Voleur Sinderella

16 Capítulo 16 - We're Going to be Friends


Notas iniciais
Mais um capítulo haha. Com bastante diálogo e um final estranho (principalmente com os acontecimentos do capítulo anterior: Dannika e Charlie safadênhos kk) eu espero que gostem e não queiram me matar :D

Auckland, Nova Zelândia. 2 de novembro.

O novo celular bipou pela segunda vez, mas agora o número já tinha sido trocado pelo nome de Dannika. Os dois conseguiram novos celulares com o intuito de não serem grampeados, como Charles parecia ter sido.

“Espero que sua madrasta tenha feito uma boa chantagem para você ter me deixado acordar sozinha.” Dizia a mensagem que Charles viu, o que resultou numa risada rápida, enquanto servia para si mesmo uma xícara de café. Era tarde e havia chegado uma frente quente em Auckland, o que resultava numa interrupção brusca no inverno e uma variação de temperatura naquele dia.

- Rose! – ele berrou na porta da cozinha – Rose! Venha na cozinha!

Uns passos pesados ecoaram na escadaria do salão. Rose praticamente pulava para a cozinha como um animal.

- Cãozinho! Preciso que me leve para...

- Saímos 17:30, está bem? – ele não desviou o olhar do café e deu um rápido sopro para dissipar o calor.

Rose piscou algumas vezes e cutucou seu ombro.

- Só avisando, eu vou para o cinema, certo? – Rose evidenciou, quase separando as sílabas.

- Está bem. Rhonda vai também? – ele perguntou, dando um gole no café e escutando o celular bipar novamente.

Os olhinhos da irmã destrambelhada de Charles voaram para o celular, mas, quando estava para pegá-lo, o rapaz guardou no bolso de imediato.

- Guardando segredos, cachorro? – Rhonda disse, recostando-se na porta da cozinha como gostava de fazer. – Sabe que não gostamos disso...

Rose soltou uma bufada e cruzou os braços.

Mas Charles apenas riu da situação, soprando o café pela última vez e saindo da cozinha entre risos.

- Cão, volte aqui. – Rhonda balbuciou, segurando o braço dele – Preciso que você-

Antes que ele pudesse dar meia volta, Eudes Byron surgiu na sua frente, dando um fungado grande e falando:

- Ora ora, Sr. Charles, ignorando o pedido de suas queridas irmãs, não é?

- Acho que vou vomitar. – Rhonda falou enquanto soltava o braço do rapaz e dava meia volta para a cozinha, dizendo apenas para que Rose escutasse – Esse cara fede à barata.

Eudes chegou perto de Charles e começou a cheirá-lo, parecendo um maníaco, principalmente por uma de suas narinas parecerem estar completamente entupida. Mas, em seus lugares, as irmãs apenas sentiram vontade de rir.

- Você está com um cheiro estranho. Perfume feminino caro, eu diria francês. – ele coçou o nariz – Ou está se transvestindo durante a noite ou está... Mexendo nas coisas de suas irmãs... Ou de sua madrasta, estou certo? Isso não será bom para o senhor! Bem que percebi que alguns colares de diamante e pérolas havia desaparecido.

- O Sr. Byron está andando bastante no quarto da Sr. Maxine Oitava, não é?

Eudes ficou sem palavras e Charles apenas riu, levantando a xícara, e saiu de vez com uma batida de ombro com o ombro do detetive.

- Strike um. – Rose murmurou.

- Um pior que o outro... – Rhonda riu. – Os dois tem que aprender o próprio lugar.

.

- Claire, você tem certeza de que ele vai aparecer? – Allen dizia ao telefone.

O bar da 8ª Marina era calmo, reservado do restaurante e tinha um clima gostoso com música fina. Havia poucas pessoas por ali, a maioria bem vestida ou recém-chegada de passeios. Todos com suas roupas brancas, casacos listrados e ar de classe.

