Voleur Sinderella
3 Capítulo 3 - Should I Stay Or Should I Go?
Notas iniciais
Auckland, Nova Zelândia. 17 de Setembro.
– Ei... Ei, cãozinho... Charlie... Charlie, acorda!
Ele se remexia na cama, colocando sempre o cobertor sobre a cabeça. Tinha certeza de que não passava das três da manhã – tinha ido dormir alguns minutos atrás. Mesmo assim, Rose continuou a cutucá-lo, agoniada o suficiente para não gritar.
– Rose, por que não vai dormir...? – ele murmurava ainda de olhos fechados.
– Cãozinho, não dá! Eu preciso de você!
Não teve jeito e ele abriu os olhos, morrendo de cansaço. Tinha passado a noite limpando os tapetes persas que Maxine havia deixado, na noite anterior, repletos de manchas de chá. Quando levantou, Charlie tentou ao máximo parecer que se importava com o jeito preocupado que ela estava.
Rose suspirou, sentando-se na ponta da cama e enrolando os dedos no cabelo assim que viu que ele tinha realmente acordado.
– O que aconteceu, pequena? – ele disse, esfregando a mão nos olhos.
– É quee... – ela começou a enrolar – Lembra quando você me ensinou aquelas paradinhas de cálculo? – ele apenas assentiu com a cabeça – Pois é, eu vou ter um hiper teste amanhã! Quer dizer, hoje. Queria que você me ensinasse aqueles lances da derivada outra vez!
Olhou para o despertador ao lado da cama: 2:34am. Acabou por revirar os olhos e passar a mão na cabeça da meia-irmã. Ao contrário de Rhonda, Rose nunca foi tão maldosa, apenas tinha uma má influencia. Ele cogitou a idéia de dormir novamente ou fingir que estava desmaiando, o pobre coitado acabou sorrindo e dizendo:
– Onde estão as anotações do outro dia? Te ensino até 3:30, como antes, certo?
Os olhos de Rose brilharam no meio de sua franja ruiva e saiu correndo para fora do quarto dele.
“Eu deveria colocar uma chave ali...” ele riu-se vendo a porta ir de um lado para o outro assim que ela saiu.
Então, alguns passos começaram a ecoar no corredor do sobrado em que Charlie dormia. Ele achava que era Rose, entretanto que entrou em seu quarto, seguida da ruivinha, era Rhonda com uma cara enjoada e insatisfeita.
– Posso saber o que os dois estão fazendo acordados às 2 da manhã? — ela falou, apoiando-se com o braço na porta.
– Bom dia, Rhonda. – Charles bocejou, enquanto ria.
– Eu já disse, minha querida irmã! – disse Rose na ponta dos pés.
Rhonda ficou em silencio.
– E você, não deveria estar dormindo também?
– Eu fiquei até tarde assistindo um programa sobre uma modelo que estava voltando para a Nova Zelândia e acabei não conseguindo dormir.
– Então somos dois. – ele suspirou, ainda rindo, vendo como Rose passava por debaixo do braço da irmã e se sentava ao lado dele.
O silêncio acabou perdurando. Rhonda sentou-se do outro lado de Charles e começou a batucar os dedos na cabeceira de madeira, ecoando o barulho de seus dedos esqueléticos com o oco. Ele acabou ficando imprensado entre as duas meias-irmãs, cada uma vasculhando com o olhar pequeno quarto dele, como se tivessem nojo ou algo assim.
– Você não ficou incomodado, não? – a alta desembuchou, sacudindo a cabeça indignada.
Ele olhou para trás sem entender, com um sorriso meio de lado.
– Incomodado com o que, Rhonda?
Rhonda começou a olhar se vinha alguém pela porta, depois foi até ela e vigiou por três segundos o corredor. Quando finalmente voltou-se para Charlie, que ria.
– Não ria, imbecil! Isso é algo realmente importante. – sibilou – Você não escutou ontem mamãe falar com o cara do terno velho?
– Quando eu cheguei da loja tinha um homem de terno saindo pela porta da frente... – ele sorriu – O que tem ele que você está interessada assim?
