Vossa majestade

3 O grande balaço


Com a fuga de Sirius Black, todos os crimes eram causados por ele. Ou seja, os malfeitores tiveram a maior liberdade de fazer baderna por aí. Incluindo os amigos dos nossos pais.

— Por que comemoram tanto? – Questionei, no balanço

— Por causa da Copa mundial? – Falou Daphne

— Mamãe e papai não são tão fanáticos assim. Dá pra ouvir eles e os amigos deles daqui, só queria saber o que é.

Devia ter ouvido Daphne, ela tinha toda razão.

— Por que eu vou e minha irmã não, Maurice? – Interroguei

— Ordens devem ser cumpridas e não questionadas, madame. A senhorita irá partir amanhã, com os srs. Malfoy.

Daphne quem gostava mais de esportes, por que ficaria? Porque precisava ser zelada, tinha que ser o orgulho da família. Quanto a mim, precisava ser jogada fora.

Usando um vestido branco – morrendo de medo de ser descoberta para ser criticada novamente – esperava pelos Malfoy, de manhãzinha, quase dormindo. Dei um beijo em Daphne e deitei no sofá.

— Madame – Chamou Maurice – Os srs. Malfoy chegaram.

Bocejei, coloquei a bolsa em minhas costas e abri a porta. Me perguntei como estavam tão acordados às cinco e meia da manhã. Entraram em casa e ficamos em volta de um chapéu. Foi bem estranho vê-los vestidos de trouxas. Hilário é a palavras mais correta.

— Partiremos em um... Dois... Agora!

Colocamos nossas mãos, rolou aquele negócio todo lá, falamos com o trouxa – que os Malfoy não iam muito com a cara – e acampamos em lugar um pouco afastado, junto com nossos iguais.

— Está com muito sono? – Perguntou Draco, sentando perto da fogueira comigo

— Um pouco, e você?

— Estou acostumado. Durmo as nove e acordo as cinco.

— Nossa, é um homenzinho. É assim só na mansão ou em Hogwarts também?

— De vez em quando. Contente por sua irmã ir para Hogwarts?

— Não faz ideia do quanto. Tomara que vá para Sonserina.

— Sendo uma de nós, com certeza vai.

— Ela não é como nós, é melhor. Vai ver, minha irmã fará grandes coisas.

Verdade, verdade.

— Ah, não – Resmungou Pansy, sentando com Zabine, Crabbe e Goyle – O que a esquisita faz aqui?

— Não sabia que falava em primeira pessoa.

— O que é primeira pessoa? – Quis saber Goyle

— Com licença – Me levantei – Preciso tomar um pouco de ar.

— Vê se se engasga e morre. – Desejou Parkinson

— Aí te arrasto para o inferno comigo.

Passei por algumas árvores, encontrei Simas Finningan, Miguel Connor, um monte de gente.

— Astória Greengrass? – Certificou-se Crouch

— Sim? Me conhece?

— Sua mãe, faz tempo que não a vejo.

— É, eu também. – Acendeu um cachimbo – Sabia que faz mal à saúde?

— Um pouquinho não faz mal.

— Um pouquinho mais outro pouquinho faz sim. Com licença.

— Ei! – Me virei – Tome conta sua irmã.

— Algum motivo especial para isso?

— É sua irmã, teria outro motivo?

— Não, não. Até mais ver.

Devia me preocupar com esse aviso? Talvez. Passei por outros lugares, a primeira a ver foi Gina.

— Não sabia que vinha. – Ela disse

— Soube ontem, fui meio que obrigada. – Contei – Não acreditaria se dissesse com quem vim.

— Zabine.

— Pior.

— Parkinson?

— Pior.

— Pior que ela?!

— Malfoy.

— Draco Malfoy?! Que merda.

— O que disse, Gina? – Interrogou sr.. Weasley, dentro da barraca

— Nada, papai. Melhor sairmos daqui antes que Rony te tire com as chatices dele.

Andamos por aí, conversando um bocado.

— Então Neville não pode vir? – Me entristeci

— Não, a avó dele ficou doente. E Luna?

— Atrás de um Coisa, nem sei o que é isso direito. – Ouvi uma música bem contagiante – O que é isso?

— Sei lá, música?

— Vem, Gina!

— Astória, espera!

Dei uma de louca e corri desesperada. Dentro de um lugar cheio de árvores enormes e cheia de folhas, havia um grupo que acampava, dançando no centro alegremente.

— Isso é fantástico! – Admirei

— É bonito, agora vamos embora. – Chamou Gina

— E deixar isso aqui? Nem pensar! Licença, senhor?

— Fala, menina bonita.

— Por que dançam tanto?

— A pergunta não devia ser: por que não dançam? Scott Stone.

— É um prazer – Apertei sua mão – Posso me juntar a dança?

— E ainda pergunta? Vai nessa, minha filha!

Gina sensata, não se moveu, vai que nos matavam. Já eu, mexia minha cinturinha com as outras meninas e mulheres (Autora: mirror mirror believe in love, do filme da Lilly Colins). Não sei se foi só ali, o céu ficou um pouco acinzentado, várias dançarinas correram para suas barracas.

Eu não. Abri meus braços e girei rindo. Pulava nas poças, meu vestido branco estava quase todo sujo. Gina teve que ir embora, pois estava na hora. Eu vagava entre as lindas árvores, cantando baixinho (Autora: Azul da cor do mar, de Tim Maia).

— Astória! – Draco veio correndo, estava todo suado – Onde estava? Sabe o quanto te procurei?

Ri da cara dele.

— Você é tão fofo, pitelzinho.

— Para com isso, é ridículo! – Meu sorriso desapareceu – Vamos embora agora! O jogo é daqui há duas horas e precisamos nos arrumar.

— Uma rainha nunca chega atrasada.

— Foda-se! Você vem comigo agora!

Me arrastou pelo braço, não fiz nada porque fiquei... Com medo?

— Onde estavam? E o que houve com suas roupas? – Bronqueou Narcisa – Isso não importa, já para o banho, os dois!

— Posso? – Perguntei retórica para Draco, alisando o lugar dolorido

Então ele percebeu que tinha me machucado e ficou com o olhar arrependido. Pedi licença e fui me banhar. Coloquei um blusão da Bulgária. Abri a porta e Draco barrou a passagem. Deu passos à frente, fechou a porta. Quase caí na banheira d’água, ele me segurou.

— Não é apropriado um rapaz estar em um banheiro com uma moça.

— Não sabia que era uma moça qualquer.

— E o que você quer?

— Seu braço ainda dói.

— No que faz diferença?

— Muita para mim – Imprensou meu corpo contra o seu, na parede – Sabe que é algo mais para mim do que nada, não é?

Nossos rostos próximos, sentindo sua respiração. Nossos olhos se encontraram. Não faltava mais nada.

— Já está – Narcisa arregalou os olhos – O que é isso?

Além de privacidade.

— Nada. – Passei por debaixo do braço dele – Bom, vejo vocês daqui a pouco.

Entrei em um quarto, andando o mais depressa possível. Meu coração batia tão rápido, não sabia o que fazer, o que iria acontecer. Penteei meu cabelo e deitei minha testa na penteadeira.

— Não vai amarrar? – Perguntou Narcisa, quando desci as escadas

— Como?

— O cabelo. Não vai querer que te vejam assim, não é?

— Não – Coloquei o chapéu vermelho – Agora estou pronta. – Cerrou olhos e não disse mais nada. – Cadê Draco e Lucio?

— Draco está no banho e o sr. Malfoy está com os amigos.

Aproveitei o momentinho que ela saiu para ir em seu quarto. Do tamanho de uma mansão comum, ele estava no banheiro. Vi uma foto sua com seus pais, todos sérios.

— Cuidado para não se apaixonar.

Vestido – infelizmente – Draco secava o cabelo.

— Tenta não passar tanto creme – Sugeri – Ficaria mais bonito.

— Então me acha bonito.

— Um pitelzinho.

— Uma moça não devia estar nos aposentos de um rapaz, não é adequado.

— Desde quando você é um rapaz comum?

— Tem razão, ninguém é maravilhoso como eu.

— O sr. Maravilhoso pitelzinho não vai pintar o rosto?

— Eu não.

— Ah, deixa! Faço um bem bonito!

— Aí que eu não deixo mesmo. Do jeito que é louca.

— Todos precisam de um pouco de loucura, Draco – Me sentei na cama dele – Veeeem!

— Se zoar minha cara-

— Você ainda vai ficar um pitelzinho, eu garanto.

— Está bem – Sentou ao meu lado – O que vai fazer?

— Surpresa.

Peguei as cores do país e mergulhei meus dedos, também cantava baixinho (Autora: Too little too late, sei que não tem a ver com o clima, mas é isso aí).

— Você canta muito bem.

— Obrigada. Um pouquinho aqui e ali e – Passei minha mão cheia de tinta em sua bochecha – Perfeito!

— Sua!

Melou minha testa. Rimos e passamos os próximos treze minutos sujando a cara do outro.

— Draco, vo... – Narcisa veio outra vez sem avisar – Ah, está aí. Por Morgana, o que aconteceu com seu lindo rostinho?

— É...

— Limpe isso já! E você também! E tratem de ir para o estádio!

— E a senhora e papai?

— Iremos depois. Vão, já!

Limpamos nossos rostos, deixando apenas duas tiras vermelhas em cada lado. Fomos um pouco mais cedo para não nos juntarmos com a gentalha.

— Quer? – Ofereceu Draco, perto das barraquinhas de vendas

— O quê?

— Onióculos. – Mostrou – De tanto andar com a Di-Lua, deve ter ficado um pouco lerda.

— E de tanto andar com Crabbe e Goyle, ficou idiota. Ou é de nascença mesmo?

— Você é chatinha, viu.

— E você não passa de um narcisista.

— Sou mesmo, obrigado.

Revirei os olhos e aceitei o presente. Vimos outras coisas incríveis e engraçadas.

— Tem gente de todo o mundo aqui. – Reparei

— É, meu pai quis que eu fosse para Dumstrang.

— O que aconteceu?

— Mamãe não deixou.

— Comigo foi diferente.

— O que aconteceu?

— Mamãe quis me mandar para Beauxbatons para que eu aprendesse ter classe.

— E precisa!

— Ei! – Rimos – Pois saiba o senhor que tenho classe com quem merece. E você, pitelzinho, não está pronto para minha classe.

— Não estou, é?

— Não, está agindo com mau menino.

— Nossa, devia ser castigado.

— Devia mesmo.

— Fazem um belo casal – Admirou uma vendedora – Por que não compra um doce para essa bela menina?

Cruzei os braços, sorridente para ele. Ficou um pouco constrangido, mas assumiu a postura.

— Para a senhorita. – Pegou o doce – Uma... O que é isso?

— Maçã do amor, Draco – Tomei o doce – E obrigada, você é mesmo um cavalheiro. Obrigada, moça.

— Não tem de quê.

Ele se curvou para beijar minha mão e rimos. Até o humor passar.

— Chegou a ralé.

Os Weasleys, vindo com você e Potter olhavam as mercadorias. Sabia o que Draco faria e segurei seu pulso. Neguei com a cabeça, ele me ignorou e foi atormentar vocês. Suspirei chateada, detestava quando agia assim.

— Vamos? – Chamou, minutos depois

— Quando agir como um babaca, me avisei pra não ficar perto de você passar vergonha.

Devolvi a porcaria da maçã. Subimos para os melhores lugares e blá-blá-blá. Narcisa e Lucio não demoraram a chegar e deram aquele showzinho de gente rica e mimada.

— Astória, o que você tem? – Sussurrou Draco – Eu não fiz nada de mais!

— Não sei. Já que é tão inteligente, por que não descobre sozinho?

— Cerveja amanteigada? – Ofereceu um elfo-doméstico

— Sim, obrigada.