Claire estava sentada na mesa de bar, mexendo lentamente o chá quente.

- Bem, eu espero que venha, senão eu teria fugido do Wolfgang por nada... – Claire respondeu com um risinho. – Mas não há problema, se ele for um sujeito muito estranho eu posso gritar e espernear, tem uns amigos do papai aqui, sabia?

- E isso não seria um problema? Esqueceu da sua não-cara-metade, mocinha?

- Wolfgang não teria ciúmes se é o que você está afirmando. – a moça gargalhou ironicamente.

- Você bem que poderia parar de chamar o seu noivo pelo sobrenome, não acha?

- Estou me acostumando, afinal esse é meu futuro sobrenome, não é? Acho que eu aguento ser chamada assim até o fim da faculdade. – então os olhos de Claire passaram sobre o ambiente quando ela viu que Charles havia chegando lentamente com uma mão nos bolsos e os olhos procurando por ela – Certo, eu tenho que desligar, ele chegou.

- Não faça nada que eu não faria, Claire!

Ela não evitou rir um pouco antes de desligar o celular. Levantou-se para que o rapaz a visse e finalmente poder ir atrás dela.

Charles apenas sorriu e acenou, mas não um aceno normal, ele a chamava para fora do bar. Tinha mantido o casaco no corpo e segurava uma sacola de plástico na outra mão. Parecia apenas um rapaz... Normal.

“O que ele quer?” Claire pensou, levantando-se deixando uma nota em cima do balcão e ao lado da xícara de chá. Havia algo de estranho naquele rapaz e principalmente na maneira como ela vinha agindo. Pensava ser uma maneira de fugir da realidade do seu futuro casamento essa ideia de fazer loucuras.

Loucura como ir atrás de um cara que mal conhece apenas para que o amigo dela ficasse bem. Rato estava cada vez mais estranho naqueles dias.

- Charles! – ela chamou logo ao sair pela porta do bar.

Ele estava andando na direção do píer com a mão nos bolsos e rindo como um bêbado, mas apenas berrou para ela:

- Venha, Claire Perrault!

Desconcertada, ela o seguiu com passos rápidos até que ficasse ao seu lado.

- Ei, para onde está indo? Não íamos conversar no bar?

- Você tem um anel de noivado que não é meu e está no meio dos seus colegas riquinhos, não acha que chama atenção? – Charles riu sem parar de andar. – É melhor ter cuidado se quer conversar a sós com um cara bonito como eu...

Ela revirou os olhos de tanta repulsa, principalmente por ele estar correto. Não quando disse que era bonito, mas quando falou dos conhecidos e de como o encontro dos dois chamaria atenção indesejada.

“O que antes eu não me preocupava de repente veio a ter razão. Irônico isso...” ela pensou brevemente, antes que parassem no final do píer ao qual algumas lanchas estavam presas.

- Sente-se. – o rapaz falou enquanto levantava a bainha da calça e retirava os tênis. Ela, entretanto, mal se mexeu. – Não costuma colocar os pés na água?

- Não com esse clima.

Charles riu um pouco e colocou os pés pendurados.

- Não há motivo para se preocupar, o chão é alto, não encostará os pés na água.

Os olhos dele tiveram certo brilho por causa da luz dos postes e suas palavras saiam alegremente de sua boca. Os rápidos tapinhas na madeira do píer acabaram sendo convidativos o suficiente para que Claire sentasse ao seu lado.

- Você é estranho...

Lentamente ele retirou de dentro da sacola outra sacola em papel e dois muffins, oferecendo um para Claire.

- Coma, a conversa é longa. – Charles disse com o bolinho em mãos, enquanto ela apenas tentava se situar na conversa e no momento. Os dois acabaram dando uma grande mordida e olhando para a água do mar, sentindo o frio bater nos seus rostos – Então me diga, como Rato está?

Claire pousou os olhos verdes no rosto dele, ainda virado para o horizonte, e apenas suspirou, dizendo:

- Estranho...

