Você toca os batimentos do meu coração

1 Capítulo Único: Sua melodia para mim


“— Você perdeu a noção, né? — Aproximou-se do outro preparado para uma briga.

— Eu perdi a noção? E você que fica palpitando na composição dos outros?

— Pelo menos não fui eu que quis aparecer mais que o colega e estragou o próprio instrumento.”

A banda da escola era um clube onde muitos amantes da música procuravam ficar para se desestressarem. O lugar era agradável, pois tinham uma sala exclusiva, diferente de todos os outros clubes, que eram obrigados a dividir entre si, além de terem sofás onde espertinhos fugiam para matar uma aula ou outra dormindo. Tinham poucas pessoas e até por isso havia uma grande harmonia, porque quanto menos pessoas, menos opiniões para se preocuparem. Além disso, possuíam um Minho, um veterano perfeccionista que entrou no clube em seu primeiro ano tocando seu típico surdo, instrumento que o acompanhava há algum tempo. O moreno possuía os cabelos alcançando seus ombros e levemente encaracolados nas pontas, ainda que fosse brincalhão, sua expressão era tipicamente carrancuda o que deixava muitos confusos quando estava fazendo alguma piada ou não.

Era notável o seu trabalho duro para conquistar o cargo de líder. Todos confiavam nele, pois foi com sua entrada que o clube começou a ganhar prêmios. Diversos prêmios, diga-se de passagem. Foram dois anos consecutivos considerados a melhor banda escolar da cidade de Busan, que não era nenhum pouco pequena, e agora em seu último ano, não esperava nada mais nada menos que seu terceiro prêmio. Claro que para chegar onde chegou, teve que passar por algumas dificuldades, como expulsar o antigo líder que não movia um dedo sequer para repor instrumentos quebrados ou fazer uma composição nova. E por mais que os outros alunos também notassem a negligência, não reclamavam ou discutiam sobre os problemas, e até por isso teve que melhorar a seleção de integrantes, fazendo o clube ficar menor com o passar dos anos.

A foto da banda era estampada em todos os locais pela escola, o maior orgulho do diretor assim como o de sua família. Minho lembrava como foi no primeiro prêmio. Todos o elogiavam, davam-lhe presentes e o principal foi o término de comparações desagradáveis com seu irmão. Aquilo sempre tinha sido um saco.

“— Minho, você viu que seu irmão tirou dez na prova de história? Vai lá dar um parabéns para ele.”

Sempre olhava sua mãe com compaixão por ter tanto orgulho do filho, mas custava olhar para si também?

“— Seu irmão na sua idade gabaritava todas as matérias e ainda praticava violão. Por que veio esse oito no boletim? Que coisa horrorosa!”

Cada dia que passava eram mais e mais cobranças. Não lhe davam um descanso sequer.

“— Surdo? Que instrumento é esse? Não é tambor, não? — A estranheza era evidente na voz do pai. — Deveria ter buscado algo mais clássico se queria superar tanto seu irmão.”

Eles mesmos sabiam que era perseguido, mas por que não faziam nada para agradá-lo? Aquilo era terrível e com o passar dos anos Minho foi apenas se cobrando cada vez mais. Precisava ser o foco de tudo, pois foi dessa forma que conseguiu a atenção daqueles que ama.

Porém, toda a paz se foi com a entrada do novato de cabelos longos ruivos. Não que fosse difícil lidar com ele especificamente, afinal era um garoto muito simpático, mas ter um Taemin e um Minho no mesmo lugar, era o mesmo que pedir por uma guerra.

O início daquele ano tinha sido bem tranquilo; Taemin havia acabado de entrar no clube e Minho estava feliz por finalmente ter alguém tão competente quanto ele na banda, por outro lado, também ficou preocupado, pois o garoto tocava seu típico surdo. E se o garoto tentasse chamar mais atenção que si? Com certeza seus pais não o elogiariam mais ou até mesmo o diretor, caso visse o potencial no novo utilizador de surdo. Como pensou, foi tudo lindo e maravilhoso até o primeiro ensaio. Assim como o instrumento que tocavam, os dois garotos tinham personalidades fortes e faziam questão de demonstrar presença por ali. No primeiro minuto do arranjo, Taemin já estava ficando incomodado pela força que Minho batia no instrumento, pois isso tirava todo o foco do seu que, apesar de serem iguais, possuía a entonação diferente.

— Hum, Minho? — Parou todo o ensaio o que fez com que a banda inteira ficasse curiosa e até um pouco assustada. Ninguém parava sem a mando do líder. — Você pode bater um pouco mais fraco?

