Você é Tudo que Eu Quero!
1 Capítulo Único
Notas iniciais
“Fala”
‘Pensamento’
Ação.
Yamamoto notava ser bonita a preocupação excessiva de Gokudera em relação a Tsuna, mas ao mesmo tempo isso era algo que o enciumava e de certa forma preocupava, já que ele amava o guardião da tempestade mais do que tudo. Mas mesmo o amando incondicionalmente, o moreno tinha um certo receio de se “declarar” para ele, porque conhecendo seu temperamento tinha a perfeita noção da reação de Gokudera; todavia preferia não arriscar, até porque apenas observá-lo em segredo já era satisfatório, mesmo que isso não fosse o bastante, a vontade de prová-lo aumentava cada dia mais e Yamamoto sabia que chegaria o dia em que não seria mais capaz de controlar seus sentimentos em relação ao outro.
E hoje não seria exceção, o moreno teria de fazer uso de todo o seu auto-controle, apenas para estar perto de Gokudera. Enquanto Yamamoto caminhava até o local onde costumavam encontrar Tsuna para ir à escola, ao longe vê uma linda cabeleira prateada, a qual amava. Tendo visto isso, o garoto corre ao encontro do outro exibindo seu habitual sorriso.
“Ohayo,” disse ainda sorrindo.
“Idiota,” respondeu Gokudera, virando e tomando sua pose de durão de sempre.
Yamamoto apenas riu.
‘Não sei como fui me apaixonar tanto por ele, eu deveria odiá-lo por me tratar sempre assim, mas estranhamente eu o amo, e tanto...’
Normalmente era fácil que Yamamoto se controlasse para não agarrar Gokudera e roubar-lhe deliciosos beijos, pois eram raros os momentos em que ficavam à sós, quase sempre estavam juntos de Tsuna, o que não era o caso agora. Gokudera e Yamamoto, ali sozinhos. Era perfeito, se não fosse uma certa dúvida que incomodava o maníaco do basebol já a algum tempo; dúvida a qual o moreno resolveu obter resposta.
“Gokudera...” chamou, tentando se fazer ver por aqueles maravilhosos orbes verdes.
“O que foi?” respondeu desinteressado, ainda de costas.
“É que eu queria te perguntar uma coisa, sabe... posso?”
“Que é?” disse ainda sem demonstrar interesse.
“É que você e o Tsuna... er.. sabe.. eu queria saber se você... er” Yamamoto, de fato, não sabia como fazer esse tipo de pergunta, ainda mais para ele.
“O que tem eu e o Jyuudaime?” só foi preciso tocar no nome de Tsuna para que ele, mesmo de costas, olhasse para o moreno, demonstrando certo interesse na tal pergunta.
“Err... certo, vou tentar ser direto. Você vive protegendo e se preocupando tanto com o Tsuna...” Yamamoto parou e pensou um pouco, tentando encontrar as palavras certas para dizer. “Você gosta dele... tipo como mais do que um amigo ou mais do que como o chefe, nessa brincadeira de máfia?”
Não houve resposta de imediato. Desta vez virou-se completamente para o moreno e este pôde ver que o olhar lançado por Gokudera era o de mais profundo choque. Esta parecia ser a última pergunta esperada pelo Hurricane Bomb.
‘Como ele pode ter coragem de fazer uma pergunta dessas. Como se eu fosse gostar de homens... que idéia mais ridícula, tinha mesmo que vir desse idiota do Yamamoto’
“É claro... claro que não, idiota. Eu sou só o braço direito do Jyuudaime.” Respondeu por fim, corando um pouco e desviando, irritado, o olhar do moreno. Neste momento, Yamamoto pode perceber que uma de suas preocupações que envolviam Gokudera não tinha o mínimo fundamento, uma vez que acreditara cegamente nas palavras do outro e não pôde, e nem fez questão de esconder o sorriso da mais pura satisfação que brotava em seus lábios.
