Void
8 Capítulo 5 - Fantasmas - Final
Notas iniciais

Malia e Theo saiem do carro, a agente resmungava sem parar.
— Esse lugar é bem acolhedor. – Afirma Malia ironicamente. – Não acredito que a novata irritou o doutor outra vez! – Theo aperta o interfone.
— Se for verdade sobre a rebelião temos que limpar o nome do FBI. Como o doutor ousa dizer que talvez sejamos os responsáveis por essa confusão?
— Culpa da novata, simples assim.
— Tate, não exagere. — Fala Theo repreendendo a parceira. Uma voz soa pelo interfone.
“ Possuem hora marcada ? Vieram visitar algum paciente? “
— FBI. Agentes Raeken e Agente Tate, temos hora marcada com o doutor Heinfield.
Os portões se abrem e ambos entram na instituição.
***
Zoey pega seus pertences e abre a porta da enfermaria.
— Para onde vai Starling? – O enfermeiro indaga.
— Preciso vê o Warner, Barney. – Assim que a garota se vira ela dá de cara com Malia e Theo.
— O que estão fazendo aqui? – Malia revira os olhos com a pergunta da garota e logo em seguida a empurra para dentro da sala.
— Estamos salvando sua pele novata. – Murmurra Tate enquanto fecha a porta. Theo dirigi seu olhar para Zoey.
— Craford nos enviou. Heinfield não quer você aqui, viemos oficialmente exigir o direito de continuar a investigação.
— Ótimo! – Zoey olha para o enfermeiro. – Não podemos deixar que droguem o Warner.
— Quê? – Malia indaga a garota, porém Zoey sai da sala decidida a terminar seu trabalho.
— Starling, espera! – Grita Theo, tarde demais, a garota não escuta seu chamado.
***
O enfermeiro estava prestes a injetar a agulha da seringa na veia de Roman quando Zoey entra na sala.
— O que faz aqui? Não tem autorização para isso? – Declara o enfermeiro. Zoey mostra sua identificação temporária para o funcionário. Ele por sua vez não nota que a identificação da garota é provisória.
— Dois agentes do FBI estão indo nesse momento falar com doutor Heinfield na sala dele. Se caso pretende continuar com seu emprego e não ser preso por desacato, sugiro que pare agora e saia da sala imediatamente.
O enfermeiro larga a seringa e sai da sala. Zoey por sua vez suspira, cruzando os braços logo em seguida. Roman a encara.
— Talvez ele não tenha percebido que sua carteira é provisória. – Diz ele sorrindo.
— Talvez. – Fala ela guardando o documento no bolso de sua calça jeans. – Heinfield pretende colocar você de volta naquela cela sem privilégios outra vez. Isso consequentemente vai atrapalhar as investigações.
— De fato. – Roman olha para as ataduras nos pulsos de Starling. – Barney? – Pergunta ele e ela assenti.
Zoey pigarreia um pouco antes de falar.
— Sabe de mais alguma coisa? Precisa me contar.
Ele fecha os olhos por um breve momento, voltando a abrí-los sem dizer mais uma palavra. Zoey irrita-se.
— Se não quer ajudar porque fez o que fez hoje? Roman, outras pessoas podem morrer!
— Eu não ligo para as outras pessoas. – Ele finalmente fala.
— Então qual é o motivo de todos esses interrogatórios? Eu não acredito em você!
— E não deveria. Mas até agora tudo o que eu disse á você é verdade. Porém você Starling, tem evitado uma única coisa que peço em troca. – Declara ele a olhando.
— Não é hora de perguntas e respostas, a investigação está comprometida Warner! – Roman a olha cinicamente e novamente fica em silêncio. Zoey bufa, estava esgotada. O barulho da chuva ainda podia ser ouvido do lado de fora. O silêncio predomina no local.
— Eu não sei. – Susurra ela quebrando o silêncio. – Este é o problema. Eu não tenho uma resposta, eu não tenho! – Declara a garota, apoiando-se em uma mesa próxima a ela. Ela olha para o chão, pensativa. Depois de um tempo, lembra-se do que tinha ido fazer ali.
— Obrigada. – Fala Zoey agradecendo a Warner por ter lhe salvado de Biggs momentos antes. Ela se dirigi a porta, estava indo se retirar.
