Você é o Próximo

3 Venha Ver Quem Sou Eu


Notas iniciais
Tina recebe visitas inesperadas e com elas uma notícia que assustará todos a sua volta. Shelby dá a primeira tarefa do clube, o que deixa alguns contentes e outros nem tanto. Já em Nova Iorque, Kurt parece estar mais confuso em relação a tantas coisas, incluindo antigos acontecimentos, mas tudo pode mudar quando alguém aparece de surpresa. Já Blaine parece querer aproveitar mais do que a Universidade pode dar e isso pode causar danos permanentes em seu relacionamento,

Era dia de visitas no hospital psiquiátrico de Ohio. Não que houvesse necessidade de um dia de visitas para a dupla de policiais do estado, Morgan e Pad, conversassem um pouco com a estrela do momento, Tina Cohen-Chang. Morgan era um homem negro, de 40 anos, enquanto seu parceiro Pad, branco e um pouco mais jovem. Ambos eram super dedicados em suas funções e deixavam os habitantes de Lima mais seguros.

O barulho agudo que surgia do contato das botinas com o chão lustroso, branco e bem cuidado da clínica era o único empecilho do silêncio que acomodava aquele local. A cada passo dado, os oficiais olhavam as portas trancadas. Algumas até chamavam atenção pela exposição de placas que continham avisos de perigo.

Eles pararam em frente a uma porta totalmente diferente das demais. Ao lado da fechadura continha um leitor biométrico, muito semelhante ao da segurança máxima. A enfermeira que os acompanhava desde o início apresentava um semblante cansado, que foi notado por Morgan. Eles não haviam trocado muitas palavras e só respondia as perguntas mais necessárias.

— A quanto tempo trabalha aqui? — Morgan perguntou.

Ela retirou as mãos do jaleco branco e não olhou para ele ao respondê-lo.

— 13 anos, senhor.

A resposta o impressionou e esclareceu algumas dúvidas que pairavam em seu pensamento.

— Você tem relação com os pacientes daqui? — Ele perguntou e recebeu um olhar hostil vindo da mulher. Tal ato o fez reformular a pergunta — Quer dizer, com todo esse tempo você deve criar um vínculo com eles. — Morgan engoliu em seco e percebeu Pad se esforçando para não rir.

— Eu não falo mais do que o necessário, não pergunto coisas pessoais, nem me importo se alguém comerá o resto de comida deixado na bandeja. Trabalho com pessoas mentalmente instáveis, não com o jardim de infância.

Ela respondeu rapidamente, enquanto tocava seu dedo no leitor para abrir aquela porta. Ao ouvir um “clique”, ela suspirou fundo e adentrou deixando Morgan extasiado ao lado fora. Pad apenas deu um tapinha nas costas do colega, ainda segurando o riso. Ambos adentraram o quarto e encontraram Tina sentada em um banco praticando algumas técnicas de voz. Ela se virou e observou cautelosamente a dupla, que a encarava com desprezo.

— Já está na hora do jantar, Cynthia? — Ela perguntou a enfermeira em tom amigável.

— Por acaso você está me vendo segurar alguma bandeja? — A mulher respondeu, enquanto preparava uma seringa.

— O que você vai fa-z-e-r? — Tina gaguejou assustada ao ver a agulha.

— Não finja que tem medo disto aqui, você recebe uma por dia. — Ela tilintou seus dedos duas vezes e apertou de leve o êmbolo, fazendo saltar algumas gotículas da ponta. — É um calmante, por precaução. — Ela se virou para os policiais, explicando-se.

Pad interveio antes que ela aplicasse.

— Preferimos que ela não esteja sob medicação agora. E se puder esperar lá fora, pois me parece que assusta a paciente…

Ele falou tentando medir as palavras. A enfermeira não assustava só Tina, como a ele também. Ela arqueou as sobrancelhas, soltando um riso debochado.

— Meu caro.. Pad – Cynthia verificou brevemente o nome dele no crachá que o homem carregava — Essa garotinha matou um jovem adulto que queria se formar professor, tentou matar um casal de meninos e seus antigos amigos, e eu é que a assusto? Se fosse por mim.. — Ela olhou furiosa para Tina, enquanto deu uma pausa — Se fosse por mim ela teria sentado na cadeira elétrica há dois meses — A enfermeira tornou a olhar para o policial e finalizou. As palavras dela arrepiaram até a espinha de Morgan e Pad deu alguns passinhos para trás. — Vocês têm cinco minutos e depois acabou o horário de visitas. — Dizendo isso, ela se retirou do quarto, fechando a porta.

