Voo | O Chamado

22 XX Passos para seguir Jesus


O pastor logo prosseguiu:

— Hoje, amados irmãos, meditaremos e aprenderemos. Pois a palavra do Senhor se renova todos os dias!

Vamos abrir nossa bíblia em Lucas, capítulo nove, versículo vinte e três, até o vinte e cinco.

Bem, não tinha ouvido falar naquele livro, a bíblia, é significativamente grosso, e sua divisão é diferente de qualquer livro que li. Fiquei observando de longe timidamente um Senhor que abria o referido livro do meu lado.

Então o pastor prosseguiu, iniciando a leitura.

— Jesus dizia a todos: "Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me.

Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará.

Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo?

Aquelas palavras, com aquele significado e contexto eram totalmente novas para mim, “negar a si mesmo”, “tomar a cruz”, “seguir”. Agora o mais estranho nesse contexto era “quem perder a vida por minha causa, este a salvará”?, aquelas palavras eram estranhas para mim, não faziam sentido, eram contraditórias e opostas.

O pastor Adriel prosseguiu…

— Há uma grande necessidade de se falar sobre seguir a Jesus; andar, acompanhar, estar ao lado. E principalmente sobre como, e os passos para fazer isso da maneira correta. Seguir a Jesus exige de nós uma postura, que é apontada no texto que lemos. Isso significa que não se segui Jesus de qualquer maneira, não é só andar com ele, não é só ser adepto de suas ideias ou simplesmente concordar com o que ele diz, apoia e defende. Mas é necessário assumir uma postura, praticar algumas coisas que Ele aqui no versículo vinte e quatro ao vinte e cinco nós ordena. Hoje chamaremos de passos fundamentais para se seguir a Jesus.

O primeiro passo é negar a si mesmo, abrir mão, deixar de lado, abandonar. Muitos podem se perguntar. Como assim? Terei que negar-me, abandonar-me? E a resposta é só uma. Sim, você terá que deixar de fazer suas vontades. Não é sobre deixar de cuidar de si, se abandonar literalmente; mas é sobre não fazer sua vontade, e viver a vontade e princípios de Deus. Temos que sempre nos lembrar que a nossa natureza é inimiga de Deus, não posso seguir a Cristo e fazer o que quero e penso, então, para resolver esse impasse terei que viver como Cristo viveu (“tornando-se obediente até à morte e morte de cruz; Filipenses 2.8”).

A resposta está no seguinte exemplo, eu tenho um copo cheio, com suco de acerola.

O pastor Adriel parou por um tempo, olhou com os olhos meio baixos e acrescentou:

— E do agrado da igreja!?

Alguns riram. Então ele continuou:

Só que, eu estou precisando colocar água nesse copo. Para isso, terei que esvaziar ele por completo, para por água. Mateus nove e dezessete nos traz que “ninguém colocaria vinho novo em velhos recipientes de couro. O couro se arrebentaria, deixando vazar o vinho, e os recipientes velhos se estragariam” e que “ninguém remendaria uma roupa velha usando pano novo. O pano rasgaria a roupa, deixando um buraco ainda maior. O exemplo que dei partilha do mesmo princípio, é necessário esvaziar-se, para encher-se.

Assim, não podemos seguir genuinamente a Cristo, se não negar-nos a nós mesmos.

Logo após, Cristo nos chama a tomar nossa cruz e só então segui-lo. Só há vida cristã através de Cristo, “ele é o caminho a verdade e a vida”. Se não fosse a morte e sacrifício de Jesus na cruz por cada um de nós presente aqui, o que seria de nossa vida? Ele nos deu a possibilidade de escolha, de andar no caminho correto, da luz, bondade, amor, graça genuína, verdade, paz, e o melhor, de ter a mesma plenitude que Cristo teve enquanto esteve na terra, estar genuinamente inteiro, conectado com nossa essência e com o Espírito de Deus que gera vida abundante em nós, logo, não teremos falta de nada. Temos a possibilidade restaurada por Cristo, de viver seus sonhos e princípios.