Não podia falar com Gina porque ele estava ali. Não podia falar com ele porque agia como um completo imbecil. E não podia me divertir com o jogo porque me fazia lembrar de Daphne e de como sentia saudades. Embora não tenha falado sobre isso desde então, mas ok.

— Sua namorada, meu rapaz? – Fudge perguntou a Draco

Chega me engasguei com o gole. Ouvi Gina e os gêmeos abafando as risadinhas.

— Uma amiga. – Respondeu tentando não demonstrar constrangimento

— Amiga com benefícios? Porque uma moça bonita como essa não pode deixar escapar.

Sorte que o jogo começou, aquilo já estava estranho demais. Aquele sentimento foi passando e sendo substituído por animação, ver jogos é bem divertido – seria mais com Daph. Infelizmente não ganhamos, pobre Krum ficou arrasado.

— Vamos a festa privada. – Anunciou Lucio alto o bastante para que ouvissem

— Não, Lucio – Murmurou sua esposa – As crianças precisam dormir, já passou da hora.

— Eu quero ver Krum, mãe!

— Para a barraca!

Lucio se juntou aos colegas e Narcisa só foi para nos deixar lá mesmo.

— Não façam nada que os trouxas fariam. – Mandou antes de partir – E não esqueça à meia-noite.

— O que tem a meia-noite, Draco?

— Voltou a falar comigo?

— Desembucha!

— Não sei muito bem, parece que vamos embora mais cedo.

— Por quê?

— Sei lá. Papai disse que não quer respirar no mesmo ar que os sangue-ruim.

— Ele sabe que estamos bem longe deles, não é? Mesmo que o ar seja igual, não vai afetar em nada.

Deu de ombros. Entrou na cozinha comigo e pegou um pote cheio de biscoitos com gotas de chocolate.

— Posso? – Ele assentiu – Obrigada.

Ficamos comendo, em volta de uma fogueira, assistindo os fogos de artifícios.

— É tão bonito.

— Seria mais se fosse nosso time. Aposto que vão sentar com a gente.

— Quem?

— Os búlgaros. – Franzi a testa – Guarda segredo – Assenti, mastigando – Papai disse que vai ter uma competição esportiva internacional em Hogwarts.

— Mesmo? De quê?

— Isso ele não me explicou. Só sei que ele e outros países vão para Hogwarts, tomara que seja a França. As garotas de lá são muito bonitas.

— E os garotos também.

— É. Com frio?

— Um pouco.

— Tem lençol lá dentro.

Isso é o que chamo de romance. Me levantei para pegar no armário e voltei a me sentar enroladinha.

— Melhor?

— Sim.

— Não tem de quê.

O sono – e só o sono – me fez deitar a cabeça no ombro dele. Cochilei um pouco, quando fui acorda.

— Astória! Astória!

— Ah? O quê?

— Vamos, precisamos ir. Já é meia-noite, lembra?

— Sim, claro. – Me levantei, ainda um pouco sonolenta – Para onde vamos?

— A floresta, vem.

— E seus pais? E a barraca?

— Vão aparatar daqui a pouco e barraca, compro outra. Vem.

Passou o braço por cima dos meus ombros e meu braço em volta de seu tronco, entramos no início da floresta quando ouvi um disparo alto. Acordei na hora.

— Draco, o que foi isso?

— Vem comigo, Astória!

Segurando minha mão, corremos para bem longe. E não importava o quanto nos afastássemos, ainda conseguia ouvir os gritos das pessoas, o medo, o pavor.

— Draco...

— Calma – Ele me abraçou – Está tudo bem, ninguém vai machucar a gente.

— Como você sabe?

Talvez porque o pai dele estava nesse ataque terrorista. Só talvez.

— Porque eu não vou deixar!

A marca negra surgiu no céu e me apavorei mais. Escondi meu rosto em seu peito, tentando não chorar. Foi em vão.

— Ei, vocês – Zabine nos chamou – Venham, estamos todos aqui!

Não me mexia.

— Está tudo bem, Astória. – Draco tentou me tranquilizar – Calma, nada vai acontecer.

Andando mais um pouco, um grupo de sonserinos se juntavam em volta de um jarro quebrado.

— Meia-noite e vinte e nove – Verificou Flint, o responsável

— Vamos embora?! – Me surpreendi – E as pessoas que estão em perigo?

— Pode se juntar a elas! – Irritou Pansy

— Draco, elas podem estar machucadas!

— Garota, não temos tempo pra isso! – Avisou Flint

Até porque não faz sentido salvar pessoas que seus pais tentaram matar ou machucar gravemente. Não me aguentei, não podia agir como uma covarde.

— Astória!

Idiotice? Com certeza. O que uma garota de treze anos faria para ajudar contra o ataque terrorista? Morrer? Quase.

— Mamãe! Mamãe!

Um pequeno bruxinho procurava por sua mãe desesperadamente.

— Calma, calma – Pedi – Quem é sua mãe?

— Jannet Kaso!

— A gente vai cuidado!

Quase nos acertavam com um feitiço flamejante, sorte que nos abaixamos.

— Quer morrer? – Enfureceu-se Draco, segurando nos meus ombros

— Precisamos entregar ele a mãe!

— E eu com isso? A gente vai morrer aqui!

Quase fomos acertados por um feitiço, porém, um comensal da morte nos protegeu. Não me lembro o que me fez reconhecer ele, talvez eu tenha visto uma parte do seu cabelo ou jeito, sei lá

— Aquele é seu pai? – Não respondeu, ficou paralisado – Não precisa nem dizer!

Segurei a mão do menino e o levei para multidão. Mesmo tendo feito um ato heroico, não quis falar com Malfoy.

— Mamãe! Mamãe!

— Killian! – Sua mãe vinha correndo – Killian! – O abraçou com tanta força – Fiquei com tanto medo de te perder, filho.

Meus olhos ficaram encharcados outra vez, por emoção em ver o menino encontrar sua mãe e tristeza por nunca sentir isso.

— Ela me ajudou, mamãe!

— Obrigada – Ela me abraçou – Obrigada mesmo.

Incrível como uma estranha que tinha conhecido há dois minutos atrás foi mais minha mãe do que Constance Greengrass em toda vida.

— Tem algo que possa fazer?

— Só... – Limpei minhas lágrimas – Nunca deixem de amar ele e as outras pessoas importantes na sua vida, isso é bom demais.

— Sim, é. Onde está sua família?

— Bem ali, com licença.

Bem ali? Onde é ali? Draco já devia ter ido embora e não teria estômago para me encontrar com os Weasleys. Fiquei andando sem rumo, estava longe da mansão Greengrass. Devia ser umas quatro da manhã quando chamei um nôitibus andante.

— Onde vai? – Indagou Lalau comensal após seu discurso chato

— Mansão Greengrass.

Não estava nem um pouco ansiosa para chegar. Infelizmente, a ida foi rápida. Ouvi gritos altos e coisas sendo quebradas. A única que se importou comigo foi Daphne, sentada assustada na escada.

— Ast! – Ela correu para me abraçar, com o rosto molhado – Fiquei com tanto medo! Mamãe disse que tinha morrido.

Então tudo se encaixou perfeitamente. O único motivo de ir foi porque acreditavam que eu seria morta ou me perderia lá.

— Não seja ridícula! – Reclamou mamãe, no escritório – Se te quisesse morta, faria agora mesmo!

— Então prefere me reprimir para que eu me mate?

— E ter uma tragédia assim na família? Não, o que diriam?

— Então admite que me quer morta?

— Admito que me fez pagar a maior vergonha, como é que você pode deixar Draco Malfoy sozinho?

— Ele foi lá porque quis!

— Ele foi lá porque é tão burro a ponto de gostar de você!

— Não chame ele assim! Ele pode ser tudo, mas burro, ele não é!

— Viu o que você fez, Albert? Agora ela acredita que pode ter algo com o menino tolo! Depois dessa desfeita, vai ter sorte se o filho dos Crabbe ou dos Goyle te quiserem.

— Então papai te escolheu assim também? Estou animada para meu casamento!

Ela se levantou e eu também.

— SAIA DAQUI!

Foi bom que ela não deu banho em mim, pude chorar bastante. Chorar por várias pessoas sendo machucadas, por deixar Draco, por ter pais que me odeiam, por ser tão errada.

— Você é uma heroína, Ast! – Exclamou Daphne, no quarto – Devia se orgulhar! Eu me orgulho de ter uma irmã tão corajosa como você!

— Me acha corajosa?

— A mais valente de todas! – O sino tocou – O que ela quer?

— Não faço ideia.

Saímos do quarto e parei na metade da escada. Lá estava ele, me olhando sem expressão. Queria enfiar minha cara num buraco, o que eu ia dizer?

— Tchauzinho.

Daphne se mandou e despertei do meu transe. Desci as escadas e lhe desejei bom dia, ele fez o mesmo. Entrei na sala de chá, nossos pais pareciam ter uma conversa divertida.

— Aí está ela – Apontou papai rindo – Venha, querida. Junte-se a nós.

Olhei para mamãe, que também estava animada.

— Está surda, Astória? Junte-se a nós. Os dois, é claro.

Sentei ao lado de mamãe e ele, do pai dele.

— Deseja algo, madame? – Ofereceu Maurice

— Uma xícara de café, por favor.

Os adultos riram.

— Uma gracinha – Mamãe apertou minha bochecha – Como disse? Uma xícara de café? – Riram de novo e largou minha bochecha – Fofo. Muito fofo, a sua atitude. O que foi que você fez mesmo, meu bem?

— S-Salvei um m-menino. – Voltaram a rir – Desculpe a pergunta, qual a graça?

— Você, filha. – Papai alisou meu cabelo e me distanciei um pouco – Lucio, eu te garanto, minha filha fará da sua vida uma aventura. Imagine só, salvar um menino. – Colocou um cachimbo na boca – Aceitam?

— Não, obrigado – Ele pareceu se incomodar um pouco com o fato de papai fumar – Devia ter visto, Albert. Todos correndo e blá-blá-blá...

A conversa estava ficando cada vez mais chata. Os caras se divertiam falando de torturas e as mulheres falavam sobre moda ou sei lá o quê. Em uma janela próxima, pousou um passarinho azul com algumas penas roxas. Sorri, aposto que Luna iria adorá-lo.Ele pousou no chão, devia está faminto. Pena que não teve sua última refeição, foi esmagado.

— Que merda – Papai olhou para o passarinho preso na roda de sua cadeira – Esses bichos malditos! Maurice – O elfo-aparatou – Tire essa coisa daqui.

— Sim, senhor.

— Esses bichos esquisitos – Papai se deslocou para uma poltrona – Só não gosto de mata-los porque não são trouxas.

Os cinco riram, sim, Draco participou. Meu coração tinha se apertado, o coitadinho não tinha feito nada.

— Com licença. – Pedi

— Está bem, querida?

Ver a cara depravada dela me deu vontade de vomitar.

— Não – respondi – apenas quero ir no banheiro. Com licença.

Fiquei o mais séria possível, não podia deixar que vissem minha fraqueza. Peguei Maurice quase jogando o passarinho no lixo de fogo – joga as coisas lá e pega fogo.

— Não, por favor – Supliquei – Deixa que eu cuido disso.

— O mestre disse-

— Eu mando, Maurice – Alterei um pouco a voz – Eu cuido dele.

— Sim, madame.

Com as mãos trêmulas, peguei o pequeno corpinho. Fui para o cemitério e cavei um pequeno buraco.

— Sinto muito, passarinho – Lamentei – Não queria que fosse assim, tenho certeza que já fez grandes coisas.

Coloquei o corpo lá e a terra de volta. O pior foi ver insetos se aproximando para devorá-lo. Será que os japoneses dão arroz aos mortos para não ter os corpos de seus amados comidos?

— Não sabia que ia ser agente funerária. – Falou Draco, me vendo lavar as mãos no banheiro – Qual é? Vai me ignorar? Eu que devia ficar bravo com você.

