Void
1 Capítulo 1- Um pesadelo infindável
Notas iniciais
E se tudo que você conhece, ama e idolatra simplesmente é um disfarce? E se eu te falar que todos são apenas marionetes e brinquedos? Se eu te PROVAR que existe deus mas ao mesmo tempo existe o diabo? E se eu te MOSTRAR esse deus, você acha que ele LIGA para VOCÊ, para MIM, para TODOS NÓS?
Tudo começou com os gritos... aqueles malditos gritos ecoando na minha cabeça, toda hora, sem parar, não me deixavam comer ou pensar... mas quando eu ia dormir eles simplesmente paravam...
Mas quando eu dormia eu tinha saudade dos gritos
Deito na cama cansado, o dia de aula foi horrível, como sempre... “psicótico”, “monstro”, “doente”...
-Eles só sabem falar isso? – Gritei, tentando parar as vozes na minha cabeça, mas elas gritam mais alto que eu, sempre gritaram.
Me deito e tento dormir
Algumas pessoas sonham e depois acreditam que são premonições, como por exemplo, quando sonham com uma cobra acham que algo ruim está para acontecer, eu realmente espero que não seja verdade, porque se for todos nós... estamos perdidos.
Finalmente durmo, porém, acordo na mesma hora, mas não estou no meu quarto, mas estou em uma cama, eu sinto cheiro de sangue e de ferrugem, ouço gritos, vários gritos, não... não são gritos, são risadas. Estou deitado em algum tipo de cama, não, não é uma cama, estou deitado em uma maca, uma maldita maca de cirurgia, estou acorrentado nela, sinto a dormência , como se meus braços e pernas estivessem presos naquela maca a horas afim, mas como? Olho para o lado, oque eu vejo me deu vontade de vomitar.
Haviam dois homens com jalecos cobertos de sangue e óculos escuros, estavam com outro garoto, parecia comigo, mais alto... devia ter uns 19 anos, uns 2 metros de altura, parecia louco de dor, e raiva também. Ele sangrava muito nos dedos nos pés e nas mãos, mas os ferimentos estavam em suas unhas, a carne queimada para fora, como se tivesse sido esterilizada com fogo depois que arrancaram as unhas, mas sinceramente, eu acho que o pior ainda estava por vir. Um dos homens tirou a máscara e vomitou um líquido preto no balde onde deviam estar as peças da cirurgia, não... aquilo estava mais para tortura. Ele colocou as mãos dentro do balde e tirou uma broca, um gancho e um alicate, aqueles instrumentos eram para uma lobotomia, iam fazer aquilo comigo? Comecei a me debater e gritar por socorro mas eu era mudo, movia meus lábios incansavelmente mas as palavras não saiam, como se até elas estivessem com medo de sair, sinceramente, não as culpo.
Então começou a lobotomia
O primeiro cirurgião usou o alicate para perfurar o olho direito do garoto, eu vi sangue, ouvi gritos e risadas. Aquelas risadas me assombram até hoje... Ele arrancou o olho do garoto e simplesmente o jogou no chão e pisou em cima, como se fosse uma barata tentando subir.
O outro pegou o gancho e simplesmente começou a rasgar a carne e depois o crânio do garoto, no seco, sem nenhum método anestésico, mas ele ria, alto, muito alto, é como se ele amasse fazer aquilo, sinceramente, não duvido.
Começaram a empalar o cérebro do garoto com a broca eu ouvi os gritos dele se abafando e as lágrimas sendo substituídas por sangue morno, não sei se ele ainda pensava o porque estava lá, com quem estava, ou oque estava acontecendo, talvez, nem sentisse mais dor. Depois que acabaram, estacaram o ferimento em sua cabeça, o carregaram pelos pés até um tipo de fornalha, eu pensei que simplesmente iriam joga-lo para vê-lo queimar mas não, um deles colocou a mão lá dentro e tirou algum tipo de coroa bizarra, estava enfeitada com espinhos, vários espinhos. Quando a colocaram na cabeça dele e giraram, como se fosse algum tipo de pião macabro, eu não sei oque houve com o garoto mas, eu ouvi os gritos depois.
Quando finalmente acabaram com a “diversão” usaram o gancho no já retorcido garoto, eu não vi oque houve mas, ouvi, as tentativas de se expressar, de fazer algo que fizesse sentido depois da lobotomia, ele apenas gritava, como se aquilo fosse a sua língua a partir de agora, eu pude ouvir, era medo...,raiva e clemência, ele devia se sentir como eu, só queria ir para casa, poder dormir em paz e sair daquele mundo fétido e psicopático.
Estavam esfolando o garoto vivo, ele tentou fugir e caiu do lado da minha maca, como se fosse um coelho ou um cervo, implorando por ajuda. Depois de horas de gritos e sangue finalmente parou de se contorcer e espasmar de dor eu vi, a vida se esvaecendo de seus olhos, continha uma certa alegria, finalmente a tortura havia acabado. Eu me pergunto... quanto tempo aquele garoto esteve lá, sendo torturado por um bando de cientistas loucos que vomitam seus instrumentos?
Então eles saíram da sala me deixando com um corpo totalmente mutilado, mas mesmo que os gritos e as risadas daqueles que estavam do meu lado tivessem se amenizado, eu ouvia a distante, mais gritos, mais altos e várias risadas, todas macabras, porém, uma delas particularmente chamou minha atenção, uma mais rígida, mais grossa e poderosa. Eu ouvi a porta abrindo e olhei para a esquerda.
Então vi meu cirurgião chegando.
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