– Quem deveria estar interessado é você, cão burro dos diabos! – ela bufou – Eu aqui tentando te ajudar e você aí sorrindo feito uma garotinha!
– Rhonda, são duas e meia da manhã. Não precisa gritar. – murmurou, fazendo-a abrir um bico enorme.
Ela apenas arrebitou o nariz, dando as costas para Charlie, e saiu batendo o pé com força.
– Infernizar a sua vida perde a graça as duas da matina. – gralhou – Sorte nossa que em breve irá embora!
E assim, ela fugiu soltando cobras e pragas pela boca. Entretanto, Charles ficou com uma pulga por trás da orelha com a afirmação repentina. Simplesmente encarou Rose a espera que ela mesma dissesse sobre o que aquilo se tratava, ela apenas enrubesceu e baixou a cabeça, olhando para os próprios pés.
– Rosie, do que ela estava falando?
Entretanto, ela continuou de cabeça baixa.
– Charlie, eu não consigo se má com você como a Rhonda é... – ela dizia.
– Rose, lá no fundo (bem no fundo), você é uma boa pessoa. Por que não me diz que história é essa de sair daqui?
Ela sorriu.
– Aquele homem era o advogado de mamãe. – então se levantou, recostando na porta do quarto – Lembra-se das complicações que tiveram sobre o testamento de seu pai? O nosso pai... Pois é, parece que o advogado conseguiu uma maneira de retirar seu nome de tudo, quer dizer, caso você saia da linha. Mamãe faz tudo que pode para tirar o que você tem.
Charlie não soube exatamente como reagir, por isso Rose o deixou em paz, correu para seu quarto como uma gazela afugentada – esquecendo livros, cadernos e o próprio teste.
Desde que seu pai falecera , tudo que ele herdaria foi para Maxine por causa de um plano de seu advogado maluco e um juiz sem noção – provavelmente subornado. Assim, a madrasta retinha toda uma fortuna, prendendo Charlie em suas garras enquanto a sentença não saia; sentença que durava mais de anos para sair.
Ainda sim, ele suspirou e se derrubou na cama com sono. Precisava de mais uma noite de sono. Na verdade, precisava DA noite de sono.
De repente, o telefone começou a tocar e quando ele pegou para ver quem era, viu apenas na tela escrito “Número Restrito”. Havia duas únicas pessoas que o ligavam daquela maneira, para ambas tinha de atender o mais rápido e falar o mais baixo possível.
– Charles falando. – murmurou.
– Sin? É Marianne quem fala. – dizia uma voz serena do outro lado da linha.
Ele estremeceu.
– Alguma novidade sobre o novo caso?
– Estamos com quase tudo pronto. Haverá uma festa em algumas semanas no Hotel Claire Les Nuages, você e seu acompanhante receberão as entradas em breve e com eles as instruções.
Então a mulher desligou. Apenas os bips e bips ecoavam nos ouvidos dele. Por um leve segundo ele se lembrou de Maxine e sentiu um leve calafrio, imaginando que ela não permitiria sua ida para a festa.
“Ah, melhor esquecer...” ele pensou, deitando-se novamente. Tinha de dormir.
.
O céu naquele dia se fechou em meio à chuva, desde as nove da manhã até o meio da tarde. Não foi um clima agradável, tudo se fechava com um ar fúnebre e um frio extremamente incomodante. O pior de tudo foi quando Rato andava pelos corredores, estava completamente distraído e levava os milhões de bolsas como sempre. Ele tinha na cabeça um diálogo de pouco minutos atrás com Charles, logo que ele foi deixar as meninas no colégio. Tinha escutado sobre a conversa com Marianne e estava agoniado com a relação da missão e de sua amiga Claire.
Não demorou em, por estar no mundo da lua, esbarrar em alguém. Por pura ironia, era a jovem Perrault, também perdida em seus pensamentos.
– Ora, Claire! – exclamou, juntando alguns papéis que ela tinha derrubado.
