Você Sempre Esteve Em Mim (parte 2)

41 Capítulo 41 - "Chiaroscuro (parte 1)..."


Notas iniciais
Música do Capítulo: One Republic - Come Home

O frio que Rachel sentia naquele momento era diferente de todos em sua vida. Era um frio que percorria sua alma por inteiro. Tinha gosto de solidão... O arrepio por sua espinha tinha sabor de desespero. Ela sentia o cheiro da escuridão mais profunda...


Após os tiros, os sons que se ouvia eram dos passos pesados dos policiais correndo, as vozes e gritos de comando se misturando uns aos outros... Barulhos de rádios se comunicando e sirenes... Rachel não tinha ouvido sirenes até então. Finn a segurava com força. O corpo do rapaz estava sobre o dela. Ela sentia o calor que ele emanava e o frio do chão. Ele a protegia instintivamente. Dois policiais se aproximaram deles e os arrastaram para levá-los para fora do prédio. Só quando percebeu que havia se distanciado da sala do coral, foi que Rachel despertou da dormência em que sua mente tinha mergulhado de repente. Soltou-se rapidamente dos braços que a guiavam e correu em disparada fazendo o caminho de volta:


R: QUINN!!!!! [gritava] QUINN!!!!!


Não conseguiu ir muito longe. Foi contida por uma barreira de quatro policiais. Os homens se espantaram com a força da morena baixinha. Foi difícil contê-la. Seus olhos ansiosos perceberam paramédicos entrando às pressas na sala onde tudo aconteceu. Ninguém saía de lá. As pessoas só entravam. Por que Quinn não respondeu ao seu chamado?


Sentiu uma mão puxá-la para longe dos policiais. Era Finn recuperando-a. Sem dizer nada o rapaz continuou a puxá-la, sem perguntar se era isso o que ela queria. Havia nele um senso de proteção maior do que o normal. Quinn ordenou que ele tirasse Rachel da sala. E assim foi feito. No olhar da loira ele enxergou uma necessidade indescritível de proteger a morena. Ele foi o meio que ela pôde utilizar. Ele não quebraria isso...


Assim que os dois chegaram à porta da escola, guiados pelos mesmos dois policiais de antes, foram recebidos por gritos ovacionados da população que estava no local. Puck não sabia que o fato de chamar a polícia acarretaria em quase toda a cidade plantada em frente ao colégio. Mas a quantidade não era importante. Em meio à multidão, Hiram, Leroy, Shelby e Judy se destacavam... Os gritos e suspiros de alívio ao verem Rachel sair do prédio chocaram-se com a angústia de ver que Quinn não estava com ela. O olhar perdido de Finn causava ainda mais preocupação. Havia barricadas que impediam que as pessoas se aproximassem dos dois. Eles foram colocados sentados em uma ambulância para receber os primeiros socorros, se necessários. Rachel não prestava atenção em ninguém. Seus olhos estavam vidrados na porta da escola. Ela queria ver Quinn saindo dali andando.


R: Por favor, senhor... Me diga que a Quinn está bem! [choramingava trêmula para o paramédico que começava a examiná-la]


Diante do silêncio do homem, o choramingo sofrido da morena se transformou em pranto pesado. Onde estava sua garota que não estava ali?


Não demorou muito para que sua atenção à porta se tornasse ainda maior. A movimentação intensa ali indicava que os paramédicos estavam retirando alguém do prédio. Rachel se levantou bruscamente, sendo segurada pelo braço pelo policial que a acompanhava.


R: ME LARGA! [gritou]


Duas macas eram retiradas do local. Ambas cobertas pelo lençol azul da ambulância. Os médicos e a polícia tinham pressa e cercavam de modo que era impossível ver quem estava ali. As macas eram colocadas rapidamente nas ambulâncias mais próximas. Rachel tentava sair dali. Precisava se aproximar mais. Saber mais! Sequer percebeu que as mãos que a seguravam agora eram de seus pais. Então seu estômago embrulhou quando a última maca era retirada envolta em um saco preto.


Rachel não gritou. Rachel não falou. Seu corpo inteiro entrou em colapso. A morena desmaiou. Os olhos claros de Judy estavam completamente vermelhos. Nunca havia se sentido tão sozinha em toda a sua vida. Mesmo se identificando como mãe de Quinn e ex-esposa de Russel, os policiais não a deixavam se aproximar. A dor de Rachel potencializava a sua própria. As mãos de Shelby em seus ombros e o abraço apertado demonstravam que ela não estava sozinha. Mas ela se sentia a própria solidão...


