Void
22 Capítulo 19 - Verdades e Mentiras
Notas iniciais

"There’s a cold empty room
There’s a windowless view.
There’s a me without you.
But that’s not where I belong
Through the waves of the deep
And the storms of the sea.
I have you and you me
We’re not too far gone."
Sleeping Wolf — The Wreck Of Our Hearts
Theo olha para Malia um pouco surpreso. Meses atrás ele mesmo havia suposto a mesma coisa, mas agora ouvindo aquilo saindo da boca de sua melhor amiga tudo parecia ainda mais estranho. Tate o encara esperando uma resposta, porém Raeken permanece calado. Malia decide prosseguir.
— Você já deu uma olhada nos vídeos de vigilância da Eichen House? Os dois pareciam bem próximos. Quer dizer, por qual outro motivo Warner seria tão generoso com as informações? – Fala ela encarando a expressão séria de Theo. – Qual é?! Vai dizer que nunca pensou na possibilidade?
Theo suspira e a encara.
— Claro que pensei, mas não vou discutir isso com você Malia. Sério, estamos quase prendendo alguém dentro do FBI. Temos prioridades e ...
O sorriso sem humor de Malia interrompe o agente.
— Você é cego? – Pergunta Tate cruzando os braços, o olhar no amigo.
— O quê?
— Theo, eu acabo de dizer que Warner está apaixonado pela Zoey e você começa a falar sobre o Paul Krendler e como grandiosamente vamos prender ele.
Raeken suspira, passando a palma da mão pela testa.
— E por que eu ligaria se o Warner está apaixonado pela Zoey? Isso prova o quê? Hein? Que ela conseguiu as provas que precisava para solucionar o caso? O que você quer que eu diga? – Raeken fala e logo depois abre a porta do carro. Malia entra irritada. Ele entra e senta no banco do motorista.
A agente Tate lança seu olhar para ele.
— Você está mais idiota do que fica quando fala com ela. O que aconteceu? Ela te dispensou outra vez? – Malia sorri com a própria pergunta enquanto mexia em seu celular.
Theo liga o carro, começando a dirigir pela cidade.
— Não, não foi nada. Além disso, por que não pode ao menos tentar gostar dela?
— Só porque você ta apaixonadinho? Qual é! Por que não fala para ela de uma vez? – Tate olha para frente, distraída.
— Eu já falei. – Declara ele fazendo sua amiga o encarar de repente. Sua expressão muda.
— Quê?
— Eu disse para ela. Bom, eu meio que falei as pressas e dei um beijo rápido nela. Ela ficou meio sem saber o que responder. – Explica Theo.
Malia ainda o encarava quando começou a se sentir estranha. Ela se encosta melhor no banco do carro e fica em silêncio, processando as palavras do amigo.
— Você tá bem? Malia?
— Eu... – Ela pigarreia, disfarçando. – Eu só estava pensando no filme. – Diz ela, suspirando.
Theo continuava dirigindo enquanto a agente observava o caminho pela janela, tentando entender por que as palavras do seu melhor amigo estavam doendo tanto dentro dela. Ela olhava os carros passarem. Ele concentrado na estrada, não se dando conta de que Tate estava imersa em seus próprios pensamentos, tento quase certeza do por que de não conseguir ser amiga de Starling.
***
Liam tentava resolver um exercício de matemática quando Allison aparece na porta do seu quarto. O garoto logo joga uma almofada na direção da irmã.
— O que você quer Alli? – Ela revira os olhos, ignora a ação do irmão e se senta na cama perto do caçula.
— Estou resolvendo como vai ser nosso natal esse ano, estou cansada de todos os anos o Natal ser aqui em casa.
— Por quê? Você e Lydia sempre decoram toda a casa e blá blá blá blá. – Ela dá uma tapa de leve no braço do irmão.
— Exatamente. Esse ano temos que mudar, fazer uma coisa nova e juntar todo mundo para comemorar e comprar presentes. – Diz ela animada.
