Vossa majestade

16 Damas sem classe


Notas iniciais
Antes de lerem, quero anunciar que hoje é o aniversário dos meus gêmeos favoritos: FRED E GEORGE!!!!! #SAUDADESDEFRED

Só porque os sonserinos ficaram com uma imagem ruim, nada que impedia as safadas darem em cima do meu homem. As menininhas pulavam e gritavam, eu comia pipoca.

— Se divertindo? – Quis saber Parsy, sentando ao meu lado, enquanto assistíamos ao treino

— Um pouco. Quer?

— Não, obrigada. Inacreditável como essas idiotas gritam pelos nossos homens e depois fingem que nem existem.

— Costumo não ligar muito, não vão fazer nada além de tirar nossa paciência. E elas não merecem ter esse gostinho.

— Verdade. Estudando pros N.I.E.Ms?

— Direto. E você?

— Também. Nunca fui muito boa porque meus pais não insistiam. Pra eles, só sirvo pra fazer herdeiros.

— Pelo menos serve pra alguma coisa, meus pais nunca deram bola pra mim. Desculpe perguntar, é por isso que está com Zabine?

— Não exatamente. Chamava ele pra casa pra calar a boca dos meus pais, ficaram bastante irritados depois que Draco me deu um fora.

— Sinto muito.

— Tudo bem, não éramos um casal, só amigos que gostavam de se beijar. Enfim, a gente foi conversando e rolou. Estamos juntos. Nosso lance é bem mais físico, mas sei que gosta de mim.

— Fico feliz por você.

— Obrigada, também fico por você. E peço desculpas.

— Pelo o quê?

— Por ter te incomodado naquele ano, não foi nem um pouco legal.

— Ah, tudo bem.

— Mesmo?

— É, já é passado. Até porque tem gente bem pior.

Olhamos para idiotas e fizemos caretas.

— Pensar que fomos rebaixados a esse nível chega a ser humilhante. Parece que as três casas se juntaram para acabar com a gente. Umas idiotas da Corvinal vieram tirar onda comigo porque não fui tão bem na aula de Herbologia.

— Pior são os grifinórios.

— Falando no diabo.

Só podia ser brincadeira. Como se tivessem combinado, um grupo da sua Casa se juntou para ver o treino e ficar zombando. Óbvio que nosso time ficou envergonhado e fazia um monte de besteira. Entre o grupinho malhador, estava Dove. Ela podia me machucar, mas o meu homem não.

— Vem, Parsy.

— Aonde?

— Mostrar que ainda estamos por cima.

Sei que acha um saco eu ficar irritada por isso e não quando eles fizeram o mesmo com o time de vocês – eu não soube desse acontecimento por um bom tempo –, só que eu sabia usar minhas armas. Fomos para debaixo das arquibancadas, onde se sentavam.

— O que vai fazer, Astória?

— Vai ver só.

Peguei uma bombinha não mortal e joguei para cima. Um gás verde se espalhou e todos começaram a tossir. Foi hilário, suas caras ficaram com maquiagem de palhaço e seus cabelos, verdes. O time parou o treino e começou a rir, eu mesma fiz isso.

— Você é tão foda! – Elogiou Parsy, quando esperávamos nossos garotos

— Aquilo não foi nada.

— Nada?! Foi incrível! Quero ver quem vai ser o idiota de zoar com a gente agora. – Zabine abraçou ela por trás – Oi, querido. Sabia que Astória foi quem fez aquilo com os manés?

— Sério? Tão certinha?

— De certinha, não tem nada. Vamos? – Ele assentiu – Tchau, Astória. Você é demais, cara!

— Obrigada.

Esperava sentada enquanto outras garotas davam em cima dos jogadores.

— Me esperando? – Draco me deu um selinho e me afastei – Que foi?

— Alguém pode nos ver.

— E daí?

— Ainda tenho que me acostumar.

— Ah, mas eu quero beijar você onde for, quando for.

— Pode me beijar no armário de vassouras.

Abriu um sorriso malicioso. Claro que era estranho troca afetos em público, nunca tinha feito isso. Quando ficávamos sozinhos, era uma coisa, mas andar de mãos dadas nos corredores era assustador. Não por causa das brincadeiras de mal gosto, porque eu ficava

— Envergonhada. – Contava Parsy, no salão comunal para mim, Daphne, Susan e as gêmeas – Lá estava eu, linda e bela, desfilando com minhas novas botinhas de couro que meu love me deu ATÉ QUE AQUELE LESADO PISOU NELA E SAIU RINDO!

— Quem, menina? – Questionou Hestia

— Sei lá, o cara era tão insignificante que nem me lembro quem é. Astória, você bem que podia fazer alguma coisa.

— Eu?

— É, você! Que nem fez naquele dia.

