Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

44 Capítulo 44 - "Espero que você me segure..."


Notas iniciais
Música do Capítulo: Christina Perri - Arms

Rachel chegava quase no mesmo horário de todo dia, colocava a bolsa no mesmo lugar, sobre o sofá, caminhava até a cama, acariciava-lhe os cabelos e beijava-lhe a testa:


R: Oi, meu amor... [dizia baixinho] Já cheguei...


Estavam há quase duas semanas de volta a Nova York e a rotina da morena tornou-se um pouco diferente da rotina em Lima. Depois de muita relutância ela acabou cedendo à pressão de todos para voltar à NYADA. A grande diferença entre os médicos de Lima e os de NY também ajudou para que Rachel pudesse se afastar um pouco daquele ambiente, afinal, Hiram não tinha influência naquele hospital, o que limitava um pouco a liberdade da morena em ficar onde queria e quando queria. Não podia mais dormir lá enquanto Quinn ainda estava na UTI, o que causou uma tremenda confusão, melhorando, apenas, quando a loira foi transferida para o quarto, ainda com aparelhos que auxiliavam a manutenção de sua saúde. Então Rachel pôde voltar a fazer-lhe companhia, dormindo todas as noites numa cama improvisada no quarto de Quinn...


R: Nossa cama está imensa sem você... [acariciava-lhe o braço com delicadeza] Eu não quero dormir lá. Eu me sinto perdida... Em qualquer lugar, eu estarei perdida sem você... Então eu fico aqui, meu amor, esperando você acordar, para que eu possa acordar também... Volta logo pra mim...


Rachel não tinha conseguido dormir em nenhum dos dias em que teve que tentar ficar em casa. Aquele apartamento era o lugar delas, onde dividiam a vida, e a ausência de Quinn ali dentro era dolorosa demais. Em cada noite em que tentou relaxar na cama delas, a morena agarrou-se ao travesseiro da namorada e aspirou seu cheiro interminavelmente. Tudo o que ela queria era manter Quinn consigo, nem que fosse apenas dentro de si...


Hiram, Leroy e Shelby conseguiram se organizar e tiraram férias que emendariam com alguma licença, se fosse necessário, para irem à Nova York com Beth, Judy e Frannie. Não era apenas uma visita... Toda a logística de transferir Quinn para a cidade não foi nada fácil. Primeiro precisaram convencer Rachel de que era a melhor decisão. Depois precisaram ter certeza de que o estado de saúde da loira era estável o suficiente para uma mudança de hospital, uma transferência tranquila. Mas, para tornar tudo mais fácil, dedicaram-se a cuidar para que tudo fosse feito com muito cuidado. Decidiram, então, morar em NY por um tempo, para que pudessem se ajudar no cuidado com Quinn e Rachel. Era um momento delicado, onde não faria nenhum sentido deixá-las sem esse tipo de apoio. Judy não pretendia deixar a filha em nenhum lugar onde ela não pudesse estar. Decidiram também dividir as despesas hospitalares de Quinn, mas Judy fazia questão de bancar tudo. Porém, todos foram surpreendidos quando receberam a notícia, pela direção do hospital, de que todas as despesas seriam pagas pela Universidade de Columbia...


Sair de Lima não foi fácil. Todo um esquema de segurança foi montado para que Rachel não fosse incomodada, pois a imprensa estava sedenta em busca de uma foto exclusiva da “namoradinha de Quinn Fabray: o pivô de seu coma”...


Antes de partir, Rachel recebeu a visita dos amigos e agradeceu a cada um pelo apoio diário no tempo em que esteve ali... Finn esperou que todos saíssem para ficar um pouco sozinho com ela. No corredor do hospital, pediu que ela sentasse ao seu lado um pouco. A morena atendeu ao pedido:


F: Eu espero que ela acorde logo, Rach...


Ela o conhecia bem e sentiu a sinceridade empregada na voz do rapaz.


F: Eu realmente espero que ela acorde logo... [frisou] Eu sei que tivemos nossas diferenças e que as coisas desandaram por um tempo entre a gente, mas hoje eu preciso admitir que meu comportamento não foi correto com vocês. [segurou a mão da morena entre as duas] Eu te amo, Rachel! [disse sincero, surpreendendo-a um pouco] Ainda amo e não sei quando, nem se vou deixar de te amar. Mas eu não vou mais usar esse amor de forma nociva. [disse calmo] Eu entendi que não posso tentar interferir em algo como o que existe entre vocês. Eu te amo, mas ela te ama mais. E você merece um amor maior do que o meu...


