Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
64 Capítulo 64 - Fúria silenciosa...
Notas iniciais
Quinn despertou com a sensação gostosa dos beijos de Rachel por sua pele. Suspirou, mas manteve os olhos fechados, desfrutando daquele carinho tão delas... A morena beijava-lhe o colo, enquanto deslizava as mãos por sua pele nua. Sentiu a língua de Rachel traçar o caminho desde o vale entre os seios até seu pescoço, deslizando para a lateral, chegando ao ponto abaixo de sua orelha, deixando um delicioso chupão no local:
R: Toda minha... [sussurrou]
A loira sorriu entorpecida pela energia da morena, que continuava sua exploração possessiva:
R: Minha... [apertava-lhe os seios] Minha... [deslizava os dentes pelo pescoço] Toda minha...
Q: Sua... [sussurrou]
Rachel foi rápida. Enfiou a língua na boca de Quinn ao mesmo tempo em que seus dedos invadiram a intimidade da loira...
R: Bom dia, meu amor... [mordeu o lábio inferior de Quinn]
Ela não conseguia responder. Era, sem dúvida, um dia bom, uma forma deliciosa de acordar, mas ela não conseguia responder de jeito nenhum... Rachel assumiu todo o controle e não demorou a presentear a namorada com um orgasmo matinal. Beijou novamente todo o colo de Quinn, deliciando-se com a fina camada de suor que havia se formado. Sentiu os dedos da loira fazendo-lhe um suave cafuné. Quando ergueu a cabeça, deparou-se com o olhar de adoração dos olhos claros e um sorriso lindo de sua garota perfeita. Retirou, enfim, os dedos de dentro dela e os levou à boca. Rachel Berry era a pessoa mais sexy do mundo e Quinn guardaria esse segredo para ela por toda a vida...
Q: Deus... O que há com você? [perguntou sorrindo]
R: Como assim? [escalou o corpo da loira até seus olhos ficarem no mesmo nível]
Q: Você esteve quente ontem e continua quente hoje...
R: Quer que eu esfrie? [perguntou provocante]
Q: Jamais! [sorriu] Jamais...
R: Que ótimo! [beijou-lhe delicadamente os lábios] Ficamos muito tempo sem sexo... [esclareceu]
Q: Ficamos... Mas a culpa foi sua!
R: Minha?
Q: Você que só quis fazer amor depois da minha cirurgia. Depois disso, ficou toda preocupada se eu me machucaria... A culpa é sua, afinal... [gostava de provocá-la]
R: Hum... [passou a deslizar o nariz pelo rosto da loira] Espero ter compensado esse tempo todo de jejum...
Q: Quase...
R: QUINN FABRAY! [repreendeu sorridente] Quer dizer que não foi o suficiente?! [fingiu que estava ofendida]
Quinn a olhou encantada e levou a mão direita à franja dela. Afastou os cabelos dali, acariciando os fios mais longos, prendendo-os atrás da orelha...
Q: Nunca será o suficiente... Eu nunca terei o suficiente de você... [respondeu apaixonada]
Rachel se arrepiou inteira e ficou satisfeita com a resposta. Moveu-se um pouco para deitar sobre o peito de Quinn, sentindo o carinho que a loira fazia em seus cabelos:
Q: Quer conversar sobre ontem? [perguntou calma]
R: Sobre que parte de ontem?
Q: Sobre a discussão que tivemos.
R: Não. Eu não quero conversar mais sobre isso...
Q: Ok...
R: Mas eu quero você longe daquela mulher! [disse firme]
Q: Se eu for ao hospital e ela estiver lá?
R: Desvie. Corra. Saia do hospital. Fique longe dela!
Quinn não disse mais nada. Beijou o topo da cabeça de Rachel e ficou em silêncio. Ciúme sempre causava um terremoto na relação delas e ela sabia que continuaria sendo assim. Por maior que fosse a confiança que uma tinha na outra, por mais que soubessem da força do amor que havia entre elas, o medo de se perderem era tão imenso que as cegava algumas vezes. Ela sabia, enfim, que elas sempre brigariam por isso...
Naquele dia, Judy esteve no apartamento com Frannie. Quinn soube, finalmente, que Russel havia tentado se matar. Ela se sentiu estranha. Não sabia se a falta de pena daquele homem a tornava uma pessoa ruim. Mas ela não sentia qualquer coisa por ele além de raiva. Rachel tentava entender o que deveria estar passando pela cabeça da namorada enquanto ouvia Judy explicando que o julgamento seria em breve e que, talvez, alegar insanidade fosse mesmo sua tese de defesa.