— E com Lowes. – Completou Flora

— Parece até que ele voltou. – Informou sua irmã

— Pode bater que nem fez com Nott. – Sugeriu Susan

— Primeiro: naquele dia, ninguém ia me ver; Segundo: Lowes me deixou com raiva e foi bom pra ele, ter se tratado; terceiro: eu não bati em Nott, apanhei dele. Draco me salvou.

— E o que vamos fazer? – Parsy ficou de pé – Estou cansada de ser tratada como qualquer uma! Sei que o que fizemos não foi legal.

— Nem um pouco legal.

— Que seja. Será que não podem deixar a gente em paz? Quanto tempo isso vai durar? Quero voltar a poder andar por aí sem ser julgada, poxa!

— Eu também – Concordou Genésia, sentando no sofá – Desculpa me intrometer.

— Mas você está certa – Afirmou Susan – Nem nós, que não fomos preconceituosas, estamos pagando!

— Podíamos falar com McGonagall. – Propôs Daphne

— Não adianta, ela não pode mandar todo mundo parar de fazer isso. – Explicou Flora desanimada – Precisamos fazer alguma outra coisa.

— Por que não irrita eles, rebolando por aí? – Debochei

O que só era uma zoeira, se tornou pra valer.

— Por que eu? – Questionei

— Porque ela gosta de você. – Respondeu Parsy

— Você é a monitora!

— Como se adiantasse de alguma coisa. Vamos, prometo que vai ser rápido.

— Tudo bem.

Esperamos a chamada dela e entramos em sua sala. McGonagall lia um pergaminho e não nos deu tanta atenção.

— Diretora! – Chamou Parsy um pouco impaciente

— Um instante, Parkinson. Estou verificando a condição dos alunos da Irmãs da Fênix.

— Engraçado, porque é sobre isso que Astória quer falar com você.

Antes que eu dissesse algo, Parsy me deu um pequeno empurro e McGonagall olhou para mim, curiosa.

— Não sabia que tinha interesse nesse assunto, Greengrass?

— T-Tenho um pouco, professora. Sabe, é que... Eu... Eu fique pensando, sabe? Pensando muito, muito mesmo-

— Queremos fazer um grupo de torcida para alegrar as vidas deprimentes. – Olhei para ela, confusa – Você demorou a dizer.

— E por que eu...

Parsy me olhou com uma cara de cala boca, a velha ‘tá olhando.

— Uma equipe de dança? – Questionou McGonagall

— Exatamente – Confirmou Parsy – Nossa casa gostaria de pedir sua permissão para que as meninas deixem seu cisnes saírem e animar o povão. Sacou?

— Saquei, Parkinson. E já tem os integrantes? A líder?

— Astória, é claro!

— Eu?!

— Olha só, está tão ansiosa que nem consegue pensar que isso pode se tornar realidade. E legal como é, vai deixar. Não vai?

— Quantos integrantes?

— Uns seis ou sete, não precisa ser muita gente. Vai ser o seguinte: abrimos o jogo com a bandinha lá e dançamos quando fizermos pontos. Que nem as... Como é o nome? Líderes?

— De torcida – Respondi – Como líderes de torcida.

— Só que com classe. Já temos até a roupinha.

Parsy passou um bom tempo explicando só para deixar McGonagall cansada e

— Deixou! – Anunciou ela – Estamos na parada!

— UUUUOOOOOOOO! – Comemoramos

— Parsy, espera – disse – eu não vou ser a líder, vou?

— Claro que não, só disse pra ela deixar. E é capitã. Amanhã, teremos a seleção às oito, e não tolero atrasos!

Com oito, ela quis dizer seis e quinze. Umas trinta e pouco sonserinas apareceram.

— Olá. – Falei

— O que é isso? – Indagou Parsy

— O quê?

— Sua roupa!

Diferente de Parsy que acorda uma princesa, eu nem passei creme, apenas coloquei um boné verde, uma camisa velha e um short qualquer. Sem esquecer do meu meião cinza e minha sandália.

— Sem querer ofender, Astória, mas como capitã titular, precisa se vestir um pouco melhor. O que os idiotas vão dizer?

— Nossa, como aquele meião é estiloso — A sobrancelha dela levantou – Nunca vão dizer isso, né?

— Não. Tudo bem, os uniformes de treino ainda serão entregues.

— Ah, eu não vou dançar.

— Como é que é?!

— Sem querer se chata, Parsy. – Falou Hestia

— Mas as meninas já estão cansadas de esperar. – Completou Flora

— Tudo bem, terminamos isso mais tarde. Bom dia, meninas! Como devem saber, eu sou Parsy Parkinson. Conhecida como monitora, aluna do sétimo ano e por alguns, o pior pesadelo. Espero que não cheguemos a esse ponto. Se estão aqui, deve ser por três motivos:

“Porque gostam de dançar, porque querem se exibir para os garotos – olhou para Susan – ou garotas, ou pelo melhor motivo, esfregar na cara dos imbecis quem é que manda. Alguém aqui tem medo? – Quase todas levantaram as mãos – As que não tem, se retirem, por favor. – As meninas ficaram se olhando – Fora!”

