Notas iniciais
Agradeço a beta Deathless Nokas por sua infinita paciência e cuidado com essa fic. Obrigada!

Você não percebe quando a observo. Sei que você me conhece melhor do que eu mesmo, mas eu também sei que você não vê quando me perco só a observando...

O uniforme impecável, sempre impecável, que você parece vestir como uma segunda pele... Você não tem ideia do número de vezes que imaginei despi-la lentamente, botão por botão, enquanto marcava seu pescoço com os meus dentes. É tão gostosa que dá vontade de morder por inteira.

O seu cabelo loiro sempre preso em um coque tão firme que me pergunto se você não sentirá dor de cabeça. Dá vontade de puxar a presilha com força e pegá-la pelos cabelos enquanto a beijo. O cheiro do seu perfume também me atiça, até mesmo nos momentos toscos em que você só se aproxima para me entregar os relatórios.

Seus olhos castanhos, tão atentos, estão olhando fixamente para uma papelada infinita que, mais cedo ou mais tarde, você me fará ler também. Suas mãos não apresentam anéis nem outros adornos, como aqueles com que as outras se enchem e fazem orgulho de exibir. Mas o seu olhar brilha da mesma forma quando segura o revólver, certeira e orgulhosa de que poderá acertar qualquer alvo que mire em mim.

O seu rosto é lindo, mesmo sem maquiagem. Eu queria poder dizer isso a você agora: sentada, só lendo essa papelada chata, sem nenhuma maquiagem e nenhum adorno... você é linda. E, caramba, como fica sexy quando morde o lábio dessa forma! Eu continuo aqui, fingindo que estou lendo algo, quando, na verdade, estou secando você e imaginando mil formas de fazer amor com você em cima da mesa. Ou no sofá, ou mesmo de pé ao lado da lareira... Encostados na parede, no chão, perto daquela escrivaninha, no banheiro, na bancada da biblioteca...

― Roy, concentre-se.

Sua voz estala como um chicote dentro da minha cabeça, e eu sorrio automaticamente.

― É difícil, Tenente, com a sua beleza ofuscando o ambiente.

Me permito brincar com você dessa forma quando estamos a sós. Depois do choque inicial, você começou a levar na esportiva minhas palavras... Mas, de uns tempos para cá, comecei a me perguntar por quanto tempo eu suportarei essa tensão. Você não se permitiu corar ou ser pega de surpresa, e apenas me encarou ironicamente.

― Se esse for o problema, General, posso ir para casa mais cedo e deixá-lo mais à vontade para terminar de assinar os relatórios.

― Eu posso viver com isso. Não se atreva a deixar-me sozinho com esse monte de papel frágil que pode queimar tão facilmente em um pequeno acidente...

― Concentre-se, Roy. E então acabará mais rápido.

Eu suspiro e, realmente, concentro-me durante alguns minutos. Logo em seguida, eu desisto. Jogo os papéis em cima da mesa.

― Roy, você pretende sair daqui antes da meia-noite?

Eu olho para o relógio que marcava nove e quarenta e cinco da noite. Era realmente tarde demais para qualquer coisa que, simplesmente, não fosse deitar em uma cama e apagar.

― Tem razão, Tenente. Nós podemos terminar amanhã, se necessário. Todos os detalhes já foram ajustados, de qualquer forma.

Então aconteceu algo que me pegou por completo de surpresa. Você se levantou, mas seus olhos castanhos estavam desfocados e o seu corpo tombou em direção ao chão. Consegui segurar sua cabeça pouco antes dela quase bater no tapete, e observei com desespero você ficar pálida feito papel. Você nunca caiu, Riza, nunca pegou nem gripe, de forma que eu fiquei absolutamente desesperado, e ergui você para depositá-la no sofá, disposto a acordar o quartel General inteiro atrás de um médico.

Tão rapidamente quanto caiu, você tornou a abrir os olhos. Eu segurei seu rosto perto do meu, e você estava tão gelada que me deu medo.

― Riza, vou buscar ajuda. Preciso que não se mexa.

― Não chame, não chame os médicos!

― Não seja teimosa! Você desmaiou!

― Não chame os médicos!

Você gritou de uma forma desesperadamente doce e assustada, de uma forma que eu nunca tinha visto você fazer desde o funeral do seu pai. Senti alguma coisa muito ruim naquele momento, e só consegui apertar você com mais força ainda contra mim.

― Não chame... Eu só esqueci de me alimentar.