Um filme passava na cabeça de Quinn... Todas as coisas ruins que elas viveram por causa dele. Toda a mágoa que ela carregava de toda uma vida...
Q: Só preciso que me digam uma data e eu estarei lá...
Foi só o que disse. De forma fria, calma... Durante o resto daquele dia ela se manteve em silêncio. Fingiu ler um livro, mas Rachel sabia que ela não o lia. Conhecia Quinn muito bem para saber que ela passava as páginas numa velocidade muito maior do que estava fazendo... Deitou-se sobre ela no sofá e nada disse. Elas só precisavam ficar juntas...
Rachel dormia, enquanto ela não conseguia pegar no sono. Saiu da cama para voltar ao sofá onde estiveram por horas. Seu caminho foi interrompido pela luminosidade emitida pelo celular da morena. Quinn se aproximou, estranhando o fato de alguém entrar em contato com a namorada em plena madrugada...
“Me encontre em NYADA. Precisamos conversar! Por favor, Rachel!”
O nome de “Brody” na tela causou nela uma sensação terrível. Sem sequer refletir se fazia algo errado, pegou o celular e o levou até a sala. Destravou a tela e verificou se havia outras mensagens dele. Sua surpresa foi enorme quando viu que havia mais de quarenta mensagens. Algumas ligações não atendidas e apenas uma resposta de Rachel: “Me deixe em paz!”
Uma mensagem em especial chamou sua atenção:
“Precisamos conversar depois do que houve entre a gente! Pare de fugir de mim! Por favor!”
Seu corpo inteiro gelou! “O que houve entre eles?” Pensou desesperada. Sentiu o ar lhe faltar. A cada mensagem lida, seu estômago embrulhava. Todas mencionavam o acontecimento de algo, ou levavam a crer que algo aconteceu. Mas esse “algo” não era descrito em nenhuma delas. Pareciam mensagens de alguém desesperado, completamente ligado a outra pessoa. No caso, era Brody ligado à Rachel tentando ter de volta o que, de alguma forma, parecia que já tiveram.
Quinn se levantou rapidamente, com o intuito de acordar Rachel e esclarecer tudo sobre aquelas mensagens, mas assim que entrou no quarto e a viu dormindo, não conseguiu ir em frente. Perguntou-se o que aconteceria com elas se a morena dissesse que houve algo entre ela e Brody... Como Quinn lidaria com isso? Voltou à sala atordoada, relendo cada uma das mensagens, buscando um significado diferente para cada uma delas. Ficavam cada vez piores...
“Você não pode me tratar assim depois do que eu fiz por você! Sua namorada não vale isso!”
“Rachel, fale comigo! Por favor me atenda!”
“Eu sei que agi errado, mas você também agiu!”
“Rachel, me desculpe! Eu sei que me excedi!”
“Precisamos conversar!”
“Eu sei que aquilo só aconteceu por causa do seu estado emocional por sua namorada. E sei que não vai mais acontecer!”
“Fala comigo, Rachel! Você não pode acabar comigo dessa forma!”
Ela não conseguiu se segurar e o choro veio intenso. Doía imaginar Rachel a traindo, beijando e transando com aquele cara! Mas aquilo não fazia sentido. Sua Rachel jamais a trairia... Mas e se houvesse uma razão? Se ela tivesse sido insuficiente e, por isso, a morena tivesse cedido aos encantos de Brody? Se ela tivesse provocado uma traição? Levou as mãos à cabeça, tentando expulsar aqueles questionamentos humilhantes. Como ela poderia buscar explicações para o inexplicável? Como ela poderia buscar justificativa para o injustificável?
Não! Rachel Berry não era uma traidora! Quando ainda na escola ela teve um momento “especial” com Puck, não hesitou em contar a Finn. Também confessou à Quinn ter cedido ao beijo de Finn quando elas estavam começando a se envolver. Sua Rachel seria incapaz de cometer uma traição. Mas aquelas mensagens...
Em sua cabeça, formava-se uma versão das coisas: Rachel sobrecarregada com tudo o que havia acontecido, não sabendo lidar com sua cegueira, encontraria em Brody a fuga daquela realidade tão difícil... NÃO! Rachel jamais faria isso! Ela era forte e decidida! Estava ao seu lado o tempo inteiro, em qualquer situação...
