Você é minha droga

39 A paz entre as gangues


Notas iniciais
Desculpem a demora, as aulas começaram e já devem imaginar a minha correria.

Pov Joe:

–Porque fez tudo isso? Eu ia matá-lo.
–Ouça. — ela se levantou e ficou da mesma altura que eu. Seus olhos castanhos brilharam. — Eu não queria ver você morto muito menos ele morto. Se eu não tivesse feito tudo isso você ia morrer. O restaurante é italiano, e pertence aos Romenos. Estranho não?
–Está mentindo. — ela acertou um tapa tão forte em minha bochecha esquerda que tive a certeza que ficaria vermelho.
–Nunca mais me chame de mentirosa. — ficava tão bonita brava. — Kevin não te contou não foi? Ele queria ver você morto, por isso armou tudo isso. Até aquele maldito garçom que nos serviu é Romeno, ele tinha um calibre 38 debaixo do avental. Você entrou sozinho e talvez poderia não sair vivo de lá. Eu te protegi.
–Kevin jamais faria isso. — retruquei.
–Ok Joe. Lavo minhas mãos. — ela se virou pronta para ir embora.
–Você vai me contar tudo. — falei segurando seu braço. Não ia deixá-la ir embora sem me explicar.
–Siga minha moto. — ela pulou na garupa e ligou o motor da moto. — Se conseguir é claro.
Saiu na maior velocidade, corri pela rua até meu Torino.
–Joe aonde vai? — perguntou Santiago.
–Segui-la. — gritei de volta.
–E nós? — gritou Yara.
–Jantem. Vocês não queriam isso? — gritei já ligando meu motor. Se Clary ia correr eu também mostraria a ela que sabia correr.
[...]
Sua moto parou na frente do sobrado. Sim, o novo sobrado que Capeline havia comprado. Nessa confusão eu realmente fiquei confuso, com o fato de Kevin não me contar nada e matar Capeline. Os caras de azul e branco estavam em pé na escadaria com os braços cruzados. De longe dava para perceber as armas enfiadas na calça, por baixo de suas regatas.
–Clary. — chamei. Ela parou e se virou para mim com um sorriso cínico no rosto. O que aconteceu com a Clary que a algumas horas antes eu confessei que amava? — Podemos conversar.
–Lá dentro. — disse ela seguindo para o sobrado. Droga... Vi-me atrás dela, na sala principal os Touros estavam sentados no chão, nos sofás ou em pé. A coisa estava séria, para toda a gangue estar reunida.
Claro que estava séria! Me odiei mentalmente por não perceber, Capeline havia morrido e o atual líder assinado um acordo de paz entregando os Touros para os Romenos. Nunca pensei que a maravilhosa e destemida gangue criada por meu pai acabaria assim.
–Senhores... — começou Clary chamando toda a atenção para si. — Devem estar se perguntando, o que faço aqui.
–O que os Romenos fazem aqui! — gritou um dos Touros.
–Bem. Eu e o líder dos Touros assinamos um acordo de paz. — barulho e discussão. Eu sabia jamais uma mulher comandou uma gangue, não era agora que isso mudaria. Ela sacou o revólver que a pouco tinha apontando para minha nuca e atirou três vezes no teto. O silêncio voltou. — Querendo ou não, os Touros e os Romenos serão a partir de hoje em diante apenas uma gangue! E eu... A líder.
Novamente as discussões. Clary deu de ombros, em outras circunstâncias eu estaria orgulhoso de vê-la se tornar a gângster mais poderosa do estado. Sorriu para mim.
–Vamos deixar eles quebrarem a cara com essas discussões sem futuro e vamos conversar. No seu quarto. — ela foi para as escadas. Parou Henrique. — Não deixa ninguém subir para lá. — O romeno assentiu e ainda teve a coragem de olhar para a bunda dela enquanto Clary subia os degraus. Fitei-o furioso.
–Ela tem dono. — avisei antes de segui-la.
Quando paramos no terceiro andar. Ela se virou para mim. Abraçou-me e caiu em prantos.
–Você não sabe o quanto me segurei para não chorar na frente de todos. — sussurrou. Estava tudo bem, ela estava comigo.
–Tudo bem. Eu quero entender o que foi tudo isso ok?
–Eu acordei esta manhã bem cedo, pedi a Luke algumas armas e troquei meu Porsche pela moto dele. Fui atrás de Kevin e pedi para que ele deixasse alguns garotos ao meu comando. Sabe como é? Eu também mando naquela porra. — ela riu, não tinha graça. — Fomos atrás do advogado e pedi para que ele fizesse o contrato, o Acordo de Paz.
–Sim... — sussurrei para que ela prosseguisse. Seus braços ao redor de minha nuca apertaram-me mais forte contra si.