A barreira de contenção que a polícia fez impediu que todos se aproximassem. Era impossível identificar quem era quem em cada maca. Puck estava desesperado, mas mantinha-se de pé. Sabia que por maior que fosse a dor dele, não se comparava à de Rachel ou de Judy, caso o pior tivesse acontecido com Quinn. Ele precisava ser forte por Beth... A garotinha estava em casa, acompanhada da babá, esperando a hora em que Quinn apareceria novamente.


Quando Rachel acordou demorou a entender onde estava. Piscou os olhos algumas vezes até se acostumar com a claridade. Sentiu o cheiro familiar de hospital e logo despertou. Seu corpo agiu por instinto, levantando-se bruscamente. O puxão em seus braços provocou dor, fazendo-a voltar à posição inicial. Ela estava com os braços atados à cama. Foi a única forma encontrada, juntamente com os sedativos aplicados, para garantir que ela parasse de tentar correr pelo hospital e agredir os enfermeiros que tentavam impedi-la de entrar no centro cirúrgico. Ela sabia que tinham levado alguém pra lá. Não entendia porque não lhe davam notícias... Duas horas antes, Rachel despertava do desmaio e não se deixava segurar por ninguém:



[FLASHBACK ON]


R: QUINN! QUINN! ONDE VOCÊ ESTÁ?


Rachel gritava pelos corredores do hospital, chamando a atenção de todos. A movimentação era intensa! Era um caso raro na cidade. Nunca havia acontecido algo parecido. O hospital havia sido isolado logo após receber as vítimas do incidente. Mas quem seriam elas?


Shelby: Rachel! Pare com isso! [corria atrás da filha]

R: QUINN! QUINN! [gritava desnorteada]

Shelby: PARE! Isso é um hospital! As pessoas precisam de silêncio! Seus gritos não vão resolver o problema!

R: Me diz que ela está bem... Pelo amor de Deus!


A morena tinha, enfim, parado de correr. Deixou-se deslizar pela parede, caindo ao chão. Agarrou-se às próprias pernas soluçando de chorar...


R: Por favor! Me diz que ela está bem!


Shelby abaixou-se junto com ela e tentou fazer a única coisa que podia naquele momento. Abraçá-la...


Shelby: Não temos nenhuma notícia ainda... A polícia está mantendo tudo em sigilo. Mas a Judy, seus pais e o Noah estão fazendo de tudo para obter informações. É um direito da Judy de saber. [disse calma, tentando ajudar a filha]


Rachel levantou-se bruscamente, assustando Shelby. E a maratona começava de novo, em busca da morena que corria por todo o hospital...


[FLASHBACK OFF]



Quando a morena olhou ao redor não viu ninguém além de Judy. A mulher estava sentada de forma quase serena, esperando Rachel acordar. Era estranho seus pais não estarem ali. Mais estranho ainda era Judy estar com ela. Rachel temeu pelo pior.


J: Você é o mais próximo dela que eu tenho agora... [disse com um sorriso triste em meio à voz chorosa]


Rachel engoliu em seco. Sentiu um nó de lágrimas rasgar sua garganta.


R: Não... [choramingou] Por favor não me diga que...

J: Ela está em cirurgia...


A morena, enfim, pôde respirar...


R: Em cirurgia?! [perguntou esperançosa] Então ela está...

J: Viva? Sim... Ela está viva...



[FLASHBACK ON]


Q: Vá em frente, Jennifer! Acabe logo com isso!


Quinn se lançava sem medo... Por Rachel... Por amor! Por seu amor ela entregava sua vida ao que o destino lhe reservou... O medo já não existia mais...


Quinn não tinha a menor dúvida de que Jennifer atiraria. Ela sabia que estava destinada à bala contida naquela arma. A sensação era diferente do que imaginava. Junto com o barulho da explosão familiar, que havia habitado sua mente, sentiu o calor cortante que queimava seu interior. Ela não conseguiria, nem se quisesse, descrever aquela dor. O fogo que lhe queimava o peito logo parou de machucar. Sua mente deixou de funcionar assim que a outra bala adentrou sua cabeça...



[FLASHBACK OFF]


J: Foram três tiros. [explicava] A cirurgia vai demorar muito ainda... Ela precisou de bastante sangue, mas Hiram, Noah, a treinadora Sylvester e o Finn doaram o que era preciso... [dizia calma, mas ainda estava em choque]


Rachel recostou a cabeça no travesseiro, fechando os olhos com muita força. Não sabia o que dizer. Não queria perguntar detalhes à Judy. Era cruel demais fazê-la explicar detalhadamente o estado de saúde da filha. Se ninguém disse que ela deveria ficar tranquila, era porque o caso era grave. Ela voltou a chorar...