Minho sentiu um arrepio passar do final da sua coluna até sua nuca para segurar a ligeira raiva que sentiu. Fechou os olhos e respirou fundo.

— Mais fraco? — perguntou retórico.

— É, está abafando o som do meu surdo.

— Tudo bem, então. — Negou inconscientemente com a cabeça o que não passou despercebido por Taemin, algo que lhe fez pensar o quão arrogante era o rapaz.

Voltaram a tocar o arranjo e, mais uma vez, Taemin sentiu que Minho o atropelava, mas decidiu deixar quieto. Tentaria resolver aquela questão mais tarde. Após o ensaio geral que demorava por volta de cinco minutos, pararam e então Minho perguntou:

— O que acharam?

— Eu não escutei muito o som do surdo do Taemin — falou um dos integrantes.

Por um triz quase que o ruivo soltou um bem alto “eu falei”, porém, conteve-se com um sorriso de canto dos lábios.

Minho notou aquilo.

— Tsk — murmurou alto. — Taemin, por favor, coloque mais força nos braços da próxima vez.

— Eu? — retrucou indignado. — Não tenho força nos braços dessa forma, você poderia muito bem tirar um pouco da força dos seus como eu tinha dito, não é?

— Vai malhar, então — respondeu ríspido.

Taemin, encarando o rapaz, pensou: — O que tem de bonito, tem de afronta.

Um clima cheio de tensão pairou sobre a sala. Os alunos se olhavam na intenção de entender o que estava acontecendo, quando aquilo tinha se tornado algo tão sério? Algumas pessoas começaram a arrumar os próprios materiais a fim de irem embora e outras desviaram o olhar, porém Taemin e Minho mantiveram-se firmes se encarando.

— É apenas o primeiro dia e já estamos assim? — murmurou alguém ao fundo.

— Se eu soubesse que causaria esse clima, nem teria falado. — Escutaram outro.

— Felizmente, para tocar um instrumento nunca foi necessário força, portanto você pode muito bem parar de arrogância e maneirar.

Nada foi respondido. Minho suspirou e ignorou o pedido, faria algo no próximo ensaio onde poderia pensar melhor.

— Vamos encerrar as atividades por hoje — ditou.

Com os lábios comprimidos segurando a vontade de gritar com o outro, Taemin pegou sua bolsa estilo carteiro e saiu sem ao menos guardar seu instrumento.

[...]

Lidar com pessoas é algo difícil. Naturalmente nós nos adaptamos para conviver em sociedade, mas o ruivo tinha certeza que o seu líder arrogante do clube de música não havia seguido a evolução.

Com o passar das semanas, tendo ensaios todas as terças e quintas, os conflitos foram se intensificando. Até nos corredores da escola, os olhares e as provocações não passavam despercebidos. Uma reza aqui, outra acolá era o que Taemin fazia antes de entrar na sala e torcer que sua raiva não sobressaísse sua razão, mas aquilo estava ficando difícil, e como estava. Até tentar mudar a composição tentou, mas Minho negou, como sempre. Tudo o que abria a boca para falar, era cortado. Até a amizade que tinha feito dentro da banda tinha notado isso, mas como Jongin tinha falado, ninguém nunca antes tinha ido contra Minho ou algo do tipo.

Foi em mais uma quinta-feira típica que tudo explodiu. Estavam tocando o arranjo típico do colégio e se preparando para as competições que se aproximavam. Taemin não queria ficar desaparecido da banda, queria ser reconhecido pois gostava daquele hobbie. Sua determinação em aparecer, o fez colocar mais força para o som de seu surdo sobressair o de Minho. Aquela batida sincronizada aparentando ser uma sístole e diástole cardíaca, era o correto. Tum dum. Tum dum. Tum dum. Era harmonioso e combinava perfeitamente com todo o arranjo.

Minho notou, pela primeira vez durante os ensaios, o som do surdo de Taemin, era bonito, o garoto tinha ritmo, mas não estava gostando daquilo. Quem iria ser apagado era ele se as pessoas notassem que o garoto era bom, não queria ser esquecido, e foi com esse pensamento egoísta que colocou mais força do que já fazia em seus batuques e depois da terceira batida com a mão, sentiu-a perfurando o instrumento.

Aquilo com toda certeza não era para ter acontecido, afinal aquele tipo de instrumento deveria aguentar bem mais do que a força aplicada. Talvez fosse pela negligência da escola em comprar um surdo com um material de má qualidade, porém, naquele momento, ninguém acreditaria em si. Não quando sabiam da rixa que havia criado com Taemin.

