Void
5 Capítulo 4 - Negociações - Parte 2
Notas iniciais

Allison mexia em seu notebook, enquanto sua chefe, a produtora da emissora local cuidava das principais notícias que seriam transmitidas à noite no telejornal. A garota permanecia concentrada em seu trabalho quando escuta Melanie a chamando da sua sala.
— Allison?
— Sim?
— Venha cá, por favor.
A garota então se levanta da sua mesa de trabalho, segue até a porta de sua chefe e entra na sala. Allison fecha a porta, dá dois passos para frente e sorri.
— Em que posso ajudar?
— Sente-se. — Diz Melanie apontando para a cadeira vaga a sua frente. A garota obedece sua chefe e se senta, cruzando as pernas e tentando manter uma postura ereta enquanto se acomodava na cadeira. Ainda sorrindo, Allison encarava sua chefe, alta, bonita e com longos cabelos loiros sentada ali na sua frente.
— Allison, eu estava aqui pesquisando as últimas notícias e preciso de uma sugestão. Acredito que você seja a mais adequada para isso, já que uma cidadã de Beacon Hills que você conhece é manchete em vários jornais dos EUA.
O sorriso de Allison se desfaz. "Do que ela estava falando?" pensou a garota.
— Você sabe sobre os assassinatos que estão ocorrendo em Nova York? — pergunta a produtora, seu rosto era sereno e gentil.
— Claro! Os nova iorquinos estão amedrontados, alguns nem querem mais sair de suas casas! Mas não estou entendendo, qual é a relação desses assassinatos e Beacon Hills? — Questiona a garota.
— Você não sabe?! Allison, Zoey Starling está participando do caso! — Melanie falava calmamente, enquanto Allison tinha uma expressão de surpresa e espanto em seu rosto.
— Espera, Zoey... ela o quê ?!?!
A produtora entrega uma pasta branca com a matéria semipronta para a assistente e volta a falar
— Ela é a agente que está interrogando Roman Warner, o famoso psicopata!!! Esse novo assassino supostamente é seu imitador! Dá pra acreditar nisso? — falava Melanie, com uma expressão de surpresa em sua face.
— Ainda me lembro quando ela aparecia por aqui para ver você! — A produtora falava sorridente, relembrando o passado.
Allison por sua vez, suspirava enquanto folheava as páginas do material semipronto. Zoey não havia lhe contado que em seu novo trabalho ela estava lidando com um dos mais famosos psicopatas do Estados Unidos.
— A matéria irá ao ar hoje à noite! Gostaria que você concluísse ela pra mim e caso queira pode incluir algo que não está ai, sei que você é boa com as palavras. Essa vai ser a principal manchete do jornal de Beacon Hills!! — Melanie gesticulava, animada com a reportagem.
— Certamente que vai! — Fala Allison colocando a pasta em seu colo e cruzando os braços em seguida. A garota estava irritada, o que mais Zoey não havia contado para ela?
***
Zoey dirigia até a Eichen House, tinha conseguido autorização para prosseguir com as entrevistas graças ao depoimento de Barney. A garota estava quase chegando ao seu destino. No caminho Zoey percebe o quanto o dia está ensolarado, o que era raro na sua nova cidade. Automaticamente a garota lembra-se de Beacon Hills, que ao contrário de Nova York possuía dias ensolarados durante quase todo ano, com exceção de alguns dias chuvosos no inverno.
Ela sai dos seus pensamentos quando percebe que havia chegado. Zoey estaciona o carro, se dirigi ao já conhecido e enorme portão da Eichen House, tira o distintivo da bolsa e direciona-o para uma pequena câmera localizada ao lado esquerdo do portão, um pouco acima do interfone.
Os portões se abrem para a garota, seus cabelos longos e castanhos, que estavam soltos, pois ela tinha esquecido de os prender, balançavam livremente ao sabor dos ventos. Zoey usava suas famosas roupas confortáveis, estava vestindo calça jeans, uma jaqueta preta em cima de uma blusa cinza e calçava seus amados tênis all star, em seu pescoço carregava um colar bem discreto. Carregava em sua bolsa os arquivos do caso e sua arma presa em sua cintura.
Assim que entrou no salão principal avistou o enfermeiro Barney.
— Barney!! — ele sorri, a cumprimentando com um aperto de mão. — Espero que tenhamos progredido aqui! — fala a garota sorrindo. O enfermeiro sorri mais uma vez.
— O doutor Heinfield ficou furioso! Sou grato por manter meu nome no anonimato Starling.
— É o mínimo que eu poderia ter feito! Então, podemos começar? — pergunta Zoey, direcionando seu olhar para as escadas que dariam para o andar de baixo.
— Claro, mas como a primeira medida de mudança para as novas atividades com os pacientes, suas entrevistas com Roman Warner serão por aqui, me acompanhe.
