Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)
55 Capítulo 55 - Blackout (parte 1)...
Notas iniciais
Rachel preparava um café forte para ajudar a curar a ressaca em que se encontrava. Shelby a olhava curiosa, estranhando o comportamento atrapalhado da filha:
Sh: Está tudo bem?
R: Ressaca... [murmurou constrangida]
Sh: Ressaca? [tentou se certificar de que tinha ouvido certo]
R: É...
Sh: Vocês beberam? [surpreendeu-se]
R: Não! A Quinn não! Eu bebi... [explicava] Mas acho que bebi demais! [levava a mão direita à cabeça]
Sh: Posso saber por que bebeu tanto?
R: Não sei... Pareceu divertido... [deu de ombros] Eu ainda estava meio mexida com a briga que tive com a Quinn e achei que aliviaria. Agora minha cabeça reclama...
Sh: Falando em briga... Como vocês estão?
R: Bem... Eu acho! [desviou o olhar para a sala, vendo que Quinn continuava conversando com Beth] Ela me deu banho para melhorar minha bebedeira...
Sh: Ela deu? Mas como se ela não enxerga?
R: Quinn é impressionante! [sorriu orgulhosa] Ela tem uma capacidade fora do comum de utilizar os outros sentidos. E as broncas também! [fez careta] Ela conseguiu me domar no banho! [respondeu corada]
Sh. Sei... [sorriu]
R: Mas eu tenho a sensação de que fiz algo errado ontem... [disse insegura]
Sh: Como assim?
R: Eu devo ter falado alguma bobagem muito grande, porque lembro da Santana rindo muito e da Quinn me repreendendo... E se a Santana estava se divertindo tanto, boa coisa não deve ter sido... [disse desconfiada]
Sh: Por que não perguntou à Quinn?
R: Não deu tempo...
Na sala, a loira ouvia Beth descrever a roupa que vestia, já que a loirinha já entendia perfeitamente que ela só via “esculo”...
B: É azul... E é bonita! [apontava pra roupa mesmo que Quinn não pudesse ver]
Q: É? [sorria] Fale mais sobre sua roupa...
B: Tá “massada”... [respondeu]
Quinn gargalhou encantada... Ao ouvir, Rachel se levantou e se escorou no arco da porta da cozinha, admirando a cena que se desenvolvia no chão da sala. Ver a namorada sorrindo verdadeiramente a fazia mais feliz do que tudo... Beth acompanhou Quinn na risada e aquela bela sinfonia se formou de novo. Rachel fechou os olhos para desfrutá-la... Shelby parou atrás dela e entendeu porque a cena mexia tanto com a filha mais velha. Era mesmo uma cena linda, leve, tranquila... Duas pessoas que se amam sendo felizes num mundinho só delas. Beth era a reprodução perfeita de Quinn...
Rachel sentiu a mãe atrás de si e não se conteve, precisando pedir novamente o que já havia pedido outra vez:
R: Não as afaste! Por favor! [pediu baixinho]
Sh: Por que você pensa que eu as afastaria? [puxou Rachel devagar para a cozinha novamente]
R: Por favor, more aqui em NY! [suplicou] Quinn precisa ter Beth por perto...
Shelby sentou novamente e respirou fundo...
Sh: Eu vim aqui deixar a Beth com vocês, porque vou passar dois dias em Lima. Preciso resolver algumas coisas e não quero levá-la na correria.
Rachel sentou à frente dela:
R: Não me diga que já vai organizar a volta de vocês! [choramingou]
Sh: Não! [respondeu tranquila] Eu não queria dizer isso agora, mas estou mesmo me organizando para ficar aqui de vez!
R: JURA? [gritou]
Da sala, Quinn se assustou:
Q: Tudo bem, Rach?
R: Sim, meu amor! [levou a mão à boca]
Sh: Você pode tentar ser discreta? [repreendeu] Eu não quero que você fale nada à Quinn ainda, nem à Beth. Não quero frustrá-las caso as coisas sejam mais complicadas do que espero.
R: Ok... Desculpa! [pediu com um sorriso imenso] mas você trouxe a Beth para ficar conosco enquanto você viaja?
