Você vai morrer, Ellizabeth
1 Prólogo
Prólogo, no antigo teatro grego, é a primeira parte da tragédia, em forma de diálogo entre personagens ou monólogo.
Não consigo dizer se este escrito encaixa perfeitamente na definição de "prólogo", mas uma coisa é certa: "tragédia" é uma palavra que aqui se aplica com perfeição.
Antes de dar início à minha tragédia, faço um pedido: digite a palavra morte na busca de qualquer navegador de internet. Não vai encontrar resultados animadores, muito menos imagens tranquilas para ver antes de dormir.
Eu deveria estar dormindo, mas estou escrevendo por ter me arriscado a clicar no maldito botão de "pesquisar imagens". Elas ficaram gravadas na minha mente, e agora me fazem parar à frente do computador e descrevê-las neste texto um tanto grotesco e agourento. Que tipo de imagens? Coisas como cadáveres completamente decompostos, marcas de bala e poças de sangue, línguas inchadas e peles putrefatas.
Estômago fraco demais para isso? Dispense as imagens, então. Recorra ao bom e velho dicionário e busque a mesma palavra – ali, em algum lugar entre mártir e mostarda. Meu Aurélio está perdido na bagunça que chamo de quarto, sendo assim, não posso indicá-los com precisão uma localização ou significado, procurem por conta própria. Contudo, uma coisa posso garantir: não é nem um pouco agradável.
É estranho ver a narradora iniciar a história indicando pesquisas, não? Totalmente estranho, mas me vi na obrigação de fazê-lo. A morte não é algo divertido, como puderam comprovar se de fato pesquisaram o que mandei. Logo, minha grande pergunta é: por que ler um livro cujo título é uma ameaça de morte? Se você tem esse exemplar em suas mãos porque achou minimamente interessante, sugiro que procure um psicólogo. Se recorreu a ele buscando alguma incrível lição de vida – ou de morte –, sinto informar que entrou no corredor errado. A seção de autoajuda é no andar de cima, duas estantes depois de Sociologia.
Se for teimoso e gostar de brincar com a própria vida, vá em frente. Arrisque-se. Continue a folhear essas páginas, e talvez encontre algo interessante. Não me responsabilizo por possíveis efeitos colaterais, como momentos melancólicos e calorias em excesso por ingestão de chocolate.
Caso algo de pior aconteça, deixo com antecedência: meus pêsames.
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