Você Sempre Esteve Em Mim

92 Capítulo 92 - Sem jogos...


Notas iniciais
Música do Capítulo: Kanye West (feat. John Legend) - Blame Game

Dois dias depois do incidente com Cassandra July, Quinn e Santana estavam no avião rumo à Lima, enquanto Rachel se preparava para uma reunião importante em NYADA. O reitor havia entrado em contato direto, sem o intermédio de sequer uma secretária, solicitando a presença da morena em seu escritório para uma reunião sigilosa. Quinn tinha se mostrado reticente quanto a deixar Rachel ir sozinha, mas tinha que voltar à cidade natal por exigência da treinadora Sylvester, que já estava ciente da vaga oferecida à Brittany em Juilliard, e determinou que só iria interceder por ela se encontrasse suas duas eternas capitãs pessoalmente. Rachel a acalmou, assim como o Sr. Thomas que ligou para a loira a fim de explicar o quanto seria importante ela não se envolver nessa reunião sigilosa.

A viagem foi tranquila, com o voo incrivelmente pontual. As duas passaram rapidamente em suas respectivas casas, para ver a família. Enquanto Santana dirigia rumo ao McKinley, Quinn se encontrava distraída olhando a janela, até que seu celular tocou, indicando ter recebido uma mensagem:

Oi, meu amor! Eu te liguei mais cedo, mas seu celular estava desligado. Me avisa quando chegar em Lima. Não se preocupe comigo. Está tudo bem! A reunião foi maravilhosa! Eles não apenas me pediram para não aceitar a vaga em Juilliard, como me ofereceram bolsa de estudos integral. Mas tenho certeza de que só consegui esta bolsa para que você não decidisse por mim! ;) E Cassandra foi afastada. No fim, só vantagem! :) Por favor, não demore aí! Sinto sua falta... O tempo inteiro... Amo você muito mais do que tudo! R”

S: Berry? [perguntou sem desviar o olhar da estrada]

Q: Sim... Como sabe? [falou sem olhá-la]

S: Já dá pra reconhecer como sua respiração muda por causa dela. [disse com um sorriso vitorioso]

Q: Mentira! [protestou]

S: Juro! [insistiu]

Q: Que seja... [deu de ombros]

S: Você ainda está fazendo com que ela corra atrás de você? [perguntou interessada]

Q: Esse foi um plano furado. [respondeu frustrada] É impossível, para mim, esperar por ela... [disse sincera] Eu não consigo ficar parada, não consigo esperar...

S: Esse é o seu papel. [respondeu tranquila]

Q: Meu?! [perguntou curiosa]

S: Sim. Na relação de vocês, tem as coisas que cabem a você e as coisas que cabem a ela.

Q: Dê um exemplo do que cabe a ela!

S: Ser sexy!

Q: Sério?! [disse sorrindo]

S: Deixa eu continuar: ser sexy, dengosa, diva... Tudo isso é papel dela. Colocar você nos eixos. É a Berry quem controla seus ânimos. Quem coloca freio nas suas emoções.

Q: Menos nas que ela provoca... [disse pensativa]

S: Menos nas emoções que ela provoca. [concordou] Você encontrou o amor de sua vida, assim como eu encontrei o meu. E a Berry e a Britt têm os mesmos papéis em nossas relações: elas nos dão razões. Razões para tudo! Elas se tornaram nossa razão de viver e nos fazem correr atrás das coisas e atrás delas, porque elas já nos dão tudo!

Q: Ora, ora, ora... Santana Lopez sentimental! [disse sorrindo]

S: Cala a boca! Você sabe que eu tenho razão! [disse apontando para ela]

Q: Eu sei! Você está certa! [concordou sincera] Eu não estou mais esperando que ela venha atrás de mim e conserte alguma coisa. Eu só... Só continuo magoada e nem é com ela. [disse angustiada] Minha mágoa é pela situação em que nos colocamos e ainda não sei como fazer isso passar. Morro de medo de ficar sem ela de novo, seja por qual motivo for...