Sh: Sim... Tem problema? [perguntou temerosa]
R: Claro que não! Isso é fantástico! [vibrou] Mas é que pensei que você preferisse deixá-la com meus pais, Judy e Frannie.
Sh: E por que eu iria preferir?
R: Não sei... Maturidade?
Sh: Não consigo pensar em pessoas melhores para cuidar de Beth do que vocês duas. [disse sincera] E, mesmo assim, todos vão comigo. Cada um tem algo a resolver em Lima.
R: E ninguém vem se despedir? [perguntou indignada]
Sh: Dois dias, Rachel! Não faça drama!
Q: Rach, você pode vir aqui? [chamou da sala]
A morena se levantou e foi até a namorada. De repente, a ressaca parecia ter ido embora...
R: Oi, meu amor... [Beth riu e Quinn virou-se para o som de sua risada]
Q: “Meu amor” ainda é engraçado? [perguntou sorrindo]
B: É... [sorriu]
Quinn se virou para onde supôs que Rachel estava...
Q: Beth quer ver desenho... Você pode colocar no canal que ela quer? [perguntou constrangida]
Rachel nada disse. Percebeu que Quinn estava com o controle remoto na mão e que, provavelmente, havia tentado encontrar o canal várias vezes, sem sucesso... Sabia que a namorada se sentia impotente por não enxergar. A morena retirou o controle da mão de Quinn devagar e colocou no canal que Beth indicou, devolvendo o controle para a mão da loira. Beijou-lhe a testa e logo depois o olho, para depois murmurar:
R: É passageiro, meu amor... É passageiro...
Quinn deu-lhe um sorriso sutil, concordando com o que Rachel disse. Segundos depois, a loira estava sentada no sofá, com Beth ao seu lado, aconchegada a seu corpo. A pequena loirinha não parava de narrar o desenho para ela. Assim que Quinn confirmou que não conseguia ver, sua miniatura logo começou:
B: Tem um “minino” e ele tá correndo com uma bola... Ele tá de azul... Mas a roupa dele num tá “massada”. Tem um sol “malelo” e uma “arvre” cheia de “futas”...
Shelby não pôde deixar de admitir para si mesma que a presença de Quinn na vida de Beth havia se tornado fundamental. Talvez nunca tivesse deixado de ser...
Alguns minutos se passaram e Quinn não ouviu mais a voz de Rachel. Quando pensou em chamá-la, a morena sentou ao seu lado:
R: Quinn... [chamou carinhosa]
Rapidamente a loira virou a cabeça em direção ao som da voz da morena:
R: Vou sair com a Shelby rapidinho, ok?!
Q: Não! [exclamou imediatamente]
R: Por que não?
Q: Eu não posso ficar sozinha com a Beth! [disse preocupada]
R: Você pode! [respondeu segura] E não vamos demorar...
Q: Mas se ela quiser ir ao banheiro? Como eu vou levá-la em segurança? Se ela quiser comer?
Antes que Rachel respondesse, Shelby tomou a dianteira:
Sh: Beth, vem fazer xixi!
B: Eu “num tá” com vontade... [respondeu]
Sh: Mas venha mesmo assim... A vontade logo aparece.
B: Eu queria usar “falda” hoje.
Sh: Combinamos que hoje você não usaria fralda. É nosso trato. E o que é um trato?
B: Uma lei... [respondeu desanimada]
Sh: E o que é uma lei?
B: Um “tato”... [moveu-se para descer do sofá] Já volto, “Kim”...
Q: Certo, princesa! [sorriu com a doçura da filha]
Claro que Beth não sabia exatamente o que era uma lei, nem um trato. Mas Shelby a havia ensinado que quando alguma coisa era lei, tinha que ser cumprida...
Q: Por que você está fazendo isso? [perguntou preocupada]
R: Isso o quê?
Q: Como o quê? Eu estou cega, Rachel! Não é seguro deixar a Beth sozinha comigo...
R: A Beth é uma criança tranquila, Quinn. Ela não vai desobedecer você. E você conhece esse apartamento como a palma da sua mão.
Q: É diferente quando eu tenho que cuidar dela. Não faz isso! [pedia preocupada] Eu não sei se sou capaz...
