Voice

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Minha amiga secreta é a Giu (@oimarauders no Twitter) ♥ Espero que goste, meu anjo!

VOICE

por cherry pitch

Maxine Schreave fazia parte da família real da Dinamarca, e tinha sido matriculada numa escola da alta sociedade. Filhos de várias pessoas poderosas estudavam ali, e Amberly e Clarkson, pais de Maxine, acharam que aquela escola ajudaria a filha a fazer bons contatos. Mas digamos que fazer contatos não fosse exatamente a prioridade dela naquele momento.

Com os fones encaixados no ouvido, Maxine encarava a tela do seu computador. Por esta já haviam passado vídeos de youtubers, vídeos bobos, trailers de filmes, entre outros. Mas, naquele momento, Maxine sentia que estava sendo sugada para dentro do computador. Era uma montagem de um casal de série, e a edit era, de fato, boa, mas não era isso que tinha chamado tanto a atenção da loira; na verdade, tinha sido… o som. A música de fundo era uma de suas preferidas — I’ve Just Seen A Face, dos Beatles —, e a voz da cantora era… era de enlouquecer, melodiosa, rouca, passava doçura e amargor, ambos na medida certa. O espetáculo ficava ainda melhor quando a sonoridade dos instrumentos era adicionada à voz, e o violão ao fundo era tocado com perfeição.

Logo após o vídeo terminar — e o botão de replay ser pressionado —, Maxine rola a tela para baixo, lendo as informações do vídeo, à procura do nome da cantora do cover, e a loira não conseguiu impedir seu desapontamento ao perceber que não havia nada. Os créditos da música tinham ido para os Beatles, pela versão original, e não havia nada além do nome do casal e da série nas informações adicionais. Se tinha alguma coisa nos comentários? Nem em sonho. Ninguém nem mesmo havia questionado sobre o nome da artista, e o conteúdo de todos era, basicamente, o mesmo: “edição maravilhosa”, “definitivamente o melhor par da série! OTP!”, e alguns até mesmo arriscaram um “ansioso para a temporada cinco”. Mas nada de “qual o nome da artista com a voz doce e melodiosa que está cantando na música de fundo?”, como Maxine desconfiou.

Maxine joga o corpo para trás, antes de suspirar com os olhos fixos no teto. Suas mãos pressionavam fortemente a base do laptop, impedindo-o de cair no chão. Não havia jeito de encontrar aquela cantora, ela sabia, mas, no fundo do seu ser, Maxine sabia que ter um pouco de esperança não seria de todo ruim.

[...]

Alguns dias depois, Maxine estava exatamente do mesmo jeito: sentada em sua cama, com o computador no colo, assistindo a vídeos no YouTube. Só que, daquela vez, sua colega de quarto (Joanne, filha de um primeiro ministro qualquer) entrou no cômodo e encarou a loira de cima a baixo antes de dizer:

— Vai ter uma reunião num bar hoje. Se você quiser ir… — Joanne disse, dando de ombros e Maxine assentiu. Ela não estava com a menor vontade de sair do quarto, mas, se saísse daquela vez, poderia dizer aos pais que estava socializando, sem se sentir culpada por estar mentindo.

— Hã… Joanne? — Maxine disse, chamando a atenção da garota que já estava saindo do quarto. — Você pode me passar o endereço do bar anotado num papel, por favor?

[...]

Maxine entra no bar cujo endereço sua colega de quarto lhe dera. Tinha seguido todas as orientações dadas pelos pais sobre as saídas que estes últimos tanto queriam que a filha desse, para fazer mais contatos: o motorista deveria deixá-la na porta do lugar em que iria e buscá-la na saída, as roupas que usaria deveriam ser discretas e aparentemente simplórias, e Maxine não deveria carregar nenhuma jóia óbvia ou objeto de muito valor consigo.

O bar estava cheio naquele dia, mas não deixava de ser agradável. O ambiente estava tomado por mesas enormes sem lugares livres, compostas por várias pessoas, cada qual bem diferente das outras: desde vários jovens com idade próxima à de Maxine rindo e falando alto até adultos em roupas formais conversando de modo descontraído, aparentando estarem numa reunião de colegas de trabalho.

