Volta Ao Mundo - Hiatus
9 Surf
Notas iniciais
ELENA
Eu estou um pouco triste, Matt não liga e nem manda mensagem a mais de uma semana. Ele não atende minhas ligações, quer dizer, eu parei de tentar depois do terceiro dia. Mensagem então, eu havia mandado algumas – apenas 99, na centésima o mandei tomar no cu e me esquecer de vez.
Mas eu ainda não entendo o porquê dele ter desaparecido assim. Olho para o relógio e são quatro da manhã, olho para cama ao lado e Damon está dormindo tranquilamente. Pego o meu cigarro na bolsa e vou para janela do nosso quarto. Eu preciso fazer algo, distrair minha cabeça.
– Não consegue dormir? – Escuto a voz sonolenta de Damon e levo um susto.
– Perdi o sono – Minto, havia passado a noite acordada.
– Você não dormiu a noite toda que eu sei – Diz se levantando da cama – O que ouve? – Pergunta coçando os olhos.
– Nada que você precise se preocupar – Digo e ele vem em minha direção.
– Qual a parte do eu me preocupo com você, que você ainda não entendeu? – Diz parando na minha frente.
– Eu já entendi isso Damon, só não vale a pena... Vamos acabar brigando – Digo e ele suspira.
– Ok... – Diz e pega meu cigarro – Porque tá fumando de novo? Você não tinha parado?
– Tinha, mas quando tô nervosa ou chateada, é melhor eu fumar – Digo pegando o cigarro da mão dele.
– O que vamos fazer hoje? – Pergunta e eu sorrio.
– Confia em mim? – Pergunto e ele ri.
– Um pouco – Diz e eu bato nele.
– Então se arrume, coloque roupa de praia – Digo sorrindo.
– Ok – Diz indo se arrumar.
Eu já queria ir mesmo, nem sei se levo mais jeito, mas é que nem andar de bicicleta, a gente nunca esquece. São cinco e meia quando nós dois já estamos prontos. Pegamos o jipe, que é nosso meio de locomoção aqui no Haiti e perfeito para onde vamos.
– Eu sei que é uma praia, mas porque praia? – Pergunta.
– Quando eu era mais nova, eu surfava quando viajava com meu pai – Digo e sorrio.
Era a única coisa boa de sempre viajar com meu pai. Porque o resto do tempo era presa no hotel estudando.
– Você surfa? – Pergunta e ri.
– Surfo, qual o problema? – Pergunto olhando para ele de cara feia.
– Não imagino você surfando – Diz.
– Desde que entrei na faculdade que não surfo, mas eu costumava de descer para praia pelo menos uma vez no mês para surfar – Digo e ele sorri.
– Isso é incrível sabia – Diz e me olha. – Eu sempre quis surfar, tipo quando eu ia a praia, via os caras pegando a prancha e entrando no mar, eu apenas ficava olhando com cara de bobo.
– Porque nunca aprendeu? – Pergunto.
– Sei lá... – Diz dando de ombros.
– Surfistas pegam muitas mulheres – Digo e ele ri.
– Você acha que tudo que eu faço é para pegar mulher? – Pergunta.
– Acho – Digo e ele ri – Não é?
– Algumas coisas sim, outras só porque sinto vontade – Diz.
– Então porque não surfa? – Pergunto e ele ri.
– Você é chata hein – Diz e dou uma risada.
– Ok, esquece, você não quer me dizer... – Digo e volto a prestar atenção na estrada.
– Eu tentei uma vez... – Diz depois de um tempo – Fiz algumas aulas, meu pai... – Suspira.
– Não precisa contar se não quiser... – Digo quando vejo que é um assunto delicado.
Nós dois tínhamos problemas com nossos pais. Então sei muito bem ver quando o assunto não é muito bom.
– Ele sempre quis que eu fosse o melhor, eu desisti de fazer direito por conta dele e como ele desaprova a psicologia, foi a minha escolha – Diz e ri amargo.
– Eu sei como é isso – Digo e passo à mão em sua coxa para confortá-lo, ele acaricia minha mão. Mas logo eu a tiro porque tenho que voltar a dirigir, havia parado em um sinal.