Rachel segurou o rosto da loira com as duas mãos e a beijou. Juntou suas testas e voltou a falar:
R: Você é capaz de qualquer coisa... Sua falta de visão não é capaz de te impedir... Eu confio em você, Shelby confia em você e Beth também... Confie em mim... Vai ficar tudo bem!
Beth voltou correndo para os braços de Quinn...
B: “Fez xixi eu”... Eu “num tava cum” vontade, mas “eu fez memo” assim...
Quinn só conseguiu sorrir... Sentiu o beijo de Rachel em sua cabeça:
R: Voltamos logo... [a loira assentiu nervosamente] Beth, você cuida da Quinn enquanto estivermos fora?
B: Eu “cuida”! [garantiu]
R: Posso confiar em você?
B: Pode... [respondeu decidida]
R: Tem biscoitos e leite aqui na mesinha do lado. É só pegar se vocês sentirem fome, ok? [disse à Quinn que assentiu novamente]
Assim que a porta se fechou, a loira soltou a respiração pesada que nem havia percebido que prendia. Fez uma prece silenciosa, pedindo que Beth não quisesse se levantar daquele sofá por nada até que elas voltassem. A garotinha se remexeu em seu colo, sentando de modo a ficar de frente pra ela:
B: Kim... [chamou ansiosa]
Q: Oi, princesa!
B: O que é “confiar”?
Sentada com Shelby no café no térreo do prédio, Rachel sentia a cafeína invadir seu corpo e gemia em contemplação...
Sh: Você sabe que está usando sua irmã como cobaia, né?!
R: Não é cobaia! É importante pra Quinn sentir que ela pode cuidar da Beth, mesmo que não enxergue. Ela me deu banho e eu tenho certeza de que eu estava sendo uma bêbada insuportável. Não caímos, não nos machucamos... Para proteger quem ela ama, a Quinn é capaz de tudo. Já deixou isso claro. É só uma horinha, ou duas... Confie em mim!
B: “Eu tem” medo do “esculo”... [disse de repente]
Q: Tem?
Beth estava deitada com a cabeça nas pernas de Quinn, enquanto a loira alisava seus cabelos. O desenho que passava na TV já era outro. A garotinha podia ter ficado entediada e querer brincar, ou mudar de canal. Mas, estranhamente, ela queria conversar. O carinho em seus cabelos era gostoso e ficar deitada nas pernas de “Kim” também... Ela não tinha porque sair de lá...
B: É... “Eu tem”... Você “num” tem, Kim? [perguntou curiosa]
Q: Tenho um pouco... [respondeu sincera] Mas eu enfrento...
B: Você é “colajosa”... [disse sorrindo]
Q: Acho que sou... [sorriu de volta]
Na cafeteria, Rachel e Shelby continuavam conversando:
Sh: Nenhuma previsão de quando ela pode voltar a enxergar?
R: Eu não sei bem... [respirou fundo] Ela conversou com o médico antes de ontem, mas como brigamos, acabou que nem conversamos de verdade sobre isso...
Sh: Eu não consigo imaginar o quanto isso é complicado pra ela...
R: A Quinn ama imagens! Ela ama beleza, natureza, luz e sombra... Fotografia... Independência... E essa falta de visão a está privando de tudo isso... Não é nada fácil!
O celular de Rachel tocou indicando uma nova mensagem. Só então ela viu que havia outras não lidas. Estranhou quando viu que eram de Finn e Brody. Finn, tudo bem... Mas Brody?!
Sh: Tudo bem? [perguntou ao perceber a expressão confusa da filha]
R: Sim... [sorriu fracamente] Tudo bem...
Três horas depois elas voltaram ao apartamento. Rachel sabia que ia ouvir alguma bronca de Quinn. Ao entrarem, estranharam a ausência das duas da sala. A TV estava desligada e o silêncio imperava... Seguiram direto para o quarto e, quando lá chegaram, depararam-se com as duas dormindo. Quinn estava deitada com o braço envolvendo Beth, numa posição que indicava claramente que ela queria impedir que a garotinha caísse da cama. Os biscoitos e o leite estavam ao lado da cama, com dois copos de água também. Rachel e Shelby tentaram imaginar como Quinn tinha dado conta de levar Beth e as coisas para o quarto sem derrubar nada. Depois saberiam que a garotinha foi uma excelente ajudante...