A banda parou, pois o som do surdo, agora quebrado, de Minho estava bem característico em todos os ensaios, a música não era a mesma. Os integrantes se olhavam e todos com o mesmo pontos de interrogação no rosto. Quem iria falar alguma coisa? Afinal era Minho. E foi percebendo o receio de todos que Taemin, irritado, falou:

— Como você conseguiu estourar seu surdo?

— Ele simplesmente estourou, está desgastado — respondeu, simplista. Queria disfarçar o assunto. — Me empresta o teu? Preciso de um.

— E eu vou ficar sem tocar? — Completou com a voz mais irritadiça e indignado. — Você que arranje um novo!

— Eu sou o líder, Taemin, sou mais necessário que você.

— Você perdeu a noção, né? — Aproximou-se do outro preparado para uma briga.

— Eu perdi a noção? E você que fica palpitando na composição dos outros?

— Pelo menos não fui eu que quis aparecer mais que o colega e estragou o próprio instrumento.

Ambos os garotos estavam preparados para se atacarem. Quando a porta do clube foi aberta abruptamente.

— Que gritaria é essa que estou escutando do lado de fora? — Era o próprio diretor da escola.

Sem saídas, Minho teve que explicar toda a situação para o senhor que o olhava com arrogância. Era claro que omitiu o real motivo por ter colocado mais força dando uma desculpa qualquer para tal, Taemin tinha percebido as reais intenções, mas preferiu não falar nada senão sobraria para si.

— A competição é domingo e os instrumentos só chegam com um prazo de uma semana. Ficará sem tocar até lá, Choi. — O diretor estava se preparando para sair quando Minho voltou a falar:

— Mas eu sou o líder, não tem como eu ficar sem tocar.

— Então como líder, instrua que seus membros toquem perfeitamente, ajude-os. Não é porque é líder que é necessário dessa forma, afinal já temos um outro no surdo. — Concluiu sua fala olhando para Taemin. — Encerramos nossa conversa por aqui.

O ruivo não sabia se comemorava ou dava risada, mas se conteve com um sorriso nem tão discreto no canto dos lábios com a informação. Parecia que tudo estava a seu favor.

— Vamos voltar ao ensaio então. — O moreno ignorou os murmúrios que a sala estava após a fala do diretor e queria a todo custo os calar.

[...]

O dia da competição chegou e Taemin sentia o mundo ao seu favor. Esperar pacientemente ajudou-o, afinal, até pensar em sair da banda pensou, mas seu amor pela música era maior. O dia estava quente como um inferno e só de olhar os jogadores de futebol americano com todo aquele colete, se era assim que aquilo chamava, dava-lhe angústia e mais suor. Observou do outro lado da arquibancada, Minho o olhando profundamente. Tinha certeza que na cabeça do moreno passava mil e uma maneiras de lhe torturar. Fazer o quê? Acontece.

Não se deixou abalar pelos olhares nada discretos de Minho e voltou para sua posição na banda. Repreendeu o líder mentalmente uma vez que ele deveria estar na frente de todos guiando-os, mas sabia que o outro era infantil demais para engolir o orgulho e fazer seu dever. Ajeitou o chapéu da banda não deixando que sol fosse para seus olhos e começaram a tocar.

Todos deveriam primeiramente tocar o arranjo característico da escola como abertura e, somente após o jogo, tocariam a composição nova que concorreria para a competição da cidade. Taemin estava bem empolgado, era sua primeira vez ali tocando para o público. Sempre foi um amante de música de todos os tipos. Ao longo de seus quinze anos, seus objetivos sempre foram aprender todos os instrumentos musicais para que talvez um dia fosse um maestro. Sabia bem que aquele instrumento não era exatamente o de uma orquestra, mas tinha paixão, sem exceções, com todos os instrumentos musicais.

Assim que começaram o batuque, o ruivo não pôde deixar de sorrir e se remexer junto com a música. Acabava por fazer um rebolado estranho já que tinha que ficar levemente abaixado para conseguir bater no surdo e para logo retornar à posição inicial. Ao longe, os olhos de Minho não desgrudavam de Taemin. Ele estava lindo naquele dia, como nunca pôde notar a beleza daquele rapaz? Talvez estivesse cego pelo seu egoísmo de querer aparecer em tudo. Mas do que adiantava, de qualquer forma? Receberia a atenção dos pais, mas não queria chegar ao ponto de prejudicar as outras pessoas por isso. E, infelizmente, acabou fazendo.