Tudo o que determinamos a fazer tem sacrifícios, viver com Cristo não é diferente, e a cruz nos revela isso, assim como Cristo abriu mão do céu e de seu lugar estabelecido perpetuamente para nos salvar, temos as nossas sérias responsabilidades enquanto seguidores de Cristo. No livro de Romanos oito e dezoito podemos observar a seguinte afirmação do apóstolo Paulo: “Estou absolutamente convencido de que os nossos sofrimentos do presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada.”. Cristo nos deu o exemplo de como devemos viver, não apegados a essa terra passageira, mas na certeza que a glória que nos espera é infinitamente maior e melhor, que qualquer coisa que possamos experimentar neste mundo.

Em tudo e fundamental viver somente a verdade de Jesus para nossas vidas, presentes na palavra de Deus.

Então Jesus prossegue no texto que lemos falando sobre os atos que um filho de Deus deve ter para lhe seguir: “Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a vida por minha causa, este a salvará”.

Esta parte do texto nos traz algo fundamental: só existe vida em Jesus, Ele é o “pão”, Ele é a “água”, Ele é a vida. São utilizados elementos fundamentais de nossa existência para que possamos entender que sem Cristo, estamos mortos, na lama do pecado e da destruição. João quatorze e vinte e sete nós deixa claro na parte ª: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não vo-la dou como o mundo a dá.”. A paz de Cristo é infinitamente perfeita, não depende de circunstâncias ou eventos, se dependesse não seria verdadeira, o que pode ser destruído facilmente não subsistirá. Cristo nos traz uma paz que antes não conhecíamos, “a paz que excede o entendimento”, a qual nossa mente não compreende na totalidade mais o nosso coração se beneficia.

Do mesmo modo, só a salvação em Cristo, quem escolher viver a sua vida da sua maneira irá perdê-la, pois estará longe da vontade de Deus e da vida verdadeira que tem para nós. No livro de Mateus capítulo seis, versículo vinte e quatro parteª, Jesus nos fala que "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro", o contexto em que a palavra foi escrita não se refere somente ao dinheiro especificamente, mas nós traz um princípio de fidelidade e compromisso em tudo que decidimos fazer, não podemos servir a Deus e aos nossos interesses e vontades. Pois que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se ou destruir a si mesmo? Que ganho essa pessoa terá? O que adianta ter grandes conquistas nessa terra e perder a glória de ter o reino de Deus presente em nós? Tudo nesse mudo passará, nossa vida é curta e breve, o que levaremos daqui, teremos a certeza de nossa salvação? Precisamos ter essa certeza, e nada pode tirar isso de nós. Tendo sempre em mente que tudo irá passar, mas a palavra do nosso Senhor permanece para sempre.

Logo após concluir, o pastor pediu para que ficássemos de pé para ser feita a oração.

Após o término daquela reunião Adriel apressou-se ao meu encontro, me cumprimentando já no meio do corredor que dava acesso à grande porta para a saída.

— Darvine!

Falou sorrindo e se direcionando a mim. Dessa vez não o corrigiria por pronunciar meu nome de forma errada, tinham muitas pessoas por perto e estava quase certo que ele nunca acertaria a pronúncia de meu nome, talvez tivesse a língua pesada.

— Oi pastor Adriel!

Relembrava o título dado pela moça que o chamara. Falei de forma simpática e tímida ao mesmo tempo.

— Que bom que veio! Fico feliz!

Olhou ao redor e acrescentou:

— E seus irmãos?

— Não vieram, só trouxe Deivy para me acompanhar.

Em um ato sutil, passou a mão sobre a cabeça de meu irmão e sorriu, ele já estava sonolento e simplesmente se escondeu atrás de minhas pernas, fugindo do sutil ato de Adriel que acrescentou logo em seguida:

— Seus irmãos viram!

Algumas pessoas pararam ao nosso redor, lhe cumprimentando e conversando, aproveitei para acenar rapidamente e sair, não queria atrapalhar, muitas pessoas ali o solicitava e esperavam para falar com ele. Lembrava-me que também tinha horário para retornar, não queria ver meu pai furioso.