Tendo conhecimento disso, Yamamoto sabia que não iria conseguir se conter; era melhor que aproveitasse tal chance, até porque já se sentia mais quente do que normalmente enquanto estava na companhia de Gokudera. Sem nada dizer, aproximava-se a cada instante mais e mais de Gokudera, fazendo este recuar em direção a um muro atrás deles, até sentir algo sólido e frio em suas costas e Yamamoto continuar indo em sua direção, prensando seus corpos, não deixando que restasse nenhum espaço entre os dois; não havia para onde fugir.
“Idiota! O que acha que está fazendo!?” gritava Gokudera em pleno desespero, percebendo um aparentemente grande volume, vindo do outro, roçando em si. E o pior era que ele, também já começava a ficar excitado, apenas com a aproximação de Yamamoto.
Yamamoto nada respondeu, apenas levou seu indicador à boca do outro, indicando para que este se calasse. Percebendo a aproximação de alguém, que muito provavelmente seria Tsuna, relutantemente Yamamoto retira seu dedo dos macios lábios de Gokudera e o leva até os seus, depositando nele um doce beijo, o que fez Gokudera pensar em porque estava gostando disso e o que teria acontecido se o Jyuudaime não chegasse.
Nenhum dos dois permitiu que Tsuna percebesse que quase havia acontecido alguma coisa entre eles e agiram tão normalmente que pareceram até meio artificiais, o que felizmente Tsuna não notou.
Já na escola tudo transcorreu na quase mais absoluta normalidade. Gokudera distraia-se com a paisagem janela afora, perdido em seus próprios pensamentos, os quais estavam completamente preenchidos com as lembranças do que Yamamoto tinha feito, por mais que não quisesse pensar nisso. E enquanto ele distraia-se o moreno aproveitava e observava-o o máximo que podia, tendo os mais libidinosos pensamentos com Gokudera; o que o fez notar que o volume em suas calças já estava bem visível, nada que uma arrumada na blusa não escondesse.
O sinal do almoço tocou, ambos estavam tão distraídos que só se deram conta do horário quando Tsuna os chamou meio preocupado, os dois deram uma risada forçada, justificando seus devaneios dizendo que a aula anterior estava muito entediante, Tsuna não percebeu nada de estranho nisso e riu junto com os amigos. No corredor, Tsuna avistou Kyoko e, como de costume, correu todo feliz para falar com ela, deixando Yamamoto e Gokudera para trás. Assim que percebeu que estava sozinho com aquele pervertido de novo, Gokudera corou, demonstrando seu nervosismo. Yamamoto apenas riu, colocando uma das mãos atrás da nuca. Relutante e surpreendentemente quem quebrou o silencio foi Gokudera, ainda levemente corado.
“Precisamos conversar, esclarecer as coisas.” Disse em um tom frio, sem ao menos dirigir o olhar ao moreno.
‘Será que ele quer continuar o que começamos de manhã? Não tem como não ser isso, eu sei que ele gostou, não foi só eu que fiquei excitado com aquilo... ’
“Depois da aula,” acrescentou Gokudera, percebendo que o outro tinha feito menção de dizer alguma coisa. Em resposta, Yamamoto apenas acenou com a cabeça e ao lado de Gokudera encaminhava-se sorridente na direção de Tsuna, que balançava uma de suas mãos na direção deles.
O resto das aulas transcorreu da mesma forma que as anteriores, exceto pela ansiedade de ambos.
‘Porque diabos eu tinha que ter dito aquilo?! Será que eu realmente quero continuar com aquilo... Não, não pode ser, embora devo admitir que gostei daquilo... mas porque? Porque?’ martirizava-se Gokudera.
Assim que o sinal indicando o fim das aulas tocou, mais rapidamente do que de costume os dois correram para a porta da sala, não se atrevendo a cruzar seus olhares, principalmente Gokudera que já se encontrava muito vermelho.
“Você está bem, Gokudera-kun?” perguntou Tsuna, fazendo referência a sua face ainda rubra.
“S-sim, Jyuudaime. Costumo ficar assim quanto está muito quente.” Respondeu com uma risada forçada ao final, o que pareceu totalmente convincente para Tsuna.