Shelby saiu do quarto para ligar e pedir almoço para elas. Rachel pediu que ela passasse o resto do dia lá, já que viajaria apenas no dia seguinte. Então, ela aceitou a proposta. Achou melhor deixar a filha à vontade. Percebeu no olhar dela que ela queria se aproximar de Quinn e beijá-la...
Rachel deitou-se por trás da namorada e beijou-lhe o ombro, logo afastando os cabelos loiros da nuca com o nariz, beijando o local carinhosamente... Quinn suspirou suavemente. Rachel repetiu o movimento...
R: Estou tão orgulhosa de você! [sussurrou no ouvido dela]
Quinn despertou com um sorriso nos lábios. Sentiu o braço de Rachel envolver sua cintura e a perna da morena se encaixar entre as dela. O calor da namorada em suas costas e amolecia...
R: E eu te amo... Você consegue a façanha diária de fazer com que eu te ame cada vez mais...
Quinn virou o rosto um pouco, tentando não se mover bruscamente para não acordar Beth:
Q: Me beija...
Claro que Rachel atendeu ao pedido. Devagar, sem qualquer pressa, com a mais completa sutileza, provou o gosto da boca da namorada com carinho... Beth continuava dormindo...
O almoço tinha sido muito bem aproveitado por todas! Shelby estava cada vez mais encantada por Quinn. Ela não dizia isso, não admitia, mas ela estava encantada por sua nora, pela mãe de sua filha, por aquela pessoa tão nobre e tão magnética que a loira se mostrava diante dela. Entendeu que Rachel tinha razão ao dizer que ela deveria confirmar em Quinn sem pestanejar. Que ela sempre cuidaria bem de Beth...
Já tinha anoitecido e Quinn estava tocando piano com Beth. A loirinha era paciente em prestar atenção ao que lhe era explicado. Era nítido que ela havia puxado a Quinn nesse quesito... As mãos da loira deslizavam sobre as teclas e as da garotinha seguiam as dela conforme era dito. Beth gargalhava feliz! Naquele momento, Quinn não se importou por não enxergar. Naquele dia ela sentia que podia ficar sozinha no apartamento, que podia cuidar de Beth... Naquele dia ela entendeu que era mais do que pensava...
Rachel estava a caminho da cozinha quando tudo escureceu. Beth se agarrou ao corpo de Quinn assustada e a loira sentiu o pequeno corpo da filha tremer.
Sh: Meninas?
Q: O que houve?
R: Blackout... [respondeu]
B: “Eu tá” com medo! [disse assustada]
Q: Calma, meu amor... [beijou-lhe o topo da cabeça] Está tudo bem!
Sh: Fiquem paradas. Não se movam!
Shelby estava preocupada e não sabia o que fazer. O blackout era geral na cidade e as cortinas grossas do apartamento não deixava a luz da lua passar pela janela. Calma, Quinn retirou Beth do colo e a colocou sentada ao lado dela, no banco do piano:
Q: Princesa, feche os olhos... [Beth obedeceu] É como se você estivesse se preparando para dormir. Não tem que ter medo. Eu vou me levantar bem rapidinho para pegar uma lanterna e a luz vai voltar, certo?!
Beth assentiu com a cabeça, mas Quinn não podia ver...
B: “Eu tá” com medo... [choramingou]
Q: Eu não vou deixar que nada ruim aconteça... Você confia em mim?
B: “Eu confia”!
No momento em que Beth perguntou mais cedo o que era confiar, Quinn teve toda a paciência do mundo para explicar a ela que tinha a ver com acreditar, e deu exemplos... A garotinha confiava e sabia que podia...
O blackout não tinha como afetar a loira. Para ela, era um momento como outro qualquer. Toda sua noção espacial do apartamento estava ali, funcionando, então ela poderia se locomover normalmente mesmo na escuridão total. Ela já estava fazendo isso diariamente... Caminhou com calma até a cozinha e tateou a primeira gaveta do armário, pôs a mão no canto direito e pegou a lanterna.
