Notas iniciais
Não me matem

Pov Clary:


Depois de deixar que Anne escolhesse roupas para mim. Acabei correndo em busca de um copo de milk-shake de chocolate, ela me olhou furiosa. Ah... Dane-se as dietas.
Ao parar a moto na frente de sua casa ela suspirou.
–Foi divertido. — comentou sorrindo.
–Eu sei. — concordei. — Obrigado por me fazer esquecer desses malditos problemas.
–Tudo bem amiga. Você vai usar aquele vestido amanhã! — disse referindo-se a um vestido amarelo de renda. Apesar de chamativo eu o achei fofo. — Na festa dos Veteranos.
–Sim eu vou usar. — falei antes de abraçá-la, ao nos separar Anne atravessou a rua. Estacionei a Cuevitto na frente de minha casa.
Saltei para fora com as sacolas de compras nas mãos e destranquei a porta da sala. Ao entrar percebi que uma figura me aguardava, Yara.
–O que faz aqui? — cuspi deixando as sacolas no chão e me lamentando por não levar o revólver comigo.
–Ele realmente te ama. — disse sentada no meu sofá. Ela usava um vestido vermelho justo ao corpo, segurava um papel. — Seria uma pena se a criança fosse dele.
–Que criança? — caminhei para a sala.
–O meu bebê. — respondeu oferecendo o papel para mim. — Estou tão feliz.
–O que quer? — cuspi furiosa, empurrei o papel para longe. — Você já acabou com o meu relacionamento com Joe, pode ficar com ele. Não precisa vir me jogar na cara que vai ser a mãe do filho dele.
–O filho pode não ser dele.
–Foda-se. Eu não tenho mais nada com Joe. — falei tentando parecer normal por fora. Por dentro meu anjo interior derramava lágrima por lágrima, ele tinha engravidado aquela puta! — Ele já sabe?
–Sabe. Foi matar Kevin hoje, mas desistiu. Ele te ama.
–Se amasse não teria transado com você, não concorda? E se ele quer matar Kevin, deve fazê-lo, vocês todos não valem nada.
–Não valemos... — respondeu se levantando. — Agora eu desejo a vocês uma felicidade que eu nunca vou ter. Percebi que não adianta eu insistir e tentar separá-los, ele vai te amar sempre como confessou naquela noite. Não fizemos sexo, eu inventei tudo aproveitando que ele estava chapado.
–Ele te obrigou a vir mentir?
–Não. Ele não me pediu nada, eu vim por própria vontade. — ela confessou com uma expressão triste. — Eu o fiz sofrer, não o faça de novo.
–Porque eu acreditaria?
– É a verdade. Só queria te deixar a par de tudo antes de ir embora com Kevin para o México. Vamos viver por lá.
–E se o filho for de Joe? — a idéia me causou vertigem.
–Não é. — confirmou sorrindo. — Eu sei, eu sinto. Tomara que vocês sejam felizes.
Passou por mim até a porta, eu não entendo até hoje como ela entrava na minha casa sem arrombar a porta ou destruir as janelas. Dei de ombros, pareceu sincera, mas não seria outra de suas mentiras para me separar de Joe? A diferença era que queria a nossa união. Olhei para a aliança em minha mão. Talvez eu devesse perdoá-lo.
[...]
Ao acordar na manhã seguinte tive que sorrir, era o último dia de aula do ano! Nem me preocupei em comparecer, já que os professores deixaram claro que eu passei direto com as ótimas notas que tirei.
Vesti uma camiseta do Batman, e short jeans para jogar videogame durante a manhã. Comi Sucrilhos com leite e bastante açúcar, apesar de estar super entretida matando zumbis meus pensamentos estavam em Joe, o tempo todo. Peguei o celular disposta a mandar uma mensagem de texto, o que eu diria? "Joe eu te perdôo" ou "Agora podemos ficar juntos"
Não. Joguei o aparelho longe, pouco me importando se a tela quebraria. Eu tinha dinheiro para comprar um novo. Não conseguia suportar a idéia de Yara grávida, o filho poderia ser de Joe, eles namoraram antes dele vir para cá. Malditos. O relógio marcava meio-dia ainda, Anne havia avisado para eu estar pronta as sete. Faltava horas e horas para isso acontecer, para a festa rolar e eu ouvir de Black o que precisava saber, queria me proteger.
Levantei e resolvi fazer o almoço. Fritei batatas e esquentei uma panela de arroz, eu ainda não acreditava que estava sozinha e em paz. Não durou muito, a campainha tocou. Ultimamente eu andava recebendo mais visitas do que gostaria. Arrastei-me para lá limpando as mãos na camiseta.