Rachel o abraçou. Tão forte quanto pôde...


R: Você foi tão importante pra mim! E por isso sempre vai ser... Me doeu tanto aceitar que você ficaria de fora da minha vida! Espero que isso não seja necessário e que possamos mesmo ser amigos de novo... Eu te amei. Não tenha dúvidas disso. Eu te amei até onde pude. Até onde consegui... Até onde foi possível não entender que eu a amava. Que eu já a amava... E amá-la... Amá-la é devastador... [confessava] É maior do que eu, maior do que tudo! Amá-la me preenche inteira, sem deixar espaço pra mais nada, pra mais ninguém...


Finn nada disse de imediato. Apertou um pouco mais o abraço e beijou-lhe o topo da cabeça:


F: Ela vai acordar...


A casa onde a família das garotas se acomodava em Nova York era grande o suficiente para Beth se sentir no paraíso. Ela corria entre os móveis como se estivesse correndo por um campo a céu aberto... Mas a garotinha não era só alegria. A cada dia sentia a falta de Quinn ficar cada vez mais forte. O fato de estar em Nova York dava-lhe esperanças de que veria a loira, mas os dias passavam e Quinn não chegava em sua nova casa... Shelby conversava com Judy enquanto tomava café com biscoitos. Hiram e Leroy haviam saído para fazer compras, enquanto Frannie brincava com Beth. Para Judy e a filha mais velha, estar tão perto de Beth era uma emoção diferente. Não poderiam tratá-la por neta e sobrinha diretamente, mas poderiam ser carinhosas. E estavam sendo. O primeiro contato entre a tia e ela foi difícil, pois Frannie não conseguiu segurar o nó que se formou em sua garganta. Aquela era a miniatura de sua Quinnie, uma cópia perfeita! Era também o significado de tanta coisa! Para Judy também não era fácil, apesar de já ter visto Beth outras vezes com Shelby. Mas o medo de se aproximar e parecer invasiva sempre a impediu de manter contato com sua neta. Só que a surpresa de ter Shelby tão perto, apoiando-a o tempo todo, fez com que todas as guardas baixassem e não demorou para que a garotinha se afeiçoasse às duas, mesmo sem saber o que representavam em sua vida, e fizesse questão de brincar com elas.


Frannie percebeu que Beth estava especialmente quieta e questionou a garotinha:


F: Tudo bem, Beth?


A loirinha ergueu o olhar um pouco triste:


B: A “Kim” sabe que eu “tá” morando aqui agora?

F: A Quinn? [surpreendeu-se sem saber o que responder] Bom... Eu acho que não... [tentou se esquivar]

B: Você pode contar “pá” ela? [perguntou ainda triste]

F: Sim... [sorriu suavemente] Eu posso! [garantiu]

B: Eu “quer” que ela venha! [sorriu esperançosa] Eu “tá” com “sadade”... [baixou o olhar encabulada] Ela “tá” com “sadade” também?

F: Com certeza! [sorriu amplamente, tentando disfarçar os olhos marejados] Com certeza ela está!


Frannie puxou Beth para seu colo e abraçou a garotinha, recebendo o os bracinhos dela ao redor de si até onde alcançavam. A vontade de chorar era imensa. Aquela ali era a representação minúscula de sua irmãzinha. Era impossível não sentir a presença de Quinn ali, em Beth...


Apesar de tudo, Rachel se sentia privilegiada. Sentir que todos estavam ali em Nova York por causa delas, fez com que se sentisse mais forte para continuar enfrentando aquele momento tão difícil... Não queria ir à casa nova dos pais, pois não sabia como se portar diante de Beth. Então, todos os dias, ela recebia a todos no hospital. Só assim para que ela se sentisse segura para voltar à NYADA: sabendo que tinha alguém da família olhando por Quinn no hospital em sua ausência. E isso incluía Santana, Brittany, Kurt e Blaine. Todos estavam dando um jeito de ajustar o apoio à Rachel com suas aulas, ocupando o lugar da morena na vigília enquanto ela passava as manhãs na faculdade.


