
— Louis…
— Você não tinha a porra do direito de meter meu filho nisso! — Seu grito ecoou pelo apartamento, e Harry teve a reação de agarrar seu rosto com firmeza.
— Você está na minha casa, não ouse levantar a voz para mim! — Apesar de ter se irritado com o grito de Louis, não impunha força em seu ato.
— Você se meteu na minha vida! — Louis o empurrou com força, fazendo-o voltar três passos. — Você… Você quebrou o contrato! Minha vida particular não está à venda! — O rapaz mantinha um dedo em direção a Harry enquanto tentava pensar. — Tinha uma clausula, eu exigi essa clausula, você não podia…!
— O problema é esse? O problema é a multa? — O mais alto capturou o celular sobre a mesinha de centro, contornando Louis para pode alcançar. — De quanto era mesmo? Novecentas mil libras? Era novecentas, não era? — Perguntava retoricamente, já acessando sua conta bancária pelo aparelho e realizando a transferência do valor dito, virando a tela para Louis. — Pronto! Multa paga!
— Minha vida não está à venda! — Gritou enquanto batia no aparelho, fazendo-o cair no chão. — Meu filho não está à venda! — Louis sequer precisou o momento em que seu punho fechado acertou a boca de Harry. — Nunca mais ouse me procurar! Você é um imundo.
— E isso transforma você no que? — Perguntou o empresário massageando o queixo.
— Eu não sou hipócrita, Harry. — Louis ainda tinha raiva ao falar. — Eu não fujo de um relacionamento usando garotos de programa apenas para diversão. E eu não minto para quem está ao meu redor.
— Então todo mundo sabe que você faz programa? — Harry riu de forma exagerada e bateu palmas. — Ótimo exemplo de pai!
— Cala a boca! Cala a merda da sua boca! Não fala sobre o meu filho! — Tanto Louis quanto Harry tinham a respiração descompassada. — Sequer pense nele. Você é ninguém para ele, e vai continuar assim.
Antes que novas palavras pudessem ser proferidas, Louis saiu do apartamento, fazendo questão de bater a porta, e Harry alcançou o copo esquecido de qualquer jeito sobre o aparador, jogando-o contra a vidraça da varanda. As coisas não aconteceram bem como estava esperando, por mais que não estivesse exatamente esperando por algo bom. Passou a mão pelos cabelos, puxando-os um pouco no processo, tentando se acalmar e pensar no que faria, se deveria fazer algo ou não, se deveria apenas esquecer…
Já do lado de fora do apartamento, Louis tentava se manter calmo enquanto o elevador descia os andares e o deixava mais perto da sua liberdade. Entrou em seu carro, estacionado na vaga extra de Harry, e mesmo sabendo que não deveria, saiu para a rua movimentada quase em disparada. Procurava controlar-se ao máximo para não causar nenhum acidente enquanto dirigia, mas minutos depois desistiu e estacionou diante de uma cafeteria. Seu corpo tremia e assim que desligou o veículo as lágrimas que lutava para não deixar cair transbordaram, e Louis deixou-se chorar; chorou mesmo com os soluços irrompendo por sua garganta e dificultando sua respiração. Só precisava colocar tudo o que estava sentindo para fora, mesmo que mal conseguisse definir o que sentia. Mas com certeza se sentia fracassado.
Fora incapaz de manter seu filho protegido, seu único segredo importante, sua única família, e toda a sujeira em que ele se metera o atingiu, mais uma vez, mas daquela vez Louis estava tão perto de sair… Não era justo. Ele tinha seu diploma, tinha dinheiro, podia se reestruturar, tudo o que precisava era que Caleb não fosse envolvido em mais nada daquele vida suja.
Quando sua respiração, e seu choro, se acalmou, Louis passou as mãos pelo rosto para secar os rastros das lágrimas e então saiu do veículo, precisava se acalmar por completo ou Caleb ficaria agitado, e essa era a última coisa que precisava. Adentrou a cafeteria e pediu por chá e mini-muffins, mesmo que não tivesse o menor interesse em comê-los; Caleb gostaria deles pela manhã. Sentou-se no canto mais reservado quando recebeu seu pedido, ingerindo a bebida de forma lenta, sentindo seu corpo relaxar ao mesmo passo que sua respiração ganhava um ritmo mais calmo, e sua dor de cabeça iniciava. Sentiu um enjoo repentino e afastou a xícara de si, fitando por alguns instantes as pessoas passeando pela rua, tão perdidas em suas próprias tarefas e atividades. E mesmo sem querer repassou a discussão que tivera com Harry, mas decidiu não se corroer por aquilo, portanto guardou os muffins e respirou fundo antes de sair; Caleb precisava de si, e mesmo que ao chegar ele provavelmente esteja dormindo e não o veria daquele jeito, ainda queria ter controle de si. Saiu da cafeteria e voltou para seu carro, levantou o olhar depois de deixar os muffins sobre o banco do passageiro e observou o letreiro do outro lado da rua; riu sem humor algum com o que passou por sua cabeça, mas ainda assim, enquanto mordia o lábio inferior, atravessou a rua e seguiu até o local, onde ficou por cerca de quinze minutos e depois seguiu direto para seu apartamento.
Entrou com passos felinos para evitar qualquer barulho demasiado que pudesse despertar Caleb, e encontrou Soraya sentada em seu sofá, com o abajur ligado, um livro nas mãos e um copo de suco na mesinha de centro; a garota logo voltou a atenção para si.