Zoey acompanha o enfermeiro, aquele caminho era novo para ela, parecia que o ambiente estava ficando mais claro. A garota caminha juntamente com Barney até que os dois param em frente a uma grande porta de cor marrom, no lado direito estava um dos funcionários da Eichen, que logo abre a porta dando espaço para que os dois possam entrar. Zoey avista o novo ambiente.
O pátio era consideravelmente grande, bem arejado e possuía duas árvores localizadas nos dois lados do local cada uma. Dividindo o pátio ao meio existe um corredor aberto com arcos, o que possibilitava que quem quer que estivesse ali pudesse ficar protegido do sol forte ou de um tempo ruim. Zoey pôde ver alguns pacientes acompanhados com seus enfermeiros, alguns passeavam enquanto tomavam seu banho de sol, outros falavam coisas sem sentido e outros andavam em círculos. Alguns guardas estavam presentes. O vento circulava de forma agradável no local.
— É um progresso. — fala Barney diretamente para a garota que sorri como resposta. Realmente era um progresso, as coisas estavam melhorando, até os funcionários pareciam está trabalhando de uma forma mais adequada agora.
— Por aqui senhorita. — Gesticula o enfermeiro, apontando para uma parte mais distante do corredor. O dois seguem até o local e Zoey avista um mesa com duas cadeiras uma em cada lado. Dois guardas estavam parados, um em cada lado da mesa, automaticamente ela presumi que era ali que suas sessões com Warner aconteceriam.
— Infelizmente o doutor Heinfield não autorizou mais que 30 minutos em cada sessão, Starling.
— Está tudo bem Barney, muito obrigada! — ela sorri, se dirigi a mesa colocando seus pertences em cima dela e sentando-se logo em seguida.
— Irei buscá-lo. — Barney retira-se, deixando Zoey ali com os guardas. A garota olha ao redor, os prisioneiros a encaravam fazendo-a engolir seco. Resolve pegar os arquivos e abri-los para ler novamente.
Porém não demorou muito para Roman aparecer no pátio. Zoey o encara, e novamente percebe o quanto ele era bem mais alto de perto. Ela levanta-se em sinal de educação, nota que as mãos e pés dele estavam algemados e assim que ele sentou-se ela também faz o mesmo.
— Estarei por perto Starling. — ela assenti ao ouvir as palavras de Barney, que vai embora em seguida. Agora ela estava apenas com os guardas e Roman, que a encarava.
— Espero que se sinta mais confortável desse forma senhor Warner. — Ele coloca as mãos sobre a mesa e encosta-se na cadeira de forma ereta.
— Roman. — corrigi ele, divertindo-se com aquilo. Zoey assenti e logo em seguida fecha os olhos, como pôde ter esquecido desse detalhe? Ele por sua vez sorri do gesto bobo da garota.
— Bom, que tal um pouco mais de colaboração hoje? Nos deve respostas. — Roman suspira, olhando para os guardas, pouco à vontade com eles tão próximos dos dois. Percebendo isso, Zoey pede cuidadosamente que os guardas se afastassem um pouco.
— A senhorita é que sabe. — Um dos guardas murmura. Eles se afastam um pouco dos dois. Ela olha ao redor, preocupada com os outros detentos. Teria sido uma boa ideia ter afastado os guardas?
— Eles não vão se aproximar, se é essa sua real preocupação, senhorita Starling. — Fala Roman, como se adivinhasse seus pensamentos. — Odeiam minha presença e com certeza estão surpresos por eu estar aqui depois de 10 meses. — Warner a encarava sem parar.
— Creio que eles podem se acostumar com o tempo, então... — Zoey pega algumas fotos e uma folha de papel dos arquivos do caso e os direciona para Roman. — O que me diz sobre essa lista de nomes das vítimas desse novo assassino senh... — a garota ia falar novamente a palavra senhor, até que com muita relutância fala Roman.
Warner passa uma das mãos pelo seu queixo, antes de falar.
— É sempre tão direta assim... Zoey? — Pergunta ele, dando ênfase em seu nome, dando uma piscada para ela logo em seguida.
— Queria que eu dissesse seu nome como um forma de permissão para me chamar de Zoey. — Constata a garota. — Esperto de sua parte, mas só temos 30 minutos, podemos falar sobre o assassino?
— Creio que você é o agente de mudanças por aqui, mudanças essas que inclui meu horário de recreação. — Roman mexia na mesa, suas mãos estavam inquietas.
— Agradeça a Barney, já que parece que vocês dois costumam conversar muito. — Enquanto ela falava, Roman a encarava curioso.
— Não é da cidade, é? — Zoey coloca seus cabelos para trás da orelha e tentando mudar de assunto fala novamente.