– Desculpe-me, Rato... – falou ela cabisbaixa, o que incomodou a Rato por um instante.
– Como andam as coisas? – disse acanhado, não obtendo resposta alguma.
Os dois começaram a juntar as coisas que tinham caído de seus braços. Repentinamente, ele pegou um folheto ao mesmo tempo em que ela e viu sua pequena mão alva com um enorme anel prateado com um tipo de diamante ao centro.
– Belo anel esse seu.
Claire tomou um susto quando o escutou falar sobre o anel.
– N-n-não é nada demais... – ela se levantou rapidamente e saiu andando pelo corredor – Desculpe, mas tenho que ir.
Enquanto ela ia embora, Rato apenas observava o seu balançar de um lado para o outro, quase aflita. Foi então que Allen surgiu do seu lado com um sorvete de casquinha em suas mãos com outra expressão triste.
– Mesmo que fores tão casta quanto o gelo, e tão pura quanto a neve, não escaparás da calúnia. – ela disse dando uma pequena pausa, apenas o tempo em que Rato mirava seu olhos em seu rosto de traços delicados e longos cabelos louros – Hamlet, cena um do terceiro ato.
– O que houve com ela? – perguntou o garoto.
– Garoto, você devia parar de se meter na vida alheia! – riu-se, Allen. Entretanto, ele continuou calado. – Viu aquele anel no dedo dela? – Rato apenas assentiu com um movimento de cabeça – Ela está noiva.
Rato a fitou com os olhos castanhos abertos o suficiente para saírem das orbitas.
– Como assim NOIVA? – berrou – Com quem?! Desde quando?! Ontem ela estava sem anel nenhum, como assim?! Que diabos é is-
A garota tampou lhe a boca com um tapa rápido.
– Quer calar a boca, camundongo? Eu eihm! – e quando soltou a boca dele, saiu no mesmo caminho que Claire, pelo meio do corredor.
– É RATO! – ele berrou, vendo-a passar.
Na noite anterior...
– Claire, me deixe entrar... – berrava Allen do lado de fora do quarto da moça, escutando alguns gemidos como lamúrias. – Amiga, abre logo essa porta, você ainda está com a mania de falar sozinha, abre pelo menos para a situação soar menos constrangedora.
Os passinhos dela faziam toc toc no assoalho de madeira. Nisso, Claire destrancou a porta com o rosto vermelho de raiva.
– Está feliz agora? – bufou Claire, entrando novamente e se jogando na cama.
– Eu estava começando a achar de você ia realmente me deixar do lado de fora e ia ficar xingando os céus a noite inteira! – gargalhou Allen, também entrando e trancando a porta.
– Hahaha, olha como você anda engraçadinha, loira idiota!
Um toc toc se fez ouvir e as duas garotas olharam para a porta trancada. Claire, revirando os olhos, tinha certeza de que era Cloud pedindo para que ela desculpasse o pai e que ele não havia feito por mal. Acabou pedindo para que Allen abrisse a porta apenas com o olhar – Allen tinha noção de todo movimento que Claire fazia ou o que pensava.
A loira foi abrir a porta e deu de cara com o queixo grosso e definido do rosto de Wolfgang com um olhar sereno, pousando a cabeça levemente na madeira da porta.
– Nós podemos falar com a Claire um instantinho? – ele disse sereno.
– Nós você diz...?
– Eu e Cloud. – replicou ainda mais sedutor em seu sorriso.
Allen mal olhou para trás e Claire já estava em pé, vindo em sua direção. A jovem postou-se na frente de Wolfgang, ainda do lado de fora, sorridente.
– Em que posso ajudar, meus queridos? – disse com um tom que poderia ser confundido com sarcasmo.
Cloud quase por cima do amigo, atropelando Claire e entrando em seu quarto como um furacão.
– Allen, a gente queria falar algo realmente sério com Claire, poderia nos dar licença? – dizia com uma expressão realmente séria.
A loira olhou para Claire, esperando por seu aval, mas essa apenas moveu os lábios dizendo “não vai demorar mais que cinco minutos”. Ela, então, deu entre ombros e saiu pela porta completamente silenciosa.