— Se a Lydia for a pessoa que vai me dá uma caixa de chocolates e tentar me convidar para sair outra vez eu me jogo pela janela!
Os dois sorriem com as palavras de Liam.
— Até parece que você não gosta dos chocolates. – Ele a encara com cara de poucos amigos. – Ah ta bem. Pode chamar o Mason se quiser, melhor? Aliás, eu tenho uma nova idéia.
Allison se levanta da cama do irmão.
— Qual é a ótima idéia dessa vez? Vou ter que me vestir de Papai Noel ou o Isaac vai fazer isso?
— Não seu bobo! Vamos passar o natal na casa da Zoey, o que acha?
— Em Nova York? – Pergunta ele confuso.
— Não, aqui na casa da senhora Rachel. O que acha? Só assim ela vem.
Liam a encara.
— Você está fazendo isso só para encurralar a Zoey para ela contar para você o suposto segredo que ela possui? Alli! A gente nem sabe se ela realmente está escondendo alguma coisa. Você que está dando uma de maluca!
— Eu não estou sendo maluca! Só quero que ela pare de não me dizer a verdade, só isso. – Diz Allison, sorrindo para o jovem jogador de lacrosse.
— Ainda é pura maluquice! – A irmã dá de ombros.
— Vai ser um ótimo natal, você vai ver. – Diz ela, saindo do quarto dele.
***
Ainda chovia em Nova York. O tempo estava mudado constantemente, não demoraria para a neve cair pela cidade, o inverno estava chegando.
Zoey ainda encarava Roman esperando que ele falasse um pouco mais sobre sua vida. O rapaz suspira, apoiando a cabeça no travesseiro branco presente na cama da garota.
— Está ignorando minha pergunta? – Indaga ela ainda encarando os olhos dele.
— Não e sim ao mesmo tempo. – Roman fala um pouco hesitante. – Eu contei tanta coisa para você Starling, tanta coisa que eu não mencionava para alguém e tentava não lembrar há muito tempo.
— Eu sei. É que bom... – Roman a encara. – só foi uma tentativa de te conhecer um pouco mais.
Ele sorri.
— E também para parar de pensar nas fotos e tentar se acalmar, estou certo?
Ambos sorriem.
— Talvez. Mas você não parece preocupado com tudo isso, como consegue? – Pergunta ela se levantando da cama indo até o armário.
Roman dá de ombros e a observa. Antes de falar ele vê a agente pegar algumas peças de roupa secas. Será que uma das peças seria uma camisola? Ainda curioso ele a responde.
— Tem razão, eu não estou preocupado com as fotos. Estou alarmado em relação a sua segurança.
— Isso não inclui minha segurança? – Ela aponta para as fotos agora espalhadas no chão.
Warner fecha os olhos e volta a falar.
— Zoey, vamos resolver isso ok? Só preciso pensar antes.
Ele ainda estava de olhos fechados quando a garota entra no banheiro, tira as peças de roupa molhadas e toma um banho rápido. Depois de colocar o conjunto dos smurfs, ela penteia os cabelos molhados, se olha no espelho e abre a porta do banheiro. Ela dirigisse até o cesto de roupas sujas e coloca as peças lá dentro.
Roman abre os olhos e a observa. Starling tirava os brincos pequenos e os guardava na caixinha de jóias perto da escrivaninha. Ao se virar, a garota se depara com o olhar de Warner.
— O que foi? – Ela pergunta ficando vermelha aos poucos. Ele sorri de um jeito sedutor. – É só um pijama. Sabe, não é como se eu estivesse só com peças íntimas.
— Eu olharia para você do mesmo jeito mesmo se estivesse com um saco de lixo na cabeça, Zoey. – Declara ele, mordendo o lábio e indicando com a mão que ela ocupasse o lugar vazio na cama. Timidamente a garota se senta cama, Warner antes deitado agora repete o gesto dela.
— Para. – Pede ela envergonhada com o olhar nada inocente de Roman. — Sério!
Ele pega o queixo da garota e puxa seu rosto delicadamente.
— Não fique envergonhada, por favor.