Juntos, os três caminharam até a saída da escola, onde se depararam com a pequena figura de Reborn esperando por Tsuna.
“Ciaossu” cumprimentou Reborn, pulando no ombro de Yamamoto. “Aqui não é um bom lugar para o que você e Gokudera pretendem fazer, lembre-se do Hibari...” disse o arcobaleno para que apenas Yamamoto escutasse e com outro pulo já estava no chão, chamando Tsuna para o acompanhar.
“O que o bebê disse?” indaga Gokudera assim que Tsuna desaparece de suas vistas.
“O garoto disse que aqui na escola não seria um bom lugar para o que vamos fazer... por causa do Hibari” respondeu Yamamoto com um sorriso malicioso, sem qualquer respeito, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, o que fez Gokudera ficar ainda mais vermelho.
Gokudera nada disse, apenas corou ainda mais, se é que era possível, enquanto Yamamoto ria. Passados alguns instantes, sem dizer nada o moreno toma a mão de Gokudera e começa a conduzi-lo a algum lugar, talvez menos público que a escola e o outro simplesmente se deixou levar.
‘Não acredito que esse desgraçado tá mesmo me levando pra algum lugar ... de mãos dadas comigo, ainda por cima...’
Caminharam lado a lado, ainda de mãos dadas e no mais absoluto silencio. O caminho que seguiam era completamente deserto, sendo assim não havia qualquer problema em estarem de mãos dadas, como um perfeito casal. Não precisaram andar muito, logo, Yamamoto começou a diminuir o passo, indicando que o local estava próximo, Gokudera imitou-o. A rua na qual Yamamoto entrou era ainda mais vazia do que o resto do caminho e muito mais estreita do que qualquer outra rua que Gokudera já tinha visto em Namimori.
O moreno nem ao menos deu tempo a Gokudera de assimilar o que estava acontecendo, foi se aproximando fazendo o outro recuar na direção oposta e como o espaço era bem limitado, Gokudera logo encontrou a parede, o que facilitou para que Yamamoto colasse seus corpos, ainda assim fazendo questão de manter o contato visual.
”Yamamoto...” foi a única coisa que Gokudera conseguiu dizer, sendo rendido contra a parede, com o ritmo cardíaco descompassado.
‘Como queria que ele soubesse que bem me faz ouvir meu nome sendo dito por ele... não que de alguma forma eu não goste quando ele me chama de maníaco do basebol ou até mesmo de idiota. Para falar a verdade, tudo, absolutamente tudo que vem dele é completamente deslumbrante pra mim...’
Yamamoto nada disse, apenas sorriu maliciosamente, apoiando um de seus braços em um espaço na parede perto de Gokudera, para impedir que este escapasse, não que o moreno achasse que o outro faria isso, mas em todo caso...
‘O que esse maldito acha que está fazendo?!’
“Eu sei que você também me quer, Gokudera” disse Yamamoto chegando um pouco mais perto, respondendo à pergunta nos pensamentos do outro.
Gokudera não tinha sequer coragem de dizer que era mentira, era a mais pura verdade. Nem ao menos conseguia desgrudar seus olhos dos dele.
Em apenas um instante Yamamoto gruda seus lábios nos de Gokudera, o que a principio o surpreendeu e sem se dar ao trabalho de ao menos pedir permissão, Yamamoto invade a boca deste com sua ávida língua pronta para explorar cada canto da macia e quente boca de Gokudera, que apenas imitava o outro em seus movimentos. O fato do ar começar a acabar não os impedia nenhum um pouco de continuar devorando um ao outro apenas com um beijo. Apenas quando não havia mais ar em seus pulmões é que, relutantemente se separam, ofegantes, recuperando o ar perdido.
Após conseguir ar o bastante para conseguir falar, Yamamoto encosta o lado de sua cabeça à de Gokudera, para sussurrar-lhe em seu ouvido, com a voz completamente sedutora, o que fez Gokudera não conseguir respirar de vez:
“Eu te amo. Você é tudo que eu quero!”
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