Vodka e Whisky
1 Primeiro porre
Se você é o tipo de pessoa politicamente correta nem leia essas anotações, possivelmente vai me apedrejar, mas saiba que minha mãe e metade da minha cidade já faz isso. Não quero agradar ninguém e não acho que a vida que eu levo me de futuro, mas mesmo assim prefiro viver o hoje sem pensar no amanhã.
Vou pular a parte em que me apresentaria, afinal durante a história já vai saber mais sobre mim do que eu mesma. Basta saber que sou maior de idade e moro sozinha.
Durante boa parte da minha vida julguei muito as pessoas que bebiam e saiam em festas, mal sabia que um dia me tornaria a mais badaladeira de todas. Fazer dezoito anos nos da uma liberdade tremenda, posso deixar a louça acumular por dias sem meus pais nem ao menos ficar sabendo, e não sabem. Posso fumar pelada, beber até cair e trazer quem quiser para dentro de casa.
Quando fui no meu primeiro carnaval mal sabia beijar na boca, tanto de homens quanto de copos. Mas tudo se aprende, sempre tem aquele amigo descolado que vive contando seus feitos. E no fim, esse amigo é o que vai te apresentar o mal caminho. Não estou jogando a culpa em ninguém, mas cá entre nós, se todos bebem ou se todos fumam a uma maior chance de você voltar bêbado e cheirando a cigarro em casa. E esse amigo descolado faz com que todos queiram ser como ele, o que só o deixa mais feliz.
Sim, meu tema principal é o álcool. Já pode parar de ler mãe isso é tudo fictício, mas não conta pro pai.
Primeira lição para ser uma pessoa que ao mesmo tempo bebe até cair, e é considerada certa da cabeça é narrar tudo, ou quase tudo a seus pais, no meu caso é a minha mãe. Os outros são só os outros. Meu vizinho deve achar que sou uma vagabunda e uma alcoolotra, e pode ter certeza que isso não me afeta, agora se meus pais pensassem isso, doeria. De importância só a opinião de quem limpou sua bunda e que se você fizer merda com dezoito anos ainda vai limpar.
Na minha cidade, que é menor que meus peitos, não tem lugar muito bom para festas, o máximo é a praça que não é grande coisa. Meu primeiro porre começou bem no meio dela. Na lingua do povo.
Era um sábado a noite e o clima estava incrivelmente ameno, era verão, mas a noite estava perfeita. Sai com um grupo de amigas, as quais descobri mais tarde, não passavam de falsas amigas. Você nunca sabe no inicio o seu limite, quando vê mal consegue se manter em pé. Estávamos na praça bebendo vodka , que hoje não me desce mais, quando uns amigos meus chegaram. Passamos uma hora lá entre goles e tragadas, quando sugeri que fossemos ao meu apartamento, já estava tonta e preferia passar mal lá, do que na lingua do povo. Todos gostaram da ideia, subimos para o ape, que era bem afastado da cidade. Lembro pouco daquele dia, sei mais pelo que me contaram mesmo. O som estava muito alto, mas os outros moradores do prédio não ligavam, até por que só avisa mais dois. Fiquei a maior parte do tempo sentada no chão da sala bebendo, e bebendo. Depois que você ingere um tanto de álcool o resto desce como água, nem sente mais. Falaram que começaram a perceber que eu estava mal, ai me levaram pro banheiro e começaram a imitar os barulhos de uma pessoa vomitando, e quando viram eu estava vomitando. Passei muito mal, lembro vagamente de estar sentada na beira da privada com alguém amarrando meu cabelo. Logo depois já estava na cozinha sentada com um balde em cima das pernas. Lembro de terem me dado bolo de chocolate que minha mãe havia levado para mim. Uma parte da galera ficou realmente com medo que eu desmaiasse ou pior e sumiram, o resto que eram os mais próximos a mim, ficaram me cuidando.
No outro dia era dia das mães, não que isso tenha passado pela minha cabeça em algum momento. Deitaram-me na cama, com o balde ao lado, já havia vomitado por grande parte do apartamento. Minha amiga deu uma limpada enquanto eu continuava a vomitar. A minha sorte foi que ela morava perto da minha casa, então ficou até eu pegar no sono. Quando acordei no outro dia o apartamento nem estava tão sujo, se não fosse pelos litros vazios e as bitucas de cigarro não dava para saber da festinha. Tomei um banho quando minha amiga veio me acordar, sim, ela que me acordou, logo depois meu pai chegou para me buscar para um belo almoço em família. Minha cara estregava, mas como na época não sabia que eu era da cachaça nem se quer desconfiaram. Assim foi meu primeiro porre, nojento. Porém memorável.
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