Wolfgang entrou no quarto de Claire, sentando-se na ponta da cama dela, vendo Cloud encarar a irmã como se estivesse para lhe colocar culpa de algo.
– O que têm a me dizer, vocês dois? – murmurou calmamente.
– Acho melhor você sentar... – sibilou Paul Wolfgang.
Ela apenas arqueou as sobrancelhas, esperando que o importante lhe fosse logo revelado.
– Claire – começou Cloud – nós dois andamos discutindo algum tempo atrás sobre a situação em que você estava. Sobre a irredutibilidade de papai e sobre suas tão sonhadas universidades...
– Achamos uma solução a qual seu pai concordou, entretanto ela lhe afeta por completo. Tanto seu presente quanto seu futuro. – continuou o outro.
– E qual seria? – replicou Claire, desta vez interessada.
Os dois se entreolharam. O plano era que Cloud amansasse a fera para que Wolfgang tivesse a deixa, mesmo assim ele estava tremendo as juntas e não tinha coragem de dizer sequer uma palavra relacionada à decisão radical.
– O quanto você estaria disposta a dar para que pudesse sair daqui e, no futuro, assumir as empresas de seu pai? – dizia Wolfgang se levantando da cama com calma.
Claire sequer pensou.
– Qualquer coisa. Eu daria qualquer coisa para sair desse lugar! – riu-se.
– Não queremos que seja tão impulsiva, pense bem nas possibilidades. – respondeu Wolfgang.
Ela andou um passo para trás, não entendia muito bem a situação. Foi então que Cloud chegou perto dela.
– Claire, querida, a única maneira que encontramos de te tirar das garras de papai foi que você se casasse cedo o suficiente para adquirir autonomia e ir aonde quer.
A vontade de rir foi inevitável e a garota caiu na gargalhada. Os dois se entreolharam novamente, mas não perderam a postura, enquanto ela se desfazia em barulhos e grunhidos de risos.
– Não estão falando sério, estão? Quer dizer, é uma visão muito medieval da situação, não é? Do tipo, isso é ridículo. – os dois se mantiveram congelados e a piada foi perdendo a graça – Espera, vocês estão falando sério... Como esperam que em ame alguém para aguentá-lo durante o resto da minha vida antes do final do semestre? Eu sei que tenho idade e tudo mais, mas casamento?!
– Na verdade, não esperamos... – replicou Cloud, segurando levemente as mãozinhas dela – Além do que você não precisaria aturar essa pessoa pelo resto da vida.
Então, Cloud deu dois passos para trás, ao mesmo tempo em que Wolfgang se aproximava dela.
– Claire, seu pai apenas concordou com nossa suposição porque apresentamos alguém em quem ele confiava mais que o normal. – dizia num tom calmo. Foi aí que Claire começou a entender a situação. – Claire Perrault, dona dos olhos verdes mais belos que já vi... – ele se ajoelhou e tirou do bolso do terno uma caixinha muito pequena – Aceitaria casar comigo em prol da sua liberdade?
Wolfgang abriu a caixinha, mostrando um anel prateado com um diamante em seu centro. Era a mesma aliança que sua mãe havia usado durante o noivado.
Naquela situação qualquer garota sensata havia de aceitar, nem que tivesse que se divorciar logo após o casamento se consumar, afinal Paul Wolfgang era extremamente belo, tinha olhos azuis quase acinzentados que o davam um ar de luxúria e sedução. Ele e o irmão a estavam oferecendo um passe para a liberdade, mesmo assim ela estava agoniada pela situação.
– Claire, acorde... – disse Wolfgang sorrindo – Não precisa dizer sua resposta oficial agora, mas aceite pelo menos o anel.
– Ahnm?
– Minha irmã, papai já concordou! – berrou Cloud – Aceite e terá tudo que deseja, incluindo a sucessão de tudo.
Auckland, Nova Zelândia. 18 de Setembro.
