Você tem sonhos?

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Uma padaria no centro da cidade especializou-se na produção e venda de sonhos. Os macios pãezinhos preenchiam a enorme loja de cima abaixo, e ali você poderia encontrar sonhos de todos os tipos: sonhos grandes, sonhos pequeninos, sonhos tão recheados que não cabiam em si, outros sonhos tão frágeis e delicados necessitavam de mãos cuidadosas para sustentá-los.

A padaria funcionava 24 horas por dia. Os padeiros, pobres funcionários, não paravam, em três turnos varavam a noite para que nunca faltassem sonhos fresquinhos para quem quer que seja. Mas durante a produção dos sonhos, às vezes, as coisas não aconteciam como previsto. Mesmo com bons ingredientes, modelando com cuidado, garantindo boa temperatura, alguns sonhos escureciam, tornavam-se pesados, endureciam, impossibilitando que chegassem ao seu destino.

E como em todo negócio, vez ou outra, apareciam alguns clientes insatisfeitos que voltavam à loja para devolverem seus sonhos mordiscados, aparentemente seu sabor não os agradava mais. “No começo estava bom, mas depois ficou rançoso, difícil de engolir” e “Não era exatamente esse que eu queria”, entravam para o rol das justificativas mais usadas. Porém, os desgostosos representavam a minoria e a padaria ia de vento em popa na venda dos preciosos sonhos.

Entretanto, ao final de cada dia, alguns sonhos belíssimos, perfeitamente moldados, grandes e bem polvilhados de açúcar, ficavam pelas prateleiras do luxuoso estabelecimento, esquecidos. Os sonhos negados eram descartados no fim da noite, para que no dia seguinte, outros, talvez não tão pomposos e açucarados sonhos, tomassem seus lugares e servissem aos olhos dos famintos fregueses.

— Você precisa de um sonho?

Notas finais
Espero que a metáfora tenha ficado boa e vocês imergido nela.
Até a próxima.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!