Maxine caminha pelo lugar à procura de algum rosto conhecido, e consegue encontrar Joanne. Mas, enquanto caminha em direção ao lugar em que a colega de quarto está, Maxine ouve uma voz familiar. Após alguns segundos, os olhos da loira parecem ser atraídos para o palco do bar. Sentada num banco ali em cima, estava uma garota ruiva, que parecia ter uma idade próxima à de Maxine. E a voz parecia familiar, porque… era a cantora que Maxine tanto tinha desejado saber o nome, a que encontrara numa edição de vídeo na internet.

Os lábios de Maxine se abrem levemente, em sinal de surpresa. A garota em cima do palco não poderia estar mais insegura. Seus olhos passavam por cada canto do bar, analisando a reação de cada um, cada pessoa ali presente, e obviamente não estava confortável. Seus olhos batem em Maxine, e permanecem nela por algum tempo, como se refletisse sobre a razão da garota encará-la tão fixamente. A cantora, tímida e parecendo à procura de uma distração, coloca uma mecha de seu cabelo avermelhado atrás da orelha. Maxine analisa cada gesto da mulher, fascinada. Cada movimento, cada nota, cada vez que via os olhos da ruiva… ela sentia algo que não sabia explicar. Principalmente por ser a primeira vez que a via.

A música acaba, e os olhos de Maxine seguem a cantora, que descia do palco. Sem sua permissão, seus pés e pernas trabalham em levá-la em direção à ruiva.

— Você ficou me olhando durante a performance inteira. — comenta a ruiva, sem esperar nem mesmo que Maxine parasse de andar e a cumprimentasse. — Me conhece de algum lugar?

A cantora se ajeita na cadeira do bar e faz um sinal para um dos garçons. Maxine senta na cadeira da frente.

— Reconheci sua voz de uma edit de shi- um casal de seriado, quero dizer. — Maxine diz, e a outra mulher assente com a cabeça. — Qual o seu nome?

— Por favor, eu quero uma cerveja. — a garota diz, olhando para o garçom, e depois volta a olhar para Maxine: — E meu nome é America.

— Bonito nome. — Maxine comenta. — O meu é Maxine, mas você pode me chamar de Max. Se quiser.

America sorri com o canto dos lábios.

— Maxine é um nome legal também. — ela diz, batucando na mesa com os dedos. — Agora diga-me: a edit que você viu… de qual era o ship?

Maxine se sobressalta ao perceber que America sabia a “linguagem dos fandoms”, mas tenta a todo custo esconder isso.

— Hum… Eva e Noora. De SKAM. — Maxine responde, e suas bochechas ficam vermelhas ao perceber que as duas personagens se assemelhavam a elas: duas mulheres, uma loira e outra ruiva, esta última com cabelos longos… Maxine olha para o lado com o canto dos olhos para ver se America tinha percebido a semelhança. Ela tinha.

Um sorriso estampa os lábios de America.

— O fandom de SKAM não é muito… famoso por aqui. Na América. — a ruiva revira os olhos ao se referir ao continente que dividia consigo um nome. — E ouso dizer que o fandom de Nooreva é ainda menor.

Maxine morde os lábios, torcendo para que suas mãos não estivessem tremendo. Certo, a cantora com a voz melodiosa que ela estava procurando está ali ao seu lado. No bar. E é bonita de uma maneira que definitivamente não é normal. Ela faz parte do fandom de SKAM. E gosta de Nooreva. Maxine começa a pensar que a vida estava sendo muito boa com ela naquele momento, porque não é possível que aquela mulher fosse perfeita, em todos os sentidos.

O garçom chega até a mesa na qual as duas estavam sentadas e entrega a caneca de cerveja para America. Ainda sem olhar para America, Maxine também pede que o garçom lhe traga uma cerveja.

— Sim, digamos que o fandom de um casal femslash de uma série norueguesa não faça muito sucesso por aqui. — Maxine diz. — Infelizmente. Lésbicas não são apreciadas como deveriam. — Maxine deixa escapar, sem querer, e imediatamente conseque sentir suas bochechas queimarem.

America gargalha.

— Nisso eu tenho que concordar. — Ela dá um gole na cerveja. — “Lésbicas não são apreciadas como deveriam”... Max, essa foi uma ótima frase. E incrivelmente aplicável.

— Exemplifique. — Maxine diz. Ainda tinha vergonha, é claro, mas agora tinha certeza de que elas estavam, de fato, flertando. E isso a tinha dado uma motivação a mais. America sorri e se aproxima ainda mais da loira.

