Você chegou
1 Você chegou
Eu sonhava... E sonhava muito. Sonhava alto, até cair na realidade. E nessa realidade, você não existia. Eu sonhava com você, te sentia, te desejava, te esperava... E era tão intenso, tão inexplicável... Pois mesmo sem te ver, mesmo sem te conhecer, eu sabia que eu sentia a sua falta...
Nunca me importei com o quanto eu deveria esperar para te encontrar; só sabia que, um dia, nos encontraríamos. Mas o tempo foi passando, vi casais se formarem e se separarem, e eu aguardava. Já não aguardava pura e inocente: agora existia o medo de tudo entre nós acabar. E novamente: você ainda não existia pra mim. Mas como explicar o medo que senti sobre algo que não tinha nem mesmo a possibilidade de acontecer? Como explicar que temia a nossa separação quando nem mesmo existia um relacionamento? Como explicar o ciúme da quenga imaginária, o frio na barriga que eu sabia que sentiria quando nossos olhos se cruzassem pela primeira vez? Tudo isso, eu esperava sentir, mas não foi bem assim.
Você veio sorrateiro, silencioso. Quando percebi, já apreciava sua voz e torcia para você mandar mais áudios pra mim. Quando me dei conta, eu torcia para você estar acordado quando recebesse minha mensagem, e eu torcia que o assunto entre nós fosse infinito. Quando me dei por mim, não senti aquele arrepio quando te vi na primeira vez, nem borboletas no estômago, nem uma ansiedade, nada. A única coisa que senti quando conversamos pela primeira vez foi uma vontade enorme de te esganar, e com razão: você veio atentado, engraçado, sorridente. E uma simples interação se transformou em algo mais, aos poucos. As borboletas vieram naquele estacionamento, naquele primeiro "beijo", naquele primeiro abraço mais demorado... As coisas não vieram como ou quando eu esperava que viessem, mas vieram... e gostei dessa surpresa. Aos poucos, aquele sorriso, aquele olhar foram me cativando. Mas não me cativaram como amiga, e sim como uma boba apaixonada.
Desde a primeira vez que percebi que gostava de você, vieram as incertezas: o que é isso que estou sentindo? O que ele sente quando está comigo? Ele gosta de mim também? E se eu estiver ficando doida? Com o tempo, essas incertezas se transformaram em algo mais sutil, apenas dúvidas, apenas questões que se resolverão com o tempo: quando iremos nos casar? Como será os dias quando estivermos juntos? Que comidas novas descobriremos? Será que teremos filhos? Eu nem queria ter filhos, e agora considero, apenas por pensar que seríamos uma dupla de pais incrível! Você me conquistou, me fascinou. "A sereia foi capturada"... Quem diria, achei que estava dominando os mares e te arrastando pro fundo junto comigo. Errei feio, meu marinheiro.
Eu também achava que seria intenso como é nas novelas, e é tão leve... E gosto de como somos leves, simples, fáceis, e às vezes, práticos. Eu gosto de como vivemos um mundo de emoções que só nós percebemos: vemos constelações inteiras diante de nós, estrelas nos rodeiam quando estamos juntos, e tudo se resume a um sorriso, um olhar cúmplice que só nós somos capazes de perceber e decifrar. As coisas vão muito além do que se vê na superfície, e essa profundidade, só nós conhecemos. E gosto disso. Gosto de você.
Com o tempo, as dificuldades vieram; estivemos por um fio, inseguranças surgiram, o sentimento se abalou. E eu senti um medo muito maior do que aquele que eu imaginava que sentiria. Não houve quenga (imaginária ou real), não havia nada além de nós dois. E nós dois fizemos dar certo, nós dois passamos por isso, nós dois nos demos as mãos e passamos por isso, juntos. E quantas outras coisas vivemos juntos... Deixamos de ser sozinhos, de viver sozinhos, de sentir sozinhos para sentirmos juntos, para sermos juntos. As barreiras da comunicação? Passamos. As "minhocas dos pensamentos ruins"? Enfrentamos. Passamos por tudo, e seguimos voando alto, juntos, plenos.
Eu sonhava... E esses sonhos não se comparam ao que temos: jamais seria capaz de imaginar a gente correndo pelas ruas como crianças, a gente patinando no shopping, a gente cantando no karaokê, aquele beijo tão delicado na minha mão quando eu estava na porta do carro, pronta pra ir embora. E talvez a vida seja isso mesmo: sempre uma surpresa, sempre algo inesperado. E nessas horas, é bom não ter controle das coisas, se deixar ser encantada pelas surpresas que nos aparecem. Tentei prever tudo, e não previ nada. Você é uma bela surpresa. Bello, solo mio, mio uomo.
Eu sonhava... Eu te esperava. E você chegou.
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