Algumas foram chorando, outras tentaram falar com Parsy, mas deram meia volta se só de ver a cara de má dela. Deve ter sobrado umas vinte.

— Ótimo. Porque ninguém aqui é invencível, ok? Não importa ter poder se não sabe usá-lo. Não estamos aqui só para dá piruetas, vamos ensina-las a se protegerem de seus medos e controla-los. Entendido? Ok. Ah, essa minha amiga, Astória Greengrass, ela vai nos ajudar em tudo. Só não em passar cola de Transfiguração – Revirei os olhos – Muito bem, que comece o show. St. Clair, é a primeira!

Soltei a música na vitrola e as meninas começaram a dançar – cada uma de uma vez, claro. Algumas faziam bem direitinho, outras devem ter se perdido para estarem ali. Teve uma que foi para Ala hospitalar.

— Eu juro que me jogo no Lago negro se não aparecer uma dançarina decente. – Sussurrou Parsy

— Qual é, tem umas bem legais. As Carrow?

— É, porque nós ensinamos elas. Não podemos deixar nossos sentimentos levarem sempre a razão. Elas precisam de um empurrãozinho, alguém que deixe elas animadas. – Olhou para mim – Alguém selvagem.

— Quem? Eu? – Assentiu – Não.

— Vamos, Astória!

— Nem pensar! Sabe quanto tempo não danço, não tenho pratica nenhuma.

— Por favor!

— Não! E olha pra mim, elas vão rir na hora.

— Isso nunca te impediu. Ok, vamos fazer assim: faz isso por mim e... Te ajudo em Astrologia. E nem pense em pedir a Draco, está cheio de coisas pra fazer.

— Eu te odeio.

— Sei que ama.

Dei alguns passos à frente.

— É, oi – Falei – Como disseram antes, sou... Astória Greengrass. E como devem perceber, sou um pouco tímida e percebi que... Muitas, muitas de vocês parecem estar... Um pouco, só um pouco nervosas. Minha... Especialidade, possamos-se dizer – Uma garota levantou a mão – Sim?

— É do time?

— Sim. Não. Eu... Vou estar presente, mas não vou... Entende? Olha, eu... Parsy.

— Nosso trato.

— Só... Olhem.

Tirei o boné e alisei meu cabelo, um pouco nervosa. Parsy soltou a música (Autora: Sage The Gemini and Looka, de Flo Rida.)

A música ficou tocando e eu não me mexia, fiquei ouvindo algumas risadinhas. Respirei fundo e fechei os olhos. Imaginei que estava no salão de dança com Daphne e deixei meu corpo fazer o que quiser. Não quero me gabar, mas todos que viam achavam que eu era uma superstar. Rebolava, mexia minha cinturinha, balançava meu cabelo – o truque de dançar bem. Girava no chão, no ar, usei até o laço de ginástica. No fim da música, as meninas bateram palmas e me curvei, como os artistas.

— O-O que eu quero mostrar é que... Se até eu... Eu...

— O que minha amiga está querendo dizer é que ela muito boa e se esforçarem, talvez não morram no final. Voltaremos depois do almoço e os resultados saíram no quadro de anúncios. Até, peruas.

Deitava minha cabeça da mesa do almoço, cansada até para pegar um garfo. Fiquei pensando na minha dança e como sentia

— Astória! – Chamou Parsy – O que foi aquilo?

— Eu disse que não tinha mais pratica.

— Pra sua autoestima? Não mesmo! – Sentou do meu lado – Estamos fazendo isso pra levantar o astral das garotas, não pra dizer que qualquer uma pode entrar, porque isso não é verdade! O que você fez foi lindo, tem paixão, talento. Então não diga que sua arte é qualquer coisa ou não me responsabilizo por mim.

Foi embora irritada.

— Não entendi porque ela ficou com raiva – Falei, no banheiro

— Parsy gosta de ter as amigas dela lá em cima. – Informou Flora

— Até porque, ninguém quer andar com uma baixa astral. – Disse Hestia

— Ninguém gosta de andar com você. — Declarou meu reflexo

Os testes continuaram e eu e Parsy passamos grande parte do dia debatendo sobre as meninas na biblioteca – não podíamos deixar ninguém ouvir. No dia seguinte, já estava decidido. E tudo o que tínhamos que fazer era iniciação.

