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7 Capítulo 6: Floresta do Suspiro


Notas iniciais
Olá, pessoal, como estão? :3 Esse capítulo é bem tranquilo (como é difícil escrever coisas serenas assim quando você é um adorador de lutas frenéticas e tiros voando por todos os lados), mas espero que curtam. Brincadeiras à parte, uma querida personagem é apresentada hoje. Conheçam parte da Floresta do Suspiro com a Luna e boa leitura, (:

– CAPÍTULO SEIS –

Floresta do Suspiro

– Irmão, você tem aula esta tarde? – Luna estava parada na porta de Asfield.

– Voltei de uma agora, então terei apenas ao anoitecer. Algo errado? – perguntou enquanto organizava montes de livros em sua mesa de jantar.

– Não, não se preocupe – sorriu. – Gostaria de ter companhia enquanto pinto...

– Fora do castelo? – desconfiado, completou.

A garota de cabelos iguais aos do irmão assentiu apreensivamente, fazendo-o suspirar.

– Violet está ocupada?

– Sim, em treinamento.

Após um tempo mudando a posição dos livros de forma pensativa, fitou a princesa e cedeu, lançando-lhe um sorriso gentil.

– Tudo bem – espreguiçou-se. — Qual a paisagem de hoje?

– Pensei na Floresta do Suspiro – contou enquanto guiava o irmão para fora do quarto. – Talvez eu ache algum caçador para compor o desenho.

O príncipe ouvia atentamente as palavras da irmã, embora costumasse ficar quieto na maior parte da conversa. Mesmo assim sentia que, ficando ausente da vida da família durante suas obrigações de futuro rei, deveria se mostrar disponível sempre que possível. Precisava estudar diversas áreas além de acompanhar sua outra irmã, Violet, em questões de luta. Ainda estava longe dela, manuseando somente armas de longa distância. Para balancear a situação, pensava, seu conhecimento técnico era eficiente para o cargo que tomaria em anos.

– Nosso pai lhe disse algo sobre os últimos sequestros? – Luna perguntou após chegar ao térreo.

– Houve uma batalha ontem em Diellor... — encarou o cavalete e uma grande caixa descansando na entrada da construção. — Deixamos um escapar. E provavelmente era o principal... – começou a recolher os instrumentos.

– Sei que ainda o pegarão – falou otimista enquanto acompanhava Asfield para uma das saídas laterais dos muros que cercavam o castelo.

Um guarda, parado na saída, impediu-os de atravessar a porta.

– Vossas Altezas, irei acompanhá-los.

– Obrigado, Bertran, não será necessário. Iremos à Floresta do Suspiro – Asfield relatou.

– Sua Majestade, senhor Jordef, pediu que acompanhássemos qualquer morador do castelo caso este abandone a área.

– Tenho certeza de que, daqui a pouco, alguém precisará de sua companhia e proteção. Estaremos bem, estou com Luna – passou pelo guarda ao terminar.

Seguido pela irmã, que agora puxava levemente o vestido para não deixá-lo esbarrar na grama úmida, Asfield atravessou uma faixa de terra até chegar às cercas baixas de madeira clara. Para além das mesmas, grandes árvores pareciam bloquear qualquer ser de entrar na floresta. Caminhou por um antigo caminho e as ultrapassou tranquilamente, adentrando o objetivo. Após poucas fileiras de árvores, estas sumiram — era como se a barreira inicial de folhas fosse um teste para descobrir exploradores corajosos. Mirou a clareira coberta por nuvens claras e respirou profundamente. O local era visto como uma espécie de refúgio pelo príncipe, que frequentava as diversas florestas do reino desde criança.

– Vamos mais para o leste – Luna pediu.

Atendendo a garota, começou a se movimentar na direção desejada. Passaram pelo aclive que o terreno apresentava e, chegando ao topo, visualizaram um grande tronco abandonado em meio a mais árvores, raízes e pequenas flores que se escondiam na grama alta.

– Lembra de quando você trouxe uma garota para cá, e ela ficou abismada por estar sentando em madeira e não em uma cadeira de ouro? – Luna sorriu ao ver o tronco.

– Seria bom se você esquecesse isso – Asfield a olhou com desconforto. – Eu tinha dez anos.

A garota de olhos azuis riu levemente.

– Aguenta ir mais longe? Aqui não teremos movimento dos caçadores.

– Sim, sem problemas – reforçou a pegada nos materiais que segurava e voltou a andar.

Percorreram mais uma parte da floresta tranquila, que parecia ser habitada apenas por pássaros tímidos. Atingidos por suas canções, que ficavam cada vez mais distantes, entraram em uma área menos quente da mata. As copas das árvores eram mais densas ali e os raios de sol agora atingiam os irmãos parcamente.