– Eu disse a meu pai que eu não tava preparado para entrar na agua e surfar – Diz e ri. – Meu pai disse que se eu não enfrentasse meus medos eu nunca conseguiria. – Respirou fundo. – Eu consegui ficar em pé da primeira vez, só que isso me distraiu e eu cai, batendo a cabeça e ficando desacordado.
– Isso acontece muito no inicio – Digo tentando tranquiliza-lo.
– Meu pai não foi me salvar, e quando acordei ele riu e me mandou voltar para a agua – Diz fechando os olhos. – Eu não voltei, então meu pai foi e surfou.
– Isso se tornou um trauma? – Pergunto.
– Não, só perdi a vontade, ele sempre me fazia fazer algo e quando eu falhava ele ia lá e me mostrava como fazer – Diz e sorri triste – Pra ele é tudo uma competição.
– Porque? – Pergunto estranhando.
– Quando minha mãe engravidou, ele tinha 17 anos, então teve que começar a trabalhar e acho que depois que ele se estabilizou ele quis fazer tudo que não tinha feito por minha causa – Diz.
– Nossa – Digo.
– Vamos mudar de assunto? – Pede.
– Claro... – Digo.
– Me ensina a surfar? – Pergunta e eu rio.
– Claro – Digo.
O resto da viagem até a praia foi quieto. Fiquei pensando no que ele falou, Damon tem 22 anos, então o pai dele tem 39 ou 40 anos, e fica competindo com o filho? Por quê? Pra que? Chegamos à praia já eram sete da manhã. Fomos direto para uma loja de surf alugar as pranchas.
– Bom, você lembra quais são as instruções básicas? – Pergunto.
– Não morrer? – Pergunta fazendo palhaçada.
– Retardado – Digo e ele ri.
– Bom, primeiro temos que remar até depois de onde as ondas se formam – Diz e eu sorrio, fazendo que sim. – Depois ficar observando para escolher uma que dê para fazer alguma coisa.
– Isso – Digo sorrindo – Nós vamos treinar primeiro aqui na areia, igual fazem nessas aulas de iniciantes.
– Ok – Diz.
Comecei a ensinar algumas coisas para ele. Ele leva até jeito, mas faz muito palhaçada. Mas o pior – quer dizer melhor – de tudo, é ter que ficar perto dele, com ele apenas vestido de bermuda de praia. Muitas crianças vieram ver eu dando aula pra ele, o que me deixou um pouco sem jeito.
– Acho que já tô pronto – Ele diz e as crianças batem palmas, nos fazendo rir.
– Bom, então vou trocar de roupa e entramos na agua – Digo e ele faz que sim.
Eu ia colocar uma roupa de surf, mas achei melhor não, por causa da marca, o sol tá forte.
– Quer saber, vou de biquíni mesmo – Digo tirando o short que eu tava usando.
Vejo Damon me olhar e sorri, virei o rosto para ele não ver que corei pela forma dele de me olhar. Entramos na agua, lado a lado e fomos para onde as ondas começam a se formar. Dei as ultimas instruções para Damon, falei para ele apenas em observar no inicio e depois eu iria com ele até um lugar onde ele pudesse tentar.
A sensação de liberdade que eu senti ao surfar foi a melhor coisa. A muito tempo eu não surfava e sentia isso, esse prazer de não pensar em nada. Quando voltei Damon me deu os parabéns e me aplaudiu, me fazendo rir. Levei ele para um lugar mais calmo, então fiz primeiro ele ficar em pé na prancha, ele caiu umas cinco vezes, mas logo pegou o jeito.
Riamos e isso me fazia me sentir cada vez mais leve, está ali com ele, rindo, brincando, deixando tudo de lado. Logo fiz ele pegar sua primeira onda, ele não foi tão ruim.
– Preciso comer algo – Diz.
– Eu também – Digo.
Saímos da agua e logo fomos para um restaurante. Pedimos peixe cozido e frito, camarão frito, pirão, batata frita, arroz.
Tiramos algumas fotos e eu resolvo logo postar, enquanto a conta não chega. E meu coração dispara com o que eu vejo. Não... Não e não... Lagrimas descem pelo meu rosto.
– Elena... – Escuto Damon me chamar, mas ignoro – O que ouve? – Ele pega o telefone da minha mão.