S: Relaxa, Q! Esse medo nunca vai passar! Você precisa aprender a conviver com ele. Eu sinto esse medo o tempo todo. Acho que a Britt é muito para mim! Mas ela mesma se encarrega de me mostrar que eu mereço o amor que ela me dá. O medo está aqui, mas o amor é muito maior!

Q: Obrigada, S! Por estar ao meu lado sempre! [sorriu amavelmente]

S: Sempre estarei!


A ausência de resposta fez Rachel se preocupar. Pensou que receberia ao menos notícias de Quinn, avisando que tinha chegado bem em Lima. Nada! Decidiu não pressionar e se deu o resto do dia de folga, chamando Kurt para fazer-lhe companhia por Nova York:

R: Adoro andar por essas ruas, entre esses prédios enormes! [dizia sorridente]

K: Sinto a mesma coisa! Acho que somos mais novaiorquinos do que os que nasceram aqui. [respondia no mesmo tom]

R: Muito mais! [demonstrava certa euforia]

K: Então quer dizer que o plano da Quinn foi um golpe de mestre? [perguntou de repente, percebendo a euforia da amiga passar]

R: Eu não sei... Não sei até que ponto o plano dela ia. Acho que ela não imaginou que eu ganharia uma bolsa integral para ficar em NYADA.

K: Ela não disse se pensou nisso?

R: Ela não disse nada! [respondeu triste] Eu tentei ligar para contar, mas o celular dela estava desligado. Imaginei que ainda estava voando então enviei uma mensagem. Mas já se passaram horas e ela não me respondeu...

K: Ela não deve ter recebido a mensagem. [tentava consolar]

R: Eu sei que recebeu. [disse segura] É que agora as coisas são assim: ela não responde às mensagens, só diz que me ama em meio a um monólogo pesado que faz eu me sentir culpada por tudo. Ela está recorrendo ao silêncio de novo. [respondeu frustrada]

K: Por que você não conversa com ela sobre isso?

R: Porque eu não quero ouvir que estraguei tudo. Eu não quero ouvi-la dizer mais “verdades” e me deixar ciente do quanto eu sou negligente com nossa relação.

K: A Quinn é uma pessoa ferida, Rach! Ela já sofreu muito!

R: Eu sei disso! Santana já fez questão de me lembrar milhares de vezes, por toda a vida. [disse irritada]

K: Então... Ela precisa ter certeza de que em você ela tem um porto seguro.

R: Mas o que mais eu posso fazer para que ela me veja dessa forma? [perguntou realmente confusa]

K: Eu não sei bem... Só sei que ela precisa saber que sempre terá você por perto, ou que sempre poderá recorrer a você, esteja você onde estiver. Isso é ser um porto seguro.

R: Eu pensei que já fizesse isso.

K: Talvez não.

R: Acho que sei como fazer...


Santana e Quinn estavam sentadas em frente à treinadora, dividindo o silêncio sempre constrangedor que ela fazia questão de provocar:

Sue: Devo admitir que estou surpresa por Brittany ter conseguido uma vaga em Juilliard. Eu nem sabia que ela tentaria uma vaga lá. [dizia com um olhar misterioso]

Q: Ela é talentosa e a senhora sabe disso. [disse firme]

Sue: Mas as notas dela, apesar de permitirem que ela se forme, não são nada maravilhosas. [manteve o tom]

Q: Ela não precisa de matemática para ser talentosa. [permaneceu firme]

Sue: Sim. Ela é talentosa! Mas eu me preocupo que ela não consiga contar os passos e despenque de um palco. [falou irônica]

S: A Britt sabe contar! [irritou-se]

Q: Calma, S! [tentou contê-la, sabendo que a treinadora apenas estava provocando]

Sue: A amizade de vocês duas ficou tão mais bonita agora que você virou “lesbiquinn”. [disse divertida]