— Por exemplo, duas mulheres num bar. Uma cantando num palco e a outra com os olhos fixos nela por já ter ouvido aquela voz antes, na internet. — Quando que elas tinham ficado tão perto uma da outra?, Maxine não consegue se impedir de pensar.

— Poderíamos ganhar algum dinheiro vendendo essa história para a NRK. — Maxine diz, e America sorri, como se por reconhecimento da referência.

— Você acha que nesse momento, num outro lugar no universo, nós nos beijamos? — pergunta America, fazendo outra referência, e Maxine sorri, colocando a mão no pescoço da outra.

— Talvez, mas… por que não nesse lugar do universo? — Maxine diz e beija America, e foi… diferente. Maxine já tinha beijado garotas antes (já fazia algum tempo, ela tem que admitir. Provavelmente antes do fim do Ensino Médio), mas, a cada vez que o fazia, era uma sensação diferente. A cada vez era mágico de uma forma diferente.

Mas Maxine, mesmo com o pouco contato que teve com America até aquele momento, percebeu que a personalidade desta era forte e decidida, e pensou que o beijo desta fosse da mesma forma, e talvez um pouco… áspero, ou também que os lábios desta fossem ressecados, ou algo do tipo. Mas era justamente o contrário: os lábios de America eram delicados e suaves, e seu beijo, também era o contrário de decidido; quem estava guiando toda a ação era Maxine. Depois de alguns minutos ali, as duas se separam, com a respiração forte, mas, ainda assim, com sorrisos pequenos no rosto.

— Você beija bem, Maxine — comenta America, com um sorriso nos lábios. — Talvez nós devêssemos… hã… nos encontrar mais vezes. E repetir a dose.

Maxine sorri, dando outro gole na cerveja.

— Definitivamente deveríamos. — Maxine responde, após colocar novamente a caneca na mesa. — Bom, eu acho que já vou embora. Eu posso pegar seu… hum… seu… telefone?

America sorri e segura o garçom que passava por elas no momento.

— Oi, você tem um papel e uma caneta? — ela pergunta, e o garçom tira o material pedido do bolso do avental, sem nem mesmo questionar. Talvez aquilo fosse algo comum ali. America apoia os braços na mesa, destacando as curvas de seu quadril, e fazendo Maxine ficar completamente hipnotizada. — Pronto, aqui está. — America diz, tirando a loira de seu transe e entregando o papel com alguns números escritos nele.

Após isso, ambas desejam uma boa noite uma para a outra, e Maxine vira de costas para ir embora. America se senta em cima da mesa, observando a garota ir embora enquanto mordia os lábios. Aquilo era pouco. America já tinha ficado com várias pessoas por apenas uma noite, e mesmo as que não a deixaram tão intrigada como Maxine havia feito tinham recebido mais. America não tinha certeza se Maxine queria ter mais que uma noite com ela, mas ao menos isso as duas teriam.

America se levanta da mesa num sobressalto e, a passos apressados, sai do bar e agradece mentalmente por ainda conseguir visualizar Maxine caminhando ali.

— Maxine! — America grita, torcendo para que esta a ouvisse. Com sorte, a loira vira para trás para conferir quem a chamava. Ao ver que era America, imediatamente para de caminhar.

— America? Eu achei que você fosse ficar mais algum tempo no bar… — Maxine diz, com uma expressão intrigada no rosto e America, assim que a alcança, a puxa pela cintura e a beija. Depois de algum tempo após o beijo, ambas se separam e America sorri.

— Acho que deveríamos ir para casa. — America diz, e Maxine assente com a cabeça. — Para a mesma casa. — A ruiva completa para deixar claro o que queria dizer. Maxine sorri com o canto dos lábios.

— Honestamente? Eu acho a mesma coisa. — Maxine responde, e as duas continuam a caminhar pelas ruas, em direção ao apartamento de America, que, repentinamente, começa a cantar, surpreendendo Maxine, que sorri. Aquela voz lhe era incrivelmente familiar, mas, daquela vez, era diferente.

Daquela vez, era totalmente para ela. O público o qual America queria atingir era, única e especificamente, Maxine Schreave. E isso, para a loira, era mágico. Tal como a voz que ecoava pelos seus ouvidos.

Notas finais
Um sonho, né? Encontrar a cantora linda de uma de suas edits favs e ainda flertar com ela enquanto faz referências ao casal da sua seriezinha querida? Se não é o de vocês, é o meu kkkjkkkj

Espero que tenham gostado, e deixem aquele reviewzinho do amor dizendo o que acharam! ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!