Eu não espero a conta, saio correndo dali. Eu não queria que ele me visse chorar, principalmente pelo que eu li: Matt Donovan está em um relacionamento sério com Rebekah Mikaelson.
Por isso ele está me ignorando. Cachorro, filho da puta!
Entro no jipe e começo a chorar. Escuto a porta do meu lado abrir, e logo sinto os braços do Damon envolta do meu corpo.
– Ele é um otário – Ele diz e seca minhas lagrimas. – Ele não merece essas lagrimas.
– Eu... – Tento dizer algo.
– Não querendo ser chato, mas eu avisei – Diz e isso me faz rir.
– Idiota – Digo secando as lagrimas.
– Está melhor? – Pergunta me ajudando a secar as ultimas lagrimas que escorreram.
– Obrigado – Digo e ele sorri. – O pior de tudo é que se fosse com outra qualquer não teria doído tanto.
– Eles já namoraram? – Pergunta.
– Não, mas... Esquece – Digo.
– Ok... – Fala se afastando um pouco – Quer ir para onde?
– Pro hotel, por favor – Peço.
Ele me dá espaço para que eu saia do banco do motorista do jipe e se senta assim que saio. Dou a volta e entro no passageiro. A viagem de volta foi um completo silencio. Eu não chorava, mas eu estava derrotada.
Porque com ela? Logo ela... Aquela piranha. Será que esse tempo todo eles... Não!
– Ei... Chegamos – Damon diz tocando em meu braço.
– Desculpa estragar o dia – Digo.
– Que tal uma tarde de descanso e a noite saímos para dançar? – Pergunta e sorri.
– Acho uma ideia genial – Digo e ele sorri ainda mais.
– Então enquanto você descansa eu vou fazer algumas coisas ok – Diz.
– Claro, vá aproveitar... Eu provavelmente vou dormir – Digo.
Ele me acompanha até nosso quarto, espera eu tomar banho, toma o seu e coloca uma roupa casual. Eu coloquei uma calça de moletom e uma regata e deitei na cama.
– Me promete que não vai chorar assim que eu sair por aquela porta? – Pergunta sentando do meu lado.
– Posso demorar cinco minutos se preferir – Digo tentando fazer ele ri, mas não consigo.
– Elena, não vale a pena... Se ele fez isso é porque não te merece – Diz e eu fecho os olhos.
– Eu não entendo Dam... Ele ligou, ele que quis e faz isso... – Digo segurando o choro que queria se formar.
– Eu disse que não daria certo Lena, não por sua culpa, mas por ele... – Diz.
– Só queria que ele tivesse sido homem suficiente e ter me dito – Digo e ele suspira.
– Se você quiser eu fico aqui te distraindo – Diz e eu seguro suas mãos.
– Não precisa, surfar cansa um pouco, então logo logo eu durmo – Digo.
– Me liga se precisa de algo tá? – Pergunta e leva minhas mãos até seus lábios e as beija.
– Eu ligo se precisar – Digo com um sorriso tímido.
Ele sai, pego meu notebook e vou terminar de postar as fotos. A curiosidade fala mais alto e coloco no perfil de Matt. Cara isso tá tão escroto, Rebekah já monopolizou a pagina dele, tem fotos dele na capa onde ele está atrás dela e suas mãos repousam em cima da dela que está na barriga. E... Abro a foto e sinto a lagrima se formar.
“Está a caminho nosso pequeno bebê...”
Olho para tela sem emoção nenhuma. Eu não acredito nisso... Ela tá gravida dele...
Vejo as notificações que chegaram, então fecho o facebook. Desligo meu note e deito para tentar dormir.
Um filho, ele vai ter um filho com ela. Será que é por isso que ele se afastou? Porque ele não me contou? Merda! É com esses pensamentos que eu durmo.
– Lena... – Escuto a voz do Damon. – Vamos nos arrumar para sair...
– Só mais cinco minutos... – Peço.
Sinto a cama afundar, e logo sinto seu corpo me abraçar.
– O que está fazendo? – Pergunto ainda de olhos fechados, ele começou a fazer carinho em minha cintura.
– Te dando carinho – Diz e me faz rir.
– Por quê? – Pergunto e ele me faz virar pra ele e olha-lo.
– É isso que os amigos fazem quando o outro está triste – Diz e eu dou um beijo na sua bochecha.