— Nossas novas componentes são: Carrow. Carrow. Bulstrode. Mikel. Harper. – Tirava um saco de suas cabeças ao serem chamadas, em uma sala cheia de velas acesas – Nós vamos começar bebendo o sangue – peguei a grande taça – da Bella dama – longa história, uma lenda antiga ensinada a gente quando pequenas – que nos ajudou a chegar aqui.

— Sem chance! – Protestou Susan

— Relaxa, é só vinho barato. – Murmurei

— Coloquem os seus lenços na mão direita – Até eu tive que fazer – Eu, digam seu nome – Repetimos – Prometo cumprir com responsabilidades os deveres de uma Bella.

— Prometo cumprir com as responsabilidades de uma Bella.

— E solenemente prometo nunca ter relações sexuais com um grifinório ou minhas pernas serão arrancadas por trasgos.

— E solenemente prometo nunca ter relações sexuais com um grifinório ou minhas pernas serão arrancadas por trasgos.

— São todas Bellas agora.

As quatro deram gritinhos.

— Conseguimos. – Sussurrei para Parsy

— Será?

Já ouviu falar da festa do ovo de mel? Dia de aniversário do término da construção de Hogwarts – não me peça para explicar o motivo do nome. Agora virou apenas um motivo para jovens idiotas se encontrarem em uma sala secreta para se embebedarem e transarem, esquecendo de todo o conflito em que vivem.

Quase ninguém sabe dessa festa porque

— Meninas, hoje é a festa do ovo de mel, uma das festas mais badaladas de Hogwarts e é bom que saibam aproveitar. – Contava Parsy – Com moderação, é claro. Ninguém fala nessa festa o ano inteiro porque é muito secreta e tem de tudo. Só os mais descolados são convidados, o que significa que não podemos pisar na bola!

Os convidados eram escolhidos por dedo e ninguém falava da festa até que tivesse certeza que iria. E como as garotas mais gatas de Hogwarts, fomos nessa bagaça. Eu não era muito de festa, só fui porque Daphne pediu para que ficasse de olho em Susan. Vestia uma calça jeans e uma blusa preta de tecido um pouco fino. Passei batom levemente vermelho e não deixei meu cabelo com tanto creme assim.

Entramos lá e várias pessoas se divertiam dançando, bebendo, enchendo a cara.

— Que que eu ‘tô fazendo aqui? – Perguntei

— Realizando um sonho – Respondeu Genésia – Ainda não acredito que me deixaram entrar com treze anos.

— Não era doze?

— Vou fazer próxima semana. Relaxa, Astória. Só é uma festa.

— Rainha! Rainha! — Draco tentava me alcançar, andando por cima do sofá – Rainha! Rainha! – Genésia foi se misturar com as pessoas e Draco chegou até mim. – É ilusão de ótica ou você é uma Bella dama?

— Não.

— Você é uma das meninas dançarinas. Eu sou um dos meninos atletas. E vamos ter filhos dançarinos e atletas. Não tem como evitar.

— Você está bêbado, amanhã não vai se lembrar de nada.

— Não ‘tô bêbado, você que ‘tá um borrão.

— Tudo bem? É.

— ‘tô.

— Quase tropeçou. Consegue passar no bafômetro agora? – Dei um empurrãozinho nele e ele voltou – Consegue ficar em pé?

— Eu vou e volto direitinho. E aí? Quer uma bebida?

— Ótima ideia.

— Eu vou pegar uma pra você, precisa dá uma relaxada.

— Só toma cuidado.

Ele foi pegar uma bebida e Flora me puxou para perto pelas minhas mãos.

— Oi. 'tão bom ter conhecido você. Acho que a gente vai ficar amiga rapidinho.

— É, você já me viu pelada, então;

Não. Pense. Merda.

Me sentei no sofá e um casal ficou se beijando bem do meu lado. Uns garotos jogavam uma brincadeira de acertar a bolinha no copo, algumas meninas dançavam.

— Se não é a certinha. – Brincou Dean W. – Então é Bella dama?

— Sou. E você é jogador de quadribol, certo?

— Batedor. Ainda quer que eu passe protetor nas suas costas?

— N-Não... Eu... Tenho outra p-pessoa que pode p-passar.

— Entendi. Sabe um bom jeito pra perder timidez?

— Não. Qual?

— Sexo. Como acha que meu irmão deixou de ser tímido?

— Sam era tímido?

— Sua bebida – Draco me entregou um copo de cerveja amanteigada – Fala, Dean. Não achou uma garota e quer pegar a minha, é?

— Foi mal, cara – Levantou as mãos, brincando – Cuidando, menina tímida. Draco sabe muito bem como lidar com esse tipo de caso.

Rimos e ele foi embora.

— Que tipo de caso?

— Bobagem. Como foi seu dia?

Ficamos conversando quase toda festa, dançamos um pouco.