― Esqueceu? Você esqueceu de comer?

O meu sangue esquentou mais rápido do que as chamas que eu era capaz de produzir. Peguei você entre meus braços e procurei não me assustar com a facilidade com que fiz isso. Não é que eu não admirasse suas formas todo santo dia, mas eu nunca tinha realmente percebido o quão magra você estava.

― General, que diabos pensa que está fazendo?

― Carregando você comigo.

― Coloque-me no chão agora, Mustang!

Apertei você em meus braços, adorando o jeito furioso com que tentava se livrar do meu aperto.

― Calada, Tenente! Isso é uma maldita ordem!

E eu acho que minha voz soou realmente ríspida porque você se contentou em me matar com o olhar. Parecia uma princesa com a dignidade ferida, brava e se sentindo pequena. Fiz cara de bravo, mas amei seu momento de garotinha teimosa. Era tão raro vê-la assim.

Coloquei você no carro e dirigi direto para minha casa. Pela falta de ameaças, eu entendi que você não entendeu o que estava acontecendo. Sua ficha só foi cair quando estacionei o carro na garagem e tirei as chaves da ignição.

― Mustang, preciso das chaves para voltar pra casa.

― Essa noite você fica.

Bati a porta do carro e fui em direção ao seu lado para abri-la. Você ficou realmente brava.

― Com todo o respeito, General, mas não sou obrigada a obedecer tamanha imbecilidade!

― Tenente Hawkeye! – Coloquei meus braços à sua volta e, apesar da raiva, você continuava meio pálida ainda. ― Se eu precisar de questionar sua obediência, talvez eu também deva questionar sua lealdade!

Eu não quis ver o seu olhar magoado. Apenas a puxei com força até à cozinha. E, pelo seu olhar raivoso, percebi que estaria em apuros quando você recuperasse suas forças. Praticamente instalei você na cadeira, e te trouxe yakissoba requentado e vinho.

― Riza, não é cinco estrelas, mas é o que temos para o momento.

― Estou aguardando a autorização para comer, senhor, visto que minha lealdade foi questionada agora há pouco.

Estreitei meus olhos para você. Minha paciência nunca foi exatamente o ponto forte das minhas habilidades, e você sabia disso.

― Você está autorizada a se alimentar, Tenente.

― Devo bater continência?

Suspirei e peguei o vinho da geladeira. Eu podia tostar você inteirinha só com a minha impaciência.

― Riza, se você não comer, vou até aí e a obrigo.

― Isso é uma ordem ou um desafio, Roy? Chegou finalmente o momento de te acertar com um tiro nas costas?

― Depende, Tenente. Vai fazer isso antes ou depois de desmaiar?

― Não seja mesquinho! Foi um mal-estar passageiro!

― Riza! – Puxei a cadeira, tomando um bom gole do vinho. – Coma o maldito yakissoba, Tenente, agora!

Você me encarou em desafio e eu achei que, de fato, teria que obrigá-la a jantar. Mas você se conformou em finalmente comer e apenas me odiar em um silêncio.

Porque não quis que eu chamasse os médicos?

Você me encarou magoada e resistente, como se a pergunta já fosse esperada.

― Porque sei que não é grave.

― Por que está mentindo?

― Nem tudo é da sua conta, General.

― Sou eu quem decide o que é ou não da minha conta. Nesse momento, sua saúde é, Tenente. O que está acontecendo? Riza... – Tirei as luvas, tocando seu rosto, – Fale a verdade.

Eu me aproximei de você, e observei seu olhar se desviar do meu por alguns instantes. Você se denunciou com aquele ato, Riza.

― Beba, o vinho ajuda a subir a pressão.

Você encarou-me surpresa e pronta para oferecer sua resposta padrão para bebidas alcoólicas. Eu já estava bem perto de você.

― Beba, Tenente!

Você tomou pequenos goles do copo, tentando realinhar os pensamentos de forma a que eu não percebesse o que estava acontecendo.

― Conte-me, o que está havendo?

― Não é nada. Eu me feri nos últimos treinamentos e tomei antibióticos fortes para evitar que os ferimentos inflamassem. Os remédios me deixam fraca, somente isso.

― Onde se feriu?

Eu vi a resposta no seu olhar antes mesmo de você se preparar para mentir para mim. Levantei-me nervoso e ergui você da cadeira. Lembro-me de você ter gritado algo, mas ainda assim arranquei sua jaqueta com violência, fazendo todos os botões da farda azul real voarem. Senti quando você tirou a pequena arma reserva de trás das costas e a apontou para o meu pescoço, o olhar temeroso mas o dedo firme no gatilho.