Pad olhou para Morgan como se estivesse sem ar, o olhar foi entendido pelo parceiro que logo tratou de tomar a frente.

— Então Tina, como se sente? — ele perguntou.

— Estou bem. Não sinto mais vontade de matar ninguém, se é isso que querem saber. — Ela respondeu, um tanto aturdida após ter ouvido a opinião de Cynthia.

— Que bom – Morgan respondeu realmente aliviado — Sabe por que estamos aqui?

Ela arrumou sua posição no banco e respondeu alegre:

— Presumo que irão me contar as novidades. No entanto, terei que decepcioná-los — Ela aproximou o rosto no do policial, colocou uma mão ao lado da boca e baixou seu tom de voz. — Eu leio os jornais. Pobre Puck, não merecia um final tão trágico.

A dupla se entreolhou e sentiram um enorme desconforto ao ouvi-la. Apesar de seu rosto não esboçar reações, ela parecia se divertir com aquilo.

— Você é sádica! — Pad se descontrolou avançando para perto dela — Noah Puckerman morreu por culpa sua!

Ela abriu a boca, parecendo estar ofendida.

— Não, foi claramente Adam. Aquele idiota matou todos, mas eu levei a culpa. Não é surpreendente como a mulher sempre recebe título de louca em qualquer caso?

— Você matou Finn Hudson! — Pad gritou alto e fechou o punho. Ele queria socar aquela menina desde todas as vezes que leu sobre as atrocidades que ela organizou.

Ela se calou e observou Morgan lançar um olhar repreensivo para o colega até ele se acalmar. Ele retomou o olhar para ela, mantendo toda a calma que conseguia.

— É sobre isso que viemos falar. O tribunal não teve provas o suficiente de seu envolvimento em nenhuma tragédia testemunhada por seus ex colegas. Seus pareceres médicos indicam melhoria no seu transtorno.

Tina ouvia tudo com atenção, mas ainda não entendia onde ele queria chegar com aquilo.

Amanhã, pela manhã você recebe alta e pode recomeçar sua vida. Tenho certeza que terá que continuar com a medicação, como forma de melhorias contínuas.

— Não se preocupe senhor, desta vez serei uma boa garota.

Ela esboçou um sorriso que fez a espinha dos dois homens congelarem. Eles se despediram, deixando ela pensativa, sem nem se importar com suas saídas. Cynthia entrou no quarto e deu uma última olhada nela. A garota acenou sorridente, enquanto ouvia o “clique” da porta.

Na manhã seguinte os alunos do clube do coral estavam agitados dentro da sala, na primeira aula do dia. Roderick segurava uma folha do jornal daquele dia, mas especificamente a capa que noticiava a saída de Tina.

— Eu sabia que era uma má ideia. Temos que sair do clube – Jane falou, enquanto tentava conter o nervosismo.

— Ela já deve estar vindo para cá nos matar — Mason disse, assustado.

— Eu não quero ser pendurada no estádio de futebol. — Madison disse, enquanto se escondia no braço do irmão.

Kitty revirou os olhos, Spencer sorriu enquanto olhava para Mason sussurrando palavras de conforto para a irmã. Roderick interrompeu os colegas e logo sentiu-se envergonhado por ter chamado atenção para si.

— Aqui diz que ela estará sendo vigiada pela polícia. — Ele falou em tom baixo e entregou o jornal para Ryder.

— Ele tem razão, nós estamos seguros. Ninguém morrerá — Ryder complementou, após rapidamente ler a matéria.

— Exato Ryder, agora por favor, queiram sentar. Eu tenho a primeira tarefa de vocês.

Shelby adentrou a sala, surpreendendo todos e os fazendo sentar-se.

— Bom, eu acredito que para o grupo ter um bom desempenho, todos devem se conhecer melhor e aceitar suas diferenças. — Ela falou, enquanto todos prestavam devida atenção. — Por isso dividi vocês em duplas. Mason e Spencer, Kitty e Madison, Jane e Roderick e Unique e Ryder.

— O QUE? — Kitty soltou um grito agudo – RYDER E UNIQUE NÃO!

— Kitty, para — Ryder pediu e ela cruzou os braços emburrada.

O sinal tocou, fazendo todos se levantarem. Spencer juntou sua mochila e observou Mason saindo de mãos dadas com a irmã. Seu coração palpitou o fazendo sorrir.