J: Então eu pedi para nos deixarem a sós... [continuava explicando com calma] Porque você é o mais próximo que tenho dela... [algumas lágrimas deslizavam silenciosas pelo rosto] E eu preciso me sentir perto dela... Eu preciso da minha filha! [as lágrimas suaves se transformaram em pranto sofrido]


Rachel não podia abraçá-la por conta das amarras, mas Judy a soltou. Logo estavam presas, uma à outra, por um abraço forte, sentido... Sabiam que estariam completamente perdidas sem Quinn...


Uma hora depois a morena saiu daquele quarto, deparando-se com o olhar de pena de todos que estavam ali. Aquilo fez seu coração ficar ainda mais apertado. Seus pais, incluindo Shelby, trataram logo de abraçá-la. Judy não via a hora de fazer o mesmo com sua filha. Sentou-se devagar, observando aquela interação familiar que já não sabia se voltaria a ter...


Santana estava sentada com as mãos na cabeça, sentindo as costas serem acariciadas por Brittany. A latina não chorava. Segurava as lágrimas bravamente, mas estava despedaçada por dentro. Quinn era sua melhor amiga, sua irmã. Era quem sabia e havia protegido seus maiores segredos. Quem a havia dado cobertura para amar Britt sem limites. Era Quinn quem a ouvia reclamando, lamentando, sonhando. Ela não podia perdê-la...


Mais adiante estavam Puck, a treinadora Sylvester e Finn. Noah tinha o olhar perdido, lembrando de todos os momentos que dividiu com a loira. Quinn tinha sido seu único e verdadeiro amor, e ele sabia que sempre seria assim. Não apenas pelo envolvimento que tiveram, ou por Beth, mas porque ela era tudo o que ele considerava necessário em uma pessoa. Quinn era completa e perfeita. Perfeitamente completa! Sua melhor amiga, a única garota por quem se apaixonou... Para Sue Sylvester, a loira era muito mais do que sua melhor aluna. Quinn era a filha que ela sempre sonhou. Destemida, corajosa, inteligente, doce, forte... Era difícil acreditar que ela estava passando por uma situação entra a vida e a morte. Não era justo. Nem um pouco...


Ainda sob os efeitos da sedação que lhe deram, Rachel caminhou devagar até a cadeira ao lado de Finn. De todos que estavam presentes ali, ele era o que menos se encaixava naquele quadro...


R: Obrigada... [murmurou chorosa]

F: Pelo quê? [olhou-a confuso]

R: Por ter doado sangue para ela...

F: Eu não fui o único a doar. [respondeu sincero]

R: Mas todos os outros têm um vínculo de carinho com ela. Você não... Pelo menos, não mais...

F: Ela é uma pessoa, Rach... [disse calmo] Uma pessoa importante pra você. E você é importante pra mim... [esclareceu] Eu já pensei ter amado a Quinn. Eu não posso me basear apenas na nossa situação atual. Eu jamais poderia permitir que ela morresse. [disse firme, com os olhos marejados] Tudo se tornou insignificante no momento em que eu a via apontando uma arma para a própria cabeça. [deixou escapar algumas lágrimas] Aquele amor, Rach... Aquele amor nem eu seria capaz de sentir... Ninguém seria... [Rachel respirou trêmula, tentando encontrar mais ar enquanto chorava ao ouvir o que Finn dizia]


Quinn tinha sido sua primeira namorada. Os primeiros beijos, as primeiras carícias. Finn não podia negar a importância da loira em sua vida. Eles se tornaram amigos, mesmo depois de terminarem o namoro. Mas quando Rachel a escolheu ao invés dele, os bons sentimentos adormeceram, dando lugar à raiva, inveja, à necessidade de vingança, de tomar Rachel de volta para si. Mas após ouvir da boca da morena que ela pertencia à Quinn e perceber em seu olhar que aquela era uma verdade imutável, ele soube que não adiantava lutar em uma guerra perdida... Então, quando na sala do coral, o amor de Quinn se sobrepôs ao medo de morrer, ele finalmente entendeu que ninguém era capaz de amar Rachel de forma tão intensa e completa. Ele havia perdido essa, mas para a pessoa mais honrada e merecedora do coração da morena...