― Roy, pare com isso!

― Olhe para mim, Riza! Eu vou arrancar essa blusa, caso queira o contrário atire em mim!

- ― Mas que droga, Roy! Me solte!

Eu sabia que você não iria atirar. Virei você de costas para mim e ergui a sua blusa a tempo de ouvir seu suspiro sentido. As marcas que eu fiz estavam realmente feias em alguns pontos, como se estivessem arrebentadas novamente. A casquinha sob os ferimentos ainda estava fina, e a pele ao redor estava vermelha e machucada. Fui eu quem as provocou, aquelas horríveis cicatrizes. E agora elas sangravam novamente.

― Satisfeito, Roy? Não é nada! Vai melhorar aos poucos...

Eu beijei o seu pescoço e ouvi agradecido o seu arquejar de surpresa e prazer. Eu ergui você, de alguma forma louca, e beijei as marcas, começando pela parte de cima da tatuagem, a primeira marca que te causei. Suas mãos, sempre tão certeiras com o revólver, tremiam e eu sentia o seu corpo começar a amolecer perto de mim, finalmente.

Eu beijei sua pele machucada e percebi que a amava por inteira, com ou sem marcas. Não, eu a amava ainda mais porque, mesmo marcada, ainda era minha, minha corajosa Riza.

Deslizei os lábios por cada linha da tatuagem, por cada machucado. Voltei a virá-la de frente para mim e terminei de arrancar sua blusa. Você usava apenas um sutiã preto simples, e não dei tempo para que pensasse demais e ataquei seus lábios. O seu gosto era tão bom quanto o seu cheiro e os seus lábios pareciam ter nascido para se encaixar nos meus. Suas mãos se enfiaram no meu cabelo e tive medo de te apertar demais e machucar suas costas. Acabei puxando-a para mim e arranquei aquela presilha do seu cabelo, aproveitando para agarrá-la por ali. Você gemeu durante o beijo e aquilo que restava da minha paciência e dos meus planos de conquistá-la da forma romântica e certa foi por água abaixo.

Puxei sua cintura em minha direção e tive que parar de beijá-la durante alguns segundos para respirar. Tempo demais, e você ameaçou se separar de mim.

― Pare, Roy! Eu não suportaria se fizesse isso por pena.

Segurei seu rosto entre as minhas mãos, amando poder tê-la tão perto de mim daquela forma.

― Não é por pena que estou de pau duro e tão quente que poderia carbonizar nós dois, Riza.

― Mas isso é jeito de falar, Mustang?

Você sempre fica uma delícia quando está corada. Simplesmente aproveitei para morder com força seu pescoço e a apertar ainda mais contra mim. Onde estava a maldita cama quando se precisava dela?

Aos tropeços, aos beijos, às carícias e ao sutiã que arranquei de você lá pelo quarto degrau da escada, a levei finalmente para o meu quarto. As luvas, antes necessárias, agora meros acessórios que eu usava por hábito, não foram necessárias para acender as velas que eu sempre mantinha no quarto. Eu senti suas unhas curtas arranharem minhas costas enquanto eu beijava seus seios, e não me lembrava do momento em que tinha tirado a parte de cima da minha farda. Mordi com força o esquerdo e amei a forma como você se arqueou em minha direção, com seus dedos entrelaçados com os meus. Tirei a calça da farda, as suas botas, e não tinha palavras para descrever o quão fodivelmente fantástica você estava espalhada pela minha cama, com aquele olhar sedento.

Eu deslizei as mãos pelas suas pernas, me encaixando entre elas. E o gemido que você deu quando comecei a te acariciar quase me fez perder o controle... Você parecia queimar e eu estava absurdamente feliz com isso. Eu a continuei tocando, deslizando meus dedos sob o seu clitóris, beijando os seus seios e os seus lábios que não conseguiam completar um beijo sem arfar de desejo. Senti em seus olhos e lábios o momento em que você se entregou, as contrações visíveis no seu corpo e gemidos longos quando o orgasmo te atingiu. Me senti ótimo por ter feito você sentir esse prazer... E, embora meu pau estivesse quase explodindo dentro do uniforme, a mera lembrança das marcas nas suas costas me faziam controlar a ansiedade. A noite era sua, não importava o que eu sonhasse fazer consigo. Desci os beijos até encontrar sua intimidade e comecei a chupá-la, inebriado pelos seus gemidos, sua respiração descompassada. Você gritou realmente alto, o seu corpo se agitou sob mim, e eu agarrei sua cintura para mantê-la no lugar. Lambi seu clitóris, beijei seus lábios, brinquei com a língua e com as mãos escorregadias até fazê-la desfalecer novamente.