— Não acredito. – Falei

— O quê? – Quis saber Draco, dançando comigo

— Hermione Granger veio.

É, todo ficou surpreso. E tenho que te dizer que arrasou. Não quando sentou no sofá e ficou lendo um livro. Luna acenou para mim e sorri.

— Ainda são amigas? – Ele me perguntou

— Mais ou menos.

— E a Weasley?

— Não.

— Lamento que não tenha dado certo.

— Lamento que não saiba mentir.

Ele deu de ombros e rimos. Teve um momento que Draco queria porque queria ir embora.

— Vamos, está tarde. – Dizia, me levando

— É duas da manhã e ninguém parece se importar.

— Não sou como todo mundo.

Hoje sei que as duas e meia, todos se reuniam para um círculo de fumo, coisa que detesto. Fiquei feliz que nenhum dos nossos amigos ficarem para essa idiotice. Não dormimos naquela noite, ficamos apenas nos beijos

Acordei deitada nas costas nuas de Draco, em seu quarto. Coloquei sua camisa e uma das suas calças de pijama folgadas bem fofinhas que amo. Dei um beijo no pescoço dele e subi para meu quarto. E graças a Merlin, minha vida amorosa não era única que estava nas nuvens.

— Ela é tão linda, Ast – Contava Daphne, quando eu tentava estudar, no meu quarto

— Arrã.

— E tem que ver, todo dia ela me acorda aos beijos.

— Arrã.

— Me apresentou a todos os amigos dela.

— Arrã.

— Ela é um sonho.

— Arrã.

— ‘tá me ouvindo?

— Arrã.

— Astória!

— Me desculpa, Daphne. É que os N.I.E.Ms são muito difíceis e já são logo, logo.

— É tão ruim assim, é?

— Não sabe o quanto. Consegui algumas provas dos anos passados, uma questão pior que a outra.

— Nossa.

— Pois é. Preciso estudar muito.

— Se quiser, posso ser seu professor particular.

Não era Draco.

— Oi, Francis.

— Oi, Astória. Fala, cunhadinha. De boas?

— Super de boas.

— Então, o que acha?

— Ela topa.

Quis matar Daphne ali mesmo.

— Pode ser depois do jantar?

— Claro que sim.

— Te vejo lá, então.

Francis deu um beijo na minha cabeça e foi embora. Olhei irritada para Daphne.

— Quê? Te ajudei, não ajudei?

Odeio admitir que estava certa. Francis era um ótimo professor, e não era que nem o idiota do Maclaggen que fazia cantadas toscas toda hora. Francis me respeitava e sabia a hora de estudar. Só era estranho ver ele me olhando quando eu respondia alguma questão.

Em uma noite, no salão comunal, estudávamos. Bocejei, pois me sentia cansada e queria me deitar.

— Boa noite, Francis.

— Astória, espera – Segurou minha mão e me sentei no chão com ele – Sabe que é muito inteligente, não é? Porque é.

— Ah... Obrigada.

— Eu fiquei pensando: por que ela pediu minha ajuda?

— Eu... – Tentava me afastar – Eu não pedi, você ofereceu e minha irmã deu uma de metida e aceitou.

— E ainda assim, ficou.

— É, porque você é um ótimo professor.

— Sou?

— Claro.

Ao me virar, bati em alguém e me assustei.

— Que coisa, Draco! – Exclamei – Não faça isso de novo!

— O que os dois estão fazendo aqui sozinhos, essa hora? – Interrogou

— Estudando – Respondeu Francis, pondo-se de pé, segurando seus livros – Vou dormir, boa noite. Vem, Ast?

— Agora não.

— Tudo bem – Beijou minha cabeça – Até amanhã.

Não gostava e nem gosto de olhar para Draco quando fica com raiva, é assustador. Quieta, me agachei para arrumar meu material.

— Estudar? – Ele soltou

— É, qual problema?

— Ele não parece querer só estudar.

— Ah, por favor, Draco! Só é o cunhado da minha irmã.

— Ele não te vê assim – Se agachou na minha frente – Não esqueça que ele tentou te beijar.

— Se não fosse por ele, não teria me machucado e você não teria cuidado de mim.

— I-Isso não tem nada a ver.

— Ah, pitelzinho – Coloquei meus braços em volta do pescoço dele – E daí se ele ou mil caras gostam de mim? – Fiquei pertinho – Quando o único por quem sou completamente apaixonada é você.

Sorte que ninguém desceu naquela noite, ou veria uma cena pornográfica ao vivo. Depois daquela noite, Draco começou a demonstrar afeto em público, não queria arriscar me perder. Como se isso fosse possível. Francis era meu amiguinho.

— Oi, Astória. – Me cumprimentou ao entrar no Três vassouras

Que não me deixava em paz.