— Sobre as mortes... — Roman a corta
— De onde você veio,Zoey? — pergunta ele dando novamente ênfase ao nome da garota. — Não se preocupe com o tempo, Barney pode fazer algo a respeito.
Ela o encara
— Porque supõe que não sou daqui? — Warner novamente passa a mão em seu queixo, aquilo parecia ser uma mania constante dele. Zoey repara mais uma vez seu rosto, percebe pela primeira vez a presença de pequenas pintas distribuídas de forma harmônica em sua face, sua pele pálida e seu nariz afiliado. Sem contar no sorriso que apesar de cínico e sarcástico, era muito agradável. De fato o sorriso dele era algo muito encantador.
— Seu tom de pele... — fala ele tirando ela dos seus pensamentos. — tom de oliva, não é algo natural de Nova York. Acho que veio de algum lugar ensolarado, estou certo?
— Sim. — Confirma Zoey, envergonhada.
— O rubor em seu rosto é muito bonito! — a garota o encara ficando ainda mais envergonhada, ela pigarreia, disfarçando sua vergonha.
— Poderia me responder? Você me deixou curioso, senhorita Starling. — Roman a olhava aguardando sua reposta.
— Beacon Hills. — fala suspirando. — Sou de Beacon Hills. — fala ela por fim. Roman voltar a se pronunciar.
— Nunca estive nessa cidade. — Zoey dá de ombros. Warner analisa sua expressão. — Não parece gostar desse lugar, estou certo?
— Basicamente. É uma cidade pequena, se você estivesse lá, todos saberiam de suas "atividades extracurriculares" — Roman sorri.
— Podemos falar das mortes? — Zoey o encara, logo depois aponta para as listas de nomes e para as fotos das vítimas. — Parece ser um imitador? Ou é apenas uma distração para nos despistar?
Roman pega as fotos e as observa. Zoey se pega observando novamente o rosto do psicopata.
— Eles estabeleceu um padrão, mas suas motivações são outras. Está vendo esses cortes? — Roman aponta para as fotos. — São golpes feitos com faca, bem um pouco abaixo da axila, uma forma rápida e prática de matar.
—Você também fazia isso senh.. — Zoey para de falar ao se lembrar de como deveria o chamar, logo em seguida conclui a frase. — Roman.
— Não todas as vezes... Zoey — ele fala seu nome propositalmente.
— Não faça isso!! — As palavras saem da boca de Zoey sem que ela pudesse controlar.
— Incomoda você? — Pergunta Warner. Ela desvia seu olhar, Roman a encarava sem parar.
— Por favor, olhe para mim. Eu gosto dos seus olhos curiosos! — Zoey volta a encara-lo
— O que dizia sobre os cortes? — A garota aponta novamente para as fotos, Roman também toca nelas, propositalmente passando seus dedos nos da garota, segurando a mão dela logo em seguida e levando em direção as fotos dos assassinatos do próprio psicopata que Zoey também tira trazido consigo junto com outros arquivos.
Zoey tentava prestar atenção no que ele estava lhe mostrando, mas só conseguia reparar em como as mãos de Warner eram quentes.
— Consegue vê? Starling? — A viagem mental da garota para quando ela percebe que ele ainda segurava sua mão e falava diretamente para ela. A garota separa sua mão da de Roman e volta a olhar para as fotos, tentando manter o foco.
— Isso é inédito!! — Falava Roman enquanto voltava a encostar seu corpo na cadeira.
— Perdão? O que quis dizer? — indaga Zoey
— Toquei sua mão, não recuou quando eu o fiz! — Ela faz cara de indiferença.
— Deveria ter recuado? — pergunta ela.
— Eu poderia ter quebrado seus dedos, ou seu braço quem sabe. Qualquer pessoa teria recuado. — Falava Roman enquanto levantava suas mãos, elas eram razoavelmente grandes.
Zoey o olha, confusa. Ele tinha razão, ela deveria ter recuado, como ela pôde ter sido tão estúpida? "Mas seus dedos eram tão quentes e... Volte ao foco Zoey!!"pensa ela que logo volta a falar.
— Poderia, mas não o fez. — Novamente aponta para as fotos. — Sobre os cortes, o que tem a me dizer? — Roman passa mais uma vez a mão em seu queixo e volta a falar das evidências.
— Por que eu fazia os cortes Zoey? — Ele indaga a olhando. Zoey olha para as fotos, morde seu lábio inferior, hábito que tinha quando se concentrava em algo.
— Para que as vítimas morressem mais rapidamente, porém isso só ocorreu umas duas vezes, perto da sua prisão. — Ele confirma, Zoey muda sua expressão.
— Ele não é seu imitador? — indaga ela, os olhos apertados e curiosos. — O que sugere? Ele não é apenas alguém que leu sobre você nos jornais. — ironiza Zoey — Ele conhece bem a aparência das suas vítimas. O que acha senh... — ela fecha os olhos e os abre rapidamente. Por que era tão difícil para ela falar seu nome? — Roman?
