Você é minha droga
3 Festa Baby! part 2
Pov Clary:
Então é isso. Sabe o que é acordar, olhar ao redor e perceber que sua vida continua a mesma droga de sempre? Monótona, tão parada quanto uma tartaruga numa corrida. É assim que me sinto todo dia quando acordo para ir à escola.Minha mãe diz que sou ingrata, mas eu não chamo isso de ingratidão. "Liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome" dizia Clarice Lispector. Meu nome é Clarice, e numa certa coincidência parece que ela me conhece e fez esta frase como uma indireta. Eu sei é mentira, pois ela está se revirando no túmulo. Morta.Levantei da minha cama bocejando, não estava a fim de ir à escola. Quero dizer, eu nunca estive a fim de pisar no Saguaro School. Uma escola cheia de patricinhas, skatistas e jogadores de futebol americano. Sem contar a posição em que eu estou nessa pirâmide: Nerd, invisível, feia, estranha, responsável, etc. Minha melhor amiga é o contrário.Anne é a diva das líderes de torcida. Ela é tão flexível que consegue se dobrar e virar uma bola humana, só de pensar já me dá arrepios. E Wanessa então? Barraqueira. Ela teve que ficar dois anos fora da escola para criar a filha e então apareceu eu super a apoio, mas às vezes seu marido dá em cima de mim. Ele não só me paquera na maior cara de p/au, como me segue e me persegue como se fosse meu namorado sabe? Quer saber de tudo da minha vida.Peguei a camisa social da escola e vesti. Penteei os cabelos e prendi num coque, peguei meu casaco xadrez que combina com a horrorosa saia xadrez vermelha que também uso. Eu admito, gosto de usar tudo combinado, me sinto como aquela loira do filme "As patricinhas de Beverly Hills" quando coloco esta roupa, mas sem o cabelo loiro.Sai de casa confusa, encontrando Anne no caminho. Ela sorriu quando se aproximou, estava feliz dava para ver que algo estava acontecendo e como sempre eu era a ultima, a saber.–O que houve? — perguntei.–Festa. Festa. Festa. — disse ela balançando os quadris como uma dançarina de strip-tease. — Oh yeah baby. –Uau. Quanta animação, só não fique bêbada porque eu não to a fim de limpar seu vômito.–Para ta legal? — ela revirou os olhos. — Eu só vou a essa festa por causa dele.–Dele quem?–Diamond.–Errado. O nome dele é Santiago.–Diamond é seu apelido dentro da gangue.–Você acha mesmo que os garotos fazem parte de uma gangue? — perguntei rindo. — Oh pessoal, olhem lá uma polícia vamos atirar. Pow. Pow. — fiz uma arma com a forma da mão e comecei a atirar em tudo inclusive na enorme espinha que estava no nariz de Anne, mas ela não percebeu.–Gângsteres não fazem isso. — ela revirou os olhos.–Mas é claro que não. Eles não são gângster. — falei arregalando os olhos. — Acorda. — gritei.–Eu queria muito que você parasse com essa sua mania de achar que sabe de tudo.–Eu sei de tudo. Alias minha arma não teve efeito contra a grande espinha de Anne. — sussurrei, mas ela me olhou furiosa. — Acho que um fuzil daria conta.Eu ri histericamente. A senhora Joshua que pegava o jornal da manhã no jardim me olhou aterrorizada.–Enfim... — resmunguei depois de um longo tempo caminhando em silêncio com ela. -Não vou nessa festa. –Por favor. Minha mãe disse que eu só posso ir se você for. Sabe como é... Ela acha que você é mais responsável que eu.–Não. Ela tem certeza que eu sou mais responsável que você. — corrigi. — Eu vou à festa, mas se não tiver nenhum compromisso.–Que tipo de compromisso? Conversar com os velhinhos do asilo? — desta vez quem riu foi ela.– An, um dia você vai ser velha e eu não vou conversar com você. Se minha mãe deixar eu vou. Mas eu sei que ela não vai permitir isso. — respondi vitoriosa.[...]–Mas que legal uma festa Clarice. — disse minha mãe sorrindo. — Mas é claro que pode ir. Finalmente está vivendo como uma adolescente.–Perai. Você ta me deixando ir? Repete? — perguntei quase engasguei com minhas próprias palavras.–Clarice você fica o tempo todo trancada naquele quarto. Não sabe o que é curtir a sua juventude. Ah se eu tivesse sua idade... — ela se jogou no sofá da sala. — Como eu curtiria...–Mãe. — gritei horrorizada. — Aquela festa vai estar cheia de drogas, bebidas e pessoas fazendo relações sexuais sem proteção.–E daí? — ela me olhou como se eu fosse maluca. — Às vezes parece que você é minha mãe. De tão chata que é.–Eu não sou chata. E às vezes você parece ser minha filha de tão irresponsável como é. — retruquei. –Clarice vá a essa festa e me deixe em paz. — ela esfregou os olhos e viu seu relógio de pulso. — Merda, Harry vem jantar aqui.Harry era o pior padrasto que alguém poderia ter, não digo isso porque ele é meu padrasto não. Ele insiste em ter uma relação amigável comigo enquanto tenta casar com minha mãe, e sabe o pior de tudo? Ele consegue fazer com que minha mãe faça tudo o que ele quer. Ele praticamente me enche o saco com aqueles papos idiotas e hipócritas sobre a sociedade e eu tenho certa desconfiança que ele tenha uma vida dupla. Para mim é um completo mentiroso, não duvidaria se estivesse traindo minha mãe.–Ah... É agora mesmo que eu vou à festa. — falei caminhando em direção as escadas. –Vai com Deus. E volte bem tarde. — ouvi minha mãe gritar quando eu já estava no décimo degrau.