Maxine entrou pela porta como um hipopótamo saltitando num palco de balé. Estava com a cabeça nas alturas, como numa felicidade estupenda de uma mulher sem muitos precedentes com drogas. Logo atrás dela vinha um mulher de feições mais velhas, mas que vestia-se como alguém que está indo para algum desfile de moda mais casual.
– Queridas, cheguei! – berrava Maxine no hall do casarão, como se alguém a esperasse logo na entrada.
– Maxine, meu bem, não creio que suas meninas tenham chegado. – dizia a mulher sorrindo.
Ela apenas continuava a sorrir, vasculhando os cantos da casa com o olhar. No momento em que finalmente viu Charles passando com montes de cestas começou a saltitar em sua direção numa graciosidade que não se deve comentar.
– Enteado, querido, onde estão as meninas? – ela dizia.
Charlie estranhou por dois segundos, mas quando percebeu a mulher por detrás da madrasta, abriu ligeiramente um sorriso, dizendo:
– Querida madrasta, estou indo busca-las em alguns minutos. Se me der licença, vou terminar minha parte do trabalho de nossa casa.
Cada palavra garranchada saia de sua boca ainda mais falsa que seu sorriso. Maxine manteve o sorriso assombroso e voltou o rosto para a amiga, movimentando as mãos como uma dançarina.
– Venha, Tânia, logo as meninas chegarão para nos acompanhar durante o chá!
Charlie começou a rir, enquanto elas passavam por suas costas. Teve que correr e guardar as cestas o mais rápido possível embaixo da pia da lavanderia. Ia correr para levar Rato pra casa e pegar as meninas em seguida, como de costume. Pegou as chaves do carro de Maxine e saiu quase pulando pela garagem, logo atrás da lavanderia.
Quando segurou o volante e abriu o portão com o botãozinho, pegou o celular rapidamente, digitando com força o número de Rato.
– Alô? – Rato atendeu.
– Ei, estou indo te pegar, depois eu pego as garotas, certo? Ao que parece, temos que conversar sobre os esquemas...
Então um flash bateu em seu rosto, fazendo com que fechasse os olhos institivamente. Charlie mal olhou para o lado e viu um homem velho e careca com um terno abatido e uma câmera profissional enorme em suas mãos.
– Esquemas, não é, Sr. Gareth? – sorria maldoso o homem.
– Ei, que história é essa de ficar tirando fotos? – balbuciou Charles piscando as pálpebras rapidamente, enquanto abaixava a câmera do rosto do homem.
– Fotos? Mas eu não estou tirando fotos! – berrava Rato do outro lado da linha.
Charles desligou no mesmo instante.
– Quem é você e o que está fazendo aqui na minha garagem?! – berrou o loiro.
O fotógrafo aumentou o sorriso e retirou do terno uma caderneta completamente bagunçada e uma caneta esferográfica, anotando alguns rabiscos.
– Possível complexo de posse, distúrbios e costuma falar sobre “esquemas”. – então virou o olhar para o jovem – Apenas entre nós, qual foi o último contato que teve com os “esquemas”?
– Eu estou perguntando QUEM É VOCÊ – disse Charles entredentes, puxando com força a gravata borboleta do homem, aproximando os dois rostos.
O velho apenas arrumou os óculos fundo-de-garrafa, pigarreando como se estivesse um pouco nervoso.
– Meu nome é Eudes Byron e apreciaria bastante se retirasse a mão de minha gravata. Ela é nova.
Acabou por soltar a gravata, ainda desconfiado. Foi quando se lembrou do terno velho que comentara com Rose.
– Você não seria o advogado de Maxine, seria? – perguntou Charlie.
– Muito bem, jovem Charles. – ria Eudes, em seguida mostrando a caderneta com ênfase – Da próxima espero que não seja tão agressivo ou isso pode parar aqui!
Então ele saiu saltitando para fora da garagem e pulando de um lado para o outro como uma criança. Charles cogitou por um leve instante passar o carro por cima do homem, mas acabou deixando o pensamento ir embora, esquecendo-se das paranoias.
Notas finais
SHOULD I STAY OR SHOULD I GO é uma música da banda The Clash!
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