Volta ao Mundo Em 80 Dias
3 Capítulo 3
. Não sabia exatamente o que dizer. Precisava falar com o Arthur para ter certeza Alguns dias se passaram, até que Marisa tinha que dar aula na classe de Coraline. Quando o sinal tocou, ela pediu para Coraline ficar na sala. – Então, como você está? Eu vou ser rápida, porque sei que você precisa ir. O Arthur já me ligou várias vezes querendo organizar a tal viagem, já está fazendo orçamento e programas, enfim... Ele me perguntou se eu ia com ele falar com os pais do Leo... e com os seus... Então eu tive que contar a sua situação... – Marisa parou para respirar, visto que falou tudo de uma só vez – Você já deve ter percebido como ele é teimoso. Ele quer ir à sua casa, mesmo assim, queria que eu te perguntasse se podemos ir essa noite... — Marisa ficou olhando para ela, esperando uma resposta.
Coraline abriu a boca assustada e fechou-a novamente. Fechou os olhos, respirou fundo e, por fim, disse:
- Nossa, Marisa... Não há palavras para explicar como eu me sinto quando penso nisso. Embora eu esteja com muita vontade de ir, mas muita mesmo, não sei se ficaria bem. Sei lá, eu não quero abandonar minha mãe. Não quero que ela pense que eu a abandonei. Ah, não sei – Disse completamente confusa – O que você acha?
- Não! Não, não é isso que queremos. Claro que você não vai abandonar a sua mãe... Na verdade, eu não sei o que Arthur quer... eu expliquei para ele que sua mãe... que talvez, ela nem entenda direito, mas ele quer ir mesmo assim. Mas se você prefere, eu falo para ele esquecer o assunto.
Coraline permanesceu calada por alguns instantes. Após um longo tempo apenas respondeu:
- Professora Marisa, vou pensar no assunto. Só preciso de um tempo, amanhã lhe darei a resposta, pode ser?
- Claro! Como quiser... Pode ir, senão você vai chegar atrasada.
***
Ao chegar em casa, Coraline encontrou sua mãe dormindo assim como estava antes de sair. Colocou sua cadeira de balanço ao lado da cama e, acariciando Believe, ficou alí por alguns minutos pensando.
- Ela está cada vez pior, não se lembra nem de quem sou. Não sei o que fazer Believe.
Believe parecia ouvir atenciosamente o que Coraline dizia, quando de repente levantou-se num salto e saiu correndo em direção a um armário que estava no porão.
- Believe, aonde vai? Venha já aqui, o que aconteceu?- Gritava Coraline. Mas parecia que ele não a escutava, estava determinado em chegar a algum lugar. Ao chegarem na frente do armário, ele olhou para Coraline e entrou por um buraco que havia na lateral do móvel.
- Onde foi que se meteu aquele rato? Ele nunca fez isso... Believe, onde você está?
Coraline abriu as portas do armário e foi como se um jato de poeira a tivesse atacado, então ela começou a tossir e cobriu o rosto até que a poeira abaixasse.
- Uau, quantos papeis, quantas coisas, e quanto pó também! O que terá de tão especial nesses papeis para terem sido guardados até hoje?
Curiosa, decidiu olhar papel por papel. Passou horas no porão, mas não encontrou nada que fosse de seu interesse. Ao colocar uma pilha de papel no armário, percebeu que o fundo era oco, então logo tirou e viu que era uma espécie de tampa falsa.
- Que estranho – disse para si mesma. No fundo do armário havia uma caixa velha e enferrujada, porém muito bonita, e embaixo da caixa havia um envelope velho e sujo enderessado à Coraline. O envelope continha uma carta que dizia:
‘‘16 de julho de 1997
Querida Coraline,
Nós, seus pais, queremos que saiba que a amamos muito. Hoje descobrimos que sua mãe tem uma doença degenerativa que a faz morrer um pouco mais a cada dia. Eu vou partir em uma viajem em busca de uma planta especial que pode curar qualquer tipo de doença. Vai ser uma viajem longa e cansativa, não sei as aventuras que esperam por mim, mas quero um dia voltar e ver como está minha pequenina. Sei que em sua vida haverá momentos difíceis que pareceram eternos, mas nunca se esqueça que na vida tudo passa. Independente do que aconteça, você terá nosso apoio e carinho, mesmo que de longe. Deixo com você meu companheiro de aventuras, Believe, e um presente especial que está dentro da caixa que estava junto a este envelope.
Com todo o amor do mundo, papai e mamãe.
Ps: Ouça sempre seu coração, ele sabe exatamente qual caminho seguir.’’
Coraline não conseguiu conter as lágrimas. Abriu a caixa e, tremendo, levantou um colar na altura de seus olhos para enxergar melhor. Viu um pingente com a palavra amor cravada, que se abria revelando duas fotos, de um lado a de seu pai, e do outro a de sua mãe.
- Olha só que lindo, Believe! Papai deixou para mim, eu sabia que ele não me havia abandonado! Agora já sei o que fazer, vou nesta viajem. Papai deve estar em algum lugar do mundo procurando por aquela planta. Vou achá-los e seremos uma ótima família juntos. Vamos.
No dia seguinte após a aula, Coraline foi logo procurar a professora Marisa. Encontrou-a na sala dos professores distraída com alguns papéis. Bateu na porta e perguntou:
- Professora Marisa, está ocupada? Posso entrar?
- Coraline! Claro que pode.
- Olá, como vai? Eu vim dar minha resposta. Professora Marisa, quero que seja a primeira pessoa a saber que eu aceito fazer a viajem. Pode falar com o Arthur, ele pode ir ver mamãe quando quiser. Só precisamos saber onde mamãe vai ficar enquanto viajamos. — Após explicar toda a história de sua decisão, Coraline abriu um enorme sorriso e esperou pela resposta de Marisa.
Marisa ficou muito surpresa ao ouvir toda a históriaque estavam fazendo a coisa certa, afinal, era muita responsabilidade – Fico feliz que tenha mudado de opinião, mas precisamos ver tudo direitinho. Vou ligar para o Arthur e vamos combinar de ir à sua casa, depois vamos ver o que podemos fazer. Quando e que horas é melhor para você?
- Por mim, pode ser a qualquer hora! Veja quando vocês poderão ir. Sei que Arthur vai ficar feliz com a minha decisão. – Disse abrindo um sorriso ilumidado.
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