Ouvindo o choro de Rachel ao seu lado, o rapaz passou o braço ao redor dos seus ombros e a puxou mais para si, beijando-lhe suavemente o topo da cabeça:


F: Vai ficar tudo bem... Ela vai ficar bem... [disse sereno]


Rachel estremeceu. Era a primeira vez que ouvia que as coisas ficariam bem. Pela primeira vez, alguém lhe ofereceu uma dose de esperança...


Volta e meia os olhares se voltavam para ela. Leroy manteve a polícia distante dela. Disse firme que eles poderiam esperar para obter qualquer depoimento. Os repórteres se amontoavam em frente ao hospital, mas nenhuma informação era passada para eles também. Copos d’água eram oferecidos à Rachel. Comida, colo... Mas o choro tinha cessado. Seu olhar tinha se fixado à parede à sua frente que continha um relógio. Já havia passado mais de cinco horas e ninguém havia aparecido para dar notícias. Não sabia como estava Quinn. Não quis saber o que houve com Jennifer e Russel. Pediu várias vezes para ninguém lhe dizer, então ninguém lhe disse... Só queria e só conseguia pensar em Quinn. Uma enfermeira apareceu acompanhada de um policial. Quase foi soterrada pela avalanche de pessoas em busca de informações. Mas ela não sabia de nada. Tinha sido enviada apenas para entregar os pertences de Quinn à Judy. O olhar de Rachel sobre as coisas era de dar dó. Era como se ali fossem vários pedacinhos de Quinn, tão perto dela... Não demorou para que Judy se levantasse e se aproximasse dela, entregando a bolsa da loira e um pequeno envelope. Ninguém contrariava a lógica: era de Rachel o direito sobre tudo. Ela era a pessoa que responderia por Quinn. Ela era a continuidade de seu amor...


O deslizar de suas mãos pela bolsa era delicado. Como se estivesse tocando a pele da namorada. O perfume de Quinn adentrou suas narinas. Rachel fechou os olhos. Talvez, se deixasse de enxergar pudesse sentir a presença de seu amor ali. E ela sentia. Sentia a pele queimando ao toque delicado das mãos de Quinn por seu corpo. Sentia a pele arrepiada pelos lábios macios da loira descendo por suas costas. Sentia o estremecimento de seu corpo ao sentir a língua da namorada entre suas pernas. Sentia o calor da respiração dela em sua nuca... O timbre rouco da voz sussurrando em seu ouvido, o sorriso perfeito e encantado, capaz de transformar qualquer dia ruim em maravilhoso...



[FLASHBACK ON]


R: Eu acho que Paris é o lugar ideal! [dizia suavemente]

Q: Então será Paris! [sorriu animada]

R: Assim, sem discussão? [derretia-se com o sorriso à sua frente]

Q: Assim... Sem discussão!


Era uma tarde de sábado, entre tantas outras tardes, em que conversavam de forma cúmplice após fazerem amor. Rachel havia lançado a pergunta de onde seria a lua de mel delas e Quinn a deixou bem à vontade para escolher. Não faziam ideia de quando isso realmente aconteceria, mas sabiam que era um fato consumado. Quinn Fabray não partiria dessa vida sem antes se tornar esposa de Rachel Berry. Não... Ela não quebraria uma promessa...


[FLASHBACK OFF]



Era Leroy quem estava ao lado da morena agora, enquanto do outro estava Shelby. Os ombros de Rachel eram massageados lentamente. Ela ainda segurava a bolsa de Quinn em seu colo quando um médico apareceu para dar notícias. Ela não se levantou. Ela não conseguia se levantar. Ela sabia que mataria aquele homem se ele não levasse boas notícias. Ela precisava ficar distante. Suas pernas também não obedeciam...


As palavras pareciam não fazer sentido. Elas não faziam mais sentido. O mundo ao seu redor se calava. Mas seus olhos a mantinham ali. A expressão de dor de Judy não era o que queria ver. Todos os olhares se voltando para ela não a faziam se sentir melhor. Mas é que a expressão “tiro na cabeça” ainda não tinha sido digerida facilmente por ninguém. As muitas horas que ainda faltavam e o total desconhecimento das consequências daquela cirurgia, até para os médicos, fazia com que todos vibrassem apenas pelo fato de Quinn estar viva.


Rachel sabia que a amaria em qualquer circunstância. Em nenhum momento essa certeza fraquejou...


Há cerca de um ano o papel era invertido. Era Quinn quem sofria numa sala de espera de um hospital, rezando para que Rachel sobrevivesse à cirurgia à qual era submetida. Naquela sala de espera, algumas pessoas se repetiam. Cerca de um ano depois, o inverno mais frio voltava a atacá-las...