Sua mente lhe pregava peças e plantava dúvidas que ela jamais imaginou que teria...
Tomou calmantes. Precisava apagar. Queria dormir, mas não conseguiria. Não queria voltar à cama... O choro e os remédios a desligaram...
Despertou um pouco dolorida, dando-se conta de que havia dormido no sofá. Brittany preparava algo na cozinha, enquanto conversava com Santana. Havia um bilhete sobre ela:
“Bom dia, meu amor! Precisei sair rapidinho, mas as garotas estão aqui para ficar de olho em você. Depois quero saber por que você não voltou pra cama... Te amo! R”
Quinn levantou tão rápido que ficou tonta. Teria Rachel ido à NYADA? Teria ela atendido à mensagem de Brody? Olhou ao redor e viu que tinha dormido sobre o celular da namorada. Então como a morena teria lido a mensagem? Será que leu? Levantou-se nervosa, chamando a atenção de Santana:
Q: Cadê a Rachel? [perguntou agoniada]
S: Hey, calma! Ela foi a NYADA resolver uma coisa, mas já volta!
Quinn correu para o banheiro e vomitou...
Quando acordou, Rachel estranhou o fato de Quinn ter dormido na sala. Quando ia acordar a namorada, foi surpreendida pela porta se abrindo. Era Santana e Noah. A latina estava com um sorriso enorme de felicidade. Puck, finalmente, estava em Nova York para ficar e ela não conseguiu esperar até mais tarde para chamar as amigas para comemorar. Noah se aproximou de Rachel e a abraçou, fazendo com que a morena tivesse uma ideia. Ela pediu à Santana que ficasse no apartamento de olho em Quinn. Não queria acordá-la já que ela parecia tão entregue ao sono. Enquanto isso, ela e Puck iam resolver um assunto... Não... Rachel não fazia ideia de que Brody tinha enviado mais uma mensagem...
Já havia um tempo que Rachel queria ir à NYADA resolver oficialmente sua situação da aula de dança. Já havia saído da turma, mas não havia se matriculado em outra. Sabia que precisava fazer isso, mas a simples possibilidade de encontrar Brody a desestimulava a aparecer por lá. Com a volta recente às aulas, Rachel havia conseguido uma dispensa temporária, graças à ajuda da senhorita Tibideaux, sabendo que teria muito trabalho em recuperar um período em que perderia aulas por preferir ficar com Quinn. Mas a presença de Noah fez com que ela se sentisse segura. Sabia que ele era a companhia perfeita para ir com ela à NYADA, evitando que Brody se aproximasse dela.
Não quis entrar em detalhes quanto a seu incômodo com seu professor, pois se apegou à esperança de que não o encontraria. Ledo engano... Tão logo saiu da secretaria de NYADA, deu de cara com ele. Brody não percebeu que Noah a acompanhava e se aproximou rapidamente dela, segurando-a pelo braço:
B: O que você pensa que está fazendo com a minha carreira? Eu não sou a Cassandra!
N: Hey! [avançou sobre ele] Quem é você? [jogou-o para longe dela]
R: Ele é um ex-professor meu... [respondeu nervosa]
B: Rachel... [tentou se aproximar, mas Noah o empurrou contra a parede]
N: FIQUE LONGE DELA! [gritou]
B: Me desculpe, Rachel! [tentava reverter a situação] Foi tudo um mal-entendido! Eu sinto muito!
N: Do que ele está falando? [virou-se para ela]
B: Eu não posso perder esse emprego! Por favor, eu não voltarei a te incomodar!
Rachel estava nervosa. Noah percebeu isso. Não precisou que ela explicasse. Colocou-se em frente ao Brody e o segurou pela gola da camisa. Sua respiração batia quente no rosto do rapaz assustado:
N: Nunca mais se aproxime dela! [ordenou frio] Se você ousar chegar perto dela de qualquer forma que seja, eu acabarei com sua raça! [deu-lhe um empurrão com força]
R: Eu não prejudiquei você! Fique tranquilo! Só me deixe em paz! [esclareceu]
Rachel precisava que ele saísse de seu caminho. Deixar claro que não o havia delatado lhe parecia o suficiente.