– Obrigada – Digo e ele sorri.
– Você chorou... – Diz acariciando meu rosto.
– Ela tá gravida – Digo tentando não passar como me sinto sobre isso.
– Isso te incomoda tanto? – Pergunta.
– Um pouco – Digo.
– Então vamos esquecer isso bebendo e dançando – Diz se levantando.
– Tem certeza? – Pergunto e ele taca seu travesseiro em mim. – Ai.
– Levanta logo dessa cama e vá se arrumar linda e gostosa – Diz rindo – Como sempre – Ele sussurra baixinho, mas eu ouvi, fico corada.
Levanto e pego minha toalha e sigo para o banheiro.
– Que porra – Dou um grito quando me olho no espelho.
– Elena tá tudo bem? – Grita preocupado.
– Eu tô parecendo um zumbi Damon – Eu grito e escuto sua risada.
– Por isso te mandei se arrumar – Diz e eu rio.
– Obrigada – Digo sorrindo.
– Vamos beber até esquecer tudo – Diz.
Mordo o lábio. Beber até esquecer? Será que eu consigo me controlar depois?
– Damon pega o cigarro pra mim – Peço.
– Está tudo bem? – Pergunta quando abro a fresta para pegar o cigarro.
– Estou – Tento forçar um sorriso.
– Tem certeza? – Pergunta ainda segurando o cigarro, faço que sim. – Então porque quer o cigarro?
– Damon hoje descobri que meu ex tá namorando uma vadia que ele transou quando fizemos cinco meses juntos, e ela tá gravida, e agora que a ficha caiu, eu preciso fumar – Digo o mais rápido que consigo, estou tremendo.
Ele me entrega o cigarro e eu fecho a porta. Trago uma, duas, três vezes, mas a vontade não passa. Conto até dez e trago mais uma vez. Aos poucos minha tremedeira passa, trago uma ultima vez. Entro no box e ligo a agua no gelado, respiro fundo e deixo a agua cair em meu corpo.
DAMON
Passei o dia me sentindo culpado por como Elena ficou. Mas eu sabia que esse Matt não era pra ela, que ele ia acabar decepcionando a minha pequena. Ela não merece isso, imagina se eu não tivesse separado os dois e essa gravidez a tona com eles juntos? Se ela ficou assim depois de receber a noticia, mesmo sem falar com o retardado a quase quinze dias, imagina se... Aghr.
Ela sai do banheiro só de toalha, eu pego a minha roupa e entro no banheiro. Tomo meu banho e me arrumo. Quando saio do banheiro, Elena está ajeitando o cabelo. Ela está com um vestido preto que marca bem seu corpo, ela colocou um salto, está usando a pulseira que dei pra ela. Está com uma maquiagem mais forte que o habitual, seus olhos estão bem marcados e na boca um gloss avermelhado.
Meu Deus! Ela conseguiu ficar ainda mais gostosa.
– Ual – Eu digo e ela sorri, vejo pelo reflexo do espelho.
– Gostou? – Ela se vira pra mim e joga o cabelo pro lado.
– Você está maravilhosa – Digo e ela sorri.
– Obrigada – Diz abaixando o olhar. – Vamos?
Saímos do hotel juntos, e Elena ganhou ainda mais olhares. Passei meu braço por sua cintura e ela não protestou, fez a mesma coisa, passou seu braço pela minha cintura. A boate onde vamos não é longe, então fomos andando.
Chegamos na boate, e tivemos que nos separa, já que homens entravam por um lado e mulher por outro. E senti falta do calor do seu corpo perto do meu. Ela entrou primeiro que eu, quando cheguei, ela me olhou.
– O que foi? – Pergunto.
– Nada – Ela diz.
– Fala – Ordeno e ela ri.
– Não precisa ficar do meu lado a noite toda – Diz e eu rio.
– Hoje a noite é nossa – Digo a puxando pela mão e indo para a direção do bar.
– Não vai caçar essa noite? – Pergunta.
– Essa noite sou só seu – Digo e ela sorri.
– Você sabe que não vai rolar nada entre nós né? – Pergunta e eu rio.
– Elena pode ficar tranquila, não vou tentar nada – Digo.
– Acho bom mesmo – Diz e me bate.
– Qual foi o motivo desse tapa? – Pergunto.