— Por o quê? Me seguiu porquê quis!

— Me chama de mimado, mas você que está agindo como uma criança!

— Criança? Eu?

— É, criança. Quando penso que já amadureceu, você vem com essas tolices – Segurou no meu braço – Precisa de alguém pra te dar uma boa lição!

Não sei se ele falou que ia me bater ou transar comigo, interprete como quiser. Só sei que não gostei.

— Eu não sou elfo-doméstico para ouvir ordens! – Me soltei – E se pensa que vou ser sua escravinha, está-

— Completamente certo. Todos me obedecem, por que você não?

— Eu não sou todo mundo!

— Vejo. Se fosse, seria um pouco mais bonita.

Panaca, foi como o chamei. Detestava quando se comportava assim. E eu era bonita, muito bonita – na pura humildade. Só não gostava de expor meu lado vaidoso, essa fase será entre os dezessete e dezoito anos.

Algumas garotas – e garotos gays – ganham o costume de vestirem os trajes da mãe, eu fazia isso. Papai tocava piano e mamãe tomava o chá da tarde com Daphne, me excluindo como sempre. Entrei no quarto dos meus pais, escondida e abri o guarda-roupa. Por sorte, mamãe tinha tantas roupas que não notava quando as amaçava, sem esquecer que Maurice passava ferro.

E não era os vestidos que eu mais gostava, os meus já eram lindos, eram as joias. Lindas e caríssimas joias. Tão caras que uma deve valer mais que a sua casa e a dos seus cunhados juntos. Colocava vários anéis nos dedos até desaparecem, colares que fazia minha coluna entortar e brincos que esticava as orelhas.. Mas nada superava aquilo

— A coroa da rainha Clarisse Greengrass.

Como posso explicar quem foi Clarisse Greengrass? Farei um breve resumo porque não faz diferença nessa história. No tempo que a maioria dos países bruxos eram monárquicos, Clarisse Greengrass foi a rainha mais pedida em casamento na história, batendo o recorde de... Acho que foi quarenta e nove vezes.

Graças a essa vagabunda, todos os Greengrass precisam ser extremamente vaidosos e perfeitos. Imagino que por isso que mamãe quis se casar com papai, por ter sangue nobre. Posso queimar no inferno, mas agradeço pelo Rei Arthur ter posto fogo nela. A imbecil era extremamente cruel com seu povo e matava uma grande quantidade de inferiores.

Tudo o que lhe restou foi sua coroa inquebrável, feita por Merlin. Diz que quem a usá-la, encantará a todos presentes. Coloquei em mim e me olhei no espelho.

— Rainha Astória Greengrass és tão linda — Afinei a voz – É a mais bela de todas, olha como ela dança – Engrossei o tom – Ouvi falar que o príncipe da Itália, o lindo Donatello, a pediu em casamento – Usei outra voz – Não diga – Voltei a outra – Digo sim, menina. Eles formariam um lindo casal! – Minha voz natural voltou – Meninas, parem, por favor. Não sou tudo o que dizem. – Fiz a primeira voz – É, sim, vossa alteza! A mais bela de todas! — Usei minha voz – Bem, já que insistem. Sou bela mesmo.

A porta foi aberta e dei um pulo.

— O que faz aqui, Maurice?

— Arrumar o quarto, madame. Perdoe minha intromissão. Maurice é mau, muito mau!

Ficou a bater com a cabeça na parede

— Pare! Pare! É uma ordem! – Ele obedeceu – Ninguém deve saber que estive aqui, entendeu?

— Sim, madame. Maurice obedecerá. Maurice faz tudo que a madame mandar.

— Ótimo. Pode limpar o quarto.

Guardei tudo de volta, menos uma coisa.

— Tenho boas notícias. – Comunicou mamãe, no jantar de noites depois – Consegui uma vaga para Daphne em Beauxbatons. Podem me agradecer,

— Agradecer? Eu vou é te matar! – Ameaçou papai

— Como?

— Eu disse que queria as duas em Hogwarts!

— Em um lugar podre como aqueles, com um diretor incompetente que precisa de um menino para resolver seus problemas? Minha filha não vai se misturar com essa ralé totalmente desqualificada!

— Ah, mas a outra, tudo bem?

— Não venha mudar de assunto! Nós dois conversamos e decidimos que Daphne seria a solução da família! Astória não precisa de nada!

— E amor? Acha que ela não precisa? Você é a pior mãe que existe, Constance!

— E você é o melhor pai? Já não bastava o cachimbo, está bebendo agora?

— Preciso disso para ter que aturar essa sua cara imunda! Você não vai separar minhas filhas!

— Por quê? Não gostou do seu pai ter te separado daquele maluco e não quer fazer isso com as meninas? Deixa eu te contar uma coisa, meu bem, nenhum de vocês deram certo! Dois fracassados! Aposto que ele é um viciado, ou um doido mesmo! E você... – Deu um risinho – Poupo minha voz, amante de três minutos!

Mamãe foi acertada na testa por uma taça. As brigas eram comuns, a violência física começou nesse dia.

— Mamãe, está bem? – Me preocupei

— Estou ótima, só... Preciso ir no banheiro um pouquinho.

Papai permanecia com sua expressão raivosa. Foi então que sua máscara caiu, os momentos felizes naquela mansão haviam ido embora de vez.

— Astória – Me chamou com sua voz grave – Ensine sua irmã ser gente ou eu mesmo o farei.

Meu maior medo era ver Daphne como eles, preconceituosos e ignorantes. O mundo já tem gente demais assim. Na vez de Daphne vir à Hogwarts, as coisas só melhoraram. Ainda mais, quando veio para minha Casa.

— É lindo, Ast! – Admirou, segurando a cobrinha, no espelho do salão comunal

—Só porque está em você, maninha. – A abracei – Não sabe o quanto senti sua falta aqui!

Infelizmente, ela chegou no ano do Torneio Tribruxo.

— Quem você acha que vai ganhar, Ast? – Me perguntou, quando eu procurava algum livro na biblioteca

— Ah, não sei. Talvez Krum.

— Acho ele esquisito.

— Você é esquisita.

Estiramos a língua uma para outra.

— Acha que Harry Potter colocou o nome no cálice? – Quis saber

— Tenho certeza que não foi ele.

— Por quê?

— Sei lá, não parece muito o estilo dele. Ele não deve gostar de muita atenção.

— Já outras pessoas, por exemplo.

Em outra mesa, Draco debochava bem alto de Potter. Entregava também aqueles distintivos ridículos do garoto.

— Você que não pense em usar um desses! – Ameacei

— Pode deixar, chefa.

— Achei!

— O quê?

— O livro da minha vida! Finalmente achei Para meu príncipe.

Subi as escadas e me estiquei para agarra-lo, você gostava de ler sobre feitiços? Eu era louca por clichês adolescentes. Como meu braço era curto, cheguei perto demais para pegar o livro e para cair. Em cima dele. Foi até sorte ele está por lá, não queria ir para Ala hospitalar. Levantei um pouco o meu rosto, me deparei com aquela tempestade em seu olhar, não de raiva, de surpresa. Era assim que ele reagia sempre que me via, surpreso.

Devia pensar que não falaria ou estaria no mesmo lugar que ele, desde a Copa mundial e aquela infeliz tarde – iludido. Me empurrou no chão e ficou de pé. Encostou os dedos no nariz, devia sentir muita dor.

— Me desculpe – Pedi, me aproximando – Não queria-

— Não – Interrompeu – Se afasta de mim! Fica bem longe de mim!

Foi embora quase que correndo. Daphne me olhava com as mãos juntas e um sorriso idiota.

— Ele ‘tá tão a fim de você.

A fim de mim? Draco Malfoy? Era mais fácil eu me casar com seu marido que ele está apaixonado por mim. Pelo menos, na época.

— Se for verdade, é um grande problema – Decretou Gina – Malfoy não passa de um bosta.

— Ele me parece... Perdido. – Argumentou Luna

— Perdido? – Indagou Gina

— É. Perdido.

Nem eu e nem Gina entendemos o que ela quis dizer. Muito pelo contrário, Draco sempre foi cheio de si, tendo as ideias já formadas na sua linda cabecinha. Só esse ano que parecia um pouco pensativo, acho que já deve imaginar o porquê.

O primeiro passeio à Hogsmeade sempre é muito esperado pelos alunos do terceiro ano – não importa se foi lá mil vezes antes, sempre será mais legal.

— Nem tanto – Revelou Neville – No meu primeiro passeio, roubaram meu pirulito. Quando fui atrás, uns garotos maiores me prenderam no lixo.

— Que coisa horrível! – Sentiu Luna

— Lixo no lixo, Luna. — Disse entristecido

— Verdade – concordei – já viram a casa de Zabine? Um lixão.

Rimos. Queria causar nesse dia, não foi necessário me arrumar tanto – já sou bonitona, querida. Me vesti como uma dama: um vestidinho azul, uma capa com um tom mais escuro, um chapéu branco e baixo, sapatilhas, luvas de renda claras e um guarda-chuva.

— Passou gloss? – Questionou Daphne, em meu quarto

Ah, tinha me esquecido disso.

— Sim, como estou?

— Parece que vai tomar chá com a rainha da Inglaterra. – Respondeu Gina

— Eu achei bonita. – Elogiou Neville

— Obrigada, Nev. Onde está Luna?

— Disse que ia demorar um pouco por causa de alguma coisa de estrela, sei lá. Vai nos encontrar no Três vassouras.

— Melhor irmos, então.

Passamos em alguns lugares, Neville foi nosso guia.

— Aqui é a Casa dos gritos – Apresentou – Dizem que mora fantasmas perigosos aí, mas ninguém ouve nenhum barulho há anos.

Voltou a ser frequentados e ter muitos gritos. Após irmos em vários lugares, decidimos encontrar Luna. Perto do Três vassoura, uns idiotas barravam a passagem, enquanto alguns queriam passar.

— O que foi, Colin? – Perguntou Neville

Ele apontou a cabeça para Draco e seus amiguinhos – no tempo – irritantes.

— Se importa? – Indagou Gina irritada

— Nem um pouco. – Respondeu Draco rindo – Weasley, o seu irmão dorme no chão? Pare ter uma vassourinha mequetrefe, só madeira de cama mesmo.

— Por que está perguntando a ela se você é quem tem cara de pau? – Respondi

Gina, Neville e Colin ficaram rindo. Draco não se abalou nem um pouco com minha resposta, estava ocupado me olhando, cantinho por cantinho. Tentei não olhar tanto para ele, estava

— Um pitelzinho, você – Comentei – Poderia abrir a porta, por favor?

— C-Claro, o-onde estão meus modos?

Ficou com uma cara de besta enorme. Abriu a porta com um leve sorriso nos lábios.

— Obrigada, pitelzinho – Alisei sua bochecha – É um rapaz muito gentil.

Sentamos em uma mesa um pouco afastada e caímos na risada.

— Obrigada, Deus! – Gina levantou os braços no ar – Eu nasci para ver isso!

— Draco Malfoy sendo educado? – Neville batia com a mão na mesa – Astória, eu te amo.

— É, eu sei que sou incrível.

— Como consegue, Astória? – Interrogou Colin perplexo – Nem Parkinson faz isso.

— Uma mágica não revela seus segredos.

— Olá – Luna se juntou a nós – O que perdi?

— Malfoy sendo educado. – Contou Gina

— Ele é, só não com a gente.

— Tirando Ast. – Completou Neville

— Claro, está apaixonado.

— Isso de novo não, Luna. Ele não está apaixonado, isso é besteira, ok? – Informei – Todo garoto fica bobo perto de uma garota bonita.

— E Harry é um deles.

Neville apontou com a cabeça para Potter que observava Chang namorando com o pobre Diggory. Gina ficou vermelha e abaixou a cabeça.