No carro, Noah respeitava seu silêncio. Não queria se meter na vida de sua princesa judia:
R: Ele se tornou inconveniente com o tempo... [disse do nada] No começo ele deixou claro que tinha interesse em mim. Mas eu sempre deixei mais do que claro que ele nunca teria uma chance, então ele passou a ser ainda mais insistente. [contava] Até que ele foi grosseiro dizendo algo sobre Quinn e eu bati nele. Desde então não tenho frequentado as aulas dele. Ele achou que eu iria denunciá-lo por me abordar de forma imprópria, principalmente porque eu fui a responsável pela saída da professora anterior a ele. [gesticulava muito enquanto explicava] É um babaca!
N: Percebi! [sorriu de lado]
R: Obrigada por me defender! [sorriu agradecida] Eu detesto aquele cara! Ele foi completamente insensível com a situação da Quinn.
N: O que ele fez?
R: Ele disse, na verdade... Ele insinuou algo sobre a cegueira dela. E foi algo realmente estúpido... Por isso apanhou! [disse orgulhosa]
N: Você deveria delatá-lo. [aconselhou]
R: Eu sei que deveria... Mas seria o segundo professor de dança envolvido em uma confusão por minha causa. Não quero causar esse tipo de alvoroço em NYADA de novo. Só quero continuar com minhas aulas e me formar. Ficar longe dele já é o suficiente para mim.
N: Então... [achou melhor mudar de assunto] Vou passar o dia com Beth, mas quando sua bela adormecida acordar podemos sair mais tarde?
R: Claro! [sorriu animada] Estou muito feliz por você vir para mais perto da gente!
N: Você está sendo sincera ou educada? [perguntou inseguro]
R: Por que pergunta?
N: Porque eu sei que você não se sente segura comigo perto da Quinn.
R: Ela é minha e eu sou dela. Ninguém vai mudar isso... Nem você! [disse segura]
N: Eu jamais faria isso!
Quando Rachel entrou no apartamento, nem Santana nem Britt estavam lá. Deparou-se com Quinn sentada à mesa da cozinha com uma expressão estranha...
Q: Você poderia se sentar? [apontou para a cadeira à frente]
R: O que está havendo? Está tudo bem? Você está sentindo alguma coisa? [perguntava preocupada]
Q: Apenas sente... [disse fria]
Quinn passou a mão direita nos cabelos enquanto segurava firme o celular de Rachel com a mão esquerda. Deslizava o dedo polegar sobre a tela, avançando e retrocedendo aquela série de mensagens que a estavam perturbando... O olhar de Rachel desviou para o movimento que ela fazia e logo identificou o celular como sendo seu. Só então entendeu que o celular que jogou dentro da bolsa antes de sair era o da loira:
R: O que meu celular está...
Q: O Brody gosta de escrever, não é?! [interrompeu fria, sem olhar para ela]
Nesse momento, Rachel se odiou e respirou fundo. Sentiu-se burra por não ter apagado as várias mensagens que havia recebido. Com a cegueira de Quinn ela tinha muita coisa a pensar e sabia que a namorada não leria, o que jamais causaria uma briga. Mas com Quinn enxergando, seu celular era uma bomba prestes a destruir tudo.
R: Eu posso explicar! [repreendeu-se mentalmente por dizer essa frase tão clichê]
Antes que a morena começasse a tentar esclarecer as coisas, Quinn começou a ler as mensagens em voz alta:
“Você não pode me tratar assim depois do que eu fiz por você! Sua namorada não vale isso!”
“Rachel, fale comigo! Por favor me atenda!”
“Eu sei que agi errado, mas você também agiu!”
“Rachel, me desculpe! Eu sei que me excedi!”
“Precisamos conversar!”
“Eu sei que aquilo só aconteceu por causa do seu estado emocional por sua namorada. E sei que não vai mais acontecer!”
“Fala comigo, Rachel! Você não pode acabar comigo dessa forma!”
“Precisamos conversar depois do que houve entre a gente! Pare de fugir de mim! Por favor!”
“Me encontre em NYADA. Precisamos conversar! Por favor, Rachel!”
Nenhuma daquelas mensagens parecia ter o peso que tinha agora. Quando Rachel as recebeu, ignorou e deixou de lado. Mas quando as ouviu através da voz de Quinn, com o tom doloroso de quem interpretava conforme estava soando, ela entrou em pânico. Principalmente pela última mensagem, que ela desconhecia...
R: Oh Deus! Não é o que parece, Quinn! Pelo amor de Deus, não é o que parece! [levantou-se]
Quando tentou se aproximar dela, o coração de Rachel apertou ao vê-la se levantar também e se afastar.