O assassino inclina seu rosto em direção ao dela, a beijando. Ela corresponde e o beija delicadamente enquanto ele a puxava para mais perto.
— Achei que usaria camisola hoje. – Diz ele em meio ao beijo.
— E você está sem camisa hoje. – Fala ela rindo.
— Viu? Você não vai ter trabalho nenhum. – Ela o empurra de leve ainda sorrindo. – Uma vez você disse que adorava o meu sorriso. – Roman fala beijando a testa da garota. – E para falar a verdade eu também adoro o seu.
Zoey suspira feliz, sentando no colo dele e encostando a cabeça no ombro de Roman. Warner pega as mãos delicadas dela e começa a dá pequenos beijos, ela dá um riso leve. A garota pega seu celular e começa a mexer no aparelho, o psicopata sussurra no ouvido da garota.
— Confesso que deu uma olhada em suas novas músicas.
Zoey largar o celular na cama e olha para ele espantada.
— Eu gostava dessas músicas antes. Não tem nada haver com fato de você e eu...
Warner gargalha.
— Eu não mencionei nada. Mas agora que você falou isso estou curioso, senhorita Starling. Baixou essas músicas românticas por que estava pensando em mim?
Ela nega.
— Claro que não. Não, nada disso. – Ela sorri nervosa, tirando os cabelos molhados do rosto. – Não. – Repete ela. Warner faz carinho em sua face.
— Eu sei quando mente. – Ela fecha os olhos, derrotada. – Não precisa se envergonhar. – Fala ele. Ela por sua vez sai do seu colo e cobre o rosto com um travesseiro.
— Ei, ei. – Roman tira o travesseiro de cima da face dela. – Starling? – Ela o encara. – Pensa em mim quando as escuta?
Ela faz uma careta. Envergonhada, a garota direciona o olhar para as próprias mãos.
— Já sabe a resposta então... – Ela dá de ombros, sendo surpreendida por um beijo rápido. – Você está fugindo da minha pergunta. Está me distraindo, como sempre faz.
— Você já sabe a resposta, eu contei tudo a você.
Roman passa a mão pelo rosto e cabeça, os cabelos aos poucos secando.
— Não é isso que quero fazer, não quero pensar sobre isso. — Ele se aproxima do rosto da garota e sussurra perto dos lábios dela. — Aliás, nem temos que pensar em nada hoje, Starling.
O coração da agente começa a martelar e a respiração a falhar.
— Não, não. Eu quero conversar. – Ela morde o lábio. Ele a olha maliciosamente.
— Mentirosa. – Diz ele aproximando seu rosto dela.
— Você pode parar de me olhar desse jeito, por favor? – Pergunta ela. Roman sorri.
— Não dá. – Diz ele. – Mas se quer conversar, estou disposto. Porém com uma condição.
Ela cruza os braços.
— Que condição seria essa?
Warner começar seus beijos, beijando o queixo da garota. Zoey fecha os olhos, sorrindo, sentindo as mãos dele em sua cintura.
— Quero falar sobre você. – Ambos voltam a se encarar.
— Respondi milhares de suas perguntas na Eichen House lembra? Aquelas perguntas foram todas sobre mim. – Diz ela sincera.
— Eu não sabia sobre sua cicatriz nas costas na época.
Starling o encara mais uma vez.
— Cicatriz? Como... – Começa ela confusa.
— Você sabe, eu sou um ótimo observador. Ela é quase invisível mas eu notei. É parecida com as minhas.
Ela engole em seco. Estava um pouco insegura e encarava o vazio. Zoey se afasta um pouco.
— É. Você é bem reparador. – Afirma ela fechando os olhos. – Tenho ela faz um tempo, muito tempo na verdade.
Os dois se olham.
— Isso não muda nada para mim. – Diz ele em relação a cicatriz. – Você é genuinamente linda, não deveria ter vergonha disso.
Starling sorri, porém um pouco triste. Após minutos de silêncio, as palavras voltam a encher o quarto.