– Essa sombra é tão aconchegante – o rosto de Luna expressava o conforto que sentia com temperaturas menores.

Asfield sorriu ligeiramente e apontou a cabeça para frente, onde uma área aberta continha uma faixa de água baixa que seguia para o sul.

– Quer se aproximar do rio?

– É uma boa ideia pintá-lo, não acha? – aceitou.

Parando poucos metros antes das margens, Asfield depositou a caixa de tintas e ajeitou o cavalete. Luna retirou, de dentro do seu grande estojo, uma toalha vinho e a ofereceu.

– Deveria focar as águas ou o céu? – perguntou enquanto separava, agachada, potinhos coloridos.

– O rio – sugeriu após estender o tecido para se sentar.

Seguindo a resposta do irmão, terminou de colher as tintas e pincéis e começou a encarar a paisagem antes de tocar no quadro de tecido alvo. Asfield, agora deitado, encarava o céu azul que parecia conectá-lo com a figura maior que a todos governava. Seu corpo foi tomado por uma sensação boa, como se tivesse acordado de um ótimo sono. Em contato com a toalha na grama, sentia-se confortável e despreocupado como se seu futuro fosse diferente do que tinha. Fechou os olhos e se deixou ouvir as águas calmas do rio transparente se misturando ao farfalhar das folhas lá no alto. Ali, com a iluminação delicada dos raios solares e o frescor que acariciava sua face, imaginava se o sol e a lua tivessem se tornado uma, criando uma atmosfera especial para os irmãos. “Sem calor, sem frio. É perfeito”, pensou e sorriu mentalmente pelo equilíbrio que encontravam naquela floresta.

Não deveria ter passado de dez minutos quando Luna exclamou surpresa e o chamou após um ruído.

– O que é aquilo? – a garota apertou os olhos em direção a uma das pedras marrons no rio.

Asfield se levantou e andou até a beira da corrente de água. Após segundos, olhou para trás, onde Luna o encarava com curiosidade.

– Uma cegonha. Algum caçador deve estar por perto – esboçou um sorriso fechado.

A princesa logo fez o caminho do irmão, aproximando-se do rio e visualizando o animal caído, com uma flecha em seu pescoço, em cima da pedra. Na margem oposta, um jovem de cabelos loiros e curtos aparecia entre as árvores e arbustos. Correndo, rapidamente alcançou a cegonha sem vida.

– Peço perdão por isso, Altezas – o rapaz de vestes de couro e algodão preto curvou o corpo.

– Não se preocupe, nós é que estamos em sua área – Asfield respondeu gentilmente. – Qual o seu nome?

– É Kyle, senhor – inclinou a cabeça em respeito novamente e começou a recolher, com rapidez, seu abate.

– É um prazer, cavalheiro – Asfield imitou o gesto. – Foi uma ótima caçada, parabéns – olhou para o saco onde a cegonha era colocada.

– Obrigado, senhor – sorriu e olhou rapidamente para Luna. Seus olhos brilharam pelo mesmo tempo, tornando a ação quase imperceptível. – Peço a licença de vocês agora.

O príncipe assentiu com a cabeça. Kyle terminou de dar o nó no saco e, antes de passar pelos irmãos para ir embora, lançou outro olhar na direção de Luna e deu um sorriso fechado enquanto curvava a cabeça pela última vez. Quando este se afastou, Asfield mirou a garota.

– Você deixa muito nítido – proferiu com decepção.

– Sou interessada no trabalho deles, não nos próprios caçadores – respondeu com convicção.

– Sabe... Você deveria ser menos séria quando há alguém desconhecido perto – continuou como se a garota não tivesse retrucado. – Ou ser séria e fingir que não ficou a fim do rapaz. Escolha um.

Luna abafou um riso. Divertia-se com o comportamento tagarela do irmão quando este tentava revidar uma brincadeira.

– Ele era bonito – disse enquanto se lembrava do rosto fino do garoto de olhos cor de mel – Mas se apaixonar sem conhecer a pessoa não é normal, sabia?

– Não sei dizer se ele era, mas até que vocês combinam – olhou para a irmã e, largando o ar encenado de distraído, sorriu.

– Você nunca durou mais de uma hora em seus encontros – sorriu como se a situação do príncipe fosse comovente. — Não confio em seu julgamento.

Asfield exibiu um sorriso irônico, mostrando ciência da própria falta de habilidade em assuntos amorosos.

– Voltemos aos antigos postos. A toalha é muito convidativa – sugeriu com um suspiro.

– Pensei que a vingança pela brincadeira da garota dos troncos não tivesse acabado – revelou um sorriso e o acompanhou de volta ao cavalete.