Você vai lembrar de mim - Fremione
8 Quase encontros
Fred POV
Os próximos meses foram difíceis. Não houve um dia que não sentisse saudades e me enchesse de preocupação. Às vezes me surgia uma vontade insana de largar tudo que estivesse fazendo e fosse em busca dela… Se as chances não fossem tão baixas de conseguir encontrá-la, talvez eu realmente tentasse.
O curioso é que, mesmo não nos encontrando até a grande batalha, nossos caminhos quase se cruzaram nesse meio tempo e parte de mim desejou imensamente que eu a visse mais uma vez... Mas seria arriscado demais. Tudo que aconteceu, precisava acontecer.
O que me resta é relembrar de nossos quase encontros e torcer que de algum forma minhas tentativas de lhe deixar uma mensagem tenham dado certo. Que Hermione se lembre de como eu a amo.
Assim que o Ministro Scrimgeour foi assassinado, todos os membros da Ordem, incluindo meu pai, foram colocados sob observação. Jorge e eu também devíamos estar sob observação, mas por ironia do destino, termos publicado o livro que difama a imagem saudosa Dumbledore nos deu algum período de vantagem antes de fazerem uma vistoria na Gemialidades. As poucas lojas remanescentes no Beco Diagonal estavam sendo gradativamente fechadas e sob a desculpa de fazer negócios com Batilda Bagshot para um novo livro, eu pude viajar até Godric's Hollow sem levantar suspeitas.
A cidade era parcialmente formada por trouxas, então era fácil para um bruxo perceber a diferença entre um estabelecimento bruxo ou trouxa, isto é, só um bruxo olharia para um bar caindo ao pedaços como aquele e pensaria que dá para conseguir alguma bebida.
—Um Whisky de fogo, parceira.
Uma duende, que provavelmente era visto por trouxas como uma mulher baixinha, me trouxe um copo e uma garrafa. O lugar era uma espelunca, mas pelo menos eu conseguiria alguma informação da cidade. Além disso, parecia vazio.
—O que um bruxo viajante tem para ver numa cidadezinha como essa?
— Se veio até aqui, senhor, deve saber que temos alguns moradores notáveis ao longo dos séculos. A maioria já está morta, é claro…
A duende a minha frente parecia se divertir com minha tentativa falha de ser sutil em conseguir informação. Continuei:
—E onde essas pessoas vão? Ao cemitério? Ver quanta gente legal morreu aqui?
— Se com gente legal você quer dizer grandes bruxos de reconhecimento mundial… Então, sim. A família Peverell e a própria família Potter estão aqui, com gerações enterradas. Nos últimos anos, depois das publicações sobre o Eleito, Harry Potter, uma verdadeira peregrinação de bruxos aparece por aqui para ver a casa do Menino que Sobreviveu e a lápide dos pais. Com a morte de Dumbledore, pensei que ser enterrado aqui atrairia mais visitantes, mas ele preferiu ser enterrado naquela escola para bruxos.
— Batilda Bagshot mora aqui, certo? Não posso ver Dumbledore, mas pensei em conseguir um autógrafo com a senhora na bibliografia que fez dele.
A duende fez uma cara desagradável.
—Aquela velha desonrou a memória do Alvo! Conheço aquele menino e o irmão desde que não tinham barbas. Não é fácil encontrar bruxos que respeitam duendes, Aberforth até trabalhou comigo um tempo antes de comprar um bar em Hogsmeade!
— A bibliografia é falsa então?
— Pior, é uma verdade deturpada, contada de um jeito para fazer Alvo parecer muito menos decente do que ele realmente é. Batilda deve ter sido enfeitiçada para revelar aquelas informações para uma megera como Rita Skeeter… Ou ficou gagá de vez.
É claro, Hermione estava certa sobre o teor daquele livro. Continuei com a perguntas:
— ...Sabe onde encontro a casa dos Potter e a casa da sra. Bagshot?