— Ele chegou bêbado em casa naquela noite, como sempre. A diferença era que estava agressivo demais. Ele chegou falando muito e isso me fez acordar. Eles dois brigavam feio no corredor. No fundo eu sabia que ele nunca hesitaria em bater nela.
Roman assenti, sabia que as pessoas de quem Zoey estava falando eram seus pais.
— Ela ameaçou o abandonar. Ele segurava uma garrafa de bebida na mão. Eu me levantei da cama e fui ate lá, gritando para os dois pararem. Nenhum deles me escutava. Minha mãe chorava, ele estava falando coisas horríveis pra ela. Meu pai a empurrava sem parar. Ela estava tão perto de cair da escada, tão perto.
Zoey enxuga seus olhos marejados.
— Então eu fiquei desesperada, não queria que ele a machucasse. Acabei indo para frente e gritei com ele.
Roman prestava atenção em cada palavra dela.
— Ele jogou a garrafa na escada. Bêbado e gritando, ele me empurrou com raiva e força para a escada.
Ela pigarreia, evitando olhar Warner.
— Foi assim que conseguiu a cicatriz. – Afirma ele em um tom baixo na voz.
— Na época tive várias. Até cheguei a desmaiar uma vez. Mas com o tempo todas elas saíram, menos essa que você viu. – Diz a garota por fim, olhando para a cama.
Warner beija sua bochecha, enxugando as lágrimas em seu rosto.
— Isso passou. E agora sou eu que estou com você aqui, Starling.
Ela deposita sua cabeça no ombro dele, fechando os olhos. Segundos depois seu celular toca. A garota se afasta de Roman para atender, porém ela perde a ligação. Zoey olha no visor do aparelho, era Allison.
— Ah não. – Diz ela deitando na cama.
— O quê? A Allison ligando para saber seus passos? – Pergunta sarcástico.
— Não é bem assim Roman. – Zoey o encara. – É só que ela gosta de detalhes demais.
— Sobre seu novo namorado? – Pergunta ele. – Deveria mencionar que ele é inteligente, bonito, até demais, charmoso. – Starling o encara parada, um sorriso se forma em seu rosto e sem perceber a garota estava sorridente, até demais.
— O quê? O que foi?
Zoey pega o rosto de Roman com as duas mãos.
— Você acabou de dizer que é meu namorado? – Ela sorria de um jeito bobo.
Warner sorri.
— Eu não deveria dizer isso, Starling? Quer dizer, eu posso retirar a frase se quiser.
Ela nega beijando seu rosto sem parar.
— Não! Eu gostei da frase! – Eles dois olham um para o outro.
— Vem cá. – Ele a derruba de leve na cama, distribuindo beijos no rosto delicado da garota. Ela ri.
— Para, para. – Zoey tentava falar enquanto gargalhava.
O assassino para e passa a olha de um jeito malicioso, beijando seus lábios depois.
— Você tinha mesmo que colocar um pijama dos Smurfs? – Pergunta ele a encarando, fazendo ela rir abertamente.
— O que tem os Smurfs? – Indaga ela em meio as risadas.
— Eu gosto deles, acho até fofo mas... – Ele volta a beijá-la. – Vou ter que confessar que prefiro você sem eles.
— Para com isso. – Zoey esconde o rosto com as mãos.
— Hum? Isso o quê? – Ele começa a beijar o pescoço da agente.
— Sabe, aquela caixinha da música é sua? Você a ganhou ou comprou?
Warner para os carinhos e apóia sua cabeça em sua mão direita.
— Não. Era da Mischa. Uma das únicas coisas que ela realmente gostava. Adorou ela, não é?
Zoey olha para o teto do seu quarto.
— A música me acalma.
O celular volta a vibrar, dessa vez era uma mensagem. Zoey se vira e pega o objeto para verificar. Era sua melhor amiga.
“Natal na sua casa em B.H. O que acha? Esperando sua resposta. Beijos, Alli.”
Starling fica pensativa. Deitando sua cabeça no travesseiro. Warner a encara, pegando suas mãos logo depois.