Ele nunca tinha notado como Taemin sorria tão alegre ao tocar ou como rebolava desengonçado para alcançar o surdo no chão já que não tinha forças para mantê-lo com a alça. O rapaz era uma figura, agora podendo o olhar de longe. E naquele dia estava excessivamente lindo, apesar de suado. Sua blusa possuía a abertura das mangas indo até a cintura o que fazia constantemente a camisa mostrar uma boa parte do corpo, além disso, a bermuda estava levantada até a metade das coxas. Lembrou vagamente durante alguns ensaios ele comentando com um colega que nem cinto faziam suas calças ficarem no lugar. Era bem magro, realmente.

A abertura da banda de sua escola tinha acabado e então Minho seguiu até o banheiro para aliviar o calor. Realmente estava caótico aquele dia. Ao fundo, com o som abafado, escutou a próxima banda começar a tocar. Era notável que nem se igualavam a sua e, por mais que não estivesse mais tocando, não podia negar que todos tinham uma bela sintonia. Ouviu a porta do banheiro ser aberta e encarou o sujeito. Era Taemin e ele andava sem prestar atenção por onde ia tentando prender o cabelo longo, Minho teve que segurar seus ombros para que não trombassem.

— Me descul... — Sua voz foi ficando muda e o seu rosto foi de sereno para bravo no mesmo instante. Realmente, Minho o havia irritado. — Com licença.

— Taemin, eu que peço desculpas. — O ruivo se distanciou do moreno e foi lavar o rosto. Continuava impassível. — Eu sei que acabei sendo egoísta.

— Pois é, né!? Demorou para perceber — disse arrogante.

— Você toca muito bem, fiquei com medo de ser ofuscado. — Assumiu o erro.

Ele estava encostado na pia olhando para o teto, caso estivesse encarando Taemin, jamais conseguiria falar aquilo. Sentiu os dedos pressionarem o mármore da pia e reuniu coragem para falar aquilo que pensou mais cedo.

— Você está lindo, aliás.

Taemin parou de lavar a nuca e arregalou os olhos. O que ele tinha falado? Nem tinha percebido que segurou a respiração quando sentiu necessidade de soltá-la.

— O-o quê!? — perguntou em choque.

O ruivo ficou nervoso e logo tratou de enxugar a nuca e as mãos. O clima ficou diferente de uma hora para a outra e ele não estava muito afim de ter que lidar com aquela confissão logo de cara.

— Você ouviu o que eu disse. — Minho riu baixo. — Palavras têm um limite. E eu não posso expressar você com nenhuma delas.

O moreno o olhou e por um breve instante viu seu olhar descer por todo seu corpo. Sentia seu rosto queimar e o coração palpitar tão forte quanto o ritmo da música que tocavam.

— Olha… — começou ditando nervoso —, sabe é muito legal da sua parte pedir desculpas, apesar que eu já achei estranho, mas não se sinta obrigado a me elogiar, sabe? Tá’ ficando estranho. — Tentou disfarçar o nervosismo prendendo o cabelo para desviar a atenção.

— Não queria incomodá-lo.

Decidiu sair do banheiro, pois o clima realmente tinha ficado estranho para si. Ok Minho querer se desculpar, mas do nada o chamar de bonito? Era algum tipo de brincadeira sem graça? Ele torcia para que não fosse, senão o outro teria que lidar com sua raiva guardada durante todo aquele tempo.

— Bom, eu vou indo.

Fez seu caminho até a arquibancada procurando por Jongin. Seu coração ainda estava disparado e batia mais rápido do que antes, talvez estivesse se dando conta melhor do que houve naqueles breves cinco minutos.

— Caramba, Taemin, você demorou pra…

— Jongin do céu, o Minho falou umas coisas muito estranhas no banheiro. — Sentou-se próximo do colega e segurou uma de suas mãos as apertando de nervoso.

— Você tá’ parecendo uma menininha frágil que se confessou pela primeira vez na vida. — Estranhou as ações do outro que sempre era tão seguro de si. — O que ele disse?

— Primeiro que ele se desculpou.

— E isso não é bom? — Arqueou uma sobrancelha.

— É o Minho, Jongin, não é qualquer pessoa.

— Ok. — Rodopiou os olhos. — E o que mais?

— Ele falou que eu to’ lindo.

O rosto do colega primeiro se contorceu em estranheza e logo depois começou a rir escandalosamente. Taemin, envergonhado, começou a olhar para os lados para disfarçar a cena, mas se deparou com os olhos grandes e sedutores de Minho em um lugar próximo da arquibancada. Ficou comovido simplesmente por o olhar. Além disso, o moreno também olhou para sua mão que encontrava com a do amigo, o ruivo desvencilhou na hora não querendo causar maus entendidos.