Q: Não! [disse firme] Não!
R: Eu posso explicar! [disse agoniada]
Q: Não acho que possa! [fraquejava e começava a chorar] Está muito claro em cada uma dessas palavras! Uma única resposta sua: “Me deixa em paz!” Não adianta dizer que foi engano! [tentava respirar] Foi bom o encontro de vocês? Oh Deus! [agoniava-se] Eu estou perdida aqui! [chorava ainda mais] Quem é você? [questionou magoada] Oh meu Deus! [levou as mãos à cabeça, largando o celular que caiu no chão]
Era doloroso demais imaginar que Rachel poderia ter ferido sua confiança, sua lealdade, sua fidelidade! As mãos de Quinn tremiam. Rachel pôde ver isso. Sabia que se continuasse insistindo que poderia explicar e que não era nada daquilo que ela estava pensando, só estaria repetindo clichês que aumentariam a raiva da namorada. Respirou fundo e respeitou a distância que Quinn impôs. O olhar da loira era de decepção e aquilo estava lhe doendo tanto que ela nem saberia mensurar...
R: Eu não te traí! [disse de forma direta] Eu sei o que essas mensagens estão parecendo, mas elas não significam isso! [esclarecia nervosa] Por favor, me ouça! [pedia com a voz trêmula]
Q: Você acha que consegue explicar, Rachel? [perguntava irritada, ainda chorando] Você acha que consegue me dar uma explicação plausível para me convencer de que essas mensagens não são pedidos desesperados de atenção de uma pessoa envolvida com você? [gritou]
R: Posso! [respondeu desesperada] E o Noah também pode! [respondeu tremendo de medo]
E ali os ciúmes maculavam toda a confiança que elas construíram. Já não importava o que dividiram, as milhares de declarações de amor intensas, os incontáveis momentos de cumplicidade. Ali, naquele momento, Quinn estava em sua fúria mais profunda e dolorosa, lutando para se manter de pé ao imaginar Rachel com outra pessoa. Sua Rachel, seu amor, sua paixão... Ela seria mesmo capaz disso?
Doía em Rachel a reação de Quinn, mas ela sabia que aquelas mensagens davam uma ideia mais séria de tudo, que deturpavam a realidade de forma perfeita. E nem a pessoa mais confiante e otimista do mundo seria capaz de não ver o duplo sentido de tudo aquilo. Parecia que Brody havia feito de propósito...
Q: O que o Noah tem a ver com isso? [perguntou agoniada]
R: Ele foi comigo a NYADA agora há pouco. Ele sabe que não há nada entre mim e Brody! [chorava] E você também deveria saber! [disse magoada] Deus, Quinn! Como você pode sequer imaginar que eu seria capaz de trair você?
O choro de Quinn se tornou mais forte e o ar começou a faltar. Ela nunca tinha vivido uma situação como aquela, onde toda sua razão e lógica pareciam se misturar numa confusão de sentimentos indecifráveis. Não fazia sentido a existência de uma Rachel traidora, mas não existia nenhuma explicação possível que pudesse justificar aquelas mensagens de modo a afastar a possibilidade de traição dali. Seu corpo inteiro parecia entrar numa espécie de colapso nervoso e ela sentiu-se sozinha como nunca antes havia se sentido... De todos os abandonos que ela já havia sofrido, nenhum havia alcançado o patamar de dor do que a possibilidade de separação de Rachel estava causando. Imaginar o corpo da namorada ser tocado por Brody, os lábios serem beijados... Quinn levou as mãos à cabeça novamente e prendeu os dedos com força entre as mechas de seus cabelos, tentando expulsar aqueles pensamentos tão terríveis de sua mente.
Rachel sabia que Quinn ciumenta perdia toda e qualquer noção da realidade entre elas. Ela sabia que os ciúmes de Quinn eram devastadores e capazes de causar uma nova guerra mundial. Sempre foi assim. As brigas entre elas sempre tendiam a ser piores quando a loira era provocada, quando a insegurança dela vinha à tona. E aquele era um daqueles momentos...