Eu já mencionei o quanto amo quando você perde o controle e grita? Seus olhos nublados, sua pele salgada, sua respiração arfante. Eu quase não aguentava mais o calor dentro de mim, a ansiedade, o tesão, tudo junto. Eu gostei dos seus olhos e da sua expressão quando tirei o resto das minhas roupas e me deitei sob você. Eu a beijei e me lembrei das costas machucadas. Inverti as posições e a deixei por cima. Também já mencionei quanto adoro a deixar surpresa? A segurei pela cintura e a guiei até mim, para que você controlasse o quanto queria e de que jeito queria. Seu cabelo encostou no meu rosto quando você se abaixou para me beijar e, calmamente, começou a cavalgar-me. E por mais que tivesse um demônio dentro de mim me mandando-me jogá-la na cama e meter com tanta fúria que eu matasse, em uma noite, o tesão aprisionado de anos, eu me controlei. Não queria que nada estragasse essa noite, a sua noite. Você se sentava sob mim, e eu me sentia completamente envolvido por você, pelo seu perfume, pelos seus gemidos.

Você era quente por dentro e por fora, e não demorou muito para que gozássemos juntos. Eu senti você apertar-me por dentro, a sua respiração arquejar, a forma como você começou a cavalgar com cada vez mais força, como se quisesse ainda mais do que já estava possuindo. Eu não sentia mais minhas pernas, e nada no mundo importava mais do que sentir suas mãos sob o meu peito e o seu quadril se erguer e voltar a descer sob mim. Havia Calor por toda parte, até que finalmente explodimos. Ainda bem que não literalmente, considerando os meus talentos. Mas as chamas das velas voltaram ao normal tão rápido que você sequer percebeu.

Seu corpo desabou sob o meu e eu contentei-me em acariciar suas marcas nas costas, seu cabelo bagunçado. Também queria dizer que amo quando você fica deitada sob mim exatamente na altura do pescoço, porque dá para te acariciar por inteira.

― Roy, as velas queimaram as paredes?

Eu ri, tão leve... Não queria sair dali nunca mais.

― Não. Eu quis trocar o desenho delas por algo com mais... personalidade abrasiva.

― Personalidade abrasiva?

― Isso mesmo.

Você riu e, de alguma forma, eu consegui achar a coberta para nos cobrir. Acho que em algum momento eu virei você para abraça-lá devidamente, mas fiquei com medo de machucar suas costas. Nós simplesmente caímos no sono.

Eu senti o momento que você quis escapar porque, assim que você se levantou, eu senti frio. Seus olhos ficaram um pouco assustados por ter sigo pega em flagrante, mas logo voltaram à firmeza normal.

― Preciso ir, Mustang.

― Por quê?

― Alguém pode ver-me saindo daqui de manhã e isso nos traria problemas. Sem falar no que os soldados do QG devem estar falando por terem me visto ser carregada porta fora.

― Nem pensar. Você fica, Tenente.

Você riu de mim e procurou seu coldre e sua arma. Nessa hora, eu estava realmente puto.

― É uma ordem, General?

― Tenente, volte para essa cama nua e deite ao meu lado. Agora!

― Roy, precisamos pensar. Isso não pode...

Então eu a agarrei e a trouxe de volta para a cama. Você ficou realmente brava, mas eu a distraí com uns beijos.

― Tenente, eu quero você deitada ao meu lado, nua, quando eu acordar. Você compreendeu?

― Ah, Roy... Isso vai complicar tudo.

― Podemos fazer um relatório disso amanhã. Que por acaso é sábado. Fica, Riza.

E você ficou. E acordar ao seu lado é a melhor coisa do universo. Espero que tenha gostado desse relatório, Tenente. Se eu fosse você, realmente reavaliaria a questão de não ir para minha casa hoje, porque, de fato, pretendo atacá-la na minha sala assim que ficarmos a sós. Aliás, calculei o tempo que você demoraria para ler essas páginas e mandei Havoc mais cedo para casa. Estou bem atrás de você e pretendo estrear aquela mesa de mogno como tanto sonhei.

Seu General, Roy Mustang.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!