Vossa majestade

9 O novo integrante


— Por que estamos aqui, Ast? – Quis saber Daphne, quando andávamos no Beco diagonal

— Porque ainda existe coisas divertidas no que não podemos deixar de lado.

— Ah, é? Tipo o quê?

Paramos na frente da primeira Gemialidades Weasley.

— Tipo isso. Vamos, vai ser divertido.

Entramos, o lugar quase não tinha gente. Daphne estava completamente pessimista, ela precisava sorrir um pouco. E quem melhor do que os gêmeos Weasley?

— Olha, Daph, quanta coisa legal tem aqui!

— Se é tão legal, por que só nós estamos aqui?

— Porque só vocês vêm no Beco diagnal às oito da manhã – Fred Weasley desceu pelo corrimão – Como vai, senhoritas?

— Melhor na minha cama. – Respondeu ela

— Acredite, eu também estaria – George Weasley desceu – Tirando uma boa soneca.

— Em uma cama bem quentinha.

— Um lençol bem grosso.

Daphne revirou os olhos e voltou a olhar os brinquedos.

— Eu te conheço?

— Já vi você em algum lugar.

— Astória Greengrass.

— Não brinca! – Exclamaram

— Que mulherão, se tornou, em. – Admirou Fred

— Quero ver falar isso perto da sua noiva.

— Ah, cala boca.

— Cala boca você.

— Noiva? – Questionei

— Acredita que Angelina Johnson aceitou o pedido de casamento dele? Um bicho feio desses.

— Sou tão feio que é você que está solteiro.

— Ei!

Não me segurei e ri. Daphne soltou um risinho.

— O que vocês têm que possam alegrar minha irmã?

— O que acha de uma Umbrigde boba? Você bate nela e ela sempre volta.

— Não, valeu – Negou Daphne – Já fiz a verdadeira cair da escada.

— Legal! – Animaram-se os dois

— E que tal botas de mola? – Apresentou George – Podem te levar à Lua.

— E posso morrer lá, incrível.

— Não mais que nossa nova invenção, o trava-beijo – Mostrou Fred – Te deixa com um hálito tão ruim que nem o cara mais nojento vai querer se aproximar.

— Esse eu quero – Falei – Vamos ver se assim, Goyle me deixa em paz. Ou Crabbe. Nunca sei quem é quem.

— Não seja por isso – disse George – É só umAAAAAA! – Levou um choque do seu próprio brinquedo – Que bosta! Vou ter que ajeitar isso de novo!

Eu, Fred e até Daphne rolávamos de tanto rir.

— Eu não disse que era uma boa ir? – Avisei, quando andávamos nas ruas, com várias sacolas cheias

— É, tinha uma certa razão. Eles são muito engraçados. Um deles ficou até a fim de você.

— Bobagem, só estavam brincando.

— Qual é, Ast. Você uma gata, não namora porque não quer.

— Arrã. O que acha de um...

Iria chama-la para tomar sorvete, mas o lugar havia sido visitado. Todo quebrado e arrombado.

— Que merda! – Xingou Daphne – Não tem um lugar onde a gente possa se divertir em paz! Idiotas!

— Claro que tem – Nott apareceu ao nosso lado – Só temos que saber os lugares.

Nott nos levou para uma lanchonete bem sinistra, Balde de lixo, na Travessa do Tranco.

— Em que posso ajudar? – Quis saber o medonho garçom

— Um hambúrguer sem salada para a mais nova e batatas fritas para a mais velha. Quero nachos.

— Como sabe que não gosto de salada no meu hambúrguer? – Questionou Daphne

— Sei de muitas coisas, senhorita.

Naquele dia, sua frase soou romântica. Hoje, é sinistro demais. Os dois mantinham uma conversa animada, era bom a ver se divertindo um pouco. As pessoas dali eram de gangues, barra pesada, ninguém que eu conhecesse ou fazia questão disso. No banheiro, os espelhos eram quebrados e as privadas, imundas.

— Nunca achei que te veria aqui.

— Também não, Parkinson. Esse lugar não parece ser muito à sua altura.

— Não chega nem perto, só... O único lugar que não foi invadido.

Poderia ter os defeitos que fosse, mas Parsy tinha um pouco de coração e sentimentos. Escondia seu medo, pensar que poderia ser chamada para uma missão do Lorde das trevas a apavorava.

Pensando bem, acho que poucos da minha idade queriam a Segunda Guerra bruxa de verdade. Eram preconceituosos, idiotas, mas a morte? Não, penso que não.

— O Lorde das trevas vai acabar com isso e, enfim, seremos privilegiados. – Finalizou

— É.

Nos três minutos que fui no banheiro, Daphne já se agarrava brutalmente com Nott. Parecia mais que queriam roubar um doce da boca do outro do que beijar. O que eu podia falar? Não tinha beijado, e aquilo do meu aniversário não conta.

O lance deles foi ficando sério e se tornando um namoro. Gostei de alguém entreter Daphne para esquecesse vossa realidade.

— Então você está mesmo interessado na minha filha, rapaz? – Interrogou papai, no almoço

— Sim, sr. Greengrass. – Afirmou – Estou completamente encanto pela filha de vocês. Ela é perfeita!

Ficaram tão felizes que chamavam Nott para comer com a gente quase todos os dias e lhe davam presentes. Mamãe que era a mais contente.

— Viu, querida? Eu disse que daria certo! — As observava da brecha da porta – Rico, educado, puro-sangue! Ah, filha, orgulhou tanto a mamãe! Imagine o casamento! Será lindo!