— Hey, senhor Tomlinson. — Soraya tinha quinze anos, e insistia em chamá-lo de senhor mesmo com o rapaz pedindo que não o fizesse e ignorando o fato de aumentar, figurativamente, a diferença de idade deles para mais do que os onze anos existentes. — Como foi seu compromisso? Correu tudo bem? — Ela tinha um sorriso que indicava acreditar ter se tratado de um encontro romântico, como se Louis tivesse condições, emocionais e psicológicas, para isso.
— Não foi bem como eu esperava, mas está tudo resolvido. — Sorriu um tanto forçado para a garota. — Como ele se comportou?
— Caleb é um anjo, senhor, sempre. — Ela fechou o livro e sentou-se melhor. — Até doente ele continua obedecendo, tomou os remédios na hora, comeu tudo o que coloquei no prato e bebeu o suco de laranja natural que fiz para ele. Dormiu a pouco tempo, a respiração dele está boa, então eu imagino que ele vá dormir a noite toda.
— Ótimo. — Sorriu com um pouco mais de vontade, aliviado até. — Obrigado Soraya, você foi ótima, como sempre.
A garota tinha cabelos cacheados volumosos acompanhados de olhos azuis quase translúcidos e lábios fartos, em resumo ela era linda e Louis imaginava que havia diversos pretendentes para ela. Além da beleza física, a garota era meiga e simpática, Caleb simplesmente a adorava, e era por isso que sempre que precisava, o que não tinha uma grande frequência, Louis corria para pedir seu auxílio; ajudava muito o fato dela morar a apenas dois andares de distância.
— Eu que agradeço, senhor Tomlinson, cuidar do Caleb é sempre muito divertido. — A garota pegou seu celular na mesa de centro e se levantou. — Quando precisar, é só chamar.
Louis sorriu e entregou o dinheiro prometido à Soraya, a acompanhando até a porta e pedindo para ela ter cuidado na rua sempre que saísse, sendo obrigado a ouvir uma piadinha sobre ele estar parecendo o pai dela. Depois de fechar a porta seguiu direto para o quarto do filho, encontrando-o pacificamente dormindo envolto pelo cobertor do Homem-Aranha. Deixou-se entrar no quarto por completo e sentou ao lado de Caleb, afastando alguns fios de sua testa e aproveitando para verificar se ainda tinha febre.
— Perdão, filho. — Sua voz não passava de sussurro, para não incomodar seu sono. — Eu não pude te proteger da forma que eu queria… — Continuou acariciando os fios finos do filho. — Mas isso não vai acontecer de novo, hm? Papai vai te proteger para sempre. — Ajustou a coberta de forma melhor sobre o corpo pequeno. — Acabou toda essa sujeira. Eu te amo. — Deixou um beijo leve sobre sua têmpora e saiu do cômodo logo em seguida.
Voltou para a sala apenas para recolher os copos espalhados pelo cômodo, além do que continha o suco de Soraya havia outro com achocolatado e um com água, e os levou para cozinha, onde lavou a pouca louça que havia enquanto tentava esquecer tudo o que havia acontecido no apartamento de Harry, o que era um pouco irônico; quanto mais queria esquecer, mais parecia se lembrar.
Não era mais problema seu atender aos caprichos do homem, o contrato foi quebrado por ele próprio, tinha a transferência bancária que ele fez para provar que houve pagamento de multa; tudo o que esperava era que Harry realmente não o procurasse mais. Ao mesmo tempo em que havia tanta coisa que gostaria de falar, de ouvir, até mesmo de sentir… Mesmo não querendo, havia se apegado ao homem de alguma forma, alguma forma que nunca havia parado para pensar sobre e não tinha a menor pretensão de o fazer. Harry fazia parte de seu passado a partir do momento em que deixara seu apartamento, e era assim que tinha que permanecer, não importava como e nem o que acontecesse.
Ao terminar a louça seguiu novamente para a sala, na intenção de apenas ir para seu quarto, tomar um banho quente e dormir, ou tentar. Mas a sacola discreta sobre o aparador perto da porta chamou sua atenção. Queria que estivesse errado, queria poder dizer que não havia a menor chance disso acontecer, mas havia chances e, pela sua experiência, era o mais lógico. Sem querer se torturar mais, alcançou a sacola e seguiu direto para seu banheiro, na suíte.
Alinhou as caixinhas na pia e leu as instruções de cada uma, seguindo a risca enquanto fazia os testes. Demoraria cerca de quinze minutos para o resultado sair e decidiu tomar um banho enquanto tentava não deixar sua ansiedade o vencer, tudo o que lhe restava era esperar. Ficou sob a água do chuveiro mais tempo do que havia inicialmente planejado, deixando a água cair sobre seus ombros enquanto olhava para seu abdômen em busca de alguma mudança, qualquer uma, mesmo que soubesse que ela demoraria a surgir, se de fato fosse surgir. Mesmo com a água quente caindo sobre seus ombros, não conseguia relaxar, pensando sobre os testes alinhados. Decidiu sair do chuveiro e encarar os resultados que o esperavam.
E fitá-los lhe deu um misto de sensações. Estava frustrado, nervoso e com uma pitada de raiva, mas também estava contente. Não conseguia dizer que estava feliz, ainda não, pelo menos. Precisaria pensar sobre aquilo, pensar no que fazer, se e como manter… Quem ele queria enganar? Ele iria manter, apenas… Era recente demais. E foi assim que sabia que não seria nada fácil. Mas Louis conseguiu por Caleb, e todos os dias ele lutava e para continuar conseguindo, então também conseguiria por esse novo bebê.
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