— Esquece ele, Gi – Pedi, a seguindo na rua, com Luna e você – Ele não te merece.

— Capaz dele ser o asiático por não enxergar você. – Falou Luna

— Quanto racismo, Luna.

— Quê?

— Estou cansada disso – Gina sentou num banco – E o pior que a culpa é toda minha!

— Quem devia estar triste é ele – Você sentou ao lado dela – Se um garoto nega um sentimento assim, ele que devia se sentir um lixo por perder uma garota tão legal.

— Ele não é seu amigo? – Perguntei

— Um amigo iludido que acha que Chang vai largar o namorado para... Gina, por que não age como é de verdade, perto dele? Ele só te ver como a irmã menor de Rony. Aposto que te olharia mais se visse quem você é.

— Obrigada, vocês são incríveis.

Demos um abraço coletivo. O amor é complicado mesmo. Tem gente que quer, que não quer. Que ilude, que consume. Penso que demorei ingressar no amor por causa dos meus pais. Ninguém quer está em relacionamento assim, dói demais.

— Greengrass! – Simas Finnigan corria para me alcançar, semanas depois – Greengrass! – Respirou fundo – Oi, Greengrass.

— É... Oi.

— Oi. Eu... É... Sabe... Tu...

— Vamos, Lu.

Gina levou Luna para sair de lá. Finnigan parecia muito nervoso, adiantei logo as coisas.

— Você e eu o quê?

— Baile... Torneio... Galera... Isso aí?

— Está me chamando para o Baile de inverno?

— ISSO! Digo... Exatamente. Aceita?

— Posso pensar?

— Claro, é melhor do que não.

— Te dou uma resposta quando voltarmos à Hogsmeade.

Não podia aceitar algo assim tão rápido. Não nas minhas condições.

— Que condições? – Perguntou Gina, na Dedosmel

— Ah, você sabe – falei – e se ele quiser me zoar? Sabe como são esses garotos. Ele nunca falou comigo e me convida? É bem estranho.

— Estranho é não terem comprado os vestidos ainda. – Revelou Luna

— Mamãe vai mandar o meu hoje – Contou Gina – Acredita que Harry quase me convidou?

— O quê?! – Nos surpreendemos – Como?!

— É. Não foi exatamente ele. Está sem par e Rony disse que ele podia me levar.

— Você não vai com Neville? – Lembrou Luna

— Esse é o problema, não posso fazer essa desfeita. Mas tudo bem, não faria diferença se fossemos ou não. Sempre vai me ver como a irmã mais nova do melhor amigo dele.

— Ah, não fica assim, Gi – Abracei ela – Se o Testa rachada não te notar, há quem note. Miguel Connor não para de te olhar desde o ano passado.

— Sério?

— Vi ele falando de você com os amigos dele – Recordou Luna – É um garoto legal, só um pouco competitivo.

— ‘tá, quem sabe. E você, Lu? Com quem vai?

— Não vou.

— Não disse que Rolf Scamander tinha te chamado? – Perguntei

— Sim.

— E que queria ficar com ele? – Prosseguiu Gina

— Quero.

— E o que te deu? – Finalizamos

— Disse que queria ele só pra mim – suspirou apaixonada – vamos nos encontrar na Floresta proibida.

— Que romântico! — Exclamei

— Que nojo! – Soltou Gina – E eu ‘tô é com fome. Quanto é esse bombom de língua?

A dona da loja olhou para Gina de cima a baixo.

— Muito caro.

— Não se preocupe, eu pago – Me intrometi – Pensando bem, vamos levar todos.

É, e no fim das contas, pegamos uma diarreia legal. Quase no fim da tarde, fui no Três vassouras, ver se Finnigan estava lá. Nenhum sinal de vida. Claro, todos corriam para as lojas à procura de roupas chiques.

Apoiei meus ombros no balcão, pensava no convite de Finnigan. Tive um grande susto. Me abraçou por trás e beijou meu pescoço. Teria dado uma surra se não soubesse quem era.

— Uma menina linda como você não devia andar sozinha por aí.

Mordeu minha orelha, fechei os olhos. Me virou para ele e mergulhei naqueles olhos acinzentados.

— Tem companhia para o Baile de inverno?

— Não sigo o ritmo dessa festa.

Como dançarina maluca, nunca peguei muito jeito para lentidão – tirando na hora de correr. Dançar lento para mim era muito chato, sempre pisava no pé da pessoa por ser mais ligeira.

— Eu te ensino.

Com a vitrola ligada em uma simples música (Autora: só sei dançar com você de Tiê, a-do-roo ela), Draco me conduzia. Colocou minha mão em seu ombro e segurou na minha cintura. Nossas mãos juntas se cruzaram. Abri um inocente sorriso, a dança começou.

— Um passo pra cá, um passo pra lá – Ensinou – Viu, está pegando o jeito?

Como se ele fosse o rei Reginald e eu, a doce Amélia. Dançávamos no campo ao som das gotas do céu. Não importava os contra, e sim, nosso sentimento real. Me girou delicadamente, me encostei em seu peito, podia ouvir as batidas de seu coração.

Não tirávamos os olhos um do outro. Beijou meu nariz, paramos. Estava perto, muito perto. Seus lábios nos meus?

— Draquinho!

Não se encostaram. Me afastei dele depressa, Parkinson passou os braços em volta de seu pescoço.

— Tem que ver o vestido que comprei! É tão lindo, Draquinho! Draquinho? – Não tirava os olhos de mim – Perdeu alguma coisa, esquisita?

— Não, só... Admirando o novo casal.

— Não ficamos lindos juntos?

— Cada um tem quem merece.

Estava decidida, não queria me envolver com ninguém. Parsy fez bem em chegar na hora, Draco e eu não poderíamos ter uma relação mais intima. Não naquele ano. Não estava pronta para enfrentar meu medo. Na hora do jantar, pedi para que Simas me acompanhasse até um corredor vazio.

— Aceita?

— Sim, se seguir três condições.

— Condições?

— Primeiro, não quero que me beije. Pode me apresentar aos seus amigos, conversar comigo, vai ser divertido. Mas irei como sua amiga. Não quero que beije minha bochecha, minha boca e nunca, nunca, deve mexer no meu cabelo.

— Entendi.

— A segunda é uma dança. Não sei se sabe, adoro dançar, e se serei sua companheira, mereço ao menos uma dança, certo?

— C-Claro.

— Depois, pode ficar com seus amigos, sei lá. Só que quero dançar com você ao menos uma vez.

— Só uma?

— Não sabia que gostava de dançar.

— V-Venho treinando.

— Dedicado, gostei.

— E qual a terceira condição?

Tirei minha varinha e apontei para seu pescoço.

— É bom que não seja uma zoação, entendeu? Se eu suspeitar que está me chamando para fazer alguma coisa-

— Eu juro!

Cerrei os olhos e guardei a varinha.

— Bom, isso é tudo – Estendi minha mão – Trato feito?

Apertou minha mão.

— Feito.

Não nos tornamos amigos e nem nos falávamos. Finningan iria me levar porque não tinha ninguém e eu iria para me divertir. E eu não seria a única dançarina.

— Eu não consigo, Ast! – Declarou Neville

Tentava ensiná-lo no gramado. Gina, Luna e Daphne assistiam tudo, com a caixinha de som.

— E vai desistir assim? Nem pensar! Vamos, Nev. Não é difícil. Outra vez, vem.

Estávamos tentando uma dança mais agitada. E ele caiu mais uma vez. Os imbecis ficaram rindo.

— O que vocês querem? – Perguntei irritada

— Qual o problema, esquisita? – Irritou Parkinson – Podemos ficar onde quisermos.

— Então fica no cu da sua mãe! – Xingou Gina

Parsy e Gina deram um passo, Blásio e Luna as seguraram.

— Ast, vamos embora. – Suplicou Neville, no meu ouvido

— Olha, eu sei que é difícil, mas vai ser pior no Baile de inverno. Não pode deixar de fazer o que quer por causa de um bando de manés, ok? – Ele assentiu – Ótimo, vamos tentar uma lenta, que é disso que você saca. Os bocós podem ficar aí e aprenderem com os mestres.

Draco, Parsy, Blásio, Crabbe e Goyle sentaram no gramado, cheio de piadinhas. Neville ficou estético na minha frente.

— Nev.

— Sim?

— As mãos na minha cintura.

— É...

— Ansioso por não pegar em uma cintura que não seja da sua avó patética? – Chateou o Malfoy

Ótimo, ele levaria dez anos para fazer algo. Revirei os olhos e pus suas mãos na minha cintura. Zabine assobiou para mim. Percebi no momento que Draco lhe deu uma cotovelada. Daphne deixou a música começar (Autora: Ela partiu, de Tim Maia, é eu gosto muito dele) e eu virei a inexperiente. Enquanto Neville estava bem mais confiante, não parava de olhar para os meus pés. Parecia um funeral.

— Relaxa, Ast. – Pediu

— Estou muito relaxa – Só meu futuro marido que te fuzilava com o olhar, nada de mais – Só esse tom que não é meu.

— Só relaxe.

Talvez o motivo de não gostar de música lenta seja porque é muito estranho. Você só fica mexendo seus pés de milênio em milênio, sem saber para onde olhar – digamos que olhar tão perto no olho da pessoa não faz muito meu estilo.

— Fantástico – Colin apareceu – Posso tirar uma foto?

Olhei para Draco, não estava nada feliz. Dei um sorriso perverso.

— Claro, Colin.

Dei um beijo na bochecha de Neville e Colin tirou a foto. Meu amigo deve ter sentido que estava lascado, me senti mal por ele depois, e decidiu se mandar.

— A-A gente se v-ver mais tarde.

O coitado foi quase que correndo.

— Também, você quer matar o garoto. – Explicou Gina, na mesa da Corvinal – O coitado não sai da cola de Simas e Dino.

— Por que beijei ele? Que droga.

— Porque Malfoy está irado. Olha lá! – Me virei e notei que era verdade, Draco conversava com Crabbe e Goyle, com certeza, em como irritar Neville – Viu?

— Meleca! Não queria fazer isso!

— Não foi você – Disse Luna – Foi seu subconsciente.

A coisa que você nunca vai entender, como o porquê de garotas preferirem falar de vestidos do que... Sei lá, dragões?

— Crabbe me convidou. – Contava uma das gêmeas Carrow, no nosso quarto

— E eu vou com Goyle, acha que vai me pedir em casamento?

Não aguentei ficar calada.

— Vocês querem mesmo virar submissas de idiotas que não sabe nem escreve um A maiúsculo?!

— Quando tiver um noivo, nos avise.

— Eca! Tenho horror a casamentos!

E já fizemos catorze anos.

— Não é surpresa que elas pensem assim, Ast. – Avisou Daphne, no salão comunal – Desde pequenas, fomos ensinadas a casar e ter filhos.

— Eu não, coisa horrível! Viver presa assim? Não preciso e nem quero isso.

— Credo, parece mamãe falando.

— Sai dessa, Daphne! – Bati no centro três vezes – Prefiro morrer do que virar mamãe.

— Somos duas. Me diga, com qual vestido você vai?

Consegui meu vestido com um que guardava na mansão para uma ocasião importante. Não considerei mortes de trouxas um motivo decente para festa, então o usei.

Os vestidos das garotas eram lindos e chamativos. Cheios de babados, rosas, brilho dos pés ao pescoço. O meu era simples e bonito. Mangas curtinhas e a saia batia um pouco acima dos joelhos. Verde, claro. Para ficar mais elegante, usei luvas. Meu cabelo ficou solto. Minhas lindas mechas soltas nos ombros. Faltava apenas uma coisa.

“Para a rainha Astória, a mais bela de todo o reino

P.S: Não conte a madame”

Me segurei para não chorar, Maurice foi e é um bom elfo. Imagino o quanto deve ter se machucado por quebrar sua lei.