–Eu não tenho paz, nem na minha casa? — perguntei a Kevin.
–O que Yara veio fazer aqui? — ele me empurrou e entrou como se a casa fosse sua. — Aquela vadia deve ter enchido sua cabeça com mentiras. Aquele filho não é meu.
–É de quem? Metade do país já deve ter ido para a cama com ela. — cuspi furiosa. Estava chateada com Kevin desde o dia que abandonou-me na estrada.
–Joe. Ele é o pai! — disse na maior naturalidade deixando-me ainda mais irritada consigo. — Os dois tiveram um relacionamento de dois anos, se separaram poucos dias antes de Joe vir para a cidade.
–O que quer? — perguntei colocando as mãos em minha cintura. — Me jogar contra ele?
–Vocês terminaram. — disse com a testa franzida.
–E só por isso acha que, vai ter uma chance comigo? — acho que eu nunca fui tão sarcástica em toda a minha vida. — "Oh Kevin estou tão solitária... Poderia ficar comigo?"
–Está brincando com a minha cara? — perguntou confuso.
–Não. — respondi mostrando a aliança em meu dedo. — Saí da minha casa, quando a maldita criança nascer faremos o teste de DNA.
–O filho não é meu!
–Então Joe pode te matar não? — retruquei. — Vocês todos vêm aqui, cada um com uma mentira diferente para me contar. Se o filho não é seu, porque vai fugir com ela?
–Porque eu sei de uma coisa. — disse levantando o dedo indicador. Em seus lábios brotou um sorriso. — Iria te contar, não foi gentil comigo.
–Guarde suas mentiras para você. — cuspi me aproximando de si. — É um invejoso, Joe tem tudo a mais que você! Beleza, charme, inteligência e principalmente... A mim.
–Ele não te quer, se lhe amasse não teria levado Yara para a cama.
–Foda-se. — dei de ombros e fiz questão de apontar para a porta. — Saí da minha casa.
–Vocês dois vão se ferrar juntos e eu fiz minha parte. Estou te avisando Clary, se me der uma coisa eu te conto o que vem por aí. — disse atraindo toda minha atenção para si. A panela de arroz no fogão devia estar queimando.
–O que quer em troca da "verdade"? — fiz aspas com os dedos. Sua expressão mudou completamente.
–Acha que vou contar mentiras pra você?
–Não mude de assunto. Primeiro, vem dizer que o filho que a piranha carrega não é seu, depois afirma que vai fugir com ela e como sempre põe Joe contra mim. Agora, diz que sabe de alguma coisa que vai me ferrar. Sou sua irmã, devia me proteger. — fiz uma cara de coitada.
–Na verdade eu não quero te proteger, apenas levar você para a cama, mas está difícil. — disse ainda sem desmanchar o sorriso.
–Suponhamos que eu vá para a cama contigo... Antes tem que me dizer. — falei apertando os dedos na pele de minha cintura. Seus olhos negros brilharam.
–Não confia em mim, da mesma maneira que eu não confio em você. — era a primeira vez que eu concordava com alguma coisa dita por ele. — Então você tira a roupa primeiro e eu te conto, se achar que estou mentindo, lavarei minhas mãos. Quem vai fugir de toda a merda serei eu.
–Então... — sussurrei pensativa, Yara usava seu poder de sedução feminino para conseguir o que queria. Eu não. — Acho que não. Pode ir embora, foda-se o que vai falar, será outra mentira.
–Ok. — confirmou e passou por mim com velocidade até a porta. — Depois não diga que avisei, se quiser que eu te leve... Me liga.
–Eu nunca vou querer você, nem sua carona. — cuspi fechando a porta assim que ele deixou o cômodo. — E não me avisou de nada, queria me chantagear idiota.
O que estava vindo por aí? Para querer levar-me consigo? Eu jamais viajaria sem minha mãe ou talvez sem Joe. Bati na minha própria cara, idiota. Devia abrir um sorriso, tinha uma festa para ir e talvez encontrasse Joe por lá, faríamos as pazes e tudo acabaria bem.
Com esse pensamento, almocei em paz e ansiosa. Anne mandou uma mensagem avisando que me buscaria as oito, já que se chegássemos cedo demais seria horrível. Enquanto saboreava a última garfada de arroz e milho, lembrei-me que ainda encontraria Black na festa dos veteranos. Droga. Lavei as louças que sujei enquanto tentava pensar numa maneira de falar com ele antes de encontrar Joe, vai que ele resolveu se declarar para mim e me atacar? Estarei prevenida.
Depois de passar a tarde no videogame, tomar um longo banho e vestir meu vestido amarelo mandei uma mensagem a Anne pedindo que fôssemos mais cedo. Recusou dizendo que isso é coisa de gente impopular, revirei os olhos mandando outra mensagem dizendo que eu iria sozinha, de moto.