— Eu adoraria ter uma vista. – Zoey volta a encará-lo. – Ter uma paisagem, quem sabe. – Roman pisca para ela. – Eu sei que foi honesta ao dizer que não possui uma resposta, Starling. Mas não precisa ser uma reposta que me agrade, talvez me odeie depois de hoje, eu não sei. Também não sei se é a última vez que lhe vejo, eu realmente espero que não.
— Talvez seja. – Sussurra ela olhando para a janela e a chuva lá fora.
— Porque ainda está aqui? Não vou lhe dar respostas que a levem para o assassino.
— Eu não desisto fácil, Warner. – Ele sorri com a declaração da garota.
— Sei que não, mas gosto de acordos e de belas vistas. – Zoey consegue captar o que ele quis dizer.
— Acha mesmo que Heinfield permitira que saísse da Eichen House?
— Você pode tentar, Starling. Não queremos que mais alguém morra não é? –Ela o olha, estava frustada.
— Não posso prometer que irá sair deste lugar. – Gesticula ela. – Eu nem sei se conseguirei entrar para a Academia, Roman. – Fala Zoey, mas como um pensamento que estivesse escapado de alguma maneira. – Se sabe de algo mais... – ela tenta mais uma vez arrancar alguma informação a mais de Warner. Estava exausta, os cabelos soltando do seu rabo de cavalo. – Meu tempo por aqui não é grande, em minutos os guardas, enfermeiros até o FBI e o Heinfield podem entrar aqui. Pode repensar no que estou llhe pedindo? – Pede ela o olhando nos olhos.
— O tempo nunca está ao nosso favor não é mesmo? A minha proposta está de pé, pode reconsiderá-la senhorita Starling? – Pergunta Roman que tentava ao máximo permanecer ereto, mesmo estando preso em uma cadeira.
— Isso não depende de mim. – Fala Zoey, colocando sua mão direita em sua testa. – Quando eu sai dessa sala terei que enfrentar uma quantidade considerável de perguntas, Warner. Eu não estou em uma posição de pedir mandatos de transferência.
Ele sorri de maneira leve, um sorriso que Zoey nunca tinha visto e escutado dele. A garota fecha a cara. Será que ele estava rindo dela? Será que Roman a estava vendo agir como uma criança? Uma criança desesperada e falante como uma tagarela? Se Zoey saísse daquela sala, toda a criancísse iria ser confirmada. Ela ergue a cabeça e o encara, até ele se recompor.
— Seu rosto me diz que não gostou da minha atitude. – Ele avalia a situação, sua mudança facial é repentina e logo Roman tenta justificar-se. – Não estava rindo porque senti pena de você ou insegurança...
— Eu não ligo para o que você pensa Warner. – Ela rebate, não iria deixar ele controlar a situação, como seu estado de humor e ânimo dependesse dele.
— Ah não? Tem certeza? – Ambos se encaravam, até que Zoey desvia o olhar. Como ele conseguia encará-la de maneira tão intensa sem piscar?
Zoey sentia-se completamente exposta para ele, como se de alguma forma ele soubesse as verdades e as mentiras que saiam de sua boca.
— Seu silêncio é pertubardor e ao mesmo tempo intrigante.
— Barney tem razão.Você é bem tagarela quando quer! – Roman levanta a sobrancelha direita, foi pego de surpresa, porém a garota não se dá conta da fragilidade do assassino.
— Talvez sua vontade de se expressar seus pensamentos seja tão grande que acaba fazendo isso, acaba desenhando o que pensa e o que sente. – Fala ela de forma sincera. Ele por sua vez a olha, dando um meio sorriso. Quando ele tinha perdido o controle da situação?
— Então você e Barney falam sobre mim? – Zoey continua o jogo de perguntas de Warner.
— Então o que eu acabei de falar é verdade? – Indaga ela sem desviar o olhar.
— Desde de quando em me tornei o foco de suas análises? Não foi para isso que veio aqui Agente. – O olhar cínico presente na face de Warner.
— Desde que começou seus jogos Warner, eu não caio neles. Não funciona. – Fala Zoey dando de ombros.
— Isso tudo para disfarça que estava preocupada comigo? Preocupada em como retribuir porque salvei você hoje?