— Nossa, você está linda! – Admirou Daphne encantada, ao me ver no quarto

— Vem cá, Daph – Se aproximou e tirei uma linda coroa de uma caixa – Sabe de quem foi essa coroa?

— Vovó Dory?

Não queria contar a ela que a verdadeira dona foi uma filha da puta, vovó Dory tinha uma imagem bem mais agradável.

— Isso mesmo. Achei essa coroa no quarto de mamãe, da mansão. É lindo, não?

— Fantástico.

— Acha que... Deixa... Posso...

— Coloque de uma vez!

— Põe em mim?

Daphne colocou a linda coroa em mim, me senti a garota mais bela de todas. Nem usava tanta maquiagem, apenas um batom roxo bem escuro, uma sombra e o lápis de olho. Na medida que me aproximava, as bocas das pessoas caíam de tão abismadas que estavam.

— G-Greengrass?! – Gaguejou Finningan surpreso, na entrada do local

— Astória, por favor – Corrigi docemente – Me chame de Astória, essa noite. Não fica bonito se me chamar pelo sobrenome.

— C-Claro.

Estendi minha mão para que ele beijasse. Finningan estendeu o braço o qual passei o meu em volta. Nos juntamos as pessoas, vi Gina com Neville.

— Está linda! – Elogiamos ao mesmo tempo e rimos

— Luna já saiu com Scamander? – Quis saber

— Acho que sim. Parecia nervosa.

— Primeiro encontro, quem não ficaria?

— Acha que vai ficar?

Com aquela pergunta, percebi que Luna foi a primeira a ser convida para um encontro, não considero as cantadas de Zabine como convite, os momentos com Draco não foram exatamente por minha escolha e Finningan me chamou por falta de opção. Não que eu não tenha gostado, aquele baile... Bem... Foi divertido, claro. Como prometido, Finningan dançou comigo a música de entrada.

— Está muito linda, Green... Astória.

— Obrigada, Simas.

Minhas mãos estavam em seu pescoço e as dele, na minha cintura. Só encostaria meus dedos nos dele. Após nossa dança, Simas foi pegar um refresco para nós. Observei todos, sorrindo.

— O que a rainha faz desacompanhada?

Meu coração se apertou um pouco, apenas uma pessoa me chamava assim. E dessa vez, não era meu pai.

— Uma rainha nunca está desacompanhada, a beleza sempre a persegue.

— Com toda certeza – Segurou meu dedo mindinho – Nós não terminamos.

— Nós não começamos nada, Draco.

Tentei me afastar, ele me puxou pela mão e segurou na minha cintura.

— Não diga isso, amor. Parte meu coração.

Se me dissesse hoje, lhe pagaria um boquete. Mas naquela época? Draco era metido, mesquinho, um pé no saco. Não queria saber se era gato, pisei no seu pé e saí dali. Não falou mais comigo, mas podia sentir seu olhar.

— Tudo bem? – Falou Simas

— Ótimo. – Tomei num gole só – Eu vou dançar.

Me diverti no baile todo, dancei com Gina, Neville e com um monte de gay francês – ok, não sei se eles eram gays, caguei – me acabei toda naquela noite. Meus pés doíam e minha cabeça latejava. Nem tirei o vestido, me joguei na cama e dormi rapidamente.

— Foi tão bom assim? – Quis saber Luna

— Maravilhoso – Contei – Acho que nunca me diverti tanto. Gina que gostou mais.

Ela ficou toda vermelha.

— Como assim? – Se interessou Luna

— Eu... Tive meu primeiro beijo com Miguel Connor.

— E como foi?

— Bom. Mas ainda não me sinto pronta para entrar em um relacionamento assim. Ainda gosto de Harry.

— Por que será que não me surpreende? – Zombou Malfoy, com seus amigos – Andando com Longbotton, até que faz sentido se misturar com gente ridícula assim.

— A única coisa ridícula é seu perfumezinho barato do Paraguai.

Com todo respeito ao Paraguai.

— Mais cuidado com as palavras, Astória. Apenas meninas educadas vão na minha mansão.

— O que ele quis dizer com isso? – Indagou Gina, na biblioteca

Quis dizer que minha mãe me obrigou a passar as férias de pascoa com ele, sem querer minha opinião.

— Você vai ficar bem? – Perguntei, arrumando a bolsa

— Sim. Ficarei na casa da minha amiga Susan.

— E ela é confiável?

Não, só casou com ela.

— Com certeza.

— Astória. – Chamou Colin, indo a Expressão de Hogwarts comigo e minha irmã – Isso é pra você.

A abri a caixa e tinha sapatos com rodinhas.

— Obrigada, isso é... É... O que é isso?

— Patins. Lembra que uma vez eu estava andando no corredor e você perguntou se eu voava? É isso.

— Sério? Como funciona?

— Coloca nos pés e anda por aí.

— Parece bem fácil.

— E é. Só cuidado para não cair.

Pior que nem caí tanto. O segredo é ter coluna ereta e vontade incomodar as pessoas. Colin também me deu joelheiras, cotoveleiras e um capacete. Fiquei a praticar pelo

— Menina, pare de andar com isso! – Mandava a dona dos doces, saindo do banheiro – Cuidado!

— O quê?

— Eu disse cuidado!

Devia ter prestado mais atenção. Na minha frente, estava a pequena carrocinha de doces. Tentei me segurar nela, mas acabei a puxando comigo e batendo de costas na parede. Um monte de doces caiu em mim e as risadas também.

— Eu disse pra ter cuidado. – Alertou Colin, me ajudando a levantar

— Obrigada. Eu tenho cuidado. Só me distraí um pouquinho.

— Sei. Posso?

— À vontade – Tirou uma foto minha – E o anuário?

— Ainda nada. Acho que não me levam a sério por causa do meu sangue.

— Claro que não, Colin! Você é tão bruxo quanto os outros, não pense que é inferior.

— Obrigado.

— Sabe o que eu acho? – Passei meu braço no dele e andamos – Que tem muita coisa acontecendo. É isso que eu acho. O anuário seria uma ideia muita nova e precisaria de muita atenção, aposto que todos ficariam animados com isso.

— Mesmo?

— Com certeza! É que estamos no ano do Torneio Tribruxo e todos estão de olho em Harry Potter. Vai ver, Hogwarts ainda terá seu anuário e você será o editor-chefe.

— Só se for minha sócia.

— Feito.

Apertamos as mãos. Me despedi dele, de seu irmão e minha irmã.

— Se cuida, Daph. Quero muitas cartas, entendeu?

— Sim, manona.

Me abraçou e procurei por Draco, que beijava Parsy. Aquela coisa de sempre, Parsy com raiva, Draco constrangido, o de sempre. As coisas aqui estavam um pouco chatas. Andava de patins por todo canto em uma velocidade bem alta. Narcisa se incomodava, mas não falava muita coisa.

“...Não acredito que está na casa desse idiota. Que nojo! Bem que você podia dá o troco nele, sei lá”, escreveu Gina em uma de suas cartas. E ela estava coberta de razão. Quantas vezes Draco já nos irritou e saiu ileso? Até que essas férias podiam ser divertidas.

Ele polia sua vassoura, em uma das salas de estar. Andei de patins até ele e sentei ao seu lado no sofá.

— O que está fazendo?

— Polindo, não está vendo?

— Seu elfo-doméstico não faz isso?

— Foi liberto.

— Sério? Não me diga que é a favor da liberdade deles.

— Até parece. O Potter... Ficou com ele, o elfo-doméstico não passava de um imprestável. Juntamos o útil ao agradável.

— Entendi. E por que não compraram outro? Quer dizer, devia usar essas mãos para outras coisas – segurei na dele – tenho certeza que – coloquei na minha cintura – elas podem fazer bem mais.

Olhou desconfiado para mim e lhe dei um sorriso.

— Tchau, pitelzinho.

Minha tarefa era enlouquecer Draco Malfoy por tudo o que ele fez.

— Narcisa, posso tomar banho de piscina? – Pedi, no café da manhã

Como quase todo adulto, ela odeia quando crianças a chamam pelo nome. Até eu vejo como desrespeito, só que era afrontosa.

— Claro.

— Obrigada.

Como tinha treze anos, meu corpo ainda estava em fase de crescimento. Meus seios não eram grandes e não tinha tanta cintura assim. Não me orgulho de ter colocado papel higiênico para dá um pouco de volume. Andei apenas de biquíni pela mansão e me deitei na espreguiçadeira. Afastei a alça para o lado pois sabia que era observada. Deitei de costas, lendo um livro. Fiquei irritada ao vê-lo sendo molhado com as gotas d’água saindo da piscina.

— Draco! – Se jogou só para me irritar – Seu idiota, olha o que você fez!

— Desculpe, majestade. Molhei seu precioso livro?

— Sínico.

— É para aprender que comigo não se brinca.

E nem comigo, doutor. Após ter tomado um banho, me sentei de frente a penteadeira e vi ele me espionado na brecha da porta. Não mostraria totalmente meu corpo, usava um robe. Apoiei minha coxa na cama e passei hidratante. Deixei minhas costas nuas, ele arregalou seus olhos. Pisquei para ele no reflexo e saiu correndo.

No outro dia, fingi que nada tinha acontecido. Recebi cartas e escrevi também. Gina adorou a ideia de brincar com Draco e Luna disse para ter cuidado. Como se eu fosse me apaixonar. Tinhas coisas mais importantes para fazer como pular a escada de patins.

— Sua mãe sabe que faz isso? – Indagou Narcisa

— Ela não dá a mínima pra o que eu faço. Cadê Draco?

— No quarto dele. Não está pensando em ir lá, está?

— Por quê? Ele esconde uma armadura mágica roubada? – Olhou feio para mim – Foi uma piada.

— Hilário.

Fui ao quarto dele, não tinha ninguém. Fiquei a vasculhar seu closet enorme e pensei em uma brincadeira bem divertida. Para mim. Vesti sua camisa de quadribol e um gorro seu. Passei até um batom.

— Astória?!

— Oi, pitelzinho. Gostou? Fiz em sua homenagem.

— O-O que está fazendo aqui?

— Usando suas roupas.

— E por quê?

— Bem... – Sentei na cama dele – Fiquei com um de frio e não trouxe nenhuma roupa de inverno. Espero que não tenha se importado de eu ter pego sua camisa, acho muito confortável.

— É, ela é. Por quanto vai continuar usando?

— Não sei. Talvez até o fim das férias. Até o fim do ano. Quem sabe até esse frio passar. – Levantei e fiquei bem perto dele – Você sabe como se faz?

— Se quiser, eu te ensino agora mesmo.

— Seria muito interessante – alisei seu ombro – mas estou um pouco indisposta hoje, entende? Que tal amanhã?

— Pode ter certeza que nunca mais vai sentir frio.

— Mal posso esperar. – Beijei a bochecha dele – Até, pitelzinho.

— Até, minha rainha.

Abri e fui embora de patins. Nesse mesmo dia, liguei a caixinha de som no meu quarto (Autora: Be my Daddy, de Lana del Rey) e fiquei lendo O Pasquim. O flagrei me espionando novamente pela brecha da porta. Deixei minha leitura de lado, fiquei de pé em cima da cama e dancei cantando.

Olhei diretamente para mim e ele pareceu ficar furioso e foi embora. Confusa, fui até a porta e bufei. De tarde, pintava as unhas do meu pé na sala. Ele sentou do meu lado bem irritado.

— Que bicho te mordeu, pitelzinho? Foi a Parkinson, foi?

— Eu saquei seu joguinho, Astória!

— Legal, vamos jogar pôquer!

— Pôquer é o escambal! Por que está fazendo isso?

— Fazendo o quê?

— Está dando em cima de mim, quer que eu me apaixone por você!

— Ah, não! Ele descobriu meu plano secreto. E agora?