Ela não queria ter voltado à NYADA. Achava que poderia esperar. Mas Judy insistiu muito. Assim como seus pais, Shelby e Frannie. As horas que a morena passavam no hospital se tornavam cada vez mais longas com o passar o tempo e o fato de Quinn não acordar. Todos queriam lhe dar um escape daquilo e nada poderia ser melhor do que voltar à rotina de antes. Então Rachel aceitou, em parte, o que propuseram e voltou às aulas pela manhã. Ignorou toda e qualquer aula que tivesse durante as tardes, pois aquele período, assim como suas noites, seriam todos de Quinn.


Então as coisas passaram a ser dessa forma: Rachel saía correndo de NYADA direto para o hospital. Às vezes, ela passava no apartamento para pegar um outro livro para Quinn, quando tivesse terminado de ler o anterior. Ela lia para a namorada todas as noites antes de dormir, e conversava sobre seu dia... Parecia uma rotina normal, não fosse o fato de Quinn estar dormindo. Naquele dia, a morena leria o livro que estava na bolsa da loira quando foram para Lima. Era o mais recente da lista de leitura de Quinn, então Rachel achou que ela gostaria de ouvir exatamente de onde parou. Assim que abriu o livro na página marcada, percebeu que o marcador estava acompanhado de uma folha manuscrita com a letra da namorada. Franziu a testa em confusão e se pôs a ler. Suas mãos ficaram trêmulas tão logo se deu conta do que se tratava:


“Oi, meu amor... Se você estiver lendo esta carta é porque eu não tive a chance de rasgá-la. É porque eu não consegui cuidar de “nós”. Mas eu cuidei de você e é só isso o que importa... Sei que escrever agora é bem clichê, mas eu preciso que você saiba que eu senti que eu não me salvaria. Eu senti... Entre pensar que estava ficando louca e ter alguma certeza sobre qualquer coisa, eu senti que alguma coisa estava esperando por mim... E não era algo de bom... Eu realmente espero ter feito tudo por você, meu amor... Eu tentei fazer... Eu sei que você está segurando esta folha de papel com força, amassando-a em suas mãos aos poucos, com vontade de rasgá-la. Eu te conheço... Por favor, não se chateie comigo, mas eu preciso pedir a você que me deixe aqui no seu passado e siga em frente! Faça do nosso futuro seu! Estarei te olhando de onde quer que eu esteja. Não tente me encontrar... Não se prenda a mim... Mesmo que você não tente, eu sempre estarei em você... Eu fui feliz! Eu tive o amor da minha vida e não posso reclamar. Eu tive seus beijos, seu corpo, seu sorriso, seu cheiro só pra mim... Eu tive suas pernas, suas costas, sua voz em meu ouvido. Eu tive seu calor, seus sonhos, seus ciúmes... Você me tirou do meu silêncio, dos meus medos, das minhas angústias. Você me libertou! Eu que sempre te quis, sempre te desejei, sempre te amei... Eu tive você e minha vida não poderia ter sido melhor! Você me fez viver, Rachel, Rach, minha pequena, meu amor... Conte histórias bonitas sobre mim à Beth e se desculpe por mim por precisar partir antes do programado. Antes de tudo... Brilhe, minha estrela! Eu te amo! Te amo! Te amo! Te amo tanto... Mais do que minha própria vida! Eu mais... Para sempre...


Sua até o fim... Quinn”


Não havia ar suficiente. Não havia... Rachel estava sufocada após ler aquelas palavras. As lembranças dos dias que antecederam a tragédia voltaram à sua mente: Quinn assustada, achando que estava enlouquecendo, ouvindo vozes, explosão e choro... Em que momento ela teria escrito aquela carta? Em que momento, no meio de seus dias juntas, Quinn perdeu a esperança?