— Por que essa carinha? – Starling desabafa.
— Por que comemorar o natal na minha casa em Beacon Hills? Sempre passamos na casa da Lydia. Juro que se ela estiver atrás de explicações eu mato a Alli! E por que ela tem que ser sempre uma boa detetive?
Ela suspira.
— Você poderia fugir do natal em família, não poderia?
Ela nega.
— Não sabe como elas são. São muito persistentes.
A agente olha para a janela, ainda chovia. Ela pega o lençol e se cobre, olhando os ursinhos que estavam espalhados pela cama.
Roman observa as fotos de Zoey, sua mãe e das amigas distribuídas pela estante.
— Sua vida parecia ser muito boa em Beacon Hills. – Diz ele. – Porém odeia ir para lá. – Warner a abraça de lado. – Não é só seu pai, não é?
— Não.
Ela fecha os olhos, se virando e abrindo os olhos para encarar seu namorado nada perfeito.
— Minha vida não era perfeita, Roman. Mas as vidas delas são. Eu não as invejo de um jeito ruim, eu só queria que eu tivesse o que elas sempre tiveram.
— E o que seria Starling?
Warner acaricia o rosto da garota enquanto fazia as perguntas.
— Uma família estruturada. Um irmão. – Fala ela lembrando das meninas e do Liam. – Sabe, eu até achei que fazia parte da família da Alli. Mas isso nunca aconteceria, entende? Por mais gentis e acolhedores que fossem, eu sabia que não era uma Argent. Eu não sou a Alli.
— Está tentando me dizer que já desejou ser sua melhor amiga?
— É, já.
A agente sorri.
— Popular, bonita. – Eu a amo demais. A adoro, mas cá entre nós, eu não posso negar. Ele teve e tem tudo o que eu nunca tive.
Roman a encara.
— Eu consigo entender, só não concordo. Eu duvido, me recuso a acreditar que supostamente você sempre foi a sombra dela.
Ela dá de ombros.
— Eu não diria sombra. Ela não percebia e tampouco eu contava. Não tinha coragem de dizer que me sentia inferior a ela ou que eu queria ter uma família igual a ela. Ou que eu estou tentando dizer é que voltar pra lá, para Beacon Hills só me lembra que nunca fui nem fiz nada importante. Roman, eu amo as minhas amigas mas eu nunca vou ser igual a elas. Nunca vou pertencer ao estilo de vida daquela cidade. Eu me sinto presa, sufocada, medrosa, covarde e...
Roman segura as mãos dela.
— Você não está em Beacon Hills, não mais. Você deixou isso para trás, deixou essa parte da sua vida ir embora, ok?
Zoey fecha os olhos, sentindo o calor das mãos dele.
— Na verdade, eu fico feliz que você não seja a Allison.
Ela abre os olhos.
— Ah é? Por que exatamente?
— Não teríamos nos conhecido e eu não acharia você tão encantadora assim nem tão interessante.
Ela dá uma risada.
— Como pode ter tanta certeza assim? Nem a conhece. Quem sabe não iria ter uma queda por ela. – Roman a olha charmosamente.
— Eu não preciso, conheci você. Isso já é o suficiente, Starling. E pode por favor parar de se diminuir? Eu não sei como não consegue realmente entender o que eu acho de você.
— E o que acha de mim?
Warner suspira, encostando sua testa na dela.
— Quando eu olho para você eu...eu... me desarmo. Eu perco minhas forças. Você me destrói agente especial Zoey Starling. E tudo o que consigo pensar é em como eu...eu...
Ele para e a encara.
— Em como eu preciso de você.
Zoey o silencia.
— Não diz isso. Não fala essas coisas, não brinca comigo Roman.
Ela pega o ursinho azul. Ele beija delicadamente a bochecha da garota.
— Não brinco quando falo sobre você, sobre o que sinto por você.