A mente de Quinn dava sua própria interpretação daquelas mensagens. Ela supunha que Rachel não havia aguentado a pressão de sua cegueira e que Brody havia se aproveitado da fragilidade dela... Ela poderia culpá-la? Não percebeu quando a morena se aproximou. Só se deu conta quando sentiu as mãos dela segurando seu rosto:
R: Olha pra mim! [ordenou] Volta pra nossa realidade! Olha pra mim! [pediu chorosa, tentando permanecer firme]
Os olhos vermelhos chorosos de Quinn a fitaram dolorosamente. Por mais que ela quisesse voltar a se afastar, o calor das mãos de Rachel em sua pele a impedia de fazer isso. Naquele momento ela sentiu que se Rachel a tivesse traído mesmo, ela seria capaz de perdoá-la, porque ela não conseguiria viver sem aquele toque. E se sentiu vazia ao se permitir se sentir daquela forma... Ao se diminuir tanto a ponto de se submeter ao perdão de uma traição ainda sem explicação. Sem nenhum sentido...
R: Olha pra mim e me diz se você realmente acha que eu seria capaz de trair você, meu amor... [chorava magoada] Me diz! [insistia]
Aqueles olhos castanhos eram tudo para ela. Ali ela via toda a verdade que precisava em sua vida. Quinn conhecia Rachel do avesso e através dos olhos da morena ela via sua alma. Não havia qualquer mentira ali... Não havia! Não havia qualquer possibilidade de traição. Não havia! Ela negou devagar com a cabeça...
R: Você vai me escutar? Vai deixar que eu te explique o que são essas mensagens?
Quinn assentiu vagarosamente com a cabeça, em silêncio.
R: Vem aqui...
Rachel a puxou para a sala, ainda sentindo o tremor nas mãos geladas da loira. Quinn sentou conforme a morena a guiou.
R: Olha pra mim e me ouve... [Quinn obedeceu] Ele parou de dar em cima de mim. Nós nem tivemos muita convivência a ponto de ele tentar qualquer coisa. Tudo isso a que ele se referia tinha a ver com uma peça de teatro para a qual eu fui escolhida. Uma remontagem de “O Fantasma da Ópera”.
Quinn a olhou confusa, pois ela não sabia de nada disso. Mas não questionou...
R: Eu não quis te contar nada porque eu não estava animada para isso. [tentava contar calmamente] Foi ele quem me deu a notícia de que eu havia sido escolhida e se gabou. Eu não fazia ideia de como me escolheram, pois não fiz nenhuma audição, mas ele disse que viram materiais meus e que gostaram muito. Eu não aceitei o papel porque eu não queria me afastar de você. Eu queria acompanhar o progresso de sua recuperação, mas também porque eu não queria contracenar com ele. Ele disse uma bobagem sobre eu ser sua bengala para você não cair e não consegui evitar. Eu bati no rosto dele. [confessou] Naquele dia eu decidi sair da turma da aula de dança em que ele leciona. Eu sabia que poderia ter aulas daquela matéria no verão, com uma professora substituta, ou em outra turma... [tentava esclarecer] Eu não queria nenhum tipo de contato com ele. Mas ele começou a insistir em conversarmos. Eu sei que ele ficou com medo de que eu o delatasse à direção de NYADA, principalmente porque a senhorita Tibideaux me questionou sobre não aceitar o papel na peça e sobre deixar a turma, e eu preferi não contar que ele me importunava. Não queria que outro professor fosse afastado por minha causa. Mas eu acho que ele pensou que eu o delatei e por isso tentou de todas as formas falar comigo. Por isso eu pedi que ele me deixasse em paz, porque eu não queria qualquer contato com ele. Nessas mensagens ele se refere ao tapa que eu dei nele, achando que só aconteceu porque eu estava emocionalmente mexida com a sua situação. Como também se referia ao fato de eu não aceitar o papel na peça para ficar mais tempo com você... E ele se desculpa pelas bobagens que disse por causa disso... Mas não tem nada a ver com traição, Quinn! Eu nunca trairia você! Nunca desrespeitaria nosso amor! Como eu poderia estar com outra pessoa se tudo o que eu quero é você? Se você é meu tudo? [questionava chorando]
Q: Mas você foi encontrá-lo hoje! [acusou sem pensar]
R: Não fui! [defendeu-se] Eu sequer sabia dessa mensagem e nunca atenderia a um chamado dele. Pode perguntar ao Noah! [tentava esclarecer tudo, claramente nervosa]
Q: Noah está em Los Angeles... [disse incrédula]
R: Ele está aqui! E eu posso chamá-lo e ele pode te confirmar isso! Eu fui a NYADA regularizar minha matrícula em outra turma de dança...
