Void - A Corte Da Carnificina
5 Reencontros Parte-1
A fortaleza estava silenciosa, talvez isso se devesse ao fato de todos estarem comemorando a conquista de mais cedo no salão da antiga construção. Era uma conquista e tanto... "Que sorte" pensa Regulus White enquanto caminha pelos corredores úmidos, aparentemente sem rumo, e ele estava certo pois, capturar um oficial mévet não era nada fácil; eles eram poderosos, frios e impiedosos, além de estarem sempre prontos para dar sua vida por seu povo e por sua causa, então lutavam até a morte, ou se matavam quando estavam próximos de serem capturados.
Agora esta causa estava deteriorada e deformada a tal ponto que até para Regulus, que já foi um deles e ainda nutria sentimentos patriotas por Tsefirah e pela causa achava que agora não passavam de um monte de baboseiras. o fato de fazer mais de três mil anos caóticos desde que algum deus da morte ter tomado partido de algum assunto em void somado ao seu patriotismo remanescente fizeram com que ele se juntasse ao exército rebelde e se voltasse contra seu próprio futuro império.Regulus para diante a porta ainda perdido em seus pensamentos, ficando um bom tempo parado ali, refletindo sobre os motivos que o trouxeram até ali, até a situação que se encontrava agora, mas um brado do carcereiro seguido de o barulho de correntes se chocando com a carne e um grito de dor o tiram do seu transe temporário, ele respira fundo tomando coragem e tentando se acalmar, abre a porta com uma das mãos e entra com suas medalhas e ombreiras de aço tintilando alegremente enquanto ele dava passos calmos e curtos, o enorme carcereiro ergue novamente a corrente com espinhos de metal e bate no prisioneiro de novo, acertando seu globo ocular e o trazendo junto na volta, o homem imenso ergue a corrente para bater mais uma vez no prisioneiro desnutrido e macilento que agora mal tinha forças para gritar e apenas gemia baixo no chão numa poça de sangue, Regulus pigarreia querendo chamar a atenção do carcereiro, o imundo aglomerado de banha se vira para ele e bufa como se estivesse irritado, lança um último olhar para o saco de ossos que um dia foi um informante mévet antes de se virar e começar a andar, conduzindo o superior até a cela que lhe foi instruída, Regulus o segue, aproveitando para dar uma boa olhada nos prisioneiros, alguns deles estavam em condições deploráveis, enquanto outros pareciam à beira da morte.O interrogatório havia sido tenso, com ironias, ameaças e ataques disfarçados vindos de ambos os lados, Regulus após um longo conflito opta por não torturar Edmund, fazer o brutamontes que era o carcereiro soca-lo ja havia sido demais, além do mal que ele podia fazer a seu amado.Regulus sai do corredor e volta a andar pelos corredores da fortaleza, mas agora ele parecia decidido a ir a algum lugar, de início não percebe que está sendo seguido, mas logo, por um deslize do garoto, ele nota, mas disfarça, anda normalmente e entra numa sala vazia, ocupada somente por uma armadura de prata pura e reluzente sentada num trono de pedra, ao perceber a presença de Regulus a armadura ganha vida e volta o elmo vazio para ele — Levante-se e me obedeça, grande portador da espada da justiça que reluz com brilho semelhante a sua honra — ordena o homem que continha a aparência de um mero garotinho, pronunciando tal ordem em uma língua estranha que, há muito tempo, havia sido esquecida, a armadura se levanta de seu trono, revelando uma escadaria secreta — Não permita que nenhuma alma viva sequer me siga, se precisar use da força, mas não se exponha… você já sabe meus motivos para recorrer a teu auxílio — Regulus diz ainda naquela estranha língua morta, entra seguindo seu caminho até um jardim enorme e belo que se podia ver ao final da escada, logo a armadura ocupa seu lugar e o garoto que o seguia entra instantes depois, mas tudo que encontra é a bela e misteriosa armadura sentada em seu trono de pedra com sua espada dourada repousada à frente da armadura, ela lhe dava calafrios, ele faz uma busca rápida pela pequena sala, constata que Regulus não estava lá, frustrado ele conclui que o garoto devia ter entrado e outra sala e ele se confundiu, sai e continua procurando. ***Jackson fica mudo por um momento quando o gigante que o carregava sai do portal, estavam no meio do maior e mais belo jardim que ele já havia visto — sejam bem vindos de volta a minha humilde morada — diz o gigante bastante animado, Daniel sai em seguida e logo depois dele sai Phill sorrindo de orelha a orelha com os olhos brilhando e o rosto iluminado:— Ah, como é como estar de volta ao lar! — diz ele respirando fundo — sempre achei o ar daqui mais leve e puro que o da terra.— E é! A atmosfera em void é três vezes menos poluída que a da terra, mas mesmo assim somos mais evoluídos que eles —o velho para e põe a mão na cabeça como se tivesse esquecido de algo — vamos nos adiantar, Martha nos espera — ele volta a andar, mas Jack não repara no nome que teria lhe soado tão familiar e lhe atraído a atenção.Daniel, ao ver Philip, parou por um instante, caminhando até ele, e, em seguida, puxando-o pela manga de sua camisa, como uma criança que pede colo, Phillip simplesmente adorava mima-lo, então faz o que o baixinho pedia e este sobe alegre nas costas do maior com cara de que o natal havia chegado mais cedo.
O pequeno grupo formado apenas por homens caminhava pelo jardim a um certo tempo, seguindo um caminho de marfim rosa ladeado de orquídeas, begônias e rosas além de outras flores que Jack jamais havia visto na vida, na extensão do jardim ele conseguia identificar macieiras, laranjeiras, cerejeiras e até mesmo um cajueiro e novamente, mais árvores que jamais viu em sua vida curiosa, ele vê o que parecia ser uma figura completamente de branco, mas ignora, poderia apenas ser sua imaginação lhe pregando alguma peça, de repente eles param, o gigante que o carregava coloca-o no chão e entra na pequena casa de campo rústica, mas elegante, que ficava no meio do imenso jardim, Jackson ergue os olhos ao perceber um reflexo no chão e constata que estavam em algum tipo de estufa, pois o teto era inteiramente feito de vidro, e pelo que ele podia ver, a armação era feita de bambu.Ao adentrar na casa todos imediatamente são arrebatados por uma paz imensa ao mesmo tempo que o cheiro de ervas invadia suas narinas, o gigante senta numa poltrona localizada no canto da sala e os pais do garoto Jack se sentam no sofá ao lado dele, estavam um pouco tensos e visivelmente cochichavam entre sí, com sorrisinhos idiotas estampados em seus rostos, mas Jack sabia que não era como eles estavam de verdade, finge não ter notado e se senta numa outra poltrona que estava ao lado da porta, passos são ouvidos e uma mulher alta de aparência e sorriso joviais surge na porta do cômodo, Jackson a reconhece na mesma hora, lágrimas surgem de seus olhos e ele vai até ela e a abraça alegre, confuso e aliviado — Jay, meu pequenino, ha quanto tempo! Você cresceu, se tornou um homem forte e bonito! — diz a mulher em um tom carinhoso e suave acariciando os cabelos do garoto que derramava rios de lágrimas, ela beija o cocuruto da cabeça do garoto e olha para os outros ali — venham, preparei algo para vocês, devem estar famintos e cansados — como num passe de mágica, todos percebem que estavam mesmo cansados e com fome, se levantam, com um ar mais leve e seguem para a cozinha, deixando avó e neto sozinhos na sala.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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