Starling pega as mãos grandes de Roman e beija, deitando-se em seu peito. Ele desliga a luz do abajur. Delicadamente as mãos de Zoey passam pelo peitoral dele e depois vão até o rosto cheio de pintinhas. Ele fecha os olhos, abrindo o sorriso preferido dela. Ela toca em seus lábios, no nariz e de repente lembra de que tudo pode acabar que existem muitas coisas incertas ali.
Ele era seu namorado, mas até quando? Ela passaria a vida toda daquele jeito? Ela não queria perder ele! Mas tudo indicava que era difícil era impossível ter um futuro com ele. Ele continuava a tocar o rosto de Warner, mas sua visão começa a ficar turva com as lágrimas que se acumulavam em seus olhos.
Seria natal em dias e ela passaria longe dele. Longe da pessoa que gostava de quem era ela. Uma pessoa que era um assassino e por mais que ela negasse ele ainda tinha um lado negativo, sombrio.
Uma lágrima cai de seu olho. Zoey para de tocá-lo para enxugar seu rosto. Warner abre os olhos.
— Zoey? Ei! – Ele ajuda ela a limpar o rosto.
— Eu só pensei demais,só isso.
Ela volta a tocar a face dele. Warner passa as suas mãos grandes nas costas dela. Zoey fecha os olhos.
— Ontem você disse que foi a melhor noite que teve. – Começa ele. Ela assenti confirmando. – Pode me perdoar então?
Ela não compreende.
— Pelo o quê?
Roman tira os longos cabelos de cima do pescoço dela.
— Eu não disse á você que também foi a minha melhor noite, senhorita Starling.
As bochechas da agente ficam rubras e mesmo no escuro era notório o constrangimento dela.
— Seja o que estiver pensando, eu gostaria de lhe interromper. – Diz ele, continuando logo depois. – Eu preciso de você. – Os olhos dele ficam desejosos. – Eu quero muito você.
Ele se inclina para frente a beijando de forma intensa para a surpresa da garota. Ela corresponde, tocando seu rosto. Ela a puxa para mais perto, sem parar os beijos. Suas mãos deslizam para as costas de Zoey. Ela coloca suas pequenas mãos ao redor do pescoço de Warner.
— Você vai bagunçar meu cabelo, não é?
Os dois sorriem, parando por um momento o beijo. O assassino volta a beijá-la, deslizando as suas mãos pelo corpo da garota.
***
Acariciando as costas nuas de Zoey, Roman sorria. Ele inclina-se e começar a tirar cabelos da garota e beija o pescoço dela. Starling começa a sorrir. Ele continua beijando as costas. Com as cócegas ela dá uma gargalhada.
— Alguém tem cócegas. – Fala continuando a atitude.
— Para, para. – Ela diz rindo se virando para olhá-lo de frente. – Sem cócegas.
Ele faz bico.
— Sem graça. – Warner sussurra com sua voz rouca. Starling revira os ohos.
— Alguém está de bom humor. – Diz ela cobrindo seu corpo com o lençol azul, dando uma olhada nas horas. Roman a observa, encostando sua cabeça no travesseiro.
— E por que eu não estaria? – Pergunta ele, vendo a garota tentando colocar a parte de cima do pijama. – Ei, não, não. – Ele a puxa para si.
— O quê? – Zoey pergunta sem entender. – Eu só ia colocar a roupa.
— Não precisa, não estrague o momento. – Ele volta a beijar os lábios dela. Zoey corresponde beijando o rosto do rapaz indo ate seu pescoço. Ele sorri, a apertando mais contra o corpo.
— Isso é injusto. – Zoey diz dando um selinho nele por fim. Roman morde o lábio inferior.
— Eu adoraria que continuasse Starling. Sabe, só um pouco mais. – Ele faz uma cara fofa.
— Não. Nem vem, Roman. – Ela pigarreia. – Tivemos momentos demais por hoje.
— Nem tantos assim. – Ele sorri cinicamente. – Adoro quando bagunça meu cabelo, sabe nós dois...
Zoey arregala os olhos jogando um ursinho nele. Warner gargalha.
