Voltando Da Morte - A História De Sara.
11 Em busca de Sara
Notas iniciais
O lugar onde estavam era grande e amplo, e ao mesmo tempo fascinante, ao tocar nas paredes podia se ter a impressão de que era tudo feito de areia, ao seus redores estava totalmente decorado de esculturas de ouro, e logo mais adiante uma enorme escada que os direcionava para baixo, os fantasmas que morressem ali dentro, não voltariam mais a "vida", pois era um plano espiritual diferente da vida real.
- E agora fazemos o quê? — perguntou Adam eufórico, enquanto o eco repetia suavemente sua frase
- Descemos, não temos outra escolha. — respondeu Enid ainda mais empolgado, com o mapa da pirâmide nas mãos
Os três e o resto das pessoas um a um foram descendo a enorme escada de ouro maciço, lá embaixo não havia muita luz, mas graças as lanternas eles conseguiram iluminar o caminho. Todos pareciam completamente hipnotizados pela enorme beleza das coisas escondidas lá.
- Não peguem nada! — disse Enid — Isso são armadilhas, testam a sua ambição.
Todos continuavam descendo devagar, e em silêncio, até que de repente a escada começou a sacudir-se e desmoronar, as pessoas que estavam mais abaixo, pularam para o chão, e Thomas, que estava mais acima, segurou-se na entrada e subiu novamente para a "sala" de entrada da pirâmide.
- Você está bem, Thomas? — gritou Adam apontando a lanterna para cima
- Sim eu estou! — gritou de volta — Acho que vou ter que ficar por aqui. — sorriu sem graça
- Não saia daí, vamos voltar o mais rápido possível. — disse Adam
- Tenho muitos lugares pra ir mesmo. — respondeu Thomas irônico
Enquanto isso todos estavam completamente confusos, onde caíram havia seis portas, cada porta com um número em romano, em quatro delas continha o símbolo de água, fogo, ar e terra, abaixo desse número, enquanto em duas não havia nada.
- Vamos à porta seis, Adam. — disse Enid, apontando pra porta que tinha uma imagem de água abaixo do número seis. — O resto se divide entre as demais.
Os dois seguiram pela porta, onde assim que entraram encontraram um enorme lago.
- É fundo? — perguntou Adam apavorado — Eu não sei nadar.
Enid pegou um galho de árvore que estava jogado no chão e enfiou na água.
- Aqui ela dá no joelho. — disse mordendo os lábios — Talvez fique mais fundo até o outro lado.
O lago era grande, e da onde estavam apenas podia se ver a terra firme no outro lado.
- Fique com a lanterna, Adam. — disse Enid — E tome cuidado.
Enid então seguiu pela água devagar, tomando muito cuidado.
- Não seria melhor fazer a volta pela margem? — retrucou Adam
- Levaríamos tempo demais, Adam. — respondeu Enid — Tempo demais.
Adam então retomou a frente, e iluminava o caminho com a lanterna enquanto Enid estudava o mapa com atenção. Ambos caminharam por um bom tempo, e a água já alcançava acima da cintura quando Adam afundou na água sem qualquer aviso, ele não conseguiu nadar de volta pra cima e engolia água sem parar. Enquanto isso Enid se desesperava.
- ADAM? — gritava eufórico — DROGA, ADAM?
Mas Adam se sentiu aliviado quando finalmente sentiu duas mãos o puxando pra cima.
- Você está bem? — gritava Enid — O que aconteceu?
- Um buraco na água... — respondeu ainda eufórico
- Tem sorte de estar vivo. — disse Enid apontando para a areia da margem
- Vamos logo, o tempo está passando. — disse Adam correndo para a areia
Ambos seguiram através das folhagens, até encontrar uma porta e entrar. Lá encontraram uma sala onde estavam oito das demais pessoas, todas, menos as duas que entraram na porta que tinha a imagem de fogo abaixo do número.
- Não estão todos aqui! — exclamou Adam — O que aconteceu?
- Agora só nos resta seguir em frente. — respondeu Enid lamentando
Todos seguiram juntos por uma passagem até uma enorme ponte, embaixo da ponte velha e caindo aos pedaços havia um enorme precipício.
- Droga! — exclamou Enid — Isso não estava no mapa, eu vou na frente. — disse entregando o mapa para Adam.
Enid seguiu caminhando pela enorme e extensa ponte até chegar ao outro lado, seguro e sem nenhum arranhão.
- Podem vir, é seguro. — disse virando-se de costas e observando a enorme montanha.
Assim, todos foram andando também, Adam e mais quatro conseguiram chegar ao outro lado antes da ponte começar a se despedaçar, quando a mesma finalmente começou a cair, alguns conseguiram voltar e ficar pra trás, mas a maioria caiu ao meio de gritos e pânico.
- O que acontecerá com eles? — perguntou Adam entristecido — Não voltarão mesmo à "vida"?
- Você sabe que não, Adam. — lamentou Enid, e eles então seguiram em direção a montanha
A montanha era bastante alta, e quanto mais chegavam ao topo, mais frio ficava e a neve aparecia, suas respirações eram a única coisa que podia ser ouvida ali, quando finalmente conseguiram chegar ao topo, se depararam a uma pequena casa feita de madeira, a neve na frente da mesma estava manchada de sangue, podia se ver a fumaça na chaminé, e na varanda as cadeiras tinham marcas de mãos, como se alguém ensanguentado houvesse tentado segurar-se ali.
- Vamos invadir! — disse Adam desesperado, enquanto corria em direção a pequena casa.
Todos correram atrás dele, e o mesmo abriu a porta agressivamente, na cadeira a sua frente havia uma mulher de costas, imóvel, os cabelos eram castanhos e lembravam muito os de Sara, Adam assustou-se ao ver uma poça de sangue ao lado da poltrona, e a mesma já estava banhada no líquido vermelho. Adam girou a poltrona devagar, e levou uma grande surpresa.
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