- Só consegue falar isso? – ele riu.

- Não! Eu quero dizer que ele está estranho porque está agindo como se não fosse ele mesmo... Parece que não dorme há dias e suas notas estão diminuindo.

Charles deu um muxoxo.

- Estou falando sério, deve ter mais alguma coisa. Você disse que ele quer se mudar para Wellington, não disse? Rato jamais faria isso...

- Só disse o que ele mesmo me disse! – Claire deu entre ombros e mordeu novamente o muffin – Sabe, ele anda sempre com o computador, não fica mais na biblioteca comigo e com Allen. E já faz um bom tempo que ele está assim.

- Umas três semanas?

Ela olhou para cima, pensando.

- É, três semanas... O tempo que passou desde a minha festa de noivado.

Um arrepio imperceptível passou pela coluna de Charles.

- Mas ele falou alguma coisa estranha esses dias? Do tipo, andou atarantado e olhando para os lados como se estivesse sendo perseguido? Coisas assim...

- Eu já falei que o máximo que ele me disse foi que iria viajar! Ele anda atarantado por algo, só isso, e eu esperava que você me ajudasse a ajuda-lo, só isso.

- E ele conversa com sobre mim? – Charleu soltou um risinho.

- Não exatamente, só falamos sobre você umas duas vezes... Nem sobre outras coisas ele anda falando, só quer ficar só, dorme nas aulas e etc. – Claire bufou, passando devagar a mão no cabelo.

De repente, Charles teve um lapso quando olhou o movimento da moça. O anel, o seu anel, estava no dedo dela. Estava no dedo dela enquanto ela passava a mão no cabelo, exibindo como se fosse uma joia ou algo assim.

- Q-que anel é esse? – ele balbuciou perplexo.

Ela apenas se remexeu no lugar e observou a própria mão.

- Apenas um anel que eu ganhei. – disse suavemente.

- É... Um belo anel... Parece uma antiguidade, não? – Charles dava corda ao pensamento surpreso. Achava que tinha perdido o anel durante a descida inesperada pelo Claire Les Nuages, mas de repente viu ele ali, nas mãos da única pessoa que podia entrega-lo.

Deu conta naquele instante da besteira que estava fazendo. Claire estava ali e podia relacioná-lo ao ladrão. Havia provas o suficiente para incriminá-lo?

“Não, apenas se Dannika e Ian falassem algo eu correria perigo... Ou o próprio Rato! Mas algo está errado, ele vai para Wellington e está agindo dessa forma.” Ele pensava.

- É um anel rústico. Gosto muito dele. – Claire então fez uma pequena pausa, comendo o muffin e limpando chocolate nos lábios com as mãos – Sabe, é fácil conversar com você. Não sei se é porque não espero mais uns ataques estranhos como o que você deu na biblioteca ou porque tem esse jeito meio orgulhoso...

- Orgulhoso? Pareço com você então, haha.

- Como assim comigo?! – ela riu-se – Você nem me conhece direito, como pode dizer que eu sou orgulhosa?

- O seu jeito, não abre uma brecha nem desvencilha pelo meu olhar encantador...

Não que ele quisesse falar aquilo daquela maneira, não fazia esse tipo de rapaz, mas resultou num revirar de olhos da moça.

- Você é um idiota...

- E você deve querer outro bolinho. – Charles ofereceu outro, em seguida pegando uma garrafinha termina de dentro da sacola – Este tem chocolate derretido dentro, e aqui está chocolate quente, é bom para proteger do frio.

- Está querendo me comprar com chocolate quente? – ela riu, aceitando um pouco.

Charles também sorriu.

- Não se engane, Claire Perrault, estou fazendo o que sempre fiz ao conversar com você, estou cuidando do Rato...

- Mas como exatamente? Ele me disse que vocês são amigos de longa data.

Ele parou e a empurrou com o ombro devagar.