Q: Funcionou, Rach? [perguntou assim que apertou o botão]
R: Funcionou, meu amor! [aproximou-se para pegar a lanterna] Obrigada! [beijou-lhe delicadamente os lábios]
Logo a morena se dirigiu à Shelby que, enxergando, foi até o banco do piano e pôs Beth no colo. A garotinha ainda tremia assustada. Nunca tinha presenciado escuro tão escuro. Nenhuma delas, na verdade... Rachel se deu conta que nunca, desde que elas se mudaram, aquele apartamento tinha ficado naquela escuridão. Shelby abriu as cortinas e a luz da lua pôde adentrar a sala. Rachel olhou através da janela e viu a cidade sem luz... Virou-se e observou Quinn com uma expressão conformada. Naquele dia, nenhum flash de luz tinha aparecido para ela. Nenhuma dor de cabeça... Nada que indicasse que a visão estava voltando... A loira sentia como se tivesse dado alguns passos para trás. Levou as mãos aos bolsos e Rachel logo entendeu que ela estava sem saber o que fazer... A morena se aproximou e encaixou os braços por baixo dos braços dela, abraçando-a em silêncio. Beth e Shelby olhavam a rua quando a lanterna se apagou. Rachel não queria luz naquele momento se Quinn não pudesse ter também...
A loira sentiu o rosto da namorada se encaixar em seu pescoço e logo percebeu que ela não falaria nada. Retirou as mãos dos bolsos e fechou os braços ao redor dela, deslizando a mão pelas costas... Entendeu o que Rachel queria dizer com aquela proximidade... Entendeu tudo!
Q: Você sabe que eu te amo, não sabe?! [sussurrou no ouvido dela]
Rachel apenas assentiu com a cabeça, sem afastar o rosto do pescoço macio...
Q: Eu te amo... E quero ver você! [continuou sussurrando] Quero te ver sorrindo pra mim, com o céu azul sobre nós... Eu sinto falta do azul...
R: Você vai enxergar de novo, meu amor... E eu vou te dar todo o azul que você quiser... [sussurrou de volta]
Estava escuro, mas não foi por isso que se libertaram. Evitavam sempre beijar na frente de Beth, mas naquele momento, elas não pensaram em mais nada. Apenas em sentirem... Rachel deixou uma trilha de beijos na mandíbula de Quinn até chegar a seus lábios. Buscou sua língua imediatamente, mas não com violência... Com possessividade sim! A briga? Ficou de lado. A escuridão? Ficou de lado. As dores? Ficaram de lado. O mundo inteiro? Tudo ficou de lado naquele momento... Ali elas se falavam sem palavras, sem olhares. Quinn não podia ver, não podia perceber mais os olhares de Rachel que tanto amava. Mas nem a escuridão total era capaz de tirar dela a capacidade de enxergar Rachel com sua boca, com suas mãos, com seu corpo. O abraço mais perfeito do mundo a envolvia naquele instante e nada podia estragar aquela sensação de total amor que Rachel lhe proporcionava...
Da janela, Shelby tinha um nó na garganta. Os poucos minutos que passou na completa escuridão forçada a fez perceber o que antes só podia imaginar: o quão escura era a vida de Quinn agora. A loira não merecia aquilo... Era injusto demais! Sentiu Beth afastar-se um pouco do abraço:
B: “Esculo” é ruim, mamãe...
Sh: É filha! Eu sei que é... [respondeu compreensiva]
A garotinha tentou olhar para Quinn, mas a penumbra do apartamento a impedia de ver perfeitamente. Viu que ela estava abraçada com Rachel e pensou que ela estava triste e com medo...
B: Mamãe... [Shelby olhou para ela] Eu “pode” dar um olho pra Kim? “Eu tem” dois... Eu “pode” trocar com um dodói dela...
O nó na garganta de Shelby não aguentou e desatou. Rachel apertou o abraço em Quinn, sabendo que ela também tinha ouvido aquela proposta de Beth...
E havia luz, mesmo que não houvesse...
[CONTINUA...]
Notas finais
Quero avisar que Quinn está perto de voltar a enxergar. No próximo capítulo, um grande passo será dado em direção da visão dela.
Muito obrigada pelos comentários e pelo carinho que vocês têm por mim e por minhas fics! Isso me faz tão feliz! :-)
Comentem! ;-)
Beijos!
Fale com o autor