“Código azul”. Era a expressão que ressoava pelos autofalantes. A tensão cresceu em todos. Mas não em Rachel. Ela levou sua mente para fora dali...


Seu olhar não conseguia desviar para outro lugar. Nada era mais lindo do que Quinn dormindo. Talvez, Quinn sorrindo fosse tão bonito quanto. Não, não... Quinn sorrindo superava tudo. As tardes de volta pra casa, com conversar sobre NYADA e Columbia. O jeito carinhoso com que a loira entrelaçava seus dedos na rua. O movimento circular a língua de Quinn em sua nuca quando se olhava no espelho. Os cafés preparados com tanto amor... As roupas misturadas, a cama compartilhada, as contas unificadas... Elas haviam se tornado unidade. Já não havia um mundo onde as duas juntas não existisse... A forma perfeita com a qual Quinn olhava Beth e a forma doce como falava dela... Todo o cuidado da loira com seus sonhos, com o futuro. Quinn de calcinha e sutiã. Quinn nua... Quinn com um pijama longo de flanela... Os braços mais perfeitos do universo. O partilhar de travesseiros, os sussurros no meio da noite, as pernas entrelaçadas, o silêncio que dizia mais do que tudo...


O ar lhe faltou. Rachel não queria ouvir o que os médicos diziam. Ela lutaria contra a lógica de qualquer fato, apenas para manter viva dentro de si a vida que partilhava com Quinn. Ela não estava pronta para dizer adeus. Ela nunca estaria pronta...


Apertou o pequeno envelope contra o peito, sentindo o relevo sob seus dedos. O abriu devagar, deparando-se com a correntinha de crucifixo da loira e com a aliança. Não... Não era justo que a aliança já não estivesse mais em seu dedo... Shelby deslizou a mão pelo braço da filha, acariciando delicadamente, tentando passar força. Rachel apertou a aliança na palma da mão, buscando sentir uma energia que não estava ali.


Shelby: Deixa eu te levar pra casa um pouco... Para tomar um banho. Eu te trago de volta.


Rachel a olhou triste. Negou com a cabeça:


R: Eu não quero sair daqui... Sair daqui vai me fazer pensar que eu terei que andar sem ela e eu não vou fazer isso... Sem ela eu não tenho direção. Não há luz nem sombra... Tudo vira um borrão... [os soluços impediam que falasse de forma mais articulada] Eu não vou pra casa nenhuma, porque ela é a minha casa e eu preciso que ela volte pra mim...



[CONTINUA...]

Notas finais
Chiaroscuro = palavra italiana para "luz e sombra" ou, mais literalmente, "claro-escuro".

Foi um capítulo difícil de escrever, porque havia muita coisa que eu queria abordar. Por isso, dividi em dois. Nessa primeira parte, procurei abordar o estado de Rachel. Meio perdida diante disso tudo. Quem lembrar dessa mesma situação que Quinn passou, quando era a morena quem estava em cirurgia, saberá que as reações delas são bem diferentes. Enquanto Quinn estava em estado de choque, rezando, negociando com Deus, Rachel passou por agressão, sedação e apatia. A ficha ainda está caindo e vai cair de vez no próximo capítulo, onde abordarei ainda mais a reação deles e os sentimentos de Rachel e Judy. Beth aparecerá numa cena fofa, digamos assim...
Saberemos enfim o que houve com Jennifer e Russel. Alguns anônimos já acertaram me mandando perguntas pelo ask.fm e que, por isso, não respondi ainda. Peço desculpas, mas não quero dar esse tipo de spoiler. ;-)
A música do capítulo foi uma indicação de "William R", a quem agradeço muito por isso! :-)
Tenho recebido muitas indicações de música e isso tem me deixado bem feliz! Principalmente porque quase todas têm a ver mesmo com o que estou escrevendo e já farão parte dos próximos capítulos.
Peço desculpas por ter demorado mais do que pretendia para a atualizar.
Aviso que não haverá nenhuma atualização nesse fim de semana. De nenhuma das fics. Só a partir de terça-feira (não estou prometendo atualização na própria terça. Estou dizendo que não poderei atualizar até segunda de jeito nenhum).
"Ensina-me A Ser Tua" está sem atualização há um bom tempo, mas como falei na atualização de MR, há mudanças sérias que estou fazendo no novo capítulo e isso implica a demora. Desculpem, mas é necessário. Espero conseguir incluí-la nas atualizações da próxima semana.
Então, até daqui a alguns dias! ;-)
Espero que gostem e peço que comentem! Preciso saber o que vocês acharam!
Beijos!