–Treinei tiro ao alvo o dia inteiro. — ela disse se afastando e finalmente colando seus olhos aos meus. — Bem, não consegui aprender muita coisa.
–Você não precisava ter feito isso. — disse acariciando sua bochecha, ela fechou os olhos com o toque. — Se eu o matasse tudo acabaria.
–Não acabaria, aquele restaurante também era dos Romenos. Segui com os caras que Kevin mandou que fizessem o que eu quisesse para lá, no caminho eles contaram tudo. Se você entrasse lá sozinho não sairia vivo. Foi quando planejei com eles, todos os Romenos decidiram ficar ao meu lado já que eu sou a filha do chefe e que tudo o que fôssemos fazer seria para preservar a vida dele. E a sua também. — parou um pouco e respirou profundamente. — Quando chegou eu já estava lá, vi você entrar no corredor atrás de Owen e o segui. Percebi que ia matar ele na frente da inocente de minha mãe e minha única alternativa era apontar esta maldita arma para você. Eu não queria que ninguém morresse.
–Ninguém morreu. — confirmei e ela tentou sorrir.
–Só a minha alma. Olha o que fiz, agora sou dona de duas gangues tentando fazer elas virarem uma só. — disse apavorada. É claro que ela só permitiu mostrar sua fraqueza a mim, porque confiava, sabia que eu a amava e apesar da puta raiva que estava por deixar Owen escapar, a perdoaria. Tudo verdade. — Me perdoa por ter estragado tudo?
–Branco e azul não combina com vermelho e preto, Clary. — acariciei sua bochecha novamente. — Você vai ter que separar essas gangues, ou simplesmente fazer com que a tradicional Toura vire uma gananciosa Romena. Ou vice-versa.
–Me ajuda? — perguntou.
–O que eu não faço por minha droga? — ela sorriu e se permitiu beijar-me. Retribuí desesperadamente. Eu precisava de seu sabor e principalmente de seu corpo. Eu precisava dela.
–Joe... — afastou-se para recuperar o fôlego. -Vou ter que voltar para lá como uma vadia insensível.
–Eu serei seu vadio insensível se quiser. — passei os braços por sua cintura abraçando-a de lado. — Você quer?
–Tudo que se refira a você eu quero.
Quando chegamos a sala toda a gritaria parou e os olhares foram para nós. Clary tomou coragem e voltou a ser aquela vadia insensível.
–Os Touros e os Romenos não precisam se tornar uma gangue apenas. — disse decidida. — Vão continuar separadas, contudo Joe será líder dos Touros e os Romenos vão ter que aturar Kevin Drewnick. Sem brigas sem morte. A partir de agora as duas gangues têm um acordo de paz! Quem quebrar esse acordo, será punido com a morte. — sua ultima frase fez todos se arrepiarem. Voltou seu olhar para mim satisfeita.
Deixamos o sobrado rindo, alguns Romenos dividiam umas latas de cerveja com outros Touros sentados na escadaria principal. Passamos por eles que nos cumprimentaram. Eu jamais havia sido líder de uma gangue e agora que eu era um, os problemas começariam a aparecer.
–Você não me explicou uma coisa. — falei parando na frente de sua moto. Ela montou na mesma e me fitou curiosa.
–O quê?
–Porque Kevin não me avisou que o restaurante era Romeno ?
–Eu não sei. Talvez ele também quer ver você morto.
–Onde vai? — perguntei quando ela ligou o motor.
–Embora. Depois de tudo isso eu preciso ficar um pouco sozinha. — inclinei-me e a beijei suavemente. — Sem Joe.
–Claro. Já imaginei que eu ficaria esta noite sozinho. — respondi e Clary sorriu.
–Eu também te amo. — disse tão baixo que quase não ouvi.
–Eu sei.
Sua moto sumiu pelo asfalto. Enfiei as mãos nos bolsos de meus jeans. E agora? O que eu faria?
–Hey Joe. Vamos jogar truco, quer vir? — gritou um dos Romenos que bebiam cerveja. Assenti com a cabeça. Até que Clary não estava tão errada quando selou esta paz dentre as gangues. Ela sempre estava certa, só não contava isso se não ela ficaria muito convencida.
Sentei-me ao lado deles na escadaria. Um deles me ofereceu uma lata de cerveja. Eu precisava relaxar e descontrair depois de tudo isso.

Notas finais
Vou postar mais um em seguida pra vocês me perdoarem o atraso. Outro motivo pra ficarem felizes é que acabei finalmente o ultimo capitulo daqui (apenas escrevi) e sim vou conseguir terminar de postar todos.