- Você não tinha dito que mal falou sobre mim?

- Ele só me disse que vocês tinham brigado! – Claire falou, empurrando de volta. – Como vocês se conheceram?

Novamente, deu uma pausa dramática.

- Nos conhecemos pouco depois do falecimento do meu pai. O pai dele, o Zach Lourette, conhecia meu pai e então nós acabamos nos conhecendo. – parecia uma cena tensa, mas Charles quebrou o gelo com uma gargalhada – Você devia ter visto como ele era engraçado quando menor, não tinha garoto mais desengonçado! Nem correr ele conseguia direito. Os valentões da sala dele iam atrás do coitado todo dia e eu ficava de vigia na frente da loja de CDs.

- Então vocês nunca estudaram juntos, certo? – ela falou com a mão na boca, estava mastigando um pedaço do bolinho – Mas como você se tornou amigo do Ian e da Dannika? Pareciam muito íntimos na biblioteca.

- Nós nos conhecemos desde que eu me entendo por gente, temos a mesma idade e as famílias eram próximas. Seu primo era outro desengonçado, sabe? Era bem baixinho e usava uns óculos com armação grossa. Já a Dannika sempre foi modelo e linda. Quando os dois se mudaram para a França eu comecei a amizade com Rato.

- É estranho como eu posso nunca ter ouvido falar de você. Quem era seu pai? – ela questionou, intrigada. Seu pai fazia com que ela tivesse os maiores contatos e, ao que parecia, Charles frequentava a alta sociedade desde criança com Ian e Dannika.

- Meu pai era Lucio Gareth. – Charles suspirou e recostou-se nos próprios cotovelos, quase deitando no píer. – É normal que não tenha escutado, eu tenho uma madrasta que, digamos, me deixa no meu lugar. Maxine Oitava, você deve conhecer.

Claire quase cuspiu quando o escutou falar e caiu na gargalhada, debatendo-se no próprio lugar.

- Eu NÃO acredito! Você é irmão das gêmeas Rhonda e Rose?! – ela ria alto, até se conter com a mão na boca. – Desculpe-me, não foi minha intenção.

- Não é problema, sua risada é até bonitinha... E as minhas meio irmãs não são exatamente flor que se cheire.

- Mas, me diz, como elas são em casa? Eu sempre tive curiosidade para saber se elas tentam ser daquele jeito bobo ou se realmente são assim! Mais uma vez, desculpe por isso.

- Eu já disse, não é probl-

Mas antes que ele pudesse terminar a frase, seu antigo celular tocou – naquela altura, estava andando com os dois. Era Ian.

- Charles, aconteceu uma coisa terrível! Você precisa vir para o Hospital Saint Lourent urgentemente! – Ian Leroy disse no telefone.

- O que aconteceu?

Quando o primo de Claire respondeu, Charles arregalou os olhos e se levantou num raio. A moça ficou olhando para ele perplexa e de imediato também se levantou.

- O que houve?! – ela perguntou.

E o loiro apenas ficou um instante boquiaberto, desligando a ligação e mirando os olhos verdes dela.

- Dannika teve uma overdose com remédios dados pela agente dela. Ela está no hospital agora... – ele respondeu.

Claire levou as mãos à boca.

- É melhor você correr para lá!

- Venha comigo! Vamos logo!

E assim dizendo, ele estendeu a mão para que ela o seguisse.

Não havia necessidade para que Claire o acompanhasse, e nem deveria, pois eles estavam se encontrando em segredo, mas Charles segurou sua mão e a levou de vez do píer.

Notas finais
We're Going to be Friends é uma música do The White Stripes! haha. Bem, para aqueles que acharam uma viagem louca essa história de overdose, lembrem-se que ela teve quase a mesma coisa na infância (pouco antes de viajar para a França, como vimos no capítulo do flashback do Charlie kk).
Espero que tenham gostado, não esqueçam de mandar reviews! :*