Q: O quê?! [surpreendeu-se]

Sue: Você acha que você namoraria a Berry, assumiria no Breadticks e eu não saberia? Devo dizer que não me surpreendi. Eu sempre soube que você tinha uma queda por ela. A tensão sexual entre vocês e o desejo latente em seus olhos quando ela passava usando aquelas micro-saias pelos corredores, eram mais do que suficiente para saber que você queria possuir a “Gay-Berry”. E na última vez que vocês vieram aqui a interação de vocês já dizia tudo. [respondeu tranquilamente]

Santana estava completamente sem ar de tanto rir. A reação de Quinn não foi outra senão ficar sem palavras.

Sue: Bom... Eu as chamei aqui porque vocês sabem da minha influência nesta escola. E a Brittany não sairia daqui se eu não permitisse. Teremos a final do campeonato na mesma semana de provas. Preciso que vocês garantam que ela se sairá bem nas provas finais, mantendo as notas, para que a formatura seja garantida de forma justa. Não vou forjar uma aprovação. O mundo lá fora é muito mais complicado do que aqui dentro e eu sei que vocês estão submersas em suas próprias vidas e seus próprios problemas, para poderem ficar cuidando dela. Ela precisa saber se virar sozinha e temo que ela ainda não esteja pronta.

S: Eu garanto que ela se sairá bem! Em tudo. [disse segura]

Q: O que eu vim fazer aqui mesmo? Santana poderia ter vindo sozinha. [disse frustrada]

Sue: Eu sei que foi você quem conseguiu a vaga para ela. Ou vocês pensam que as coisas podem mesmo fugir do meu radar? E também queria te chamar de “lesbiquinn” na sua cara.


Estavam na casa de Britt, desfrutando de um jantar especial que os pais dela ofereceram para as duas. Judy também estava lá. Toda a família estava emocionada com o gesto de Quinn. A própria Britt já havia agradecido milhares de vezes. Chorado nos braços da amiga. Já tinha dito outras tantas incontáveis vezes o quanto ela é especial. Enquanto se discutia sobre a mudança de Britt para Nova York, Quinn se afastou um pouco, indo à varanda para ficar um pouco sozinha.

Rachel tinha feito uma sopa de legumes e estava no quarto, olhando para o celular que não havia recebido nenhuma mensagem de Quinn. Respirou fundo e descartou o prato de lado. Não tinha fome. Sentia saudades e queria dizer, mas não queria se sentir rejeitada mais uma vez. Estava confusa. Quinn havia se transformado numa montanha-russa de emoções. Ela nunca sabia como ela estava se sentindo. Numa hora tudo estava aparentemente bem, com carinhos e atitudes apaixonadas. Noutra hora tudo se transformava em escuridão silenciosa. Resolveu tentar dormir.

Na varanda dos Pierce, Quinn tentava conter o frio que se instalava naquela noite, quando sentiu os braços de sua mãe lhe envolverem:

J: Está tudo bem, filha?

Q: Se eu disser que sim a senhora vai acreditar? [perguntou com a voz fraca]

J: Você sabe que não! Eu te conheço...

Q: Rachel e eu terminamos. [disse baixinho]

J: O que?! [surpreendeu-se]

Q: Mas já voltamos. [mantinha a voz ainda baixa]

J: Como assim? [ainda estava surpresa]

Q: Ela disse que precisávamos de um tempo porque eu não estava conseguindo pensar em mim por causa dela. Que eu precisava pensar no meu futuro sem ela. E eu passei a pior semana da minha vida... [havia dor em sua voz] Até que ela veio atrás de mim de novo. De lá pra cá eu tenho sentido esse medo doloroso de que ela pode me deixar a qualquer momento. De novo... E eu fico querendo fazê-la se esforçar mais, só que eu não consigo fazer com que isso seja natural. [disse frustrada]

J: Você é protetora, Quinnie. [disse com uma voz calma] Controladora. Você não consegue esperar que as coisas aconteçam. Você precisa fazer acontecer.