— Oi, Francis.

Draco estudava nessas horas, então Francis aproveitava o momento.

— Ei, bonequinha de comensal! – Chamou Dove, fui a sua mesa – Soube que assumiu seu romance ridículo, como se sente?

— Bem. Melhor até do que você, inclusive.

— Namorar com um comensal da morte é bom? – Quis saber a amiga dela

— Melhor do que namorar com você com certeza.

— Greegrass! – Chamou um cliente

— Com licença.

— Ei!

Fui atender outras mesas e demorei bem muito até voltar lá. Pediram uma salada e água – estavam mais magras que de frente parecia que estava de lado e de lado, parecia que tinham ido embora. Levava um prato de sopa, daquelas bem pesadas, quando colocaram a merda da perna na frente.

Não me equilibrei, caí e caí bonito. A sopa melou toda minha roupa. Foi a maior vergonha, sentia todos os olhares sobre mim. Minhas mãos trêmulas, minha pele, pálida. Engoli um seco e olhei para as pessoas. Alguns seguravam a risada, outros nem faziam questão.

— Harry Potter!

Se Francis não tivesse feito aquilo, ninguém correria para as janelas e esqueceriam de mim.

— Obrigada. – Agradeci, voltando para Hogwarts

— Pelo o quê?

— Ah, você sabe. Aquele tropeço. Foi bem legal.

— Ah, aquilo? Não tem de quê. Faria por qualquer pessoa. N-Não que você seja outra pessoa. – Sorri – Você ‘tá bem?

— Claro. Troquei de roupa e madame Rosmeta me liberou para que eu estudasse um pouquinho. E ninguém lembra de mim, então.

— Pois deviam, é a Lady cobra.

— Não, não. Lady cobra está no passado.

— Nunca vai voltar?

— Provavelmente não. Foi divertido, mas já está na hora de crescer.

— Sabia que fica muito fofa assim? Um pouco tímida.

— Valeu. De novo. E eu não sou tímida, só tenho vergonha de falar com as pessoas, de vez em quando. Ok, isso é ser tímida.

— Vai dá um troco na vaca Dove?

— Não, melhor deixar ela quieta. E, por favor, não conte nada a Draco. Ele ficaria louco.

— E com razão, Astória. Estão machucando você.

— Não estão não. Só me ofendo quando quero, não dou ouvidos a gente baixa.

— Astória e suas filosofias. Mas quando machucam seu corpo? Não pense que não reparei nas suas marcas no pescoço.

— Ah, isso foi Draco.

— Ele anda te machucando?!

Olhei para meus sapatos, com vergonha.

— De certo modo, sim.

— Aquele cretino! Eu vou... Vou... Caralho!

— É...

— Nossa! Eu... Nossa! Vocês... Ele e você... Uouo!

— É...

— Por isso que... Nossa! Quanto tempo? Quer dizer, já deve fazer um bom tempo. Nossa! Nossa! Nossa!

— Quê? Não, só faz umas três semanas.

— Mentira, né?

— Não.

— Sério? Porque vocês sempre têm esses lances de momentinhos chatos e melosos, parece que namoram há anos.

— Não estamos namorando.

Francis abriu um largo sorriso idiota.

— Não estão, é?

— Não, só nos conhecendo.

— É que vocês parecem um casal, sempre andam juntos e são tão... Nossa!

— Nem somos tudo isso.

— Não? Você sempre vai aos treinos e ele te busca todo dia no trabalho. Andam e conversam juntos. Sem esquecer daquele olhar apaixonado.

— Olhar apaixonado? ‘tá viajando, Francis. Eu gosto, sim, dele. E gosto da sua companhia, das nossas conversas, brincadeiras, dos seus músculos.

— Ele é tão forte assim, é?

— Um pitelzinho.

— Nossa! Parece ser um máximo, até eu quero pegar ele.

— Credo, Fracis!

— Zoeira. Você gosta mesmo dele?

— Não sabe o quanto.

— Então... – Suspirou – Deve investir. Se acha que é uma boa, vai fundo, cara.

— Astória! – Chamou Draco, um pouco longe

— Manda a ver.

Só para deixar claro, Francis não desistiu totalmente de mim, naquele dia. Foi aos poucos. Beijou minha cabeça, deu um aceno rápido para Draco e foi embora. Ele se aproximou de mim e eu o abracei.

— O que ele queria?

— Falar de quadribol. Como vai meu capitão?

— Bem. Vai ter treino hoje, você vai?

— Claro.

— Bom dia, Bellas vadias! – Disse Parsy, entrando no salão de ensaios, todas nós sentávamos em cadeiras – Hoje é nosso primeiro ensaio e segundo minhas fontes, ninguém transou com um grifinório. Continuem assim e teremos um ótimo relacionamento. Ou estou errada? Alguém quer me contar alguma coisa? Não precisam ter medo, somos amigas. Amigas perdoam.

