Você me pegou

1 Você me pegou.


Notas iniciais
Boa leitura
*-*

Jessa abriu a porta do quarto com certa dificuldade, Ivan não era tão pesado, mas o arrastar desde a floresta até ali tinha sido bastante dificultoso, mesmo com as recém habilidades descobertas de cálice, a jovem ainda era bastante nova naquele mundo, e seus músculos arderam por longos segundos, depois que ela colocou — jogou— o vampiro sobre a cama, Ivan estava muito mal, as queimaduras não tinham sido tão graves, porém,, elas eram muitas e espalhadas por todo o corpo dele, especialmente no rosto e braços, as partes que a capa não cobria por inteiro. A garota respirou fundo antes de o posicionar melhor no colchão, pondo sua cabeça no travesseiro, ela o olhou com preocupação, sabia que ele se recuperaria, só esperava que fosse logo, vê-lo daquela forma era apavorante, mesmo que a relação dos dois tenha começado de uma maneira bastante tumultuada, ela não queria que nada de ruim acontecesse com o vampiro, ela se importava com ele, mais do que gostaria de admitir.

As horas passaram, Beliath e Aaron vieram ver como Ivan estava, eles trocaram algumas palavras mornas com Jessa, antes de saírem dizendo para ela não se preocupar tanto, que logo Ivan estaria agarrado ao pescoço dela, essa última foi Beliath com um tom irônico, que não agradou Jessa, que torceu o rosto desgostosa, Aaron foi um pouco mais complacente, e apenas lhe disse para esperar, que Ivan era forte e que ele já tinha o visto passar por coisas piores, a menina agradeceu com o olhar, e logo os dois vampiros a deixaram novamente sozinha, velando Ivan desacordado. Aos poucos Jessa foi vendo melhoras na pele do rapaz, algumas feridas começavam a desaparecer, quando a noite já preenchia todo o céu lá fora, Jessa quase dormia na poltrona, do lado da cama, quando sentiu algo diferente, sua ligação com Ivan lhe permitia saber como ele se sentia, e pela primeira vez em horas, ela sentiu a dor dele amenizar consideravelmente, foi quando os dedos da mão dele começaram a se mover lentamente, e seu rosto já dava sinais de que iria acordar.

Jessa arrumou a postura e o observou com expectativa por alguns minutos mais, até que Ivan começou a mover as pálpebras devagar, seus olhos piscaram algumas vezes, se acostumando com a luz fina do abajur, a garota não falou nada, mesmo que em seu interior ela estivesse fervilhando de indagações sobre como ele se sentia.

Que estúpido, eu não preciso perguntar como ele se sente, eu posso sentir simplesmente.

Ela sabia disso, mas, era a afirmação de que ele estava bem que ela precisava, e isso ligação nenhuma poderia lhe dá, somente ele.

Ivan moveu a cabeça na direção dela, como se a procurasse, e talvez fosse isso mesmo, o coração dela ficou feliz com aquilo, eles se olharam por mais alguns segundos antes do jovem vampiro quebrar o silêncio.

— Oi. – Ele murmurou com a voz baixa e meio rouca.

Jessa sorriu involuntariamente ao ouvir o som doce da voz dele, ela tinha sentido falta.

— Oi. – Ela respondeu também baixinho, e levou uma mão trêmula até a testa dele, tirando alguns fios loiros dali. – Como se sente? – Perguntou sentindo a temperatura do corpo dele mais amena.

Os olhos de Ivan seguiram a mão dela até onde puderam, havia surpresa ali, mas ele não recuou, na realidade ela gostava da sensação pele a pele com ela.

— Bem, digo, melhor do que antes. – Ele respondeu com a voz mais forte agora, voltando ao normal.

— Fico feliz com isso. – Jessa admitiu sorrindo mais largo.

— Como eu vim parar aqui? Os outros te ajudaram? – Ele perguntou tentando se sentar no colchão, Jessa percebeu e o ajudou, passando seus braços pelas costelas dele, Ivan congelou com o ato, mas a garota não percebeu.

— Eu te trouxe. – Ela respondeu enquanto colocava um travesseiro atrás de suas costas, para lhe dá mais conforto.

Ivan estava impassível.

— Me trouxe sozinha? – Ele estava incrédulo.

Jessa pareceu perceber a descrença na voz dele e quase se ofendeu.

— Sim, não acha que conseguiria? – Ela agora tinha levado a mão na cintura, numa postura defensiva.

Ivan percebendo que poderia ter sido um pouco rude, e tentou suavizar o clima.

— Não, perdoe-me, não é isso, só estou...surpreso. – Ele completou mais ameno, a expressão de Jessa melhorou e ela tinha voltado a sorrir. – Obrigado. – Agradeceu sincero.

Jessa apenas assentiu sem saber o que falar, ambos fizeram silêncio por alguns segundos.

— Eu gostaria de me levantar. – Ivan informou de repente.

Jessa se alarmou um pouco, ele tinha acordado há alguns minutos, era verdade, mas tinha passado muito tempo desacordado.

— Você tem certeza? – Perguntou com o tom preocupado. – Digo, você aguenta?

Ivan acenou com a cabeça.

— Aguento sim, se você me ajudar...se quiser...se puder. – Ele se atrapalhou com as palavras, a fazendo rir baixo, o que gerou uma vermelhidão no rosto do vampiro.

— Claro que ajudo, venha. – Jessa retornou a colocar seus braços ao redor do corpo dele com delicadeza.

Ivan me moveu com lentidão até a beirada da cama, e em um impulso só ergueu o corpo de supetão, assim que ficou em pé seus joelhos dobraram, quase que instantaneamente, sua visão ficou embaçada enquanto ele tentava se segurar em Jessa, a garota agarrou o tronco dele com mais força, o mantendo em pé, Ivan a olhava maravilhado, ele não era pesado, mas para uma humana deveria haver dificuldade ali, porém Jessa o segurava com firmeza e sem esforço nenhum.

As habilidades de cálice dela estão cada vez mais fortes.

Ele constatou feliz por ela, ao menos uma coisa boa toda essa situação a havia trazido.

— Tudo bem, está tudo bem. – Jessa sussurrou rapidamente com o tom acolhedor. – Eu te peguei. – Ela continuou.

Ivan sorriu fraco.

— Sim, você pegou. – Ele concordou a olhando profundamente, Jessa pareceu perceber o olhar dele, e seus olhos se encontraram, havia muitos sentimentos ali, medo, receio, preocupação, carinho, cuidado...paixão. Ivan foi o primeiro a dá um passo para quebrar a distância entre os rostos de ambos, Jessa o acompanhou logo em seguida, inebriante era a força que os puxava um contra o outro, quase magnético, sobrenatural. E quando os lábios de ambos se chocaram, a explosão de sentimentos poderia ser facilmente sentida a quilômetros de distância, havia tanta paixão ali que simplesmente não era possível mantê-la só entre os dois, ela teve que sair, vazar pelos poros e gemidos que ambos protagonizaram. Não havia mais medo, nem receio, a preocupação tinha se esvaído, o carinho ficou por parte do toque da mão de ambos contra o corpo do outro, o cuidado em abraçar para proteger de seja lá o que fosse, e tinha a paixão, que naquela altura não era mais uma incerteza em trocas de olhares furtivos, não, era certa, palpável, era real.

Notas finais
*-*
?” Vick
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!