— Que tal um acordo entre nós dois? — a garota a príncípio não compreende. Roman volta a falar — Você responde minhas perguntas e eu respondo as suas. Então, o que me diz?
— Parece justo. Poderia começar respondendo a minha pergunta. — Ele nega. — E qual seria a graça? Vamos agente Starling, está com medo de mim?
Talvez seria esse era o jogo mental que a tinham alertado desde o começo. Tudo em Zoey a dizia para encerra a sessão naquele momento, mas ela tinha que obter mais informações sobre o assassino. Até agora a única resposta que tinha obtido era superficial demais para colocar alguém no tribunal. Ela respira fundo e fala.
— Não, não estou!
***
Allison encarava as amigas, boquiaberta, mostrando a notícia sobre Zoey que acabara de ser lançada no jornal da cidade, que aliás ela já tinha conhecimento depois de sua conversa com a chefe.
— Sabe Alli, iríamos falar sobre isso com você. – Lydia sorria tentando disfarça seu nervosismo.
— Alli, deveríamos ficar felizes. – Kira fala. – Quero dizer, é só um caso famoso e ...
— E ela não nos contou sobre ele!!!! Ou melhor, ela resolveu ligar só pra você e me esquecer!!!!! – diz Allison, exagerando nas palavras e no drama como sempre fazia.
Issac por sua vez sorri, quase gargalha. Ele tinha conseguido arrumar um tempo para visitar sua namorada e seus amigos e agora todos estavam jantando em um restaurando japonês perto da escola de Beacon Hills. O rapaz encara Allison, não entendia o motivo de tanto drama.
— Alli, desde quando a Zoey não ligar é novidade? – pergunta ele ainda a encarando. – É sempre você que liga pra ela primeiro e a gente sabe que ela não tem histórico de compartilhar a vida pessoal dela conosco. Sabemos como ela é. – Issac fala, comendo seus sushi logo depois.
— Alguém pode me explicar o porquê dessa reunião? – indagada Liam, mais concentrado em comer o que estava em seu prato do que prestar atenção na conversa.
— Estamos preocupadas com a Zoey. Quer dizer, é algo relevante! – diz Lydia
kira encara a ruiva ao seu lado, como se o que Lydia tivesse dito fosse algo bastante exagerado. A morena dirigi o olhar para seus amigos e fala.
—Concordo com o Issac. A Zoey não fez nada de anormal, vocês duas estão sendo paranoicas!! Além disso, ela prometeu tentar passar o final de semana aqui em Beacon Hills. Quem sabe ela não está guardando toda essa informação para a vinda dela no sábado? – Fala Kira sorrindo, tentando amenizar todo aquele clima de preocupação.
— E quem sabe eu não jogue esse prato na sua testa?! – Allison segura seu prato e fingi jogá-lo na direção da amiga. – Vocês não veem? Zoey teve um comportamento anormal, ela ligou para a Kira primeiro e não pra mim!! Coisa que ela nunca fez! E eu?! Fui esquecida!! – Allison sempre foi a rainha do drama.
— Você surtou Allison?! – pergunta Liam sorrindo. – Estou começando a achar que seu trabalho na emissora está te deixando mais maluca. – o pequeno argent adorava implicar com sua irmã.
— Então a Lydia também está! – Alli aponta para a ruiva que assenti.
— Eu concordo com a Alli, estou com uma sensação ruim sobre isso! –fala Lydia.
Issac dá uma olhada no seu relógio de pulso, pega sua carteira e deixa o dinheiro.
—Tenho que ir, meu plantão vai começar cedo amanhã! – Ele beija a namorada e a olha – Não fique maluca Alli! – O rapaz de despede dos amigos e sai do restaurante. Issac entra em um carro com um rapaz de pele bronzeada e cabelos castanhos escuros sentado no bando do carona.
— Quem é aquele? – indaga Lydia olhando curiosa para Allison.
— Scott Mccall, ele faz plantão no mesmo horário que o Issac. – Responde Allison, tomando um gole do seu refrigerante depois.
Todos voltam sua atenção para suas refeições, até que percebem que Kira ainda estava olhando para o carro pela janela do restaurante.
— Kira! Kira! – Allison a chama.
— Yukimura!!! – Lydia sacode a amiga pelos ombros, a morena ainda um pouco distraída e meio envergonhada fala.
— Ah? Oi? O que foi? – Liam sorri da expressão de Yukimura, que parecia bem área.
— O que foi? Diz você. Acho que alguém mais dessa mesa vai namorar um médico!!! – Brincava Liam fazendo Allison e Lydia gargalharem, enquanto Kira ficava vermelha.
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