— Eu já disse obrigada e diria outra vez. – Declara ela. – Mas a questão é que sabe de algo a mais e eu vou obter repostas.
— Eu não recusei falar, só ofereci uma outra negociação. Cabe a você repensar nela ou deixar uma nova onda de mortes pesar sobre você. – Fala ele cinicamente.
Zoey suspira, anda em direção a porta e segura a maçaneta.
— Obrigada pela cooperação, Warner.
Eles se olharam, talvez a última troca de olhares ao que tudo indicava. Roman permanece em silêncio. Zoey fecha a porta e prossegui andando, pronta para ouvir o veredito sobre sua participação no caso. Aquele foi um dia certamente um dia estressante e extremamente longo.
***
Allison tinha acabado de chegar em casa. Coloca as chaves do seu carro na mesa perto da porta, tira o celular da bolsa e o olha novamente, nenhuma mensagem da melhor amiga. A garota resmunga. Pelo barulho que vinha do primeiro andar da casa a única pessoa que deveria está na sua residência deveria ser o irmão, provavelmente jogando videogame em seu quarto. Ela sobe as escadas, tirando seu casaco no caminho e batendo na porta do cômodo.
— Liam? – Pergunta ela ouvindo o alto volume do jogo. – Liam! – Allison entreabre a porta fazendo com que seu irmão a veja.
— Ah? – Diz Liam distraído, assim que vê a irmã logo fala. – Tchau Allison!
Mesmo com a rejeição rotineira do irmão ela entra em seu quarto.
— Droga Alli!!! – Liam pausa o jogo. – E o que eu fiz dessa vez? – Ela dá de ombros, sua expressão era triste e Liam percebe isso.
— O que foi? Você foi abduzida? Ou brigou com o Issac? – Pergunta Liam. Allison revira os olhos com as perguntas do irmão.
— Quem dera. Se afasta. – Fala ela já sentando-se no chão perto do irmão.
— O que você está querendo? – Liam questiona, geralmente ambos viviam se alfinetando.
— Nada. – Sussurra ela. – Lembra quando eu, você e a Zo dormíamos aqui? Dividíamos o quarto. – Ela sorri de leve, Liam logo entende o que estava acontecendo.
— Alli, a Zo não está trocando você e nem preferindo a Kira e muito menos tendo uma vida ultra secreta. – Ele gargalha com sua piada fazendo a irmão gargalhar também.
— Eu sei, é que eu sinto tanta falta dela. – Allison olha para a foto no porta retrato presente na cômoda do quarto do seu irmão. Lá estava os três: Zoey, Allison e ele. – Você não? – pergunta ela, voltando o olhar para o caçula.
— Claro que sinto, mas ela está longe agora. Temos que nos acostumar. – Fala Liam com sua cara fofa e envergonhada, ele não sabia se expressar muito bem.
— Eu costumava cuidar dos dois e olha só, quem diria, você me consolando piralho!
— Lá vem você, sua chata! – Allison gargalha.
— Aposto a sobremesa que ganho de você nesse jogo. – Ela pega o outro controle.
— Aposta aceita. Prepare-se para ficar sem sobremesa hoje. – Fala Liam olhando para a irmã que fingi espanto com a afirmação dele. Ambos começam a jogar.
— Me diz, por que o Mason não apareceu hoje? – Liam dá de ombros.
— A jornalista encarnou em você outra vez?
— Apenas curiosidade, anão. – Ela rebate.
— Ele teve que ficar em casa, a irmão dele apareceu. Ela não mora em Beacon Hills, lembra?
— Entendo. Sabe, você iria chorar se eu fosse embora, berrar como um bebezão. Embora isso você já seja!
Liam fecha a cara e desconta no jogo as provocações da mais velha.
***
Zoey estava sentada em um dos bancos presentes no salão principal da Eichen. Via as fotos presente em seu celular, relembrando de suas amigas, do Liam e de sua mãe. Ela para em uma foto dela com Liam, Zoey sorri.
— Isso é inédito! – Zoey se assusta com a voz de Theo, porém logo se recompõe, se sentando de fora ereta e se afastando assim que ele se senta ao seu lado.
— O quê? – Indaga ela, ainda olhando para foto.
— Seu sorriso, nunca o vi! – Ela dá de ombros.
— Amigo? – Pergunta Theo se referindo a foto.