– Eu gosto de te bater – Diz.
Ahh Elena, não faz isso. Eu preciso muito me concentrar para não flertar e te seduzir, mas você tem que colaborar.
– O que vai beber? – Pergunto, tentando mudar o foco da nossa conversa.
– Tequila – Diz sorrindo.
– Então vamos de tequila – Digo.
Começamos a beber. Até que ela não faz tanta careta. Logo ela me puxa em direção da pista de dança. Está tocando Rihanna, e começamos a dançar. Elena já estava mais solta e bem animada. Dançava rebolando, o que estava me enlouquecendo. Começa a tocar “Don’t You Worry Child” eu puxo Elena para mais perto, colocando nossos corpos. Ela começa a dançar ainda mais sensualmente.
Eu nem preciso dizer que já estou excitado né? Elena se vira de costa pra mim, minhas mãos vão para sua cintura e as delas vão para cima da minha. Ela volta a dançar sensualmente. Mexendo sua bunda pra lá e pra cá, perto da minha ereção.
Concentra Damon... Concentra...
– Vamos beber mais? – Pergunto no seu ouvido e a vejo se assustar.
– Vamos... – Ela diz se afastando um pouco.
Suspiro. Céus. Se ela continuar assim, vai ser difícil eu não tentar nada. Bebemos mais, mas dessa vez, ela escolhe whisky, falei para ela não misturar, e ela me respondeu que o intuito é beber para esquecer. Então deixei né.
Preferi manter uma distancia segura do seu corpo. Eu já estava excitado, mas como prometi que hoje seriamos só nós, não posso simplesmente sair para dar uns amassos. E nem vou deixar ela, que já está bastante bêbada sozinha a mercê de qualquer um.
– Dam... – Me chama e ri. – O que tem ela que não tenho?
Tento não ri pelo modo embolado e sem noção que ela está falando.
– Vamos embora – Puxo sua mão, mas ela se sai.
– Responde – Faz bico.
– Quando chegarmos no hotel respondo – Digo e a conduzo para fora.
– Eu não esqueci ainda – Fala embolado e faz bico.
– Mas se divertiu – Digo.
Começamos a andar, quer dizer, Elena parecia que estava caindo. Então fui até ela e a apoiei em mim.
– Você está bem? – Pergunto.
– Não – Responde.
– O que está sentindo? – Pergunto.
– Nada, não sinto mais nada – Diz e quase cai.
A pego no colo e a carrego até o hotel. Ela não falou mais nada, só ficou cantarolando uma música baixinho. Assim que chegamos ao nosso quarto a coloco sentada na bancada do banheiro.
– Fecha os olhos – Pedi.
Ela fechou sem protestar. Pego a algodão e seu removedor de maquiagem e passo nos seus olhos. Retirando parte de sua maquiagem.
– Já pode me responder – Diz baixinho.
– Responder o que? – Pergunto passando mais uma vez o algodão em seu olho.
– O que ela tem que não tenho? – Pergunta ainda mais baixinho, mas dessa vez não saiu embolado, mas sua voz saiu trêmula, sei que ela quer chorar.
– Eu não sei Elena, eu não a conheço – Digo começando a limpar o outro olho.
– Eu não entendo – Diz.
– Talvez ele só esteja com ela pelo filho – Digo, mesmo sabendo que não é verdade, talvez isso a faça se sentir melhor.
– Você não precisa ser bonzinho comigo – Diz.
Termino de retirar a maquiagem de seus olhos.
– O que quer que eu diga Elena? – Pergunto.
– Que sou melhor que ela – Diz.
– Você é melhor que ela Elena – Digo e ela ri.
– Você mente muito bem – Diz tentando se levantar.
– Não tô mentindo Elena – Digo.
Quando me viro para falar com ela, ela está vomitando no vaso. Mas quando vou segurar seus cabelos, é em vão, ela já se melou toda. Ela geme depois que termina de vomitar e vai em direção a pia.
– Vem – Digo estendendo minha mão pra ela.
– Que? – Pergunta me olhando confusa enquanto faz um bocejo com o enxaguante bucal para tirar o gosto ruim da boca.
– Tomar um banho – Digo a puxando.
A coloco no box de roupa e tudo e ligo o chuveiro, ela grita quando a agua gelada atinge seu corpo.