Q: O que isso quer dizer?

J: Estranho como ser um gênio não ajuda nos assuntos do coração, não é?! [disse sorrindo]

Q: É... [sorriu constrangida]

J: Isso quer dizer que o amor é um jogo de personalidades. Cada uma de vocês assume certas características para fazer o relacionamento dar certo. Se vocês buscam características estranhas a vocês, que não lhes pertencem, vocês ficam perdidas, sem saber como agir. Apenas seja você, Quinnie. Ame-a como você sabe. Ame-a como você ama. E só exija dela o que ela puder te dar. Não espere que ela aja como você, nem se force a agir como ela. Vocês se completam por serem diferentes e não por serem iguais.

Q: A senhora está lidando tão bem com esse assunto... [disse aliviada]

J: Eu lido bem com sua felicidade, Quinnie. E sei que você é feliz com ela... [sorriu tranquilizando-a]

Q: Eu escolhi ficar em Columbia, mãe...

J: Eu sei... Eu sempre soube que você não iria para longe dela. [disse tranquila]

Q: Minha decisão te decepciona?

J: Você nunca me decepcionará. E se pensarmos bem, se deixar levar pelo amor nunca será uma decisão ruim, não é mesmo?! Afinal de contas, é ele quem dá razão a tudo...


Um som distante ressoava. Fazia parte do seu sonho? O som insistia. Rachel despertou e percebeu que era o toque de seu celular. Tateou a cama em busca dele, mergulhando sob o edredom. Ao ver o nome de Quinn na tela, sentiu seu coração bater muito mais forte do que o normal:

R: Alô? [atendeu assustada, com a voz sonolenta]

Q: Te acordei, não foi?! Desculpa. Volte a dormir... [disse calma]

R: Não. Não! [disse mais forte] Esperei por você o dia inteiro... [murmurou] Que bom que ligou! [sorriu suave] Está tudo bem?

Q: Precisava ouvir sua voz... [sussurrou]

R: Precisava? [perguntou com a voz esperançosa]

Q: Sim... Você me acalma...

R: Está tudo bem? [perguntou preocupada]

Q: Eu sei que tenho sido um pouco complicada nos últimos dias... [tinha um tom de culpa na voz]

R: Eu entendo... [falava de forma doce]

Q: Eu te amo! Ok? Eu te amo. [disse firme]

R: Eu também te amo... [respondeu aliviada]

Q: Eu preciso que você saiba e que nunca duvide que eu te amo! [insistia]

R: Meu amor... quem tinha que estar preocupada em dizer isso era eu, não acha?! [mantinha o tom doce na voz]

Q: Não. Não acho. [disse firme] Eu não quero mais ficar nessa de esperar você fazer alguma coisa ou consertar seja lá o que for. Não quero me prender a regras, nem quero modificar nossa forma de agir. Eu te amo e preciso de você em meus braços... Preciso cuidar de você, mesmo que você passe a cuidar de mim também...

O coração de Rachel acelerou. Ouvir a voz de Quinn e aquelas palavras ditas de forma tão intensa trazia de volta o calor que só o amor das duas era capaz de dar...

R: Vem pra casa logo, meu amor... [disse num sussurro urgente]

Q: Estou indo agora mesmo!



Notas finais
Primeiramente: mil desculpas! Perdoem a ausência de postagem nos últimos dias! Além de inúmeras festas de confraternização e de Natal, ainda tive uma viagem no meio disso tudo e, mesmo tendo levado o notebook, não tive tempo de postar. Mas agora tudo volta ao normal e manterei o ritmo de postagens. Hoje terá outro capítulo. Se não sair durante a tarde, sairá à noite!
Beijos e Feliz Natal, mesmo que a data já tenha passado! :)
Aguardo seus comentários!