Entrei no quarto e revirei o armário em busca de uma roupa apresentável. Ok. Eu não queria despertar o interesse de nenhum garoto naquela festa, mas eu queria ir bonita pêlo menos.Coloquei um vestido preto colado ao corpo. Sorte que a minha dieta estava dando certo, sem gordura. Soltei o cabelo, minha mãe nunca deixou cortar, por isso já estava chegando à minha bun/da o comprimento dele. Calcei um salto da minha mãe e quase caí voltando para meu quarto. Resolvi ir de all star mesmo. Não passei maquiagem, odeio essa coisa que chamam de maquiagem para mim isso realmente esconde a beleza da mulher.Quando Anne chegou quase tive um susto, ela tava tão maquiada, tão emperiquitada que parecia uma Barbie.–Uau. — falei sem esbanjar nenhuma surpresa. — Você vai conquistar quem vestida desse jeito? O Ken?–Clarice e suas ironias. — disse ela retocando o batom rosa. — Se arruma vai.–Eu já tô pronta. — falei como se fosse óbvio. Ela me olhou como se dissesse “Não parece."–Anne. — disse minha mãe vinda da cozinha e entrando na sala sorridente. — Nossa você ta linda. Devia dar umas dicas de beleza a Clarice.–Mas é claro que eu daria umas dicas a ela. O problema é que ela insiste em não me ouvir. — disse An sorrindo.–Eu prefiro me vestir como uma mendiga a igual você. — falei.–Enfim, vamos? Arranjei uma carona. — disse An já saindo pela porta sem nem me esperar. Peguei meu Nokia Lumia e dei um beijo na minha mãe guardando o celular entre os seios. Vai que alguém me rouba? Nunca se sabe.Quando sai, fechei a porta e rezei para que nada de ruim acontecesse. An entrava no seu carro, revirei os olhos e também entrei só que no banco do motorista estava Black. O marido de Wanessa.–O que diabos faz aqui? — perguntei horrorizada.–É meu dever proteger vocês. — ele sempre dizia isso.–Você sempre diz isso. — revirei os olhos. Ele deu partida e Anne sorriu. Estava sentada ao lado dele e eu ali no banco traseiro. Os dois começaram a conversar sobre o último jogo dos Yankees.– Clary? — perguntou Black desviando o olhar do retrovisor para mim. -Quer ir assistir um jogo com a gente?– A gente quem? Eu, você, Wanessa e Alicia? — perguntei sarcástica. Alicia é a filha dele, e ele com sua cara de p/au davam em cima de mim até na frente dela. — Eu não entendo se não gosta de Wanessa porque não se separam?– Um dia vão entender... — sussurrou ele e é claro que ouvimos.A viajem de carro demorou uns dez minutos, pêlo que percebi a festa não era na parte alta e glamorosa da cidade. Digamos, no subúrbio. Descemos do carro e Black se despediu dizendo que se precisar era só chamar. Nem que eu estivesse com uma arma apontada para a minha cabeça eu chamava ele. Olhei para Anne que retocava pó corretivo no nariz para tapar a grotesca espinha. Nem eu tinha tanta espinha daquele jeito, talvez fosse porque eu não passava meu tempo me maquiando o tempo todo. Entramos no que aparentava ser um hotel antigo, An apertou meu braço... Passamos por alguns caras que usavam roupas vermelhas e pretas. Alguns assovios para An que se gabou enquanto eu me limitei a revirar os olhos. Várias pessoas dançavam se esfregando uma nas outras e as garotas praticamente transavam com os garotos, fato que todos estavam de roupa então imagine a dança das pessoas.Subimos uma enorme escadaria até achar num corredor vazio um sofá. Sentamo-nos lado a lado, percebendo um garoto do outro lado do corredor fumando. Ele também usava vermelho e preto.–Duvido você chegar naquele cara e o beijar. — disse An.–Até parece que eu vou lá beijar um desconhecido. Aliás, ele fuma, cigarro faz mal para a saúde.–Ah não exagera. — ela revirou os olhos. — Acho que ele é da Gangue dos Touros.Eu ri com sua idiotice. –Você ta tão vidrada em gangues que devia escrever um livro sobre elas. — falei rindo. — Até parece, é só um garoto fumando.–Ele deve conhecer Diamond.–Já sei. Porque você não vai atrás de Diamond? — perguntei. — Me deixa aqui sentadinha o resto da festa e quando quebrar a cara e quiser chorar e desabafar eu vou estar aqui. — falei totalmente sarcástica, mas ela não percebeu.–Serio? Vou atrás dele já volto. — ela se levantou e eu ainda tentei puxá-la de volta, mas ela riu e correu para fora do corredor me deixando sozinha. Ótimo. Era eu, o corredor vazio, o sofá e o fumante. Até que ele era bonitinho.
Notas finais
Esse é o tamanho dos capítulos normalmente mas, eu duvido em três partes como fiz nos três primeiros desta história. Bem, comente a maneira que você achar melhor, curtos ou longos capítulos?
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