— Mamãe, acabei de completar de catorze anos! — Lembrou ela

— Foi com essa idade que me casei! Tivemos que nos casar em outro país um pouco mais liberal.

— Mesmo assim, eu e Theo nem fizemos um mês direito.

— É bom já pensando no seu futuro, entendeu? Te criei muito bem e espero ver resultados!

Não queria mais ouvir aquilo. Essas conversas faziam meu monstro verde aparecer e querer evitar Daphne – última coisa que ela precisava agora. Fiquei a andar pela mansão, cantando baixinho para mim. Na sala de assistir, encontrei papai cochilando.

Tão cansadinho, dormia calmamente. Peguei sua cadeira e o levei em frente a escada. Ninguém saberia que fui eu, quem suspeitaria de uma idiota? Poderia ter sido um simples acidente.

— Mata ele! — Mamãe falou na minha mente — Mate! Mate agora!

Jogá-lo dali significaria me tornar minha mãe ou até pior – levando em consideração que ela nunca matou ninguém diretamente. Dei passos para trás e o deixei no mesmo lugar.

— Por que é assim, papai?

Bebi três goles. Quando Nott vinha comer conosco, tomava quatro para ficar quieta. Meus pais gostavam mais deles do que de mim. E até que ele parecia ser legal. Respeitava Daphne, era gentil comigo. Só odiei Susan ficar enchendo meu saco. O resto do ano inteiro, ela só vinha para falar comigo para reclamar do novo e primeiro namorado da minha irmã. Tirando isso, eu não servia de nada.

— Ele é um babaca, Astória! – Reclamava, enquanto eu secava a louça, no trabalho – Tem que ver, ele não fala coisa com coisa! Um idiota!

— É mesmo, é?

— Aonde ela vai, ele corre atrás. Só ficamos juntas na aula, nem no Salão comunal ficamos só!

— Que chato.

— Ele é pegajoso! Bobalhão! E... Um estrume!

— Belo elogio.

— Não ‘tô brincando, Astória. Tem que fazer alguma coisa, tem que me ajudar!

— O que quer que eu faça? Não sou dona dela.

— É a irmã, oras! Sei lá, conversa com ela.

— Por que você não faz isso? Ela sempre te escuta.

— Acha que não tentei? Ela não me ouve, acha que tenho ciúmes. Acredita?

— Super.

— Não faça essa cara.

— Que cara?

— Essa cara. Parece que morreu.

— E dá pra fazer outra cara, nesse tempo?

— Ah, sei lá. – Olhou para cerveja amanteigada – As coisas... Estão bem loucas.

— ‘tá difícil, em casa?

— Minha prima Emília fica cantando músicas, louvando ao Lorde das trevas.

— Credo!

— Nem me diga. Ainda têm gente que compra as canções dela. Tomara que não se torne o hino.

— Só se for o hino dos perdedores. – Rimos – Não liga, Susan. O bem sempre vence.

— O problema é que eles olham como se fossem o bem.

— Só... Calma. – Peguei na mão dela – Tudo vai dá certo.

Nessa hora, Nott e Daphne entraram no Três vassouras, rindo. Susan fez a cara mais feia do mundo.

— Oi, meninas. – Cumprimentou minha irmã – Theo, pega uma mesa pra gente, por favor?

— Claro, ‘mô.

Ele beijou a testa dela e procurou por uma, Daphne abriu um sorriso.

— Ele é tão legal. – Revelou – Adoro como me protege.

— É, ele é muito bom nas torturas também. – Murmurou Susan

— Como assim?

— Vou atender uma mesa, com licença.

Não queria ficar para ouvir a discussão das duas, estava num clima muito tenso. Só sei que Daphne chorou a noite toda no meu quarto, elas eram muito amigas. Chato foi ter que ser dividida entre as duas. Na verdade, andava mais com Susan do que com a minha irmã. O namorado de Daphne era grudento mesmo.

— Então você me entende? – Questionou Susan alegre, na biblioteca – Entende que ela tem que terminar com esse cara?

— Susan, eu não gosto muito dele, mas não posso forçar Daphne. Até porque ele não fez nada de errado.

— Ele tortura os mestiços e nascidos trouxas, Astória! – E é um ex-fumante, não pense que esqueci – Como isso não é errado?

— Fala baixo! Se alguém ouve isso, estamos fritas. O que eu quis dizer é que ele não fez nada de errado com ela.

— É o que você pensa. Ela parou de usar batom vermelho porque ele diz que é de puta.

— Só isso?

— Como “só isso”, Astória? Se ela começar a fazer isso, ele vai achar que é o dono dela!

— Não acha que está exagerando um pouquinho?

A poção passou a mexer um pouco com as minhas ideias, fiquei um tanto viciada em agradar minha mãe e seguir as ideias estúpidas dela. Embora não concordasse nem um pouco.

— Claro que não! Relacionamento abusivo é o que mais existe nesse mundo! Não vou me surpreender no dia que ela aparecer toda machucada.

— Ah, vira essa boca pra lá, Susan!

— Escuta o que eu ‘tô te dizendo, Astória. Sua irmã pode se machucar feio.

Nunca pensei que Susan estaria tão certa, a vida de Daphne se tornaria um inferno. Só que isso não é agora. Snape tinha se tornado diretor, os alunos eram torturados, inocentes eram mortos. O caos reinava sobre nós.