– Damon... – Ela bate os dentes.
– Vai passar sua embriaguez e talvez isso faça você enxergar que é muito melhor que ela, e quem está perdendo é ele e não você – Digo.
– Você se sujou também – Diz e me puxa para debaixo da agua.
– Porra – Grito e ela ri.
– Gelada né – Diz rindo.
Estávamos os dois rindo, debaixo do chuveiro, nos molhando e muito perto um do outro. Muito perto mesmo. As mãos de Elena subiram até meu rosto, eu segurei em sua cintura, e ela fechou os olhos.
Isso não podia tá acontecendo, mas... Fecho meus olhos e quando abro ela me olha e sorri, então se aproxima mais. Meu coração se acelera quando seus lábios tocam o meu. Tão delicada.
Mas eu não posso, eu a afasto.
– Eu não posso – Digo quando ela fica me olhando confusa.
– Você não me acha atraente? – Pergunta com lagrimas nos olhos.
Respiro fundo. Meu coração dói quando percebo o que ela tava tentando fazer. Não acredito nisso.
– Elena você é perfeita – Digo.
– Então porque não quer me beijar? – Pergunta se afastando.
– Eu quero Elena, mas você está bêbada e... – Tento me explicar, mas ela sai correndo do box. – Elena...
– Me deixa, já entendi – Diz se enrolando numa toalha.
Merda! Desligo o chuveiro e saio indo atrás dela. Ela está tirando a roupa, viro ao contrario quando percebo.
– Elena... – Digo seu nome.
– Eu sou uma burra – Diz.
– Me escuta ok – Peço e respiro fundo – Está vestida?
– Já – Diz e eu me viro, e sorrio, ela está com um blusão meu.
– O que quer falar? – Pergunta cruzando os braços.
– Você está bêbada Elena, eu nunca me aproveitaria disso – Digo.
Ela deita na cama.
– Você beija e faz diversas coisas com outras mulheres, mesmo elas estando bêbadas – Diz se virando de bruços.
– É diferente – Digo me aproximando da cama. – Você é diferente.
– Não importa mais – Diz baixinho.
Faço carinho nos seus cabelos.
– Você está magoada, com alto estima lá embaixo – Digo e suspiro – Você só queria se sentir desejada, você se arrumou para tirar o folego dos homens, me provocou a noite toda, e você mesma mandou eu não tentar nada. – Ela não diz nada. – Você iria me matar amanhã, quando estivesse sóbria Elena, iria falar que eu me aproveitei de você e acabaríamos discutindo e não quero isso. – Mais silencio. – Você é maravilhosa Lena, e falei a verdade quando disse que você é melhor que ela, eu só a vi por fotos, você é mais bonita que ela, é mais inteligente.
Estranho o silencio dela, retiro os cabelos que estavam caído pelo seu rosto, e riu quando vejo que ela dormiu.
– Eu queria muito ter te beijado Lena – Sussurro dando um beijo na sua testa – Mas não posso, não assim – Cubro seu corpo. – Não aguentaria se você me odiasse.
Deito na minha cama e suspiro. Fico a observando dormir por um tempo. Será que ela vai lembrar disso tudo? E se lembrar qual será sua reação?
ALARIC
EU RESPIRO FUNDO, ELENA OLHA PRA MIM E VEJO UM PEQUENO SORRISO. QUANDO OLHO PARA DAMON ELE ESTÁ COM UMA CARRANCA E OLHANDO FEIO PRA MIM.
SEI O PORQUÊ, ELENA NÃO SE LEMBRA DESSA NOITE, PRA ELA FOI UM BORRÃO. E ELE QUANDO ME CONTOU, DISSE QUE NUNCA FALARIA PRA ELA SOBRE O QUE ACONTECEU. PRA ELA, ELES BEBERAM, DANÇARAM, SE DIVERTIRAM E DEPOIS ELE A LEVOU PARA CASA, PORQUE ELA NÃO CONSEGUIA MAIS FICAR EM PÉ, QUE A COLOCOU PARA TOMAR BANHO DEPOIS QUE ELA VOMITOU E PRONTO. ELENA SEMPRE QUIS SABER O QUE ACONTECEU, MAS NUNCA CONTEI.
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