Kurt estava sentado, olhando ao horizonte disperso, quando foi surpreendido por um beijo no rosto dado por Blaine.

— Bom dia amor.

— Bom dia. — Kurt respondeu ríspido.

— Adoro quando é todo amoroso – Blaine provocou, indo pegar uma xícara de café.

Kurt abaixou a cabeça, sentindo irritação matinal.

— Vai começar com seu draminha diário? Pois tenho certeza que ainda não está no horário – Ele debochou. Blaine soltou a xícara, ofendido.

— Meu drama? Qual é Kurt, desde que Tina quase nos matou, você mudou seu comportamento. No início eu tentei entender, pois pensei que era estresse pós traumático. Faz semanas que não me toca, mal trocamos palavras. Eu tenho conversado mais com Karofsky, do que com você.

Kurt lançou um olhar surpreso para ele.

— Você conversa com ele?

Blaine o fuzilou com os olhos.

— Eu te contei a semanas que temos conversado, estamos na mesma classe. Parece que também não dá importância para o que eu falo também. Ele até nos convidou para a primeira festa do campus hoje.

Kurt sentiu uma dor forte no peito. Desde aquele dia, ele têm sonhado com Tina o esfaqueando, toda a noite. Foi diversas vezes em um psicólogo e recebeu vários remédios que funcionavam apenas nos primeiros dias. Também ele estava inseguro sobre seus sentimentos por Blaine, o que o deixava mais angustiado com toda a situação. A psicóloga recomendou a ele um tempo sozinho, mas toda vez que ele ia tocar no assunto, Blaine cuspia palavras em seus ombros, fazendo seu sentimento diminuir mais.

— Bom Blaine, eu tenho muito trabalho na revista, mas pode ir. — Ele manteve a calma. — Eu vou saindo. Aliás, não posso perder meu horário.

Ele pegou sua bolsa pendurada na cadeira e saiu sem ter coragem de olhar nos olhos do marido. A verdade é que ele não tinha trabalho extra, mas não aguentaria ir em uma festa cheia de gente bêbada querendo sexo. Ele sentiu mais um aperto no peito. Neste momento ele já tinha se tornado um mentiroso.

Sem delongas, o mesmo chegou a revista e logo pegou o elevador. Trabalhar lá estava sendo uma das melhores coisas que haviam acontecido na sua vida. Pelo menos algo positivo veio de toda a confusão.

As portas douradas do prédio se abriram lentamente e ia começando a ver sua mesa, e para a própria surpresa, viu também um homem, aparentemente de sua idade, parado frente a ela. Ele apressou o passo e o reconheceu quando o homem girou após ouvir seus passos.

— Sebastian? — Ele gritou, espantado.

— O que foi Hummel, viu um fantasma? — Sebastian perguntou.

— Não, me desculpe. É que não esperava te encontrar por aqui. — Ele recompôs seu fôlego e respondeu.

Sebastian riu.

— Eu também não. Na verdade, estava passando e vi seu nome nesta mesa. Logo tive que esperar para constatar que não estava louco.

Ele sorriu amigavelmente. Nem parecia o mesmo Sebastian egocêntrico de anos atrás. Estava mais bonito, com seu topete perfeitamente levantado para cima, também mostrava crescimento de uma barba rala e bem aparada. Kurt se deu conta que olhava demais e que o colega estava percebendo. Ficou constrangedor.

— Então, o que você faz aqui? — Kurt perguntou.

— Cubro eventos e as vezes escrevo algumas matérias criminais. E você?

— Moda.

— Ah sim, imaginei.

Kurt ignorou o comentário e voltou a olhar para ele. Seus olhos castanhos eram tão penetrantes.

“O que há de errado comigo?”. Pensou ele.

— Bom, eu vou indo. Tenho muitas matérias para escrever, que provavelmente ficarei aqui até a noite — Ele disse, aparentando estar desanimado.

— Oh merda! — Kurt gritou ao ter uma ideia — Quer dizer, se precisar de ajuda, eu não me importo em ficar algumas horinhas. — Ele se retratou, completamente corado.

— Claro, vai ser ótimo ter sua companhia. — Sebastian piscou e saiu.

Kurt sorriu involuntariamente e tapou ligeiramente a boca com a mão. “O QUE EU ESTOU FAZENDO?”. Ele pensou desesperado.

Mas agora já era tarde. Aquela noite parecia muito um encontro, e ele não se sentia tão mal com essa possibilidade.