— Jongin, para de rir! Inferno! Ele está olhando para cá. — Chacoalhou o outro que terminava de rir.

— Caralho, eu não imaginava que atrás de toda essa competição vocês estavam se amando.

— Não tem graça, cara. — Emburrado, socou levemente o braço do outro.

— Só vou parar por ora, porque ele tá vindo aqui.

— O-o quê!? — Arregalou os olhos em surpresa. Sua respiração parou assim que sentiu a mão grande e quente do outro em seu ombro.

Posso roubá-lo por um minuto?

Só Deus sabe o quão convidativo aquilo soou para Taemin. Roubá-lo, sério? Iria falar mais o que? Que era uma obra-prima também?

— À vontade — Jongin respondeu com um sorriso malicioso.

O ruivo seguiu Minho que o arrastava para atrás das arquibancadas, estava menos movimentado e com certeza conseguiriam falar melhor por conta do barulho do jogo. Com o nervosismo pelo seu corpo, Taemin toda hora mexia em seus dedos e encarava o céu evitando o olhar direto. Principalmente depois dele ter falado aquilo.

— H-hum, como posso ajudá-lo? — perguntou tímido.

— Desculpa, é que eu sempre falo com os membros mais novos antes das competições para ver como eles estão. — Suspirou enquanto coçava a cabeça envergonhado de suas ações. — Como estávamos naquele clima estranho, deixei para falar agora, de última hora.

— Huum… e sobre o que seria exatamente?

— Você pegou bem a música nos últimos ensaios? Tem algo que eu posso ajudá-lo?

— Acredito que sim, está tudo certo — respondeu seguro de si.

Minho sorriu e o encarou.

— Fico feliz. Bom, podemos voltar então.

Assim que o moreno se virou para seguir o caminho para a arquibancada, parou por um momento e se virou.

— Na verdade… — Pararam a fala quando notaram que falaram juntos.

— Pode falar — Taemin disse.

— Não, por favor, o seu é mais importante.

— O que eu ia dizer é que se você quiser, nós podemos revezar o surdo durante os solos.

— Você tem certeza? — perguntou atônito.

— Sim, eu realmente gosto de pensar que música é uma arte para ser agradável. Por mais que esses meses não tenhamos nos dado muito certo, sei que para você tocar hoje é algo indispensável.

Minho correu e abraçou o ruivo que mal conseguia respirar com o aperto. Sem saber exatamente o que fazer, passou seus braços pelas costas do moreno o abraçando de volta. Era confortável saber que estava levando alegria a alguém, ainda que essa pessoa tenha feito o inferno na sua vida nos últimos meses. Mas perdoar era necessário, principalmente quando notou o peso do arrependimento nas palavras de desculpas de Minho no banheiro. Ele estava perdoado.

— E o que você queria me dizer antes? — perguntou com a voz abafada pelo contato com o ombro do outro.

— Ah, sim. — Desvencilharam-se do abraço. — Eu queria saber se quer sair comigo.

Assim como a cor de seus cabelos, Taemin sentiu suas bochechas ficaram com a tonalidade igual em questão de segundos. Todo o nervosismo tinha voltado com aquela simples pergunta.

— Isso não é uma brincadeira, né? — perguntou rápido.

— Não! Que isso, nunca faria uma brincadeira dessas. Você realmente chamou minha atenção.

Ouvir aquilo realmente mexeu com seu ego, pois Minho era muito bonito aos seus olhos. Timidamente assentiu o pedido, não havia porque não, afinal.

[...]

A competição tinha sido realmente um sucesso, apesar do frio na barriga na hora dos resultados, já sabiam que o troféu eram deles. Taemin ficou maravilhado com a parceria incrível que tinha feito com Minho e não pôde deixar de ficar com inveja, pois, toda vez que o moreno tocava, a arquibancada ia à loucura.

Realmente, ele tinha deixado seu legado ali.

Durante os solos, que era quando não tocavam o surdo, trocavam rapidamente de lugar, e toda vez que o ruivo aguardava, deixava um singelo beijo na bochecha do outro desejando boa sorte. Aquilo não passou despercebido pelos integrantes restantes, que ficaram tão chocados quanto Taemin quando ouviu pela primeira vez da boca de Minho que estava bonito. Era realmente algo inimaginável, mas estava bom, afinal agora não teriam que lidar com os estresses que as terças e quintas estavam os causando.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!