Rachel chorava magoada. Não era possível que Quinn não confiava nela. Depois de tudo o que passaram... Mas ela não iria bater de frente com ela. Não iria enfrentar a loira. Naquele momento era melhor amar do que ter razão... Entendia perfeitamente a insegurança da namorada e sabia que se fosse o contrário, estaria histérica. Mas Quinn estava furiosa em seu silêncio assustador. Não havia quebrado nada, nem erguido a voz mais do que uma vez... Era o comportamento acuado e frio de Quinn que mais assustava Rachel. Ela sabia lidar com os sentimentos explosivos, com a fúria externa. Mas a fúria de Quinn era interna... Uma guerra entre o cérebro e o coração da loira...
A morena a viu se levantar. Caminhar de um lado a outro da sala. Quinn mudou o caminho e foi à cozinha, pegando o celular do chão e relendo as mensagens. Rachel a observou calada...
Q: Ele já te beijou? [finalmente a encarou com firmeza]
R: Não! [respondeu rapidamente] Nunca! [garantiu]
Q: Essas mensagens... Rachel... Essas mensagens...
R: Eu sei! Eu sei o que parecem! [levantou-se para ficar mais perto dela] Mas eu acabei de te explicar... [aproximou-se ainda mais] Eu pensei que também já havia deixado claro que eu não consigo me interessar por outra pessoa além de você, meu amor... Você é minha única referência de vida, de amor, de sexo... Não existe e nem nunca haverá qualquer brecha em mim que permita que outra pessoa ocupe qualquer lugar em meu coração. Ou nos meus desejos...
Rachel a surpreendia, repetindo as palavras ditas por Quinn na última discussão que tiveram.
R: As coisas são diferentes quando a confiança tem que vir de mim? [perguntou magoada] Por que eu tenho que confiar cegamente em você, mas você fica cega quando sente ciúmes?
Quinn não respondia. Mesmo magoada, Rachel conseguia vencer o nervosismo e o medo que aquela briga havia causado. Juntou seu corpo ao de Quinn e segurou as mãos dela com força, tomando-lhe o celular e o jogando sobre o sofá.
R: Me toque! [ordenou enquanto levava as mãos de Quinn aos seios] Me toque! Me aperte! Me sinta! [continuava ordenando com a voz falha] Isso tudo é seu! Meu corpo é todo e exclusivamente seu! Ninguém toca e ninguém jamais tocará... [levou a mão direita da loira aos lábios] Minha boca é sua e ninguém, além de você, tem nem terá o direito de beijá-la...
Quinn sentia o desespero contido de Rachel em tentar provar que não feriu sua confiança. Um soluço estrangulado saiu da garganta da morena que não conseguiu mais se segurar. Era doloroso demais não sentir a confiança de Quinn... Ela perdeu a força e não mais forçou a loira a tocá-la. Mas as mãos de Quinn não se afastaram dela. Rachel sentiu seu corpo ser puxado ainda mais pra perto e seus lábios serem beijados com força. Era um beijo doído que estava machucando de verdade. Quinn precisava daquilo...
R: Está machucando... [reclamou ao conseguir se separar um pouco] Você está me machucando... [choramingou]
Quinn a soltou e se afastou bruscamente. Havia perdido o controle. Seu olhar era um pedido mudo de desculpas e fez com que Rachel se sentisse culpada por tê-la assustado naquele segundo.
R: Volta aqui... [murmurou chorosa]
Mas Quinn não voltou... Sentou-se no sofá e levou as mãos novamente à cabeça, desviando o olhar para o chão. Rachel correu para sentar-se ao seu lado e passou a distribuir beijos pelos cabelos, pelo pescoço, pelo rosto da loira, que não apresentou resistência ao sentir o corpo da morena montar sobre o dela.
R: Diz que acredita em mim! Diz que confia em mim! [pediu a encarando]
Quinn não respondeu... A única coisa que foi capaz de fazer foi olhar o semblante de Rachel por inteiro e depois, calmamente, tirá-la de seu colo. Permaneceu em silêncio por mais um tempo, até que resolveu falar:
Q: A sensação de quase perder você é igual à sensação de quase morrer... [levantou-se e caminhou em direção ao quarto]
Rachel sentiu seu coração apertar e entendeu que nada do que tinha dito havia adiantado. Então Quinn se virou para ela, ainda de pé no corredor:
Q: Vem... Vamos para o quarto...
[CONTINUA...]
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