— Nunca vi você... – Ela pigarreia. – Solto desse jeito. – Ela faz uma carinha. Ele se senta, dando selinhos na boca da agente enquanto falava:
— Eu...Estou...Feliz. Você...Me...Faz...Feliz. – Roman iria continuar até que ela o silencia com o dedo indicador posto de frente ao lábios dele.
— Você vai ficar? – Ela pergunta esperançosa.
Warner suspira fechando os olhos.
— Eu preciso ir atrás da pessoa que enviou essas fotos.
Ela nega.
— Não, não. Claro que não. O tribunal é daqui a alguns dias e vamos prender o Mason. Não vá atrás de ninguém Roman, é sério!
Com as mãos grandes ele afasta as mexas castanhas do rosto delicado da garota.
— Eu não vou prometer isso. Eu não posso.
Zoey tenta virar o rosto, impedida por ele.
— Zoey, ei, ei!
Ela o encara, uma expressão contrariada.
— Sabe que Verger pode anular esse tribunal a qualquer hora.
— Está chovendo, trovoando. E alguém pode aparecer aqui e você vai mesmo embora? – Diz ela manhosa. – Eu vou ficar sem você no natal e...
— E? – Ele dá um sorrisinho, se cobrindo com o tecido azul. Ela senta em seu colo.
— Fica, por favor. – Ela dá um beijo leve no rosto dele. – Por favor. – outro jeito.
— Você é a criatura mais perigosa que já conheci. – Ele comenta a fazendo abrir um longo sorriso.
— Isso é um sim? – Ele a olha, não sabendo como negar. – Por favor...
— Até você dormir, pode ser? – Ela o encara, fazendo careta.
— Não, é um péssimo acordo. Terrível na verdade.
Ele puxa seu queixo delicadamente, aproximando os rostos.
— Tenho uma coisa para lhe contar. Na verdade é algo muito importante. – Roman diz, lembrando das passagens. – Depois do natal, eu quero muito falar sobre isso.
— Só depois do natal? – Ela pergunta curiosa. –Mas por quê?
— É uma surpresa, pode ser paciente e esperar? Ou melhor, não morrer de ansiedade?
Warner beija de leve o ombro dela.
— Acho que pode tentar. E não fuja da pergunta. Dorme aqui, Roman. – Fala ela manhosa enterrando seu rosto no pescoço dele.
Ele sussurra em seu ouvido.
— Você me pedindo desse jeito... me convence. – Ela volta a encarar ele.
— Jura? Vai mesmo ficar? A noite toda?
Ele faz que sim com a cabeça. A agente o beija de leve, ele retribui ainda sorrindo.
Roman pega o urso azul.
— Qual é o nome dele? Não me diga que é Tedy, ou Senhor Urso. Seria terrível.
Ela sorrir pegando o bichinho de pelúcia.
— Não. Não é nenhum desses dois. O nome dele é Oliver e é meu ursinho favorito.
Diz ela o colocando em um canto da cama. Roman dá um longo sorriso.
— Só falta você trazer os biscoitos e o leite para ele e os outros. – Diz ele sarcasticamente, brincando com o lado meigo da garota.
— Não tem graça, nadinha. Você nem é tão mais velho assim.
— Não sou? – Ele roça o nariz dele no dela. – Não?
— Não.
Os dois se deitam na cama. Starling boceja involuntariamente. Warner a puxa para que ela fique deitada sobre seu peito. Prevendo que iria dormir, ela resolve dizer umas palavras.
— Roman?
Ela encara os olhos âmbar dele.
— Sim, Starling?
Ele dá um meio sorriso acariciando o rosto dela, Roman estava quase dormindo.
— Você também me faz feliz.
Ela sela os lábios dele com um beijo longo e depois fala:
— Boa noite.
Feliz e sorrindo Roman inicia o carinho nos cabelos da garota. Ela fecha os olhos.
— Boa noite.
Fala ele, ajeitando o lençol para que cobrisse ambos. O assassino se acomoda melhor na cama e fecha os olhos, não parando os carinhos até o sono lhe dominar.
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