–Você está maluca Krueger? — gritou no telefone, enfiei a aliança de Joe numa pequena bolsa que eu carregava. Havia espaço apenas para o celular, um batom, as chaves e o pequeno anel. — Isso é coisa de gente nerd!
–Ah... — bufei revirando os olhos. Sai da casa e tranquei a porta. — Ouça, eu vou e estou pouco me importando se isso é coisa de nerd ou não!
–Clary... — suspirou. — Eu não quero chegar sozinha.
–Chama o Ken. – falei referindo-me a Santiago.
–Quem?
–Chama o seu namorado. — expliquei. — Quando eu chegar lá vou conversar com o Black, e depois falarei com Joe. Certifique que ele vá.
–Santiago levou um tiro, não está em condições de festas.
–Um tiro? Onde?
–No ombro. Parece que Kevin atirou nele, quando foram atrás do maldito. Joe saiu ileso, também o coitado já levou um tiro de você, outro o mataria. – como sempre Anne e sua sinceridade.
–Por favor, Santiago não precisa ir apenas pedir a Joe que vá. Acho que temos muito que conversar.
–Eu também acho, tomara que vocês se resolvam. — desligou. Guardei o celular na bolsa e passei pelo pescoço. Caminhei com dificuldade para a moto estacionada no jardim, se minha mãe soubesse disso, me mataria.
Tirei meus saltos, e montei na Cuevitto.
[...]
Ao chegar no endereço, uma casa rodeada de árvores e distante da vizinhança, ao redor uma imensa escuridão e da casa luzes piscavam e um neon no telhado refletia: Turma de 2014. Sorri de lado, apesar do cenário de filme de terror havia bastante gente encostada na lataria de seus carros bebendo e conversando.
Ainda sentada, calcei meus saltos negros sem deixar de observar o lugar. O short por baixo do vestido era desconfortável, e necessário por que se não o usasse todos veriam minha bunda enquanto eu andava de moto por aí.
–Você é Clarice Krueger? — perguntou uma voz assuando-me. Olhei em direção a voz, uma loira de vestido vermelho e tênis da mesma cor. — Meu Deus, não acredito que a garota mais foda de toda a cidade está na minha festa.
–Ah... — acho que fiquei sem graça. — Co-Como?
–Ai me desculpe. — ela pôs a mão sob o peito. — Vai me matar?
–Não. — franzi a testa. — Eu não entendo o que está acontecendo.
–Todos da escola andam falando que você pertence a duas gangues e namora o cara mais gato! Eu tinha que conferir de perto!
–Ah... — sai da moto e peguei meu celular na bolsa. — Não se preocupe, eu não trouxe confusão.
–Que bom. Foi ótimo conhecer você.
–Também. — sussurrei vendo-a se afastar. Que coisa estranha.
Mandei uma mensagem a Black avisando que eu já estava na festa. Passei pelos carros e entrei na casa, música alta e pessoas dançando por todos os cantos, bebendo e fumando. Avistei alguns Touros, e outros Romenos jogando truco, será que eles só sabiam fazer isso, quando não estavam matando ou traficando?
Me misturei na multidão e dancei com as batidas da música, ao sentir uma mão em minha cintura virei-me pronta para dar um soco nesse atrevido quando me deparei com aqueles olhos azuis brilhando.
–Joe. — abracei-o. Ele retribuiu, me prensando contra seu peito. Era tão bom sentir seu cheiro e estar em seus braços.
–Ai... — ele gemeu. — Minha perna.
–Me desculpa. — sussurrei afastando-me e pegando em sua mão. — Vamos conversar noutro lugar?
–Claro. — ele caminhou atrás de mim. Na verdade pulou se apoiando na muleta. Saímos na sacada que dava acesso ao quintal da casa. Havia um pequeno sofá e nos sentamos.
–Eu quero pedir perdão pelo tiro. — sussurrei. Ele riu.
–Clary... — tomou meu rosto em suas mãos fazendo minha atenção parar em seus olhos azuis. — Eu devo pedir perdão a você por tudo. Desde o começo, as mentiras e principalmente por causa de Yara, se eu não te amasse estaria com ela agora.
–Eu sei. — abri um enorme sorriso e Joe franziu a testa.
–Ah... É? — perguntou ofendido. — Está muito convencida para meu gosto.
–Eu só quero que me prometa que quando formos brigar, você não vai usar nenhum tipo de droga ok?
–Ok. — meu celular vibrou. Era uma mensagem, talvez de Anne, talvez de Black. — Não vai ler a mensagem?