— No final da rua há um cemitério, as duas casas estão na entrada dele. É fácil reconhecer a dos Potter… Está aos pedaços, para nos lembrar o que um bruxo das trevas é capaz de fazer com uma família.
Peguei algumas moedas e paguei pelo Whisky. Naquele instante, tive uma ideia.
—Dois sickle a mais por um pedido. Se uma jovem bruxa de cabelos castanhos, provavelmente acompanhada por um ruivo, aparecer aqui fazendo perguntas incomuns sobre os Dumbledore ou os Potter… Poderia lhe servir uma cerveja amanteigada com gengibre? E dizer que o namorado dela está cuidando para a livraria só trabalhar com livros decentes daqui em diante?
— Oh! Está falando da senhorita Hermione Granger? Dumbledore me avisou que os três poderiam passar por aqui e pediu que os oferecesse abrigo.
— Dumbledore? Quando? Como?
— Há seis meses atrás… Pelo visto ele sabia que esses jovens viriam aqui à procura de algo.
— Mas ninguém devia saber informações!! Como você…?
—Ora, eu sou apenas uma duende dona de um bar. Que Comensal da Morte poderia suspeitar de mim? Nem mesmo tenho uma varinha!
Havia um sorriso confiante naquela duende. Pelo visto Dumbledore conseguiu prever as ações do trio com uma precisão ainda mais absurda do que imaginamos.
Segui em direção ao cemitério e passei pela entrada da casa dos Potter. Havia um pequeno altar com mensagens escritas por bruxos apoiando Harry. Decidi fazer minha parte e escrevi “Se ler esta mensagem, Harry, saiba que estamos com você!”.
Do outro lado da rua, vi a casa que, pelo que a duende disse, pertencia a Batilda Bagshot. A porta estava fechada e o local parecia inabitado por pelo menos um mês.
Bati na porta, sem respostas. Testei se a porta estava trancada e ela se abriu sozinha! Fred Weasley pode ser muitas coisas, mas não um invasor de casa de idosas! Eu queria fechar e sair de lá correndo, mas eu estava com o livro que Rita Skeeter pediu para eu entregar para Batilda, então só dei uma espiada dentro da casa e coloquei o livro na primeira bancada que vi.
A casa em si parecia mal assombrada… Se Rony entrasse aqui, tenho certeza que ele ficaria se borrando pensando em aranhas saindo de trás dos móveis. Dei uma segunda olhada cogitando se valia a pena deixar uma pegadinha armada, mas não havia como saber quando eles passariam e eu poderia acabar matando de susto uma velha bruxa escritora, o que provavelmente arruinaria minhas chances com Hermione. Então, infelizmente, optei por não criar ilusões de aranhas no local.
Assim que saí de lá, aparatei de volta para loja.
Meses depois, eu soube que o trio de fato passou Godric's Hollow, mas eu adiantei demais minha passagem. Felizmente eu não montei a piada para Rony, porque meu ilustríssimo covarde irmão não estava acompanhando os dois naquele momento. Hermione também não recebeu a cerveja amanteigada pois ela e Harry não tiveram a chance de adentrar a cidade.
Nosso segundo quase encontro teve maior compatibilidade de “tempo”, apesar de que não pude falar com o trio pois os três estavam fugindo para salvar suas vidas.
Exatamente um mês depois do casamento, Jorge e eu fomos chamados no Ministério para depor a respeito de movimentações estranhas no Beco Diagonal e receber alguns panfletos do Ministério, agora obrigatórios de serem distribuídos em estabelecimentos. De fato, eles não deviam saber que fazíamos parte da Ordem da Fênix e nossa loja era um local de refúgio e reuniões… Caso contrário, ao invés de depor, seríamos detidos para investigação. Por muito menos outros bruxos foram presos pelo Ministério sob a desculpa de procurar informações sobre nascidos trouxas.