— Não se faça de boba, Astória! Andar por aí de biquíni, passar hidratante, vestir minhas camisas!

— Se quiser, eu tiro a sua camisa agora mesmo. Mas vai ter que me ajudar.

— Chega, entendeu? Eu não vou cair nos seus truques, não vou! Deixe isso para o porco do Weasley! Eu não vou me apaixonar por você!

— É mesmo?

— É sim! Eu nunca me apaixonaria por alguém como você!

— E como seria alguém como eu?

— Uma garota exibida.

— Será que você é que não vem prestando muita atenção em mim? Porque eu estou agindo normalmente, pitelzinho.

— Para de me chamar assim! Malfoy, Draco Malfoy! Aprendeu?

— Não, é muito difícil, pitelzinho.

— Sua-

— Maravilhosa? Fantástica? Pode dizer, eu aceito.

— Agora sei porque sua mãe te mandou pra cá. Quer se livrar de você. Claro, ninguém suporta.

Parei de pintar minhas unhas. Eu já sabia que aquilo era verdade. Mesmo assim, doía ouvir todas as vezes. Me levantei na hora.

— Astória!

Me tranquei no meu quarto, não chorei porque não se chora quando são honestos com você. Mordi meu lábio e apertei o travesseiro com força. Draco Malfoy precisava aprender uma lição. Entrei em seu quarto – ele não estava lá – e vesti sua camisa e um shortinho meu.

— Astória... O quê... O quê? – Me perguntou, vindo do banheiro só de toalha

— O gato comeu a sua língua, Malfoy? Sabia que você fica bem sexy de toalha. – O empurrei na cama – Pelas barbas de Merlin, como você é branco. – Lhe dei um tapa na cara e sentei no seu colo – Ficou todo vermelhinho, que fofo.

— O que você quer aqui, Astória?

— Que bom que perguntou, já tinha me esquecido. Você acha que fica melhor usar essa camisa assim ou – abri um botão – assim?

— Acho... – Engoliu um seco – Bem melhor sem nada.

Sorri maliciosa. Ele tentou me beijar, mas virei o rosto. Tentou outra vez e não deixei. Revirou os olhos e se aprofundou no meu pescoço. Sentir seus beijos quentes que me causa arrepio. Suas mãos segurando em minha cintura, passando por debaixo da camisa.

Coloquei minha mão em sua nuca para que não se afastasse. A campainha foi tocada, de acordo com o plano. Draco acordou do transe.

— Merda.

— Que foi, pitelzinho?

— Parsy. Ela vinha aqui com os pais dela. A gente vai ter que terminar isso depois.

Mesmo sabendo que Parsy vinha, me senti irritada por ser trocada por tão pouco – sem querer ofendê-la. Ele correu para o closet e iria me deixar no seu quarto sozinha.

— Eu não vou fazer isso, Draco!

— É só até ela ir embora – Ele já havia colocado a calça e tentava pôr uma camisa – Não vai demorar.

E é aí que vem a minha vingança.

— É claro que não vai, Draco! Você é tão bom!

— O quê?

— Nossa! Nossa! Caramba! Pelas barbas de Merlin, isso é tão gostoso!

— Para, Astória!

— Parar? Querido, vamos passar horas aqui! – Comecei a pular na cama – Isso! Não para! Não para!

— Astória, para! Podem te ouvir!

— Me desculpe, eu não entendi! Isso está tão gostoso, pitelzinho! É assim que eu gosto! Desse jeitinho mesmo!

— Você é terrível!

— Eu sou uma menina má, é? Me castiga então, sr. Malfoy! – Pulei na cama com mais intensidade – Merlin! Merlin! Merlin! Eu vou ter que usar uma cadeira de rodas agora!

Ele levantou na cama e me agarrou para que eu parasse.

— Pronto pro grande final?

— O quê?

Apertei o saco dele e gritamos.

— Por Merlin, Draco! Onde foi que você aprendeu isso?

Ele caiu na cama durinho. Segurei seu rosto e lhe dei um

— Isso não conta como beijo, mas espero que tenha gostado. Tchau, pitelzinho.

Coloquei meus patins na pressa e saí do quarto. Lucio e o pai de Parsy me olhavam abismados.

— Boa tarde, senhores. Lucio, tenho que te dizer que seu filho é muito bom com as mãos.

Ele ergueu a sobrancelha e meu sorriso aumentou. Draco veio até a porta, se segurando nas coisas para não cair. Suas roupas amaçaram por conta da rapidez em se vestir; seu cabelo estava de pé, pois mal os penteou; e sua linda boquinha tinha meu batom. Não importa o quanto negasse, ninguém acreditaria.

— Até mais tarde, Draco.

Lhe dei um beijo na bochecha e fui embora de patins. Desci sentada no corrimão e vi que Narcisa, Parsy e a mãe dela se sentiam constrangidas.

— Hora do chá das cinco? Que demais! Posso me juntar a vocês?

É, eu era bem sínica. No outro dia, os amigos de Draco vieram visita-lo. Coloquei meu ouvido na porta para saber se diria algo sobre nossa primeira transa de mentirinha.

— Astória. – Chamou Narcisa e a segui até a cozinha, omde ela ficou preparando uma comida – Recebeu cartas da sua irmã?

— Sim, ela está se divertindo muito. – Sentei em cima do balcão – Era muito amiga das suas irmãs?

— Só tenho uma.

— Que seja. É?

— De certa forma, sim.

— Como assim?

— Eu a amo.

— Só porque ama não quer dizer que seja amiga dela. Quero dizer, muitos irmãos brigam, mas eu e Daph somos diferentes.

— Isso é bom.

— Sim. Por que não teve outros filhos?

— Draco já é o suficiente. E você deixou bem claro, tarde passada.

— É, seu filho é muito bom.

— Me poupe dos detalhes.

— Parkinson vai casar com ele?

— O que te faz pensar assim?

— Eles vivem se agarrando e os pais dela vieram aqui, ontem. Não foi pra falar sobre isso?

— Caso não acredite, gente velha têm amigos.

— É velha? Pra mim, está bem conservada. – Me olhou feio – Desculpe.

— Sua mãe devia lhe ensinar mais modos.

— Minha mãe não se importa comigo.

— Não devia expor sua vida a qualquer um.

— A senhora não é qualquer um.

— É um elogio?

— Talvez. Por que me aceitou aqui?

— Sua mãe pediu.

— Faz tudo o que ela pede?

— Amigos fazem isso. Você não tem?

— Claro que sim. Só que se eu fosse a senhora, escolheria amigos melhores.

— Astória, só porque a relação entre você e sua mãe é conturbada, não significa que deva falar mal dela. É sua mãe e tem que ter respeito! Pegue – Me deu uma bandeja – Leve aos garotos!

— Não sabia que eu era um elfo-doméstico.

— Pensei que gostaria de um motivo para ouvir o que eles tanto falam do que espionar atrás da porta. E traga a bandeja de volta.

— Sim, senhora.

Com as mãos ocupadas, empurrei a porta com as costas. Os garotos se espantaram um pouco com minha presença, fazer o quê? Sou demais. Coloquei a bandeja no centro e me sentei do lado de Draco.

— Do que os manés estavam falando antes de verem o lindo anjo entrar?

— E que lindo anjo. – Admirou Zabine – Acho até que morri, devo está no céu.

— E vai cair para o inferno. – Murmurou Draco, Blásio engoliu um seco

— Então, do que falavam? – Insisti

— Torneio Tribruxo. – Respondeu Crabbe

— Bem que a francesa podia ganhar e fazer uma dancinha pra gente. – Sonhou Goyle

— Oi, gente – Nott entrou, trazendo uma caixinha – Greengrass? Não me digam que substituíram por Parsy.

— Não sou boa?

— Claro que é, meu bem – Ele sentou na minha frente – Só não estou acostumado em ver beleza tão pura quanto a sua.

— Nem tão pura assim. – Acrescentou Draco – Trouxe?

Se tem uma coisa que detesto é fumar. Graças ao péssimo estado de papai e os berros de mamãe. Ver os cinco acendendo o cachimbo, sorrindo me deu vontade de vomitar. Prefiro morrer do que beijar um fumante.

— Vai querer? – Ofereceu Nott

— Não, que nojo! Sabiam que isso faz mal?

— E daí?

— E daí? Seus pulmões vão escurecer, seus dentes vão ficar amarelos, suas peles vão mudar e... Isso é seboso! É horrível! Podem pegar mais de cinquenta doenças diferentes!

— Nossa, que sabichona. – Debochou Malfoy

— Seu cretino!

Peguei o cachimbo dele, joguei no chão e pisei com força.

— Quero saber se vão continuar rindo quando pararem em uma cadeira de rodas! Esse é o problema de vocês, meninos: sempre acham que estão certos! Mas não sabem de merda nenhuma!

Patinei sem rumo até que me esbarrei em alguém.

— Me desculpe.

— Olhe por anda, menina! – Brigou Karkaroff

— Sim, senhor.

E ele não estava sozinho.

— Ela bateu em você, Viktor?

Alguns alunos da escola dele estavam lá, meu queixo caiu ao vê-los.

— Não. Como vai, senhori-rita?

— Eu... Eu...

— Igor. – Saudou Lucio – Astória, leve eles para se sentar.

— Beleza. – Os adultos foram embora – Então, alguém joga pôquer?

Se eu ia apostar, claro que sim. Sentamos em uma mesa e fizemos nossas apostas.

— Doule meu chali de França. – Alertou um dos alunos

— Isso no é nada – Disse seu colega – Dole três casa nas Américas.

— Dou três galeões – Deram risinhos – Prontos? Vamos lá. – Jogamos e – Venci!

— Parabéns. – Desejou Krum

— Valeu, caras! Outra partida?

— Astória, eu... – Draco olhou surpresos para todos – O que estão fazendo?

— Jogando pôquer. Por que não volta pra sua rodinha de viciados? É bem mais interessante.

— Esse é o garotô de quem falou? – Quis saber uma das meninas

— Esse mesmo.

— Vacilom.

— Você pode nos dá licença, por favor? Estamos em um jogo importante.

— Eu desisto.

— Eu também.

— Eu no.

Ganhei mais outra casa e uma vassoura da China.

— Onde aprendeu a jogar? – Quis saber Narcisa, na janta

— Papai jogava com meu avô e alguns parentes distantes meu. Eu olhava e acabei aprendendo. Como tirar doce de criança. Lucio, o que Igor queria?

— Coisas de adulto.

— Entendi. Bem, já deu oito horas e crianças não deviam estar acordadas a essa hora, então boa noite.

Não fui dormir, tinha um livro bem mais interessante do que isso. A porta foi aberta sem ao menos receber minha permissão.

— Suas camisas estão ali. – Apontei

— O quê? – Questionou Draco

— A não ser que seja para pegar suas camisas, não tenho motivo nenhum para falar com uma boca de fumo.

— Por favor, Astória! Esquece isso!

— Claro, eu posso muito bem esquecer que você é um viciado.

— Eu não sou um viciado!

— É sim! Você é um viciado! Como pode se submeter a isso, Draco? Esperei tudo de você, menos que fumasse. Seus pais sabem disso? Tenho certeza que não. Vi a cara deles quando papai ofereceu um cachimbo, sentiram nojo. Só não fizeram a mesma cara que eu porque ainda tinham um pouco de classe. Imagina quando descobrirem que o filhinho perfeito deles faz isso!

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— Você não vai contar, não é?

— Eu não, não sou nada sua. Se quer se matar, ótimo. Problema seu.

— Astória, me desculpe – sentou na cama – te prometo que não faço mais isso. E eu nem fumo tanto, só pra relaxar.

— Pra relaxar, recebemos massagem, ouvimos música, estouramos plástico bolha. Se você fuma é porque não passa de um seboso!

— Eu sei.

— Não, você não sabe! Não sabe como é terrível tossir sempre e cuspir sangue toda hora.