Eram muitas perguntas, mas nenhuma resposta... Rachel explodiu em choro... Não havia ninguém ali além delas duas. O quarto estava escuro, sendo apenas iluminado pelo abajur que a morena mantinha para ler e para não perder a loira de vista durante a noite. Ela soltou a carta, colocando-a de lado junto com o livro e levou as mãos aos joelhos, apertando-os. O choro ficou mais forte... Será que ela deveria perder a esperança também? Todos os dias eram iguais e não havia qualquer sinal de que Quinn acordaria. Ela tinha ouvido os médicos dali dizerem que os de Lima estavam certos, que ninguém sabia se a loira acordaria um dia. A febre alta que ela teve assim que chegou a Nova York e a convulsão por causa disso, mas nenhuma resposta logo após... A febre que se repetiu noites e noites depois... Isso era uma forma de fazê-la entender que o bem poderia não acontecer? A falta de uma explicação mais contundente do porquê daquele coma não era razão suficiente para seguir em frente? Não! Não havia qualquer razão para seguir em frente sem ela...


Respirou fundo e se levantou. Empurrou a cadeira para trás e se aproximou mais da cama. Olhou Quinn por inteiro, prendendo-se ao semblante sereno desacordado...


R: Você queria que eu seguisse em frente? [perguntou com a voz chorosa] Como você pôde pensar que eu seria capaz de seguir em frente sem você, Quinn? Como? [questionava mesmo sem saber que não teria uma resposta] É difícil estar aqui todo dia. É sim! Porque é difícil não receber uma resposta sua. Mas esse é meu lugar agora. Porque meu lugar é onde você está! Então eu não vou seguir em frente. Se eu tiver que passar a minha vida inteira lendo pra você, eu farei isso. Eu lerei todos os livros do mundo para você! Eu espero que você esteja mesmo me ouvindo, porque eu estou te pedindo para não desistir! [voltava a chorar intensamente] Por favor, não desista! Esta carta se trata claramente de você desistindo e eu te imploro pra não desistir! Por favor, eu imploro! [chorava mais forte] Eu espero que você me segure... Eu preciso! [insistia chorosa] Não desista de nós...


Rachel apoiou-se com a mão esquerda sobre a cama, buscando sustentação. Todo seu corpo estava em pânico de Quinn ter desistido. Com sua mão direita voltou a segurar a da loira, entrelaçando seus dedos, puxando-a para beijar. Inclinou-se para beijar-lhe a testa, mas não conseguiu. Seu rosto caiu na curva do pescoço da namorada, um de seus lugares favoritos, e o choro se tornou ainda mais intenso. Ela não podia enfrentar aquela luta sozinha. Era uma batalha de duas. As duas deveriam lutar juntas. Quinn não poderia deixá-la...


R: Por favor, não me deixe! Por favor! Eu preciso de você, meu amor! Por favor! Não desiste! Não desiste!


Sem resposta... Rachel se afastou um pouco, não sem antes depositar um beijo casto no pescoço de Quinn. Depois distribuiu beijos pelo braço da loira, sentindo em seus lábios o toque da pele sedosa que tanto amava, até segurar a mão de Quinn com as suas duas. Beijou várias vezes, murmurando: “não desista, não desista, não desista...” Um beijo mais demorado e ela foi abaixando a mão delicadamente até colocá-la apoiada sobre o colchão novamente. Ainda a segurando com sua mão direita, ergueu-se e, finalmente, depositou um beijo na testa de Quinn:


R: Boa noite, meu amor... Boa noite...


Devagar, ia liberando sua mão, soltando cada dedo de uma vez. Respirou fundo e tentou dar um passo para trás, quando sentiu que não conseguiu se soltar por completo. Quinn apertou seus dedos, prendendo-os em sua mão.


Talvez ela não tivesse desistido...



[CONTINUA...]



Notas finais
Então? Espero que gostem!
Chorei escrevendo... :-(
Grandes, grandes, GRANDES emoções no próximo capítulo!

Quero agradecer aos comentários aqui e a quem fala comigo no ask e no twitter. Agradecer aos movimentos "#AcordaQuinn" e "#AtualizaLuiza" kkkkkkkkk

A música do capítulo foi uma indicação que recebi via ask agora há pouco e fiquei impressionada em como caiu como uma luva no capítulo. Não poderia ter sido outra. Obrigada "J"!

Eu deveria ter atualizado MR, mas como todos me pediam muito VSEEM, tive que priorizar. Não esqueci de EAST também e aguardem att ainda esta semana!

Muito, muito, muito obrigada por continuarem acompanhando...

Comentem!

Beijos!