O orvalho da manhã ainda cobria a folhagem. No lago de águas verdes ainda persistia uma leve bruma, mas os primeiros raios de sol já venciam a disputa e começavam a iluminar o vale onde ficava o lago. Na verdade, o lago ficava em uma mina de esmeraldas explorada por anões, há muito tempo desativada, os séculos de chuva criaram um lago vivo. Em uma das margens do lago havia uma pequena casa, feita com paredes de madeira e telhado de palha. Da chaminé da casa saia uma leve fumaça, e com ela o aroma de café e pão recém assado. Na porta da casa, encostado em uma das vigas da varanda havia um homem com uma caneca de café fumegante. Ele sorvia pequenos goles do café e olhava para o paredão oposto do lago. Era uma parede talhada com as ferramentas dos anões. Durante a extração das esmeraldas os anões conseguiram criar um buraco imenso, mais da metade dele estava coberto pela água, mas a parede fora ainda era imensa, uns 150 metros de altura.

Finalmente quem o homem esperava apareceu no alto do paredão. A distância era tão grande que ele não conseguia ver os detalhes do corpo da mulher, mas ele já havia visto e tocado tantas vezes aquele corpo que já sabia de cor as suas curvas. Da borda do paredão o lago parecia ainda mais lindo naquela hora da manhã. A casa lá embaixo parecia um pequeno brinquedo. O primeiro dos três sóis que iluminava o reino despontava por trás das árvores do bosque próximo a casa. Aquilo sempre impressionou a mulher e seus amigos, três sóis no mesmo céu era quase inacreditável. O calor dos raios aquecia a pele negra da mulher, as gotas do orvalho brilhavam nos seus pés. Ela estava completamente nua, os raios de sol faziam sua pele ficar ainda mais linda. O seu corpo era delgado e rígido, seus músculos eram visíveis. As suas costas eram largas, suas coxas eram torneadas, resultado de anos de treinamento intenso. Ela deu um passo e ficou mais próximo do precipício. A altura do paredão e a visão do lago lá embaixo fez o corpo produzir adrenalina, era aquela sensação que ela buscava. Ela era viciada na adrenalina, há muito tempo ela descobriu que a adrenalina a fazia esquecer a saudade de casa, em muitos dias, era só isso que restava pra ela.

Na varanda da casa o homem apertou um pouco mais a caneca. Ele sempre ficava apreensivo nessa hora, mesmo já tendo visto aquilo várias vezes.

A mulher respirou fundo, os músculos do corpo ficaram rígidos. Ela dobrou as pernas levemente, pegou impulso e saltou em direção ao lago. O homem viu o corpo da mulher dar 4 piruetas no ar enquanto caia em direção a água. Nos últimos metros ela deixou o corpo como uma lança, as pernas juntas e os braços estendidos. Ela entrou na água como uma flecha. A entrada foi tão perfeita, que quase não houve respingo ou barulho.

Aquele era o pior momento para o homem. Ele ficava apreensivo até a mulher emergir vários metros depois longe da entrada na água.

A mulher emergiu bem próximo a margem do lago. O homem sorriu ao ter aquela linda visão. Os músculos do corpo da mulher brilhavam com a água que escorria. O homem recordou a noite passada, seu sorriso aumentou. Ele pegou a toalha que estava pendurada na coluna da varanda e foi andando em direção à mulher.

—Isso sempre me assusta. Disse o homem enquanto colocava a toalha nos ombros da mulher e a abraçava.

— Eu sei, desculpe, mas isso me faz tão bem – a mulher respondeu sorrindo e beijando o homem na boca.

Ela olhou o rosto do homem, se concentrando principalmente no par de olhos verdes que davam tanta beleza e profundidade aquele rosto. Ela adora a pele morena dele. A fisionomia do homem a fazia lembrar de um vizinho árabe que ela tinha em casa, achava aquilo engraçado, pois quando criança ela tinha medo do homem, e agora era apaixonada por alguém parecido com ele.

O casal veio andando de mãos dadas até a varanda da casa. O homem passou uma caneca de café para a mulher. Ainda enrolada na toalha, ela sorriu e sorveu um pouco de café.

—Há quanto tempo a gente se vê? Perguntou o homem

—Essa conversa de novo não, pra que ficar se prendendo a essas coisas? Não é bom quando a gente está juntos? Respondeu a mulher olhando para o lago que ainda tinha um resto de bruma.

—Mas eu preciso pelo menos saber seu nome. Por que eu não posso saber seu nome? Eu não sei nada sobre você. – Disse o homem baixando os olhos e encostando na coluna da varanda.

A mulher veio por trás do homem, deixou a toalha cair e o abraçou, cheirando a sua nuca. O homem se virou rápido. Os dois se beijaram intensamente, o homem agarrou a cintura da mulher a puxou para ainda mais próximo do seu corpo. As mãos do homem percorriam o corpo musculoso dela. Ele começou a beijar o pescoço e os seios da mulher. Ela apertava com força o braço dele, as unhas dela se enterravam na pele morena. A respiração de ambos começou a ficar acelerada e ofegante. Ela arrancou a camisa dele, o peito do homem era musculoso, a pele morena, que tanto agradava a mulher, parecia mais bonita naquela região. Eles voltaram a se beijar, quando tudo se encaminhava para ser o prolongamento da noite de amor, um barulho interrompeu o casal. Uma pomba cinza, com penas brancas no pescoço, e um anel na pata direita, pousou na varanda.

Os dois pararam e ficaram se olhando. A mulher ia falar, mas o homem a interrompeu.

—Eu sei, você tem que ir. Eu estou começando a odiar esse pássaro.

A mulher se enrolou de novo na toalha, a ave voou até o seu braço e soltou um leve arrulho. A mulher concordou com a cabeça e a ave saiu voando em direção ao bosque. A mulher ainda acompanhou a ave com os olhos, até ela sumir no meio das árvores.

—Eu preciso ir, mas eu volto.

—Eu nunca acredito quando você diz isso. Respondeu o homem se virando para o lago.

Um breve silêncio se instalou entre eles, enquanto a mulher pensava no que dizer.

—Diana... meu nome é Diana.

—Lindo nome – ele respondeu sem se virar – agora eu sei a quem chamar nos meus sonhos.

Ele se virou pra Diana e estendeu a mão direita

—Eu sou Kian, prazer

—Eu sei o seu nome Kian – disse Diana, sorrindo e retribuindo o comprimento.

—Eu sei que você sabe, mas nós nunca fomos apresentados formalmente.

Diana entrou na casa e em menos de 5 minutos saiu vestida. Ela usava uma pequena camiseta preta, apertada, que ressaltava sua musculatura e dava flexibilidade. Vestia também uma saia com pregas que ia até a metade das coxas, uma bota de cano alto presas firmemente com tiras de couro. Na mão direita um cajado longo de madeira que exibia um leve brilho.

O homem olhou demoradamente para Diana, como se quisesse gravar aquela imagem na memória. Ela caminhou até ele e disse:

—Eu vou voltar, me aguarde.

—Eu estou sempre aqui te esperando

Diana correu em direção à floresta, Kian ficou observando enquanto ela sumia no meio das árvores. Ele sorriu.