— Meu irmão. – Foi a única coisa que a garota respondeu, não queria dá em detalhes a mais. E de fato Zoey considerava Liam seu irmão. Theo porém parecia está encorajado a perguntar muito mais.
— Eu soube do incidente, você está bem? – Raeken pega os pulsos de Zoey.
— Aí! – Ela resmunga, a dor latejante volta com força total. – Estou bem. – Diz ela com dificuldade.
— Claramente que está. – Ironiza ele, sorrindo diretamente para ela. Zoey por sua vez apenas o observa sorri. A dor realmente tinha voltado.
— Sorte sua os guardas virem e prenderem os dois. – Zoey faz careta com a afirmação do agente.
— Os dois? – Theo assenti.
— Biggs e Warner. Sei que você disse que ele atacou o Biggs pra te proteger, mas claramente você corria risco com ele solto, sem os guardas por perto.
Zoey não comenta o que viu nos olhos de Roman, angústia, preocupação e em momento algum se sentiu ameaçada por ele. Pelo contrário, sentiu-se grata e aliviada por ele está lá. Mas a única coisa que ela resolve falar para Theo foi uma resposta direta.
— Eu sei me defender,Raeken. Apesar de ter conseguido isto. – Ela aponta para as ataduras nos pulsos.
Zoey queria desesperadamente cancelar o compromisso de sábado com Theo e aquela parecia ser uma boa hora para isso. Porém quando fez menção de falar sobre o assunto, Theo continuou a falar.
— Por que tenta me afastar? – Zoey não compreende.
— Raeken, eu não tento afastar você, eu só ... eu não sei, eu não confio em você. Quer dizer, não depois do que você fez. Talvez demore um tempo para isso acontecer. – Afirma ela.
— Um tempo. – Fala ele olhando para Zoey. – Talvez até sábado? – Theo sorri para ela e a garota revira os olhos. Precisava cancelar a tal saída.
— Sobre isso... – Quando Zoey iria tentar cancelar seu compromisso, Malia aparece no salão.
— Estão chamando você novata, Craford está na linha. Teremos uma bela reunião com o doutor por aqui.
Zoey se levanta seguida por Theo e Malia até a sala de Heinfield. Após entrarem, Tate fecha a porta.
***
Roman estava em sua cela, Zoey havia o intrigado outra vez. A garota tinha percebido o motivo dos desenhos, tinha feito ele perder o controle da situação. Warner andava em círculos no local. Como uma garota o tinha deixado sem palavras? Sem argumentos? De repente, ele estava ensaiando outro encontro, outro embate e choque análises. Precisava falar com ela, precisava vê-la outra vez.
— Roman? – Barney o chama, parecia preocupado. O assassino o olha e resolve conversar com o enfermeiro.
— Como ela sabia dos desenhos Barney? – O enfermeiro sorri, entendendo a pequena euforia de Warner.
— Barney...
— Conversamos sobre você, ela precisava de algumas informações sobre o local e eu as dei.Porém as observações sobre suas atividades foi de autoria da senhorita Starling. – Roman ficou pensativo.
— Parece surpreso. – Analisa o enfermeiro.
— Ela é imprevisível, não consigo deduzir nada sobre ela, não consigo. Tudo que sei sobre ela consegui através de perguntas, porque de alguma forma ela me faz questionar sobre quem ela é, sobre o quê ela gosta e o quê ela pensa.
Roman olha para Barney que por sua vez parecia pensativo diante das palavras de Warner.
— A única certeza que tenho é que ela possui a mesma curiosidade em relação a mim.
— E presumo que isso não o satisfaz, Warner. – Roman sorri, fechando os olhos, se sentando no chão.
— Ela desistiu do caso? Foi retirado dele? – Ele pergunta. Será que Zoey tinha considerado a sua nova proposta.
— Ela está confrontando o doutor Heinfield nessa exato momento, Warner. Ela está completamente determinada a resolvê-lo. – Barney se afasta do vidro, decidido a ir embora, mas Roman fala mais alguma coisa.
— Fico grato por cuidar dela hoje, Barney. – O tom gentil e cortês de Roman sem dúvida era sua marca.
O enfermeiro sorri e antes de ir embora fala.
— Não fui eu quem cuidou dela hoje, esse mérito é seu!
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