— Desculpa. – Deitou a testa no meu ombro – Não vou mais fazer, está bem? Se quiser, fazemos o voto perpetuo.

— Quem te ofereceu o cachimbo? Foi Nott?

— Não exatamente. Vi Karkaroff fumando e achei legal. Falei com os caras e Nott nos deu os do pai dele.

— Devia parar de andar com esses garotos, eles não te fazem bem!

— Qual é, são meus amigos!

— Amigos não te dão cachimbo, Draco! – Me afastei dele – Acha o quê? Que isso é brincadeira? Com saúde, não se brinca! Se eu te ver fumando mais uma vez, nem me dirija a palavra!

— Astória-

— Você ouviu. Esses garotos ainda vão te arrastar para o buraco!

— Por que não gosta deles? De Blásio, eu entendo, mas e os outros? Nem parece que é uma de nós!

— Se for pra agir assim, nem quero!

— Assim como?

— Como um panaca! Toda vez que anda com essa gente, se comporta como se fosse um completo imbecil! Você não vê? Eles estão te corrompendo, Draco!

— Eu sou assim, Astória! E não me trate como se eu fosse um fingido! É você que se faz de heroína quando está com aqueles malditos traidores de sangue!

— Eu não me passo de heroína!

— Passa sim e todo mundo sabe disso! É o quê? Falta de amigos?

— Comparado aos seus, eles são os melhores! Pensando bem, são melhores que qualquer um!

— Quer saber de uma coisa? – Ficou de pé – Parsy tem toda razão! Você não passa de uma criancinha esquisita!

— Então corre para os braços da sua namoradinha estúpida! São perfeitos um para o outro!

— É, porque mil garotas me querem! Enquanto ninguém vai querer você!

Bateu a porta com força.

— Melhor sozinha do que mal acompanhada!

— Então o plano foi para o beleleu. – Finalizei, no corredor de Hogwarts

— Que droga! – Lamentou-se Gina – Seria perfeito que ele se apaixonasse por você, faríamos altas piadas.

— Melhor assim, não quero nem olhar na cara dele.

— Cheguei! – Colin vinha de patins – Quanto tempo?

— Seis minutos e sete segundos. – Avisou Neville com o cronometro na mão – Sua vez, Ast. Pronta?

— Pronta.

— Boa sorte, Astória – Falou Colin – Eu sou muito bom.

— Pena que não é o suficiente, Colin. Vai, Neville.

— E um... Dois... Três!

Como não podíamos fazer uma corrida lado a lado, tivemos que fazer assim. A corrida era quem fosse até a sala de Snape, bater na porta e então voltar. Se Hogwarts já é cheia com os alunos normais, imagine com os estrangeiros. Sem contar das escadas que tinha que pular. Eu só era lenta mesmo na corrida com pés, era radical nos patins.

Teve uma vez que pulei por cima da escada, só que não contei que ela ia se mover. Sorte que meus amigos me pegaram, podia ter morrido – não tinha proteção de anti-suicídio ainda. Enfim, andei mais um pouco e cheguei ao ponto de partida.

— Mesmo tempo. – Notou Neville

— Não brinca! – Exclamei – Que demais! Vamos outra?

— E se McGonagall nos pegar? – Quis saber Colin

— Eu sou rápida demais pra que ela me reconheça. Já o sr. Lentidão.

— Vou te mostrar quem é o sr. Lentidão, madame Demorada.

— As suas marcas- Avisou Neville e fizemos – E um... Dois...

— Três!

— Ei!

É desonesto? Um pouco. Ainda andando, fiquei de costas e fiz uma careta para ele. Acabei batendo em alguém e fiquei para trás. Ele ainda mandou um beijo para mim. Voltei a andar, ficamos lado a lado. Pulamos escadas, passamos pelas pessoas.

— Parem, os dois! – Mandou um monitor que nem sei quem é

Na verdade, várias pessoas tentaram nos parar. O único adulto que gostou da nossa corrida foi Dumbledore. Segundo ele, a gente animava as coisas – depois dos gêmeos Weasley, claro. Faltava apenas uma longa escada para que pulássemos. Ela fazia parte do corredor era duas – só com um pouco de chão entre ela. Podíamos ouvir e assistir nossos amigos nos incentivando. Só que não durou por muito tempo. Um certo ser pôs o pé. Se fosse na hora que eu só patinava, tudo bem. Eu cairia nos primeiros degraus.

Acontece que foi bem na hora que eu pulei, ou seja, caí de cara no chão. E como eu disse, a escada era longa e os degraus eram duros. Caí como muita força, senti muita dor. Ouvi um crack na minha perna, ela tinha se quebrado.

— AAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH!

E não foi só isso, meu osso estava para fora. Não demorou para que meus amigos e outros alunos viessem ver o que era.

— Pelas barbas de Merlin!

— Deus!

— Que horrível!

— O que está acontecendo aqui? – Interrogou Snape

— Foi ele – Gina apontou para Malfoy – Ele colocou o pé para que ela caísse!

Não dizia nada, estava surpreso demais.

— ‘tá doendo! Doendo muito!

— É isso no que dá andar nessa coisa. Quem for visto com isso, perderá cem pontos e detenção até se formar.

— Mas, professor-

— Quieto, Creevey!

— Ast! – Daphne vinha correndo – Pelas barbas de Merlin, o que foi isso!

— AAAAAAAAAHHHHHHHH! AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!

— Longbotton, leve ela à Ala hospitalar, imediatamente!

Meus amigos ainda estavam um pouco abalados. Neville assentiu muito nervoso e passou meu braço por cima de seu ombro. Luna o ajudou. Saía muito sangue. Eu gritava, chorava. Doía demais. Me deitaram na Ala hospitalar.

— Todos para fora! – Ordenou mamade Pomfey – Todos!

— Mas é a minha irmã!

— Para fora!

— AAAAAAHHHHH! AAAAAAAHHHHHHH!

— Calma! Tudo ficará bem!

— Eu vou morrer! Eu vou morrer! Está doendo muito! Muito mesmo! AAAAAAAHHHHHH!

— Não vai morrer, não.

Me deu uma poção e caí no sono. Ao acordar, era de manhã e minha perna foi enfaixada.

— Madame Pomfey?

— Não se mexa, está muito frágil!

— Eu nunca mais vou andar de patins?

— Por Hogwarts, não. Snape conseguiu que fosse proibido.

— Mas eu não quebrei a perna por causa disso, fui empurrada!

— Boa sorte para dizer a ele. A verdade é que outros professores e monitores concordaram. E nada a impede de que patine por aí. Sua irmã veio aqui hoje, deixou um cartão.

Um cartão todo colorido e bonito.

“Manona,

É bom que melhore. Fiquei com medo quando vi você daquele jeito. Te amo muito.

Com saudades

Daphne Linda Greengrass”

Sorri um pouco emocionada. No dia seguinte, fui liberada.

— Quando vai tirar a faixa? – Perguntou Neville

— Daqui um mês. E ainda tenho que andar manca, ninguém merece!

— Vingancinha ao Malfoy? – Perguntou Gina com um sorriso diabólico

— Não, nem pensar!

— Ah, vamos, Ast! Aposto que quer fazer ele pagar por tudo o que fez.

— Ele vai, quando for a hora.

— Mas, Astória-

— Não, Gina! Se quiser aprontar com ele, vá em frente. Eu é que não quero me meter nisso. Inventei de brincar com ele naquelas malditas férias de pascoa e só deu mais em confusão. Me recuso a participar disso!

— Está bem.

— Desculpe, só... Não quero que pese pro nosso lado. Esquece ele, ‘tá? Deixa que caia sozinho.

Ter a perna enfaixada é um saco. Não podia andar de patins, dançar e nem andar sem que as pessoas zombem de vocês.

— Ei, Greengrass – Uma sonserina fingiu andar manca – Vamos fazer uma corrida para ver quem chega primeiro?

— Vem, Ast. – Chamou minha irmã

Sentei em uma poltrona do Salão comunal e deitei minha perna no centro.

— Dói muito? – Quis saber Daph

— Só quando cutucam. ‘tá muito feio?

— Um pouco inchado. Só falta três semanas, não é?

— É.

— Está tomando a poção direito?

— Pensei que eu fosse a mais velha.

— Responsabilidade não tem idade.

Rimos.

— Oi, Daphne – Saudou uma menina – Oi... Astória?

— Isso mesmo.

— Você vem? – Ela quis saber

— Já vou. Ast, você se importa se eu-

— À vontade.

Minha irmã subiu com a amiga dela. Me acomodei um pouco para ler. Deixei cair uma balinha no chão e ela foi apanhada.

— Pode ficar. – Falei

Draco abriu do papelzinho e pôs na boca. O ignorei e foquei na leitura.

— Astória – E não deu muito certo – Por quanto tempo vai me ignorar?

— Como assim? Nós nem nos falamos direito aqui.

— E isso devia continuar?

— Não, devemos fingir que o outro não existe.

— Como se conseguisse esquecer esse rostinho? – Revirei os olhos – Desculpe. E caso queira saber, parei de fumar. Ouvi falar que faz mal a saúde.

— Não me diga.

— Olha, eu não sabia que era você.

— E que diferença faz? Aposto que se fosse Colin, comemoraria, não é?

— Eu não, tenho mais o que fazer.

— Draco, nascidos-trouxas são gente! Quando vai entender que a droga da sua linhagem não faz diferença?

— Faz sim!

— Não, não faz! Em três meses de férias, Granger aprendeu mais coisas mágicas do que você na sua vida toda!

— Não me compare aquela nojentinha!

— Nojentinha está essa conversa!

Joguei minha perna enfaixada para o chão com força demais e dei um gritinho.

— Você está bem?

— Estou, só... – Me levantei – Preciso me deitar. E Draco, toda vez que seu lado preconceituoso se manifestar, lembre-se que machuca as pessoas que gosta também. Não sei se faço parte dessa lista, mas minha perna está doendo agora.

— Só disse isso? – Perguntou Gina, indo comigo assistir a última tarefa do Torneio Tribruxo

— Minha perna doía e não estava com saco para brigas.

— Sabe, Greengrass. – Disse Flora Carrow, ao nosso lado

— Não pudemos deixar de ouvir.

— Que brigou com Draco Malfoy por causa da diferença de pensamentos de vocês.

— É, e daí?

— Sei que não nos falamos tanto.

— Mas achamos melhor avisar que não é bom tratar ele assim.

— É nosso líder.

— E um líder deve ser sempre bem respeitado.

— No dia que Draco Malfoy for meu líder, juro que pulo da ponte. Lesadas.

— Vem, Ast.

Tivemos fogos de artifício na última tarefa e fogo em vilas trouxas, sendo atacadas. A Segunda Guerra Bruxa foi terrível. Lembra quando disse que cuidava de Daphne como se fosse um bebê? Bem, ela se tornou um.

E não era de menos. Só tinha apenas doze anos, todas as garotas que não fossem da Sonserina, fugiam dela. E a mansão estava sendo visitada todos os dias por comensais que me recusava a saber quem eram. Todos os lugares tinham alguém estranho.

— Meninas, não vão dizer olá aos nossos convidados? – Perguntou mamãe

Pessoas bastante estranhas.

— Olá.

Passei a acordar cedo, pois a casa era sempre vazia. Olhava o quintal, do meu quarto, com vários túmulos já abertos, prontos para serem preenchidos por inocentes. Sem esquecer que era assediada diariamente pelos maliciosos olhares das visitas. Meus seios cresciam e minha cintura estava sendo formada.

— Por que está reclamando? – Indagou mamãe, no chá das cinco – É de admirar que alguém te ache atraente.

Como consigo amar e odiar tanto aquela maldita mulher que me fez tão mal? Caminhar pelos corredores me fez lembrar do bater do sino.

— Não sou cão para vir com um sino! – Reclamei

— Tem razão, cães são mais úteis.

