Você permitiu que nos distanciássemos. Você permitiu que a sua ausência ao meu lado fosse o motivo perfeito para que perguntassem se havíamos terminado ou desistido de nossos sonhos. Isso mesmo, nossos sonhos. Isso — ou aquilo que ainda não conseguimos — não era somente um desejo e sonho meu, pois também fazia parte de algo que você sempre reclamou que queria.

Sucesso e reconhecimento.

Você queria ser um ídolo como eu também almejava este posto, mas na Coreia do Sul, com tantos grupos bons e talentosos, uma dupla como nós não seria tão fácil... Ou tão repentino.

É muito difícil se tornar alguém famoso hoje em dia... E nem mesmo no nosso antigo grupo as coisas eram fáceis e mesmo quando a inevitável separação veio, você chorou e implorou para tentarmos de novo. Eles desistiram e eu permaneci ao seu lado.

Sabe porque Khan? Seus olhos lacrimejados e seus sonhos sendo arrancados de você era o que mais me doía. Seus lábios trêmulos e sua voz falha sempre foram meu ponto fraco. Eu queria ir embora, procurar algo que eu fosse bom e evoluísse, como em qualquer outro serviço... Mas você segurou minhas mãos e me pediu para ficar, por você. Lembro da vontade imensa que tive de o puxar para dentro de um abraço e lhe prometer um mundo, mas apenas assenti e disse que ficaria com você — ao seu lado — em todos os momentos.

E aqui estou, com você sentado na cadeira da frente, o rosto escorado contra a madeira fria da mesa e a voz embargada pelo cansaço e pelo sono. Os retoques finais do filme recém começaram e você parece tão cansado e eu me sinto tão incompetente por ter dado mais atenção a academia que frequento do que a você.

Você se distanciou de mim.

Ou talvez estive me enfiando em qualquer hobby para que sua ausência não fosse tão sentida. Queria, desejava, desesperadamente que você me ligasse no meio de alguma gravação e me pedisse para ir te ajudar em alguma coisa — até mesmo a decorar suas falas ou melhorar um pouco sua atuação — e ficava decepcionado quando isso não ocorria.

Todos os dias, você chegava das gravações e deixava sua cabeça pender para frente até o momento que tombasse sobre a mesa de madeira e quase sempre, cochilava ali. Você não trocava palavras comigo, apenas cochilava. E eu ali ficava, a lhe olhar e esperar que descansasse um momento.

Quando você acordava, eu já não estava mais a sua frente e sim em algum lugar do quarto. As vezes você aparecia por trás de minha cadeira no computador e perguntava o que estava fazendo. E eu sempre lhe respondia com a mesma coisa: olhando as novidades.

Seus dedos brincavam com a gola de minha veste no momento e me pedia para lhe fazer companhia no sono, e mais uma vez — em todas elas — cedia a você.

E mesmo depois de você adormecer, deixava que meus dedos tocassem sua face levemente em um carinho. Você nunca acordou e sempre pareceu ser mais embalado quando fazia isso.

Em algum momento, acabava por dormir sempre ao seu lado. Seus braços, ao amanhecer, estavam passados ao redor de minha cintura e seus lábios colados na minha veste, na altura do peito. Você nunca acordou primeiro, então nunca teve o privilégio de ver esses momentos.

Esses momentos sempre guardarei para mim.

Agora, você está sentado a minha frente novamente, sua cabeça não esta pendendo para frente e suas olheiras passaram. Você acordou e esta desperto. Seu olhar ainda é o mesmo, carismático. Sempre pensei que você fosse gentil — e sei que você é -, mas estou carente de você... Carente de você e de suas falas... Ou das manias manhosas de se jogar por sobre meu corpo e me implorar por um cafuné.

— Gyeom!

Piscava algumas vezes e lhe olhava.

— Nós ainda somos um grupo de dois?

Sorria, querendo chorar, mas sorria.

— Você quer desistir? — Perguntava.

Demoradamente, você me olhava.

— Acho que não.

Você se distanciou ao ponto de dizer "acho que não" e não o "claro que não" que você sempre dizia.

Você se tornou tão distante que a única coisa que desejo nesse momento é que você volte para mim, volte para nosso grupo de dois, ao qual você mesmo apelidou.

Notas finais
Só queria que o mv de A Second Side voltasse e que Z:ON retornasse... Não saber o que de fato se passa tem me matado.

Obrigada a quem leu.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!