— Foi um acidente – Revelou Haper – Eu...

— Entregue seu lenço e saia.

— M-Mas disse q-que...

— Amigas perdoa, Bellas não.

Tentando se manter calma, a garota pegou seu lenço e entregou. Parsy indicou a saída.

— O juramento era sério? – Questionou Genésia

— Seríssimo, meu amor. Vocês podem pegar quem vocês quiser, menos um grifinório. Eles não nos respeitam e se deixamos que nos penetrem, estamos dando poder a eles. Como nossa colega fez. Leve sua cadeira!

Não deu metade do caminho, a menina largou a cadeira e saiu chorando.

— Precisava tudo isso? – Interrogou minha cunhada

— Isso é guerra, Susan. E é meu dever que as minhas soldadas estejam prontas na hora H, dançando e animando a perfeição, os nossos jogadores. Vamos treinar todo dia, pelo menos duas horas, sete dias por semana. Eu confio em vocês pra parte aeróbica.

— Só não me matriculo nessa matéria. – Informou Hestia

— Ok, prosseguindo. E agora – surgiu dezenas de palavras no quadro negro – é assim que vamos mostrar quem somos.

A primeira coisa que fizemos foi correr nas arquibancadas no menor tempo possível.

— Vai! Vai! Vai! – Gritava Parsy, correndo na frente – Levanta o joelho! Rápido! Mais rápido! Um! Dois! Um! Dois! Joelho! Joelho! – Ela parou e ficou dando um tapa na bunda de quem passava – Isso aí, Flora! Anda logo, Astória!

— N-Não dá... Minhas pernas são curtas demais.

— Vamos fazer assim – Assoprou o apito bem alto – CORRE!

Fiquei tão assustada, que corri mais rápido que as outras garotas. Ficamos nisso por uma hora e meia.

— Como vai, gatinha? – Perguntou Draco, quando amarrava meu sapato

— Soando como um porco.

— Ótimo jeito de conquistar um cara.

— Gostou? Aprendi com um chinês bombadão. Conquistei vários caras assim. Todos muito musculosos, sabe.

— Ei, bonequinha de comensal, faltou água na sua casa? – Irritou Dove

Lhe dei um sorriso irônico e voltei a amarrar o sapato para não olhar para Draco. Não tive tanta

— Coragem, é o que te falta – Disse meu reflexo – Você tem a chance de se tornar popular, de se tornar bonita. E ainda estraga isso? Pelas barbas de Merlin, qual seu problema?

Molhei meu rosto e a ignorei. Ela não era real. No segundo dia, Parsy nos ensinou a andar com elegância e sexualidade ao mesmo tempo.

— Uma Bella dama deve saber como andar. E não rebolem demais, é muito vulgar!

Também treinamos a fala.

— Astória, precisamos treinar esse seu nervosismo.

— Parsy, por que tenho que aprender essas coisas se não vou dançar?

— Porque, meu bem, querendo ou não, é uma Bella dama, então precisa andar como a gente. E se quer saber uma coisa, acho que não é tímida. Apenas tem algo prendendo seu verdadeiro eu.

— Sério isso?

— É verdade. E quando descobrir, será totalmente feliz.

Cheguei no salão comunal totalmente exausta e me joguei no sofá.

— Como vai, Bella dama? – Perguntou Daphne – Alô?

— Morta – Levantei meu rosto – Acha que tem algo que me impede de ser quem realmente sou?

— Tipo o quê?

— Ah, não sei – Sentei – Parsy disse que não eu não era tímida e algo prendia minha felicidade. O que seria?

— Sei lá. Vai ver, ela só ‘tá dizendo isso pra deixar pra cima. E ‘tá conseguindo, tem amigas.

— É, acho que sim.

Andar com as sonserinas é como esquecer o mundo real e entrar no mundo das poderosas. E no mundo das poderosas, há muitas regras.

— Prenda o cabelo num rabo de cavalo uma vez por semana. – Ensinava Hestia, na mesa – Fica melhor, sabe. E hoje você escolheu... É.

— Jeans e moletom é só nas sextas. – Falou Flora – Se você desobedecer essas regras, vai passar a ser nossa amiga estranha. Sabe, não é só você que vai ser zoada. Seremos nós.

— Olha, se eu tivesse usando jeans hoje, seria mais xingada do que o normal.

— E sempre votamos antes de convidar alguém pra sentar com a gente. Não como se estejamos muito com esse direito.

— Mesmo assim, usamos a democracia.

— É, não dá pra comprar uma saia sem perguntar pras amigas se ficou legal.

— É mesmo? – Questionei

— É claro. É a mesma coisa com os garotos.