–Deve ser Anne dizendo que está chegando. — menti. Suavemente abri a minha bolsa e lhe entreguei sua aliança. — Estamos oficialmente noivos.
–Claro. — ele a enfiou no dedo e sorriu de lado. — Tem certeza que está tudo bem?
–Sim. Aquela vadia deve estar a milhões de quilômetros de distância daqui. — respondi referindo-me a Yara, Joe desmanchou o sorriso enquanto retirava de seu pescoço o terço de prata.
–Isto é seu. — passou por meu pescoço prendendo-o a mim. — Eu te amo, é isso que importa. Agora que tudo acabou bem, seremos apenas nós dois.
–E a sua mãe maluca. — alertei e ele riu.
–E nós também. — disse uma voz assustando-nos. Anne usava um daqueles seus vestidos de Barbie e Santiago apenas uma regata de algum tipo de time de basquete e calças de moletom, no seu ombro um curativo era bem visível (local do tiro). Reparei que ele e Joe vestiam a mesma roupa, a diferença era a regata. — Oi amiga.
–Oi... — suspirei lamentando a companhia. Esperava aproveitar a noite com Joe, a chegada deles atrapalhou os planos ( tipo transar no meio daquela floresta).
–Eae. — Santiago se sentou ao meu lado e em seu colo Anne. Nossa, que casal mais comportado.
–Pelo visto vocês estão felizes. — comentei.
–E vocês também. Agora tudo acabou bem. — disse Anne alisando os cabelos escuros do namorado. — Vamos dançar Santi?
–Ah não... Vai você e Clary. — disse manhoso. Era a chance de encontrar Black sem que Joe desconfiasse. – Meu ombro está doendo.
–Vamos Anne. — levantei-me e Joe franziu a testa confuso. — Querido. Eu já volto.
–Podem ir, eu e Diamond temos assuntos de homens para pôr em dia.
Anne saiu do colo de Santiago, não antes de sugar a boca do namorado. Credo. Me acompanhou de volta para a casa, peguei meu celular enquanto caminhava verificando a caixa de mensagens. "Estou no estacionamento, perto de sua moto" dizia a mensagem de Black.
–Anne eu preciso ver se minha moto está bem.
–Ham? Ta maluca?
–Por favor. — sussurrei em seu ouvido. — Eu preciso encontrar Black, Joe não pode saber.
A música Summertime Sadness preenchia nossos ouvidos. Anne assentiu me dando passagem entre a multidão. Atravessei a sala para a porta de entrada esbarrando na loira que me recebeu quando cheguei.
–Clarice. — disse deixando na linha quem quer que estivesse conversando com ela no celular. — Onde está indo?
–No estacionamento verificar se não roubaram minha moto.
–Ah claro. — nem terminei de ouvi-la. Estava concentrada em falar com Black, voltar para Joe e terminar minha noite na cama com ele. A idéia era boa.
Encostado perto da Cuevitto estava Black com os braços cruzados. Vestia calças jeans negras e uma camisa meio desbotada no peito. Parei a sua frente e ele sorriu de lado.
–Faz tempo que não ficamos sozinhos. — comentou me observando. Fitei-o.
–Ouça, eu não tenho tempo a perder.
–Claro que não. Vou te contar tudo, antes tem de prometer que vai me perdoar.
–Perdoar pêlo quê?
–Sim ou não? — questionou impaciente.
–Claro que eu vou te perdoar, somos amigos... Depende do que você fez.
–Desculpa Clary. Eu não tive escolha. — sussurrou tão baixo que os grilos na mata faziam mais barulho que ele.
–Black você disse que ia me contar... — implorei confusa. Diversas luzes foram acesas cegando-me. Olhei confusa ao redor e todos os carros brilhavam, azul e vermelho.
–Você está sendo presa. -explicou ele. – Na delegacia a gente conversa melhor.
–O quê? — continuei a tentar ver algo em meio a claridade. Senti mãos me agarrarem e algemas sendo prendidas ao redor de meus pulsos.
–É disso que você tem que me perdoar.
A imagem do estacionamento e de minha moto foi perdida, retiraram tudo de mim... Bolsa, celular e apenas fui jogada dentro de algum carro. As algemas doíam, para onde eu estava sendo levada? Tudo estava escuro, eu só via luzes vermelhas e azuis. A porta foi escancarada e outra pessoa foi jogada ao meu lado.
–Oi querida. — disse Joe olhando-me assustado. Suspirei.

Notas finais
Muahahahhahahhsha uma semana sem postar ( na verdade é birra porque vocês não comentaram quase nada nesses últimos capítulos). Ah... Passem na minha nova história (Im)Perfeitos, o começo está calmo mas quando ad tretas começarem... Muhahahahaha