Assim que chegamos no Ministério, vimos uma grande movimentação vindo em direção às lareiras.
—Vejam, é Harry Potter!
—Será mesmo Harry Potter?!
—Seguranças!
O minuto seguinte foi tão turbulento quanto se pode imaginar. Vimos Harry, Hermione e Rony num lustroso terno azul correndo em direção às lareiras enquanto Yaxley, o novo Comensal da Morte colocado por Voldemort num cargo de chefia do Ministério, tentava impedi-los de alcancar.
Jorge e eu nem precisamos trocar palavras, apenas sacamos nossas varinhas:
—Ventus tria! — Ventus Tria!
E as centenas de panfletos empilhados na entrada se espalharam com a ventania e atrapalharam a passagem dos seguranças que corriam em direção ao trio.
O ganho de tempo foi quase insignificante, mas o suficiente para vermos os três chegando a lareira onde poderiam aparatar. Yaxley conseguiu alcançá-los nesse momento e de onde eu estava, tentei estuporá-lo, mas foi em vão. Os quatro desapareceram em meio às chamas e aparataram em algum lugar.
Não tivemos tempo suficiente para sequer trocar palavras com eles, mas vê-los agindo me fez lembrar porque Jorge e eu abandonamos Hogwarts. Não foi apenas para abrir nosso negócio, queríamos fazer a diferença.
Aproveitamos toda aquela bagunça para entrarmos num elevador do Ministério. A verdade é que conhecíamos muito bem o local. Durante a Primeira Guerra Bruxa, quando Voldemort estava sequestrando até mestiços e traidores do sangue, papai passou a nos levar para o trabalho todos dias para garantir nossa segurança enquanto os mais velhos estavam em Hogwarts e mamãe foi para casa da tia Muriel. Nossas primeiras ideias de logros foram pensadas para atrapalhar os colegas de repartição do papai… Hoje elas desempenhariam o mesmo papel.
Seguimos para o local onde fabricavam os panfletos que divulgavam os rostos dos procurados pelo Ministério. O local já estava bastante caótico e eu reconheço muito bem o toque de gases que coloco em meus apetrechos. Aquele lugar havia acabado de receber alguns Detonadores chamarizes!
Jorge me encarou os mesmos olhos de maldade que eu tinha, sabíamos exatamente o que fazer.
—Reflexus!
Estávamos trabalhando em algumas versões melhoradas dos famosos panfletos do “inimigo número 1”. Íamos usar a Floreiros e Borrões para fazer cópias, mas o próprio Ministério já tinha tudo perfeitamente preparado para tal. No meio daquela bagunça, eles levariam um bom tempo para perceber a sutil mudança que estava sendo impressa nos panfletos. Fizemos algumas versões com a cara de sapo, mostrando Dolores como “Ogra nº 1”, outras com os Comensais da Morte que conseguimos fotos (Obrigado Profeta Diário).
Saímos de lá mais rápido que o apanhador do Brasil na última Copa de Quadribol!
Naquele mesmo dia, o pessoal do Ministério chegou à Gemialidades para fechar o lugar, certos de que havíamos auxiliado na invasão de Harry Potter, mas não encontrou nenhum de nós.
Estávamos decididos a ir para a casa da Tia Muriel, quando Jorge teve uma ideia melhor:
—Fred, acho que devíamos fazer uma visita ao nosso mais importante avaliador de logros. Não o vemos desde o último ano em Hogwarts…
—Jorge, essa é uma excelente ideia! Inclusive, talvez ele deva ser promovido. Foi membro da Armada de Dumbledore, mas agora seria melhor que fizesse parte de uma certa Ordem…
—Bem… A casa de Kingsley Shacklebolt fica no caminho. Podemos fazer as devidas apresentações.
Um pequeno passado para os gêmeos Weasley, mas o grande ponto de partida para o Observatório Potter! Graças a ele, quase encontrei Hermione mais uma última vez.
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