— Se você acha que está gostando de alguém.

— Pode estar errada.

— Isso não depende do nosso sentimento? – Indaguei

— Nossa, você tem tanto o que aprender. Pelas barbas de Merlin, ele está me olhando!

— Quem?

— Aaron Samuels – Respondeu a irmã dela – O garoto da Corvinal que divide a mesa com ela, em Herbologia. Esquece esse cara, você é boa demais pra ele. – Ficou passando batom – Sabe... Quantos garotos fingem gostar só pra ter o que comer mais tarde? Não perca seu tempo, Hestia. Garotos como ele não gostam de garotas venenosas como nós. Com licença.

Flora se levantou e foi ao banheiro. Por um lado, achei maldade de dela de ter dito aquilo para irmã, de um jeito tão frio. Pelo outro lado, quantas pessoas ficavam nos zoando só por sermos venenosas?

— Será que ela está mesmo certa?

Que se dane a razão!

— Por que não investe?

— Você acha?

— Faça de tudo pro Samuels te ver, mas não cumprimenta ele logo de cara. Tem que dá um gostinho de quero mais. Fala com ele, mas nunca termine a conversa, invente algo. Deixe ele pra falar com outra pessoa, um garoto de preferência.

— Entendi. Como sabe de tudo isso?

— Aprendi com os livros.

Isso é verdade. Ter amigas depois de um bom tempo é estranho – eu tinha Daphne e Susan, mas não era a mesma coisa. Parsy me indicou um batom levemente vermelho, se destacando muito na minha pálida pele.

— Quem é o sortudo? – Perguntou Luna, enquanto a servia

— Quê? Ah, o batom? Eu... Só estou me arrumando um pouco mais.

— Quer dizer que o cara por quem minha prima está completamente apaixonada não tem nada a ver com isso?

— Não. E eu não estou apaixonada, ok? Eu... – Meus olhos caíram em Hestia, que conversava com Aaron, ela o deixou no meio do papo e ele ficou a olhando encantando – Mandou bem, garota.

— Ai meu Deus! Ele é tão inteligente! – Repetia Hestia, pela milésima vez, no quarto – Obrigada, Astória! Mesmo! – Me abraçou – Tinha que ver, ele que veio falar comigo e disse que preferia meu suéter preto.

— Legal.

— Legal? Sabe o que isso quer dizer, não é? Quando garotos dizem que preferem roupas pretas é porque nos querem ver nuas.

Não, é porque preferem roupas pretas mesmo.

— Você vai se declarar?

— Nem pensar! Flora foi grossa como uma jumenta que é, mas não deixa de ter razão. Só vou me abrir totalmente quando ver que ele gosta de mim de verdade.

Detahe: ela hoje se chama Hestia Samuels.

O Dia dos namorados tinha chegado e como eu não tinha nada para fazer, iria trabalhar.

— Não! – Negou madame Rosmeta

— Mas-

— Sem mais, Astória! – Me empurrava para fora do lugar – É Dia dos namorados, vá curtir com seu namorado!

— O lugar ‘tá cheio, pode precisar de ajuda.

— Não! – Me tirou de lá – Só volte se tiver com um namorado e para se divertir.

Fechou a porta na minha cara e fiz uma careta.

— Tudo bem? – Quis saber Gina, de mãos dadas com Potter

— É, só... Madame Rosmeta. É.

Olhei para os sapatos, me sentindo uma idiota.

— Simas Finningan está sozinho e vocês foram juntos no baile – informou Gina – por que-

— Ela tem namorado, licença!

Sem dizer mais nada, Draco me tirou dali, me puxando pela mão. Ao chegarmos na nossa parte da floresta, me soltei dele e cruzei os braços.

— Tenho namorado?

— Claro, eu sou o quê?

— O garoto que tirou minha virgindade.

— Só isso?

— Como só isso? Você me fez mulher, Draco!

— É, mas... – Segurou minha mão – Esperava ser algo bem mais sério.

— Quer que eu diga que é o amor da minha vida?

— Me deixaria feliz.

— Vai continuar querendo.

— Ah, Ast – Me puxou pela cintura – Vamos curtir, é nosso dia.

— Não é nosso dia porque não temos um relacionamento sério oficial.

Fiquei de costas.

— O que quer que eu faça? Te peça em namoro?

— Ajudaria.

— Ok – Me abraçou e apoiou a cabeça no meu ombro – Quer-

— Assim não, Draco! – Me livrei dele – Quero um pedido decente.

— Decente?

— É, tem que ser romântico. Seja criativo. Aí você me procura.

Qual a burra que deixa um cara gato na floresta, no Dia dos namorados, para estudar? Acertou, eu! Enquanto todos se divertiam, eu passava as horas na biblioteca. Porém, valeu muito a pena para minhas notas.