Notas iniciais
Nessa história eu imagino os dois com algo entre 10 ou 11 anos :p

Sherlock havia acabado de acordar, e quando olhou pela janela o chão lá fora estava branquinho.

Saiu correndo pelo quarto, pegando suas roupas de frio e foi logo tomar café.

– Calma, calma, filho. A neve não vai derreter assim tão rápido. – ele tentava enfiar o ovo e a torrada, tudo ao mesmo tempo na boca, enquanto bebia seu leite.

– Irmãozinho, assim você vai morrer sufocado.

– Humf humf humf humf – ele falou com a boca cheia. Depois repetiu. – A Molly vai me ensinar a patinar, preciso ir rápido, ela já está me esperando. Tchau. – e saiu correndo pra porta.

– Cuidado para não se machucar, filho! – mas ele já estava lá fora e não ouviu nada.

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– Molly, Molly, saia, vamos brincar! — ele estava na frente da janela dela, e gritava pra a menina se apressar.

– Vamos! – ouviu uma voz atrás dele. Se virou e encontrou a menina sorrindo pra ele, com um par de patins em cada mão. – Pegue, esse é o seu.

Sherlock olhou meio incerto para os patins, mas não podia desistir agora. – Tudo bem, vamos tentar. E seguiram até o parque, onde sabiam que o lago estaria congelado.

–-

– Ahn... Molly? Tem certeza de que isso é... Seguro?

A menina estava concentrada colocando os patins, quando levantou bruscamente.

– Seguro? Sherlock, você está bem? – ela colocava a mão na testa dele e em suas bochechas, tentando ver se o menino não estava com febre. – Desde quando você se importa se algo é “seguro”?

– É que... Bem, eu...

– Você está com medo? – ela sorria. – Sherlock, você está com medo?

– Não! Medo, eu? Não, claro que não! – estufou o peito, tentando passar confiança.

– Ótimo, então ponha seus patins e vamos! – e lá foi ela para o lago e começou a rodopiar no gelo.

Ele colocou os patins o mais lentamente que pode.

– Será que você pode me ajudar aqui? – ele estava sentado, sem conseguir levantar sem cair.

– Tudo bem. – E o puxou direto para o gelo.

– O que você está fazendo? – ele estava todo duro e apavorado.

– Tentando te ajudar. – e o soltou.

– Não, volte aqui! – e caiu.

Ela o ajudou a levantar de novo, e dessa vez foi puxando-o devagar, deslizando.

Aquilo era apavorante. E se o gelo rachasse? E se ele não conseguisse ficar de pé sozinho? E se ele ficasse caindo toda hora? Molly ia rir da cara dele para sempre.

– Molly, será que... – mas ela patinava alegremente ao redor dele, enquanto ele estava parado no meio da pista, sozinho. – Molly?

– Vai, Sherlock, você consegue, já conseguiu ficar parado sozinho, agora é só mexer os pés, como se fosse andar. Mas ele estava travado no lugar.

“Você consegue. Vai, se mexe!”

E numa tentativa patética de sair do lugar, Sherlock impulsionava seu corpo pra frente, sem mexer os pés.

– O que você está fazendo? – ela gargalhava tanto que até caiu.

– Eu estou patinando. – mas isso só fez com que ela gargalhasse ainda mais. – Tá bom, tá bom, não precisa humilhar também. Agora me ajude aqui. – e assim que se acalmou, ela se levantou e o ajudou de novo.

– Me de suas mãos de novo. Eu não vou te puxar, você vai mexer os pés no ritmo do meu, ok? – e conforme ela andava, ele a imitava, até que ela soltou uma mão.

– Molly...

– Relaxa, vou ao seu lado agora. – e devagar eles foram deslizando, e aos poucos ele foi pegando o jeito.

– Tudo bem, já entendi. Podemos brincar na neve agora?

Vendo que Sherlock já estava no limite com a patinação, ela concordou.

– E do que você quer... – mas ela teve sua resposta em forma de bola de neve e por horas ficaram guerreando, ocasionalmente com alguma outra criança, mas na maior parte do tempo só os dois, criando obstáculos, inventando regras e pregando peças um no outro.

– Você não cansa nunca? – Molly se largou no chão, ao lado do boneco de neve, completamente exausta, mas explodindo de felicidade, enquanto Sherlock fazia mais bolas de neve.

– Ah, vamos, levante daí.

– Não.

Vendo que não iria conseguir convencê-la, Sherlock se deitou ao seu lado e ficaram encarando o céu, enquanto pequenos flocos de neve voltavam a cair.

Então Sherlock teve uma sensação estranha subindo pelo seu braço. Quando percebeu, Molly havia entrelaçado seus dedos, e sem motivo algum.

E assim ficaram. Em silêncio, com o coração batendo acelerado. E o cansaço não tinha nada a ver com isso.

Notas finais
Inté, gente :B
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!