Sentei de frente do piano, que há tempos não era acompanhado por uma bela voz. Papai não cantava mais. Respirei fundo e deixei meus dedos seguirem seu caminho. Fraca, minha voz se liberou (Autora: A noite, Tiê).

— Astória.

— Papai.

Ele fumava um cachimbo e tossiu um pouco.

— Quem lhe deu permissão te tocar no meu piano?

— Ninguém, papai.

— E quem te ensinou?

— Um amigo.

No caso, a avó de Neville.

— Um amigo, ah? E o que tem dado em troca a ele? Sexo?

— Não, papai!

— Não, papai. Sim, papai. É tudo o que sabe dizer? Só podia ser uma mulher mesmo, inútil! E tire seus dedos nojentos daí!

— E se eu não quiser?

— Se você não quiser, ah? – Ele jogou o pó de cachimbo em mim, doeu para o caralho – Quem você pensa que é, sua vadiazinha? Imunda! Levante-se!

Não sei o pó de cachimbo trouxa, mas o bruxo faz doer muito e se espalhar um pouco, depois incha e fica totalmente sensível.

— Quem mandou irritar seu pai, em? Quem?

Mamãe me banhava com a esponja de aço com muita força nas queimaduras.

— Isso dói, mamãe!

— É pra você aprender que aquele velho maldito não presta! Ele não é ninguém! Ele não te ama! – Parou de esfregar e segurou meu rosto – Não chore, menina, O Lorde das trevas a de nos ajudar, ele é piedoso! Piedoso!

Piedoso é o cacete. As coisas iam de mal a pior. Se o Lorde das trevas era tão bom, por que fez papai ficar violento e mamãe mais cruel? Estava enlouquecendo a todos ali. Incluindo eu e Daph.

— Eu ‘tô com medo, Ast. Essas pessoas me assustam.

Sempre dormia com ela e acalmava quando tinha pesadelos. Nem sempre Maurice estava à disposição para trazer comida, então eu arriscava ir na cozinha. Com Daphne morrendo de medo, é claro, de ser atacada.

Uma dessas vezes era de noite. Desci para cozinha na ponta dos pés. Preparei sanduíches bem gostosos, só faltava um pouco de geleia. Abri a gaveta do armário e lá estava uma cabeça de uma mulher infestada de insetos. Essa mulher era Berta Jokins.

A gaveta foi fechada por um comensal que eu não conhecia. Ele pôs o dedo indicador nos lábios com uma cara cínica. Sem pensar duas vezes, peguei o jantar que fiz e subi. A pior parte foi ter que fingir que estava tudo bem. Que não tinha gente inocente sendo enterrada na mansão.

As coisas só foram piorando. Aquela garota alegre de lindos cabelos ondulados, que ria sem parar sumia. Nova era, nova Astória. Comecei a falar menos e só me concentrar em Daphne e nos meus estudos.

— Isso é mesmo necessário, mamãe? – Perguntei, enquanto ela amarrava meu cabelo

— É claro. Como quer servir ao Lordes das trevas desse jeito? Precisamos ser impecáveis, Astória!

Fiquei lendo cada vez mais para esquecer um pouquinho da realidade. Daphne dormia tanto que fiquei com medo que fosse depressão.

— É frescura! – Bradou papai, no almoço – Meninas, sempre são assim! Se eu tivesse um filho homem, nunca seria fraco!

— Não consegue cuidar de si, imagine de um filho homem! – Afirmou mamãe

— Cale-se, sua medíocre! Minha fala não chegou no curral!

Se a volta dele foi tão boa para nós, porque nossos iguais andavam sempre estressados? Em uma noite, peguei mamãe na cozinha, tomando tudo que é tipo de poção.

— Mais linda, mais jovem. Mais linda, mais jovem. – Sempre repetindo a mesma coisa todas as noites

— Perfeita!

Aniversário de Draco, tinha que ir bem arrumada para

— Não envergonhar a família – Explicava mamãe penteando meu cabelo – Escute, Astória, você já fracassou bastante e graças a Merlin que os Malfoy tem um pouco de piedade.

— Mamãe.

— Sim?

— O Lorde das trevas está lá?

Ela puxou meu cabelo com força.

— Você que não invente de perguntar! Se comporte direitinho, ele a de te ajudar!

— Como pode ter tanta certeza?

— Ele é piedoso, Astória! Seja uma boa menina e arranje um marido rico do seu mesmo sangue, está bem? O que acha do filho dos Zabine?

— Um nojo.

— Pensei o mesmo do seu pai, dará certo então.

Ter Blásio Zabine como meu marido? Não, isso não podia acontecer.

— Não está bonita, mas já é alguma coisa.

Meu cabelo estava tão bem preso que podia sentir minha alma sendo puxada. Usava um maior brega verde e laranja e um vestido longo amarelo.

— Não vou nem perguntar. – Falou Daphne, na escada principal

— Estão prontas? Ótimo! – Mamãe jogou perfume – Não esqueçam-

— Se comporte e arranje um marido rico. – Repetimos

— Muito bem – Ela bebeu um gole da sua variedade de poções – Postura ereta! Não falem demais! Não solte o cabelo! Não sorria tanto! Não banque a feminista!

— Mamãe! – Reclamou Daphne

— Quieta! Tudo o que fizerem-

— Afetará nossa família.

— Deixem elas respirarem, mulher – Mandou papai, vindo de outro cômodo – Astória, dê um bom presente ao Malfoy.

— Não seja tolo, ela casará virgem!

— Você não casou! Deu para o time inteiro!

— Não se atreva a falar do que não sabe, seu aleijado!

Suspiramos e fomos para a lareira, Daphne foi a primeira a ir. Sorte dela, não gostaria de ver os pratos sendo jogados. Me deparei com uma linda sala, tudo aqui em casa sempre foi bem branco.

— Daph, pode ir na frente. Eu vou no banheiro.

— O que você pretende fazer, Ast?

— Nada de mais.

Nada de mais, só tacar o terror naquela porra. Enfiei minha cabeça na pia para que saísse todo aquele creme e voltasse a ter suas lindas mechas onduladas. Tirei o maior ridículo e coloquei um biquíni de bolinha amerelinha tão pequenininho. Os queixos de todos caíam ao ver uma garota tão gostosa como eu.

— Pelas barbas de Merlin – Daphne soltou – Sorte que mamãe e papai não saem da mansão, levaria uma surra.

— Uma pena, não é mesmo? – Coloquei meus óculos escuros – O que acha de uma corridinha?

— A última a pular na piscina é a mulher do trouxa?

— É você!

Trapacear é feio? Quem liga? Estávamos aqui, ninguém tem o direito de dizer nada. Pulei bem onde o grupo de Draco estava. Não foi em cima deles, em nome de Jesus! A cachorra da minha irmã que pulou em mim.

— Nojenta!

Joguei água nela e ela rebateu. Então reparei que todos nos olhavam, inclusive ele.

— Se não é nosso aniversariante. – Falei – E sua adorável acompanhante. – Pansy o abraçava de lado – Quinze, não é?

— Sim.

Cheguei bem pertinho dele.

— Parabéns.

Mergulhei para o outro lado da ENORME piscina. Me sequei com toalha, obviamente.

— Já vai sair, meu bem? – Entristeceu-se Zabine

— Nada. – Peguei uma poção na minha bolsa – É que esqueci de passar isso em mim. Será que um belo e educado rapaz poderia me ajudar?

Um aglomerado de garotos se indicaram.

— Eu!

— Eu!

— Me escolhe, vai, gatinha!

— Por favor, amor!

— Deixa que faço!

Dean Winchester tomou a poção de minhas mãos, com um olhar de convencido. Olhei para Draco, mas ele parecia brigar mentalmente pelo o que fazer. Revirei os olhos e me deitei de costas logo. Mãos firmes se esfregando em minhas costas. Desci meus óculos e pisquei para Draco. Ah, como ele se arrependeu de não ter se oferecido.

Me virei e Dean sorriu. Teria me beijado se não tivesse colocado meu dedo em seus lábios. Me pergunto como ele e Sam foram chamados se seu pai era um auror – que Merlin o tenha – que lutava contra as pessoas daquela festa. Vai entender.

— Você dança, querido?

— O que você quiser, meu bem.

Tentou me beijar outra vez, levantei na hora e o levantei pela mão. Coloquei sua mão na minha cintura e dançamos (Autora: Xote dos milagres, não tem nada a ver com a cultura deles, mas ok, né). Não fiz isso para irritar ninguém, e sim, porque queria dançar um pouco. E não foi só com ele, dancei com quase todos os meninos. E quem eu queria? Bem, ele fingia ficar não me olhando.

— Me concede uma dança, menina? – Pediu um senhorzinho lá

— Claro.

Foi fofo? Gentil? Muito. Principalmente quando o safado apalpou a minha bunda. Olhei para ele, que tinha um sorriso sacana. Mulher nenhuma pode deixar isso acontecer. Dei um belo de um soco no olho dele. O tarado caiu na piscina e ainda cuspi nele.

— Nunca toque no corpo de uma mulher sem a permissão dela! Nunca!

— Sabe o que é vergonha, Astória? – Brigava mamãe, no escritório – Sabe?

— Ele me assediou, mamãe! – Contei, chorando

— Frescura! Tudo frescura! – Bradou papai, com seu cachimbo na mão – Essas mulheres de hoje em dia, por isso que não ficam com ninguém!

— Quer dizer que sou obrigada a conviver com isso? Cadê os meus direitos?

— SE UMA VADIA APERTA AS MINHAS BOLAS, EU NÃO RECLAMO!

— DE PORCO QUE É! UM CANALHA COMO O SENHOR É QUEM DEVIA SER ESTUPRADO!

— NUNCA REPITA ISSO! – Mamãe aumentou a voz – NUNCA DIGA QUE ALGUÉM MERECE SER ESTUPRADO! NEM MESMO O PIOR TROUXA MERECE ISSO! SE VOCÊ É UMA VERGONHA, A CULPA É TODA SUA! MENINA TOLA! – Puxou meu cabelo com força – Se eu sequer suspeitar que está fora da linha, eu mato seus amiguinhos miseráveis, entendeu? Eu mato todos eles! AGORA SUMA!

Limpei minhas lágrimas e saí, só não esperava que os Malfoy sentavam no lado de fora. Draco arregalou os olhos ao ver meu estado e se levantou.

— Com licença.

Saí o mais depressa. Encostei no arbusto, mas não conseguia relaxar para ir ao balanço. Então deitei no chão como uma porca, o novo apelido que meu pai me deu – e chorei baixinho. Senti meu corpo sendo tirado de lá, mas não tive coragem para encarar que me viu naquela situação. Entramos no meu quarto e me deitou na cama, com minha cabeça em seu colo, fazendo um cafuné tão gostoso.

— Ei, rainha. Não chore, você fica tão linda sorrindo.

— N-Não s-sou u-uma r-rainha, Draco.

— É sim, a mais linda de todas. Olha, seus pais só estão assim por causa... Bom, você sabe. Isso vai passar, ok? – Queria contar que não era verdade e que sempre me tratariam assim, faltou estômago – Semana passada, meu pai ficou feliz por eu ser monitor e furioso pela sangue-ruim ter que ficar perto de mim.

— P-Parab-béns.

Não gosto de mentir e não diria que não merecia, quebraria o clima.

— Obrigado, quem sabe você vira, próximo ano – Segurou meus dedos – Podíamos brigar com uns imbecis juntos.

— Vamos brigar com seus amigos, então?

— Bem provável. Então aceita?

— Não cabe a você escolher se vou ser monitora – Graças a Merlin, não fui – E Parkinson não iria gostar nem um pouco disso.

— Desde quando se importa com o que ela diz.

— Desde quando se importa – bocejei – com o que